As Fadas (Charles Perrault)

Depois de boas férias onde trabalhei muito (rsrs), mas não com histórias, e também descansei um pouco, encontrando ainda um tempinho pra uma necessária atualização profissional (afinal se a formação tem que ser continuada não pode parar nunca, né) voltei para a escola cheia de novas ideias para aulas mais elaboradas. Enfim, este ano ao invés de 3 histórias por aula, vamos nos aprofundar nos temas com uma história e duas ou três atividades artísticas relacionadas à história. portanto pretendo aqui de agora em diante descrever um pouco das meus planos de aula, com a história e as atividades.

Esta primeira história é para crianças do Nível IV e V, também serve muito bem ao primeiro ano.

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As Fadas
Era uma vez uma viúva que tinha duas filhas. A mais velha parecia muito com ela, de rosto e de comportamento. Era grossa e desajeitada. Preguiçosa, mentirosa e mal educada.
Já a mais nova saíra ao pai. Era delicada, gentil e prestativa, e além de bem educada era a mais bela moça da vila.
Mas a viúva, como lhe convinha, só gostava da filha mais velha por ser mais parecida com ela. A mais nova tratava como criada, lhe obrigava a limpar, lavar, passar, cozinhar e nem de filha lhe chamava. E a menina tudo fazia e de nada reclamava.
Todos os dias, duas vezes por dia, a menina pegava a tina e ia até o poço da fonte clara, a duas léguas de caminhada, e voltava, carregando a tina pesada, cheia de água para o uso da casa. Naquele tempo não tinha água encanada… mas nem assim ela se lamentava.
Um dia estava a menina pronta para encher a tina no poço da fonte de água clara, quando apareceu uma velha, em farrapos, pedindo um pouco d’água. A menina sem hesitar fez das próprias mãos uma tigela e, delicadamente, serviu água pra velha.
O que a menina não sabia é que a velha era na verdade uma fada. Estava disfarçada de velha mendiga para que a bondade da menina pudesse ser testada.
-Você me serviu com amor e prontidão, e em troca um dom eu vou lhe dar, pedras preciosas da sua boca irão brotar a cada palavra que você falar.
Encantada a menina voltou correndo pra casa levando ainda na cabeça a tina pesada, cheia d’água.
Ao chegar sua mãe já esperava na porta, brava, de cara amarrada, querendo saber o motivo da demora.
-Ah, mamãe! Aconteceu uma coisa maravilhosa!
E ao dizer essas palavras da sua boca caíram uma pérola, dois rubis e três diamantes enormes.
-Minha nossa! Minha filha!- e era a primeira vez que ela chamava a menina de filha – De onde vem todas essas preciosidades? Desse jeito seremos a família mais rica da cidade!!!
E a menina, honestamente, contou tudo que lhe acontecera, e a cada palavra que ela dizia uma nova pedra maravilhosa surgia. E a mãe, gananciosa, já se pôs a imaginar quantas riquezas ela iria ganhar se a outra filha também produzisse brilhantes ao falar. Chamou a filha mais velha:
-Minha filha, pegue a tina de prata e vá agora ao poço da fonte de água clara e faça tudo o que a sua irmãzinha fez.
-Mas mãe, o poço é longe, eu tô cansada…
-Menina, deixe de ser preguiçosa, pegue essa tina de prata e vá agora e nem pense em voltar para casa antes de falar com a velha fada.
Sem ter opção a menina pegou a tina e começou a trilha, mas foi se arrastando e reclamando o caminho inteirinho. Que a tina era muito pesada, o caminho muito comprido, que dava muito trabalho conseguir o tal feitiço.
Quando chegou no poço nem pensou em encher a tina de água, resolveu esperar sentada. Foi quando apareceu uma bela princesa, que era na verdade a fada disfarçada. E para que a bondade da menina pudesse ser testada a princesa pediu-lhe um pouco d’água.
-Olha Dona princesa, quer água? A tina tá aqui, deu sorte que é de prata, o poço é logo ali. Se quiser vai lá pegar, eu é que não vou me molhar pra servir ninguém. Só vim aqui pra receber o mesmo dom que a minha irmã e ainda tenho que ficar esperando uma velha fada, que pelo jeito está bem atrasada… Ai, minhas favas!
-Se esperar é o problema, eu tenho a solução, pois eu mesmo sou a fada, e assim como dei a tua irmã darei a ti também um dom, conforme a sua educação: Para cada palavra que você falar vai vomitar uma criatura hedionda, tal como as palavras que saem da sua boca.
A menina desesperada voltou correndo pra casa, nem quis saber de levar de volta a pesada tina de prata. Quando chegou no portão sua mãe veio correndo perguntar:
-E então, conseguiu a velha fada encontrar?
-Ah, mamãe! Minha irmã nos enganou.
E ao dizer estas palavras mentirosas, da sua boca saíram um sapo, duas lesmas e três cobras venenosas.
A viúva indignada, expulsou a filha mais nova de casa, mesmo ela não sendo culpada. E a menina ficou sozinha, perdida, na floresta escura e fria. Mas por sorte foi encontrada por um príncipe que por lá caçava. Ele ficou encantado pela sua beleza e pelo seu jeito delicado e acabou completamente apaixonado, mesmo pensando que ela era muda, pois não queria falar nada. E quando ela finalmente resolveu falar e a sua história contar, o príncipe viu encantado diversas pedras brilhantes a brotar. Aquilo era perfeito, pois aquele era um dote digno de uma princesa e, assim, os dois poderiam se casar. E se casaram mesmo e dizem que vivem muito felizes reinando justamente até os dias correntes… enquanto a viúva e a filha mais velha, ouvi dizer que até hoje vivem sozinhas e isoladas, escondidas em uma cabana bem no meio da floresta, dizem as más línguas que elas vivem de comer cobra que da boca da filha jorra.

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Depois de escutar a história todas as crianças sentaram com a coluna ereta e os olhos fechados, imaginando o caminho que leva até o poço da fonte de água clara. Como era esse caminho? Reto ou curvo? Como era fazer esse caminho carregando a tina vazia, na ida. E carregando ela pesada e cheia de água na volta para casa? Que marcas ficavam no chão a cada caminhada? Eram sempre as mesmas pegadas?
Depois de imaginar fizemos no chão um caminho com cordas, todo formado de retas, as crianças então pegavam uma tina imaginária, iam até o poço e voltavam, carregando a tina cheia de água, com cuidado pra não derrubar…
Depois fizemos o mesmo, mas desta vez com o caminho formado por curvas. Todas as turmas reagiram super bem a esta caminhada, e nos divertimos muito.
Depois eu distribuí os estojos de giz de cera e uma folha sulfite pra cada um. Pedi para que cada um deles tirasse um pé do próprio sapato e colocasse na mesa com a sola virada para cima, depois colocamos as folhas sobre as solas e passamos o giz de cera várias vezes para tirar uma impressão do desenho da sola. Depois que cada um havia descoberto a marca deixada pelo seu próprio sapato trocamos os sapatos entre nós para que cada folha pudesse ficar com várias marcas diferentes. A maior parte das turmas desenvolveu muito bem essa atividade e muitas crianças entenderam quantas possibilidades se abriam com a pintura de texturas, mas em duas classes houveram crianças que não conseguiram fazer esta atividade e acabaram muito frustadas. Ainda assim creio ter sido muito proveitoso.

FIM

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