Por que fiquei sem palavras

Venho aqui explicar meu silêncio. Uma história que com certeza esta meio manca porque ainda estou sem palavras…

O ano era 2002, a cidade Antonina, foi quando conheci uma figura fazendo uma roda de poesia e foi ali no pier, nossa primeira troca de bagagens da vida. Eu, no auge dos meus 19 aninhos, com a mala ainda tão vazia dei pra você uma poesia que nem ao menos era minha, mas Ismália caiu como uma luva perante a lua cheia que o mar refletia. Em troca eu ganhava um verdadeiro presente, aprendi que para ganhar a vida como artista era preciso ser artista na vida.

Creio que era um encontro marcado. Por quem? Não sei. Mas são dessas coincidências que não podem ser simples acaso. Seis anos se passaram e novamente nossos caminhos se cruzaram. O reconhecimento foi imediato.  Desta vez no largo da ordem e eu tinha finalmente algo de meu na bagagem que podia oferecer. Minha primeira história. Que embora já crescesse a 3 anos e eu a muito já quisesse a ver voar, ainda estava guardada na timidez e no medo de não saber como a mostrar. Dei a ele esta história e em troca João deu-lhe asas ajudou-me a espalhá-la aos 4 ventos cumprindo meu intento e enquanto eu lhe ensinava a contar a minha história e manipular o brinquedo que lhe dá forma, este Bello ser me ajudava a assumir a profissão que sigo agora. Uma Contadora de Histórias.

E eis que na semana passada João Bello me deixou sem palavras, foi por isso que por aqui andei calada. Fui por ele convidada para amadrinhá-lo, em um batismo em que como Contador de Histórias a Dona Efigênia irá consagrá-lo (sim, eu estou falando desta figura encantadora que transforma papel de bala em coisas inimagináveis). E ao meu lado como padrinho Hélio Leite (o que faz de uma caixa de fósforo uma história fantástica).

Se vocês ainda não entenderam porque eu fiquei sem palavras, eu vou explicar melhor: Estes três são figuras carimbadas e tarimbadas com malas super carregadas e anos de estrada. Eu já me sentiria mais que honrada se qualquer um deles aceitassem ser meus padrinhos, já me sentiria agraciada pela simples oportunidade de estar presente neste batismo com pessoas que por mim são tão admiradas. Imagina com a história toda trocada? Eu, no começo da minha  caminhada servindo de madrinha par quem deveria me batizar? Minha primeira opção foi recusar e foi por isso que entrei no face dias atrás, mas quando abri a minha caixa de mensagens com o João Bello, eis que nossa última conversa havia sido sobre um convite que ele havia recebido para ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Contadores de Histórias e que pensava em recusar por acreditar que haviam ouros que mereciam mais este lugar… e eu disse que não deixasse este trem passar. Que não cabe a nós julgarmos os nossos merecimentos e que as grandes oportunidades nós deveríamos aproveitar. E eis que perante o meu próprio discurso, eu já não tinha como recusar. Aceitei, com a vista embargada pouco pude digitar… ainda não consigo acreditar. Sei que esta honra eu não mereço e por isso mesmo eu muito agradeço.

João Bello, de coração, sou pura gratidão. Sei que não mereço, mas vou acreditar que é um bom começo e que vou fazer por merecer este lugar que você me deu. E espero que um dia você possa ser padrinho da sua madrinha…

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