Projetor de Sonhos

Era uma vez um menino que vivia lá no Sertão. Morava em um casebre tão simples que não tinha nem televisão.

Toda vez que tinha festa lá na casa do seu “Coronér” o menino não queria nem brincar, sabem como é. Ficava vidrado na TV, vendo o que tivesse pra ver. E se deixassem, e a festa durasse, ele ficava assim até o Sol nascer.

Foi numa dessas noites que começou o seu dilema. O menino viu um filme que mostrava um cinema, e se pôs a imaginar o quão emocionante seria assistir um filme em uma tela gigante.

Voltou pra casa com essa ideia fixa na cabeça. Acontece que o menino não tinha pai nem mãe, vivia com a avó. Foi pedir pra ela levá-lo ao cinema. Mas eles eram muito pobres, não tinham condição. A avó teve que dizer não. Apesar de decepcionado o menino entendeu, mas dentro dele aquele sonho só cresceu.

Mas passado uns meses a sua avó morreu e o menino ficou completamente só. Estava muito triste, mas resolveu tirar algum proveito da situação: já que não tinha mais ninguém pra dizer não, decidiu ir pra cidade ver um filme num cinema de verdade.

Arrumou a mala e saiu ainda de madrugada para iniciar sua grande jornada. Andou muitos dias, passou por várias cidade, mas por lá só havia cidade pequena, as poucas onde um dia havia tido um cinema, eles já haviam virado mini-shoppings ou igrejas.

Mas o menino não desistiu. Continuou procurando, dias e dias  a fio. Até que finalmente chegou a uma grande cidade. Lá haviam três cinemas, com várias salas cada um, mas ficavam todos dentro de grandes shoppings e o menino, em farrapos, não conseguiu entrar em nenhum.

Diante do último ele parou, ajoelhou e chorou desconsolado. Não sabia o que fazer. Havia passado sede e fome, tomado chuva e Sol, andado tanto pra nada. O menino se sentia tão triste, que queria até morrer.

Mas mesmo assim se levantou e começou o caminho de volta pra casa. Seguia cansado, ferido n’alma, derrotado.

Andou ainda por alguns dias antes de passar por um casal em uma carroça, parada no meio da estrada com um problema na roda. O casal era da cidade, não tinham esse tipo de habilidade: não sabiam consertar roda de carroça. O menino ofertou ajuda, o casal aceitou na hora. O menino consertou a tal roda e ganhou uma carona em troca.

Durante o caminho eles foram se conhecendo, ficando amigos, até que o menino contou a sua história.

Mas não é que esse mundo é mesmo uma bola e os anjos estão mesmo a nos guardar. Pois aquela carroça era um cinema ambulante que levava a sétima arte para tudo quanto é lugar.

E já na primeira parada o menino viu, abismado, um filme ser projetado. E ele foi tão prestativo, carregou cadeiras, estendeu a lona, saiu gritando para o filme anunciar. E o casal gostou tanto dele que o convidou para com eles viajar e trabalhar.

E foi assim que o menino ganhou uma nova família, todo cheia de amor. Cresceu, aprendeu e virou operador de projetor. E assistiu muitos filmes: riu em silêncio com o Chaplin, chorou quando o Titanic afundou, se assustou com o Hitchcock  e chorou de rir com o Mazzaropi.

E hoje virou cineasta, um consagrado diretor. E sempre que pode pega sua carroça-cinema e toca lá pro Sertão, buscando meninos que como ele carregam um sonho no coração.

FIM

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