Camilão, o Comilão

Desta vez escrevo para testar minha memória e ver por escrito como ficou minha versão desta linda história.

A autora desta obra é Ana Maria Machado. Escritora pela qual tenho enorme admiração (quem sabe quando crescer eu não possa seguir os passos desta grande mestra). Mas o que coloco aqui não é uma cópia de sua obra e nem tem a intensão de ser melhor do que a original. É apenas como ficou a minha versão. A forma que tomou a história na minha memória e na qual vou contá-la nesta terça. Com narrativa direta, sem acessórios ou apetrechos que não sejam meu corpo e a minha voz. Mas após a contação faremos a pintura em aquarela ao estilo “natureza morta” reproduzindo a cesta cheia de Camilão, que é um ótimo exercício para fixação das quantidades.

Camilão, o Comilão (Ana Maria Machado)

Camilo era um leitão. Na verdade era um porco bem grande, este Camilão.

Não era um porco dos mais porcos, era até bem limpinho, mas era um porco preguiçoso e muito, muito guloso. Camilão era um comilão.

Mas não gostava de trabalhar para conseguir sua própria comida, preferia comer cada dia na casa de um amigo, ou então pedia um pouco de comida para qualquer um deles. Mas eles não se importavam, gostavam de Camilão e até achavam graça nessa gulodice, que afinal não fazia mal a ninguém, a não ser ao próprio Camilão.

Um dia, Camilão estava com muita fome, por isso pegou uma grande cesta vazia, colocou um guardanapo em cima e saiu pela estrada.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta vazia, e um guardanapo em cima. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta vazia, lá se vai o Camilão.” (cantado)

Camilão chegou na plantação onde trabalhava o seu amigo, o cão Fidel.

-Bom dia amigo – disse Camilão – o que você está fazendo?

-Estou trabalhando – respondeu o cão – cuidando destas deliciosas melancias.

-Nossa, quantas melancias… E eu aqui com tanta fome que até parece que vou desmaiar. Você poderia me dar uma destas?

– Claro, uma só não fará falta para ninguém. – Disse o cão Fidel e entregou uma melancia ao seu amigo Camilão.

Camilão agradeceu, colocou a melancia dentro da cesta, com o guardanapo por cima e seguiu pela estrada.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, em sua cesta vazia leva agora a melancia. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com a cesta e a melancia, lá se vai o Camilão”

Camilão encontrou na estrada com o jumento Joca.

-Bom dia Joca, o que você está fazendo? – perguntou o Camilão.

-Estou levando estas abóboras para vender na feira. – respondeu o jumento Joca.

-Nossa, quantas abóboras apetitosas… E eu aqui com tanta fome que até parece que vou desmaiar. Você poderia me dar umas destas?

– Claro, algumas apenas não farão falta a ninguém. – respondeu o Joca e deu pra ele duas abóboras.

Camilão colocou as duas abóboras na cesta, e o que é que já tinha na cesta mesmo? Isso, uma melancia. E Camilão seguiu pela estrada carregando a sua cesta com uma melancia, duas abóboras e o guardanapo em cima.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, e sua cesta vazia vai agora carregada. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta carregada lá se vai o Camilão.”

Camilão chegou ao curral onde trabalhava a vaca Mimosa.

-Bom dia dona Mimosa. O que a senhora está fazendo?

-Estou batendo manteiga, fazendo queijo e requeijão.

-Hum, quantas delícias…  E eu aqui com tanta fome que até parece que vou desmaiar. A senhora poderia me dar umas destas maravilhas?

E a Mimosa, que era muito bondosa, deu ao Camilão três queijos e quatro litros de leite.

Camilão colocou tudo em sua cesta e seguiu pela estrada com a cesta carregada. E o que é que vinha dentro da cesta mesmo?

Uma melancia, duas abóboras, três queijos, quatro litros de leite e o guardanapo em cima.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, e sua cesta vazia vai agora carregada. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta carregada lá se vai o Camilão.”

Camilão chegou ao galinheiro onde estava a galinha Quiqui e foi logo jogando aquela conversa de que estava com fome e quase desmaiando. Quiqui chamou seus pintinhos e disse:

– Filhinhos tragam algumas espigas de milho para nosso amigo Camilão. Cada pintinho trouxe uma espiga. Quem adivinha quantos pintinhos haviam? Isso mesmo, cinco. E assim Camilão ganhou cinco espigas de milho, que colocou em sua cesta e seguiu pela estrada. E o que é mesmo que vinha naquela grande cesta carregada?

Uma melancia, duas abóboras, três queijos, quatro litros de leite, cinco espigas de milho e o guardanapo em cima.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, e sua cesta vazia vai agora carregada. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta carregada lá se vai o Camilão.”

Camilão chegou no pomar, onde morava o macaco Simão. E já chegou jogando o velho papo, mas desta vez não foi tão fácil, que Simão já era um macaco bem manjado. Mas tanto pediu e tanto insistiu, que acabou ganhando. Mas um cacho inteiro Simão não deu não. Deu meia dúzia de bananas, só por consideração.

Camilão colocou as seis bananas em sua grande cesta e seguiu pela estrada. E o que é que tinha mesmo em sua cesta agora tão pesada?

Uma melancia, duas abóboras, três queijos, quatro litros de leite, cinco espigas de milho, seis bananas e o guardanapo em cima.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, e sua cesta vazia vai agora carregada. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta carregada lá se vai o Camilão.”

E Camilão ainda no pomar foi falar com a abelha Zazá. Quem adivinha o que foi que Camilão disse? Isso mesmo, jogou aquele papo furado e ganhou 7 potes de mel, pois Zazá era um doce de amiga.

Camilão colocou seus 7 potes de mel em sua cesta e seguiu pela estrada. E o que é que Camilão levava agora na sua cesta tão pesada?

Uma melancia, duas abóboras, três queijos, quatro litros de leite, cinco espigas de milho, seis bananas, sete potes de mel e o guardanapo em cima.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, e sua cesta vazia vai agora carregada. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta carregada lá se vai o Camilão.”

E Camilão chegou na horta do coelho Orelhudo e vocês já sabem né, jogou a conversa velha e ganhou oito alfaces e nove cenouras.

E Camilão colocou tudo na sua grande cesta, agora bem carregada e pesada e seguiu pela estrada. E o que é mesmo que tinha lá dentro da cesta do Camilão?

Uma melancia, duas abóboras, três queijos, quatro litros de leite, cinco espigas de milho, seis bananas, sete potes de mel, oito alfaces, nove cenouras e o guardanapo em cima.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, e sua cesta vazia vai agora carregada. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta carregada lá se vai o Camilão.”

E a cesta de Camilão já estava mesmo bem pesada, mas Camilão ainda não estava satisfeito. Foi na beirada do rio encontrar o esquilo Nilo, para o qual contou a velha história. Nilo deu ao Camilo 10 avelãs.

Camilão guardou-as em sua grande cesta que agora estava mesmo lotada. Com o que é mesmo que ela vinha carregada?

Uma melancia, duas abóboras, três queijos, quatro litros de leite, cinco espigas de milho, seis bananas, sete potes de mel, oito alfaces, nove cenouras, dez avelãs e o guardanapo em cima.

“Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, e sua cesta vazia vai agora carregada. Lá se vai o Camilão, caminhando pela estrada, com sua cesta carregada lá se vai o Camilão.”

E desta vez Camilão deu-se por satisfeito e foi para a floresta procurar um canto sossegado. E o que é que vocês acham que aconteceu? Acham que Camilão comeu tudo e teve uma baita dor de barriga? Será que ele comeu até explodir? Não, eu acho que não.

Eu acho que Camilão tinha tantos amigos porque, apesar de preguiçoso, Camilão gostava de dividir tudo o que tinha. Mesmo se estivesse com muita fome. E foi por isso que Camilão, quando chegou na clareira da floresta armou uma grande festa, com convite e tudo. Com o que tinha na sua cesta Camilão fez um grande banquete e foi muito divertido. Até eu fui convidada e como não tinha ajudado com nada resolvi levar onze morangos. E você foi? Levou o quê?

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