Os anõezinhos e o sapateiro

Este é um conto popular que consta na coletânea feita pelos irmãos Grimm. Como pertenceu ao tempo em que os contos só eram registrados na memória e transmitidos pela oralidade, através das gerações, esse é uma história que possui inúmeras versões. Acrescento esta minha versão rimada para me ajudar a decorá-la já que amanhã irei contá-la.

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OS ANÕEZINHOS E O SAPATEIRO

Era uma vez um sapateiro que gostava muito de ajudar os outros, dividia tudo o que tinha e fazia seus sapatos sempre muito baratos, isso quando não os vendia fiado. Acontece que naquele tempo houve uma grande seca, que resultou em uma grande crise financeira, como seus clientes eram somente seus mais simples amigos, o pobre sapateiro foi ficando cada vez mais sem serviço,  e o pior é que aqueles que lhe deviam não puderam pagá-lo.

O sapateiro já não tinha mais nenhum dinheiro, ele e sua mulher já estavam passando por maus bocados, e iria piorar, porque agora o sapateiro só tinha couro para fazer um último par de sapatos…

O sapateiro cortou aquele último pedaço de couro com todo cuidado para fazer seu último par de sapatos. Iria costurá-lo no dia seguinte e tentar vender para comprar mais couro e quem sabe algo pra comer. Assim ele e sua mulher dividiram o último bocado de pão embolorado e foram para a cama pensando em quem iria comprar aquele último par de sapatos…

Mas qual não foi a surpresa do sapateiro quando acordou no dia seguinte e aquele par de sapatos estava completamente costurado… o sapateiro olhou mais de perto e ficou admirado com a qualidade do trabalho. Estava perfeito, sem nenhum pontinho errado…

O sapateiro mal teve tempo de mostrar pra sua esposa, que também se espantou, e já lhe bateram à porta. Era um nobre senhor pedindo ajuda pra consertar a roda da sua carroça. O jovem sapateiro se pôs à disposição na mesma hora, pegou suas ferramentas e logo consertou a roda. Quando o nobre senhor viu aquele par de sapatos tão bem costurado pagou por ele um bom bocado. O sapateiro e sua mulher ficaram felizes da vida pois além de comprar comida puderam comprar couro para fazer mais três pares de sapato. O sapateiro deixou os três pares de sapato bem cortados e, como já era tarde, foi dormir para no outro dia terminar o trabalho. Mas novamente quando acordou encontrou os três pares de sapato prontos e muito bem costurados. Mal podia acreditar no que via. Ele e sua mulher ficaram cheios de alegria. E pra melhorar apareceram novos clientes indicados pelo nobre senhor que havia comprado o primeiro par de sapatos.

O sapateiro comprou mais material pra fazer sapatos e ainda comprou comida para ajudar seus vizinhos que também passavam maus bocados.

E dia após dia o mesmo se repetia, o sapateiro cortava os sapatos de dia, tantos quanto precisava, e de noite alguém os costurava. O sapateiro enriquecia e toda sua vila prosperava. Mas depois de algum tempo ele e sua mulher resolveram passar a noite toda acordados para ver quem é que estava a ajudá-los.

Então como sempre ele cortou o couro e as solas e os dois se esconderam embaixo da escada depois de fingirem terem ido embora e viram chegando dois anõezinhos completamente nus, pelados, que costuraram os sapatos com rapidez e habilidade admirável, e foram embora assim que terminaram.

-Pobre anõezinhos- disse o bom sapateiro- tão dedicados e vivem sem ter o que vestir, devem passar tanto frio, coitados.

-Não se preocupe marido, hoje, ao invés de cortar couro pros sapatos, vamos costurar lindas roupas para esses anõezinhos que tanto nos ajudaram.

E assim os dois compraram ótimos tecidos e a mulher costurou duas calças, duas camisas, dois coletes, dois casacos e dois pares de meia, muito bem costurados, enquanto o homem cortou e costurou dois pequenos pares de sapatos.

Quando a noite chegou os dois resolveram ficar a cordados pra ver como os anõezinhos receberiam aqueles presentes.

Logo os dois chegaram e subiram na mesa prontos para o trabalho. Ficaram loucos de contentes quando encontraram os presentes. E juntos os dois cantaram:

“Nós somos rapazes elegantes e faceiros, pra que sermos ainda sapateiros?”

Dançando de braços dados foram embora e nunca mais voltaram.

Mas o sapateiro e a sua mulher não ficaram entristecidos, pelo contrário, ficaram muito contentes de poder ajudar quem os havia enriquecido.

E viveram muito prósperos e felizes, pois nunca mais faltaram clientes e nem material pro serviço, pois a boa sorte continuou a companhá-los e eles continuaram sempre ajudando os necessitados.

 FIM

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