Aninha e o Cego

Esta história também foi criada para a escola O Pequeno Polegar, e teve como base uma cantiga da minha infância, de um LP que minha mãe tinha, só de pequenos contos musicados. Não me lembro o nome do LP. Mas uso diversos contos cantados (ou seriam cantos contados?) até hoje. Outras histórias deste LP, assim como a versão original desta história, ainda serão plantados em meu jardim…

PS- Uma leitora postou nos comentários o nome do LP, além de dados muito interessantes sobre ele, por isso transcrevo aqui o comentário de Heléia Jônia:“O LP da história da Aninha e o cego se chama “Brincadeiras de Roda, estórias e canções de ninar”. É um álbum infantil lançado em 1983 no formato LP, pelo Estúdio Eldorado. Este disco é uma coletânea de canções e estórias infantis, recolhidas pela folclorista Esther Pedreira de Cerqueira (20 de maio de 1883, Salvador). Ao longo de seus quase 100 anos anotou as estórias e canções “entoadas pela voz anônima e eterna do povo”. Em 1978 publicou o material no livro Folclore Musicado da Bahia, o qual originou este álbum.” Gratidão pela informação Heléia, há tempos procurava o nome deste LP.

ANINHA E O CEGO

Em um reino muito distante vivia um rei muito justo e bondoso. Por isso era um reino muito feliz e próspero. Era tempo deste rei se casar, mas ele queria uma rainha que fosse bondosa como ele e, por isso chamou seus melhores cavalheiros e mandou que partissem em busca de uma princesa que fosse tão bondosa quanto ele. Um ano passaram nesta busca, por todos os cantos do mundo, mas nenhum deles encontrou uma princesa que apresentasse a bondade de seu nobre Rei, e portanto voltaram para o castelo sem nenhuma princesa.

O Rei, que era também muito sábio tomou uma decisão, encontraria uma mulher bondosa ele mesmo, e se casaria com ele mesmo que fosse uma camponesa. Como não podia enxergar o coração das mulheres o Rei teve uma grande ideia: vestiu uma capa de mendigo e, fingindo-se de cego, saiu à procura de mulheres pelas ruas e vielas do próprio reino. Quando encontrava uma moça, não pedia pão nem vinho, pedia apenas que lhe indicasse o caminho para o castelo.

Acontece que as moças, ao verem um mendigo, mesmo que cego, atravessavam para o outro lado, para não ter que passar na mesma calçada do que ele, ou então jogavam-lhe uma moeda sem nem ao menos escutar o que ele pedia.

E assim o Rei, fantasiado de mendigo cego, andou por vários e vários dias, já havia saído da cidade, atravessado a grande estrada, e agora caminhava pelo campo, sem desistir da sua procura, quando finalmente encontrou uma jovem camponesa que o tratou com educação. Seu nome era Aninha e o rei pediu-lhe:

“- Eu não peço pão, eu não peço vinho, eu só peço à Aninha que indique o meu caminho.” (cantado)

Aninha, como era muito boazinha deu o braço ao mendigo e levou-o até a estrada, onde parou e disse:

“- Chegamos na estrada. Oh! Meu bom ceguinho, no fim desta estrada estará o seu caminho. Passe adiante cego.

– Passe adiante Aninha.

– Passe adiante cego, e siga o seu caminho.” (cantado)

Mas o Rei, disfarçado de mendigo cego, mais uma vez implorou:

“-Eu não peço pão, eu não peço vinho, eu só peço Aninha que indique o meu caminho.”

Como Aninha era muito bondosa, mais uma vez deu o braço ao mendigo cego e levou-o pela estrada, apesar de nunca antes ter pego a estrada sozinha. Quando chegaram à cidade grande Aninha parou e disse assustada, pois nunca antes tinha estado lá:

“-Chegamos na cidade. Oh! Meu bom ceguinho, no meio da cidade estará o seu caminho. Passe adiante cego.

– Passe adiante Aninha.

– Passe adiante cego, e siga o seu caminho.”

Mas o Rei, disfarçado de mendigo cego, mais uma vez pediu humildemente:

“- Eu não peço pão, eu não peço vinho. Eu só peço Aninha que indique o meu caminho.”

Como Aninha era muito bondosa, mais uma vez pegou o cego pelo braço e levou-o pela cidade grande, até chegarem a entrada do caminho real, onde Aninha parou espantada e disse:

“- Siga pro castelo. Oh! Meu bom velhinho. Siga pro castelo, este é o seu caminho. Passe adiante cego.

– Passe adiante Aninha.

– Passe adiante cego, e siga o seu caminho.”

O Rei, disfarçado de mendigo cego, desta vez pediu com altivez:

“- Eu não peço pão, eu não peço vinho. Eu só peço Aninha que indique o meu caminho.”

Perante tal pedido Aninha não teve como recusar, e como já havia ido até lá, resolveu acompanhar o mendigo até o castelo.

Mas assim que adentraram de braços dados no caminho real, o Rei endireitou o corpo e tirou o manto de mendigo, mostrando seus trajes reais e sendo imediatamente reconhecido por seus súditos que estavam no caminho. Todos os seus súditos curvaram-se  e festejaram em grande alegria por ver de volta seu rei acompanhado de tão bela moça. O Rei então falou bem alto, para que todos pudessem ouvir:

“- Hoje temos festa, conheçam Aninha! Esta boa moça será a nossa Rainha!”

Só então Aninha percebeu tratar-se de seu Rei e não de um verdadeiro mendigo. Pela sua bondade Aninha foi feita Rainha. E juntos os dois governaram justos e bondosos e o reino continuou feliz e próspero por muitos e muitos anos.”

1 comentário

  1. eliane · agosto 28, 2015

    linda história – uma graça… que se tenham em nossos caminhos muitas e muitas Aninhas..

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