O Rei Sábio

Essa é uma história da pedagogia Waldorf, retirada por mim do livro Criança Querida, da Luisa Lameirão. Segue aqui na minha versão rimada que está sendo decorada para uma apresentação, hoje mesmo, para os primeiros e segundos anos do ensino fundamental.

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O REI SÁBIO

Era uma vez um rei. Era um rei muito bom e que reinava com grande sabedoria. Tanto ele sabia que o chamavam de “O Sábio”. Vivia ele em um belo castelo e, correto como era, andava sempre pelos caminhos retos.

Em seu reino o povo vivia feliz e o rei era muito respeitado e amado. Ele ensinava como cuidar da terra, como plantar e semear, e como colher e dividir os frutos para que todo mundo pudesse se alimentar. Como cuidar dos pobres, dos idosos e dos doentes e como amar e educar todas as crianças, mesmo as mais carentes. Quando havia brigas ou maldades, ele sempre sabia como resolver, consertava amizades e solucionava os problemas até a paz para o seu povo devolver.

Perto deste reino havia uma floresta escura e fria, onde os caminhos não eram retos, pelo contrário, estavam cheios de curvas. Quem nela entrasse podia acabar perdido, pois lá haviam muitos desvios contornando altas pedras, rochas e penhascos, além de ter muitos atalhos que não levavam a lugar nenhum. Diziam que nessa floresta havia um grande tesouro enterrado, por isso muitos cavalheiros e guerreiros lá entravam, mas nunca retornavam.

O Rei Sábio e sua bela Rainha desejavam muito ter um filho, mas a Rainha morreu ao dar à luz um lindo menino. E o menino não aprendeu a falar, vivia mudo, calado. Os mais famosos médicos do reino não conseguiam curá-lo. Seus olhos sorriam quando ele estava feliz e choravam se ele triste ficava, mas sua boca não dizia nem ao menos uma palavra e, por isso mesmo, ninguém sabia que o princepezinho ouvia tudo aquilo que as pedras diziam, o que cantavam as flores e o que sonhavam os animais e também percebia se a pessoa carregava luz ou escuridão no coração.

Será que o pequeno príncipe nunca poderá contar os segredos que ele se vê obrigado a guardar por não poder falar?

Uma bela noite o Rei Sábio passeava pelo jardim, entrou no bosque até a clareira, era noite de lua cheia, e ele pensava no seu filho calado quando ouviu o vento sussurrar:

-Procure a voz do príncipe na gruta dos setes sons. Será uma viagem dura pois a gruta fica no meio da floresta escura.

O Rei Sábio não teve dúvidas, vestiu sua armadura e com os primeiros raios da madruga iluminando o novo dia, o rei partiu na perigosa viagem à procura da gruta dos sete sons, entrando sem medo na floresta escura e fria. O desejo de achar a voz do seu filho era tão grande que em seu coração brilhava e era esse brilho que o caminho certo indicava. E o Rei, acostumado a andar sempre por caminhos retos, enfrentou caminhos tortuosos, subiu uma alta montanha por um caminho que parecia uma escada em caracol, se esgueirou por atalhos cobertos de árvores tão encurvadas que tapavam todo o Sol.

Atento a qualquer barulho ele ouvia de tudo: o canto da cachoeira, o grito de milhares de pássaros, o sussurro do vento, o farfalhar das folhas secas, as pedras rolando por debaixo de seus pés, a água do igarapé caindo na cascata, os animais no meio da mata e muitos outros sons da floresta que ecoavam nas rochas e ressoavam por todos os lados. Era o vale dos ecos, seu caminho não podia estar errado. E tanto não estava que ao fazer uma curva deu de cara com a gruta onde todos os sons se encontravam, causando um barulho insuportável.

A gruta dos sete sons estava fechada por uma grande pedra e era guardada pelo Dragão do Ruído que ao ver o Rei Sábio começou a gritar enfurecido:

-Que procura Rei Triste?

-É você que esconde a voz do meu filho, o príncipe?

O gigante soltou uma gargalhada terrível, que sacudiu o vale com grande tremor, rachando e partindo as pedras ressoando como um enorme tambor. O Rei, aturdido pelo grande estrondo, ficou parado sem poder se mexer e, com muito esforço, exclamou:

-Eu quero achar a voz do meu filho, o príncipe.

Outra gargalhada do gigante ressoou, com tanto estrépido que a grande pedra que ocultava a gruta se quebrou, causando uma forte chuva de pedras que o rei machucou, mas mesmo caído ele se manteve firme, sentindo que uma nova força brotava em seu coração, que resistia ao medo e ao ruído, pelo amor ao seu filho.

Com esforço o rei mais uma vez se levantou, com a voz firme o rei falou :

-Eu quero achar a voz do meu filho, o príncipe.

E a terceira gargalhada do dragão do Ruído fez se abrir a terra com o estrondo de mil trovões enfurecidos. O rei desmaiou e, quando voltou a si, viu que o gigante havia sumido e todos os sons agora soavam claros e límpidos e na gruta uma luz irradiava de uma harpa dourada com cordas prateadas. O sussurro do vento ecoava em seus ouvidos, dizendo:

-Toque a harpa das doze mil cordas até achar a voz do seu filho, o príncipe. Vá logo sem demora.

O rei se aproximou da harpa dourada e começou a tocar suas cordas prateadas. Tocava uma após a outra, procurando a voz do seu filho, o príncipe. E ele tocou, tocou e tocou. Tocou tanto que seus dedos se machucaram, eles doíam e sangravam, mas ele continuava tocando, a voz procurando, uma corda após a outra e nada de encontrar. E eis que o rei tocou em uma corda fina e brilhante que com uma voz cintilante começou a cantar:

-Leve-me consigo pois eu sou a voz do seu filho.

Emocionado o rei soltou a corda da harpa e o mais depressa que pode voltou para casa.

Ao chegar ao castelo o príncipe vei correndo lhe abraçar e disse com uma voz sonora e clara:

-Obrigado pai querido, por minha voz encontrar. Mas veja, você está ferido, seus dedos sangram, deixe-me te ajudar. Vou cuidar de você até que venha a sarar.

E assim com a voz cristalina o príncipe falava sem parar. Tinha tanto pra contar. E pode contar ao seu pai, o Rei Sábio, tudo que a natureza havia lhe ensinado: contou o que diziam as pedras, o que as plantas cantavam e o que os animais sonhavam e ensinou-lhe a olhar pelos olhos e enxergar o coração, vendo onde havia luz ou escuridão.

E o rei tornou-se ainda mais sábio e  reinou com mais bondade e justiça. E todos os dias, ao pôr do Sol, ele cantava, com a voz sonora e clara,  a “Canção Mágica” que mostrava todas as belezas e os segredos da Natureza. O jovem príncipe cresceu e nunca esqueceu a grande lição que seu pai lhe ensinara: ser corajoso e destemido, e não vacilar frente a nenhum perigo.

FIM

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