A Menina da Lanterna

Esta história faz parte da pedagogia Waldorf, para a chegada do inverno. Originalmente era contada em novembro (entrada do inverno no hemisfério norte) na noite de São Martinho. Quando a festa da lanterna foi feita pela primeira vez por uma escola Waldorf brasileira, em São Paulo, foi transferida para a noite de São João, pois além desta ser uma noite de festa tradicional da nossa cultura, é também uma festa na qual celebramos o inverno, época a qual a história da lanterna remete-nos.

Essa história trata da jornada evolutiva do ser humano na busca pela sua luz interior. Seus personagens representam características que o indivíduo deve superar para conseguir trazer a luz espiritual para dentro de si.

Estou preparando-a para contar nesta terça feira, na escola O Pequeno Polegar.

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A MENINA DA LANTERNA

Era uma vez uma linda menina que passeava com a sua lanterna pela floresta.

“Eu vou com a minha lanterna e a minha lanterna comigo. No céu brilham estrelas, na terra brilhamos nós. Tralalalalalalalalalala, com a minha lanterna na mão. Tralalalalalalalalalala, balanga, balanga lampião.”

Andou, andou e andou, até que se cansou e parou para descansar um pouco antes de começar o seu caminho de volta para casa. Mas enquanto a menina dormia encostada a uma pedra, passou um vento bem forte e apagou a lanterna da menina.

Quando acordou a menina ficou muito preocupada.

– Oh, e agora? O vento apagou minha lanterna e já está ficando escuro… como vou achar o caminho de volta para casa?

A menina tentou procurar o caminho assim mesmo, mas quanto mais procurava mais se perdia na floresta e mais escuro ficava. chegou a uma clareira e viu um texugo que rodeava a clareira desconfiado olhando a menina de soslaio.

– Olá senhor texugo o senhor pode me ajudar a acender a minha lanterna?

-Sai pra lá, que eu tenho medo. Dê o fora e não me amola. Vou correndo para minha toca onde é escuro e seguro.

E o Texugo saiu correndo e a menina seguiu sua busca. Viu chegando uma raposa bem ligeira, espiando na espreita.

-Olá dona Raposa. A senhora poderia me ajudar a acender a minha lanterna.

-Sai pra lá, não venha me atrapalhar. Vou correndo para minha toca para cuidar dos meus filhotinhos. Vá colher coquinhos.

E a raposa foi embora bem depressa, deixando a menina sozinha com a sua busca. Pouco depois a menina ouviu um barulhão, de passos bem pesados e viu passar um grande Urso malhado.

-Olá seu Urso. O senhor poderia me ajudar a acender a minha lanterna para que eu possa encontrar meu caminho?

-Uahh! Estou com sono, quase dormindo. Sai pra lá que eu vou para minha caverna hibernar. Uah!

E assim a menina seguiu seu caminho sozinha pela escuridão. Mas logo apareceram no céu as primeiras estrelas e a menina pediu-lhes ajuda.

-Boa noite estrelas do céu. Poderiam me emprestar sua luz para acender  minha lanterna?

-Ah, bela menina, nós adoraríamos, mas nossa luz não tem força para lhe alcançar. Peça ajuda ao nosso pai, é Ele quem nos empresta a sua luz. Peça ao Sol, ele irá lhe ajudar.

E assim a menina começou a sua busca, pelo Sol a procurar. Andou até avistar uma casa, onde bateu em busca de ajuda. Atendeu uma velha fiadeira.

-Boa noite boa senhora. Minha lanterna apagou e não consigo achar meu caminho de volta, a senhora poderia me ajudar a acender a minha lanterna?

– Oh doce menina, adoraria poder te ajudar, mas não tenho mais fogo nenhum. Meu fogão apagou e não tenho nada para acendê-lo. Minhas mãos estão tão duras de frio que nem ao menos consigo mais fiar. Mas se quiser descanse aqui um pouco antes de sua busca continuar.

E assim a menina sentou aos pés da velha e adormeceu. Acordou antes do dia nascer agradeceu a boa velhinha e lhe perguntou:

-A senhora sabe onde posso mora o Sol? Pode me ensinar a chegar até ele?

-Não sei onde ele mora, mas sei que dorme todas as noites atrás daquele grande morro. Talvez lá possa encontrá-lo.

E a menina seguiu caminho em direção ao morro indicado. Ao pé do morro encontrou a casa onde resolveu pedir ajuda.Bateu e um velho sapateiro atendeu.

-Boa noite bom senhor. O senhor pode me ajudar a acender a minha lanterna?

-Gostaria muito de ajudá-la, mas meu lampião se apagou e não tenho nada para acendê-lo. E o pior é que sem sua luz não consigo enxergar direito e nem posso trabalhar… Mas se quiser entrar e descansar um pouco, pode ficar. A menina, que já havia andado muito, entrou e descansou para depois retomar o seu caminho, antes de sair convidou o velho para ir em busca do sol consigo.

-Já sou muito velho, não posso ir com você, embora gostaria muito de poder. Mas sei que o Sol dorme todas as noites atrás deste monte. Suba-o e irá encontrá-lo.

A menina seguiu seu caminho morro acima, e já na metade do morro encontrou um menino brincando com a sua bola.

-Olá menino, boa tarde. Você poderia me dizer onde posso encontrar o Sol?

Mas o menino nem lhe deu bola. Saiu brincando com a sua bola.

A menina chegou ao alto do morro e já era o fim do dia. Como estava muito cansada deitou em uma pedra e adormeceu. O Sol que chegava para descansar e havia acompanhado a jornada da menina por todo o dia, apiedou-se, desceu até ela e, com a Sua luz, acendeu a lanterna. Indo logo descansar atrás do morro.

Quando a menina acordou e viu sua lanterna acesa, ficou muito feliz e tratou logo de retomar o caminho de volta para a floresta, para poder encontrar o caminho de volta para sua casa.

Ainda no morro a menina encontrou com o menino que, baixinho, soluçava.

-O que aconteceu?

-Perdi a minha bola e com toda essa escuridão, não consigo achá-la.

Com a sua lanterna a menina ajudou o menino a achar a sua bola antes de seguir o seu caminho. Quando chegou a casa do sapateiro usou o fogo da sua lanterna para acender o lampião e seguiu o seu caminho deixando o sapateiro muito feliz, agora ele já podia voltar a fazer os seus sapatos, pois já tinha luz para enxergar. Quando chegou na casa da fiadeira a menina usou o fogo da sua lanterna para acender o fogão da velha que, muito feliz, pode aquecer suas mãos e voltar a fiar.

Quando chegou na floresta todos os animaizinhos vieram desconfiados para ver aquela luz tão bonita. E foram chegando o Urso, a Raposa e o Texugo e muitos outros animaizinhos. A menina então, com o fogo da sua lanterna acendeu uma grande fogueira e toda a floresta veio fazer a festa.

3 comentários

  1. Pingback: Festa da Lanterna 2017 | Jardim de Infância Trilha do Sol
  2. ANA M DRAG · julho 15

    Boa tarde,
    Voce sabe o nome do autor desse conto? A origem do mesmo, o idioma original? Muito obrigada

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  3. Anônimo · setembro 5

    muito bom!!!

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