A bola do Bilu

Bilu era um menino levado que só. Quando ele foi batizado o padre chamou ele de Breno Lucas, mas, dali pra frente, todo mundo só chamava ele de Bilu. Adultos são assim mesmo, adoram por nomes compridos nos filhos pra depois chamar pelo apelido…

Logo cedo Bilu aprendeu que quando a mãe chamava ele de Breno, podia esperar bronca, e não era pouca. Mas se chamava de Breno Lucas, aí é porque a coisa tava feia, era melhor correr do que ficar pra ver… mas mãe é mãe, não adianta se esconder, parece até que elas têm super poder, acham a gente nos nossos melhores esconderijos e descobrem os nossos segredos mais bem escondidos.

O Bilu adorava jogar futebol. Acontece que ele morava em um prédio de condomínio onde tinha mais doze crianças: o Pedrinho, o João, a Maria, o Miguel, a Luiza, o Matheus, a Ana, a Julia, o Lorenzo, o Marcos, o Junior e a Ceci e adivinha o que é que eles faziam todos os dias? Desciam pra jogar bola na quadra de futebol. Mas eles eram em treze, logo ficavam seis em cada time e sobrava um de fora, então tinha sempre um revezamento, cada hora um ficava de fora correndo pra pegar a bola quando ela escapava da quadra. Ou seja, cada hora um fazia o papel de gandula da turma.

Acontece que no Natal o Bilu ganhou uma bola de futsal original.

Quando chegou na quadra no dia 26, adivinhem vocês… Todo mundo queria jogar com a bola nova do Bilu.

E o Bilu resolveu aproveitar que era o dono da bola pra não ter mais que ficar de fora de nenhuma partida sendo o gandula da turma. Ninguém gostou, mas no fim todo mundo aceitou porque ninguém queria jogar com a bola velha e jogar com uma bola original fazia a partida parecer mais séria.

E assim naquele dia o Bilu foi dormir feliz da vida, se sentindo o maioral, achando que era o tal…

Acontece que no dia seguinte chegou o Juca, que morava lá em Rio Negrinho e ia passar as férias na casa do seu primo, o Pedrinho. Antes da primeira partida ele fez a pergunta:

-Ei quem é que quer começar sendo o gandula?

O Bilu foi o primeiro a responder:

-Eu é que não vou ser. Ontem todo mundo concordou que como eu sou o dono da bola nova eu não ia passar nem uma jogada de fora sendo gandula.

-Ih, não seja bobo, aposto que depois desse jogo você vai estar louco pra ser o gandula. – falou o Juca, primo do Pedro e novo amigo da turma.

-Pois eu aposto que não e eu não vou ser o gandula nem se vocês pedirem muito, se não eu vou embora e levo a minha bola junto!

-Ih! Relaxa, todo mundo já entendeu, você é um menino mimado e não vai ser gandula. Só que óh, perdeu! Eu tenho uma ideia que faz todo mundo ficar sempre feliz, quem for ser o gandula será também o juiz!

E falando isso tirou do bolso dois cartões e um apito.

Todo mundo adorou a ideia e dessa vez todos eles queriam começar sendo o gandula-juiz, afinal quem não quer ter o controle do apito, dizer o que vale ou não vale, dar falta e cartão pros amigos?

O Bilu, é claro. Quer dizer, querer ele até queria, e queria era muito pra falar a verdade, mas não ia dar o braço a torcer e deixar o Juca vencer. Sim, porque pra ele aquilo já era uma disputa. Fingiu que não dava mínima pra ser juiz e ficou se remoendo de inveja, o jogo inteiro, vendo todo mundo se divertir.

E o Bilu era tão teimoso que nem no dia seguinte ele mudou de ideia, e assim passou a semana e depois o mês, com tanta vontade de ser o gandula-juiz que teve até diarreia, depois de um mês ele já não aguentava mais, resolveu voltar atrás, pediu desculpa pro Juca e pediu pra voltar pro revezamento de gandulas.

O Juca aceitou na mesma hora, mas, dessa vez, foi a mãe do Bilu que não deixou ele jogar bola, é que como ele tinha ficado doente não podia ir brincar lá fora, né?

Assim Bilu ainda passou mais um dia inteirinho no quarto, praticamente de castigo.

Só no outro dia é que ele pode jogar bola e revezar com a turma pra ser o juiz-gandula. E era mesmo tão divertido poder apitar e dar cartão pros amigos…

Mas no dia seguinte o Juca já veio se despedir, ia voltar pra casa.

-Mas você não pode ir, logo agora que eu estava gostando tanto de ser juiz…

-Pode ficar tranquilo, você virou um bom amigo. Se me prometer que nunca mais vai deixar de dividir as coisas e nem fazer chantagem, eu deixo meu apito e meus cartões pra vocês poderem continuar jogando com um juiz-gandula…

E foi assim que o Juca foi embora. Mas os amigos, até hoje, todos os dias saem pra jogar bola e se revezam pra serem o juiz-gandula. E não veem a hora de chegar de novo as férias pro Juca voltar trazendo novas ideias.

FIM

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