O Bonequinho de Pão de Ló

Havia me decidido pela história do Bonequinho Doce, do Alaíde Lisboa, para apresentar na escola O Pequeno Polegar, mas como era uma história que eu não conhecia de cor, fui pesquisar na internet… achei! E de brinde ainda achei um áudio da coleção disquinho com uma história que eu nem conhecia, do Bonequinho de Pão de Ló. Uma história popular (sem autor conhecido), e resolvi escutar. Achei as duas histórias muito parecidas e preferi a do Bonequinho Doce, mais elaborada, mas minhas filhas gostaram das duas e sugeriram que eu contasse as duas que elas nem achavam tão parecido, só o começo…. Me convenceram. E não é que deu super certo? As crianças adoraram a história do Bonequinho Doce, mas quando chegou a história do Bonequinho de Pão de Ló, embora em três sala tenham soltado um comentário bem no começo, sugerindo ser a mesma história, logo no primeiro jargão as turmas começavam a gargalhar, e a história seguiu com gargalhadas contínuas e, ainda assim, as crianças se esforçando para manter o silêncio e conseguir ouvir a história quando, após uma pequena pausa para que eles rissem, eu retomava a história. O resultado é que na apresentação da escola Umbrella, nesta sexta, eu troquei a segunda história, que seria o Cucuruto do Galo, pelo Bonequinho de Pão de Ló, e foi ótimo. Os jargões eu fui criando na hora, explorando o fato do primeiro ter dado certo (e era o único ensaiado – quando o bonequinho dizia para a Velha: – Me comer? Comigo não violão.) por isso foram diferentes em cada apresentação e vou publicar aqui como ficou na última para os alunos do N4 e do 1º ano da escola Umbrella.

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O BONEQUINHO DE PÃO DE LÓ

Era uma vez uma velha bem velhinha, que um belo dia pegou uma bacia e nela juntou um bocado de farinha, com um pouco de leite, um ovo, óleo e açúcar, fazendo um delicioso pão de ló. Quando a massa estava pronta deu a ela um formato de bonequinho, com cabeça, corpinho, duas pernas e dois bracinhos. O bonequinho ficou muito bonitinho. E para completar a Velha ainda confeitou com chocolate, fazendo dois olhos, um nariz e uma boca, e ainda botõezinhos para fazer a vez de camisa, desenhou até um colarinho. Quando estava tudo pronto pôs no fogo para assar e, depois de assado, pôs na janela para esfriar. E admirando seu bonequinho a velhinha pensou em voz alta: – Fique aqui a esfriar que vou chamar o meu velhinho pra ver como você ficou bonitinho antes de te comer.

Mas quando ouviu a palavra comer o Bonequinho de Pão de Ló levantou e desatou a correr. A velhinha admirada saiu correndo a gritar:

– Espere Bonequinho, me deixe te levar para o meu velhinho, ele vai gostar muito de você.

Mas o Bonequinho respondeu:

-Eu eim… comigo não violão! – e pôs-se a cantar e saltar – Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de Ló.

E assim cantando o Bonequinho de Pão de Ló passou pelo vovô. E o bom velhinho gritou:

-Bonequinho de Pão de Ló, pare de correr um pouquinho só.

– Eu eim, comigo não seu bocoió. A vóvó não me pegou e você não me pega também. Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de Ló.

E assim, cantando e saltitando o Bonequinho de Pão de Ló passou por um cachorrão que lhe disse:

– Au, au! Bonequinho de Pão de Ló, corra para cá, me deixe comer um pedação.

– Eu eim, comigo não sai pra lá jacaré, não te dou nem meu pé… A vovó não me pegou, o vovô não me pegou e você também não vai me pegar. Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de Ló.

E assim, correndo e cantando o Bonequinho de pão de ló passou por um gato que lhe chamou e disse:

– Miau! Bonequinho de pão de Ló, corra para cá, deixa-me comer um pedacinho só.

E o Bonequinho de Pão de Ló respondeu:

-Você acha que vai me pegar? Sai pra lá jacarépaguá. A vovó não me pegou, o vovô não me pegou, o cachorrão não me pegou e você também não vai me pegar não. Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de Ló.

E assim, correndo, cantando e saltitando, o Bonequinho de Pão de Ló passou pelo pato que lhe perguntou:

-Quac, quac, Bonequinho de Pão de Ló, deixe-me comer só o seu olho?

E o Bonequinho respondeu:

– Meu olho? Sai pra lé seu repolho! A vovó não me pegou, o vovô não me pegou, o cachorrão não me pegou, o gato não me pegou e você também não vai me pegar não. Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de Ló.

E assim, correndo, cantando e saltitando, o Bonequinho de Pão de Ló passou pelo galo que lhe perguntou:

– Cócóóó, Bonequinho de Pão de Ló, deixe-me comer um narizinho só?

– O quê? Você quer comer o meu nariz? Sai pra lá chafariz. A vovó não me pegou, o vovô não me pegou, o cachorrão não me pegou, o gato não me pegou e você também não vai me pegar não. Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de Ló.

E assim, correndo, cantando e saltitando, o Bonequinho de Pão de Ló passou pela vaca mimosa que lhe perguntou:

– Muuuu, bonequinho de Pão de Ló, deixe-me comer um botãozinho só?

-O quê? Você quer comer um botão da minha linda camisa? Sai pra lá sua enxerida. A vovó não me pegou, o vovô não me pegou, o cachorrão não me pegou, o gato não me pegou e você também não vai me pegar não. Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de Ló.

E assim, correndo, cantando e saltitando, o Bonequinho de Pão de Ló passou pela raposa que lhe perguntou:

– Nossa Bonequinho de Pão de Ló, que voz mais doce, que gracinha de música. Pena que eu seja meio surda e não consiga te ouvir direito… você poderia cantar esta linda musiquinha para mim, mais pertinho, para eu te escutar melhor?

E o Bonequinho respondeu todo orgulhoso:

-Você gostou da minha voz? E da minha música? Quer que eu cante de novo para você? Será um grande prazer: Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de Ló.

– Nossa – disse a esperta raposa – é muito bonitinha mesmo. Pena que eu seja tão surdinha, quase não consegui ouvir. Pode repetir mais pertinho do meu ouvido?

-Claro. Ninguém vai me segurar, tralalalalalaló, eu sei correr, eu sei pular, com minhas perninhas de Pão de… nhoc.

A raposa comeu o Bonequinho.

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