Contos da Turma da Inteligência

Estas histórias não são histórias aprovadas pelo programa da Escola da Inteligência, do Dr. Augusto Cury, mas sim histórias feitas por mim para trabalhar com meus alunos da escola O Pequeno Polegar, que aplica esse programa desde o começo do ano. Elas adoraram ver as histórias com os personagens da Floresta Viva. A identificação das crianças foi emocionante.

 

Hoje eu vou contar histórias de uma turminha que já é pra lá de conhecida, quem aqui adivinha?

Isso mesmo hoje com muita alegria trago os personagens da Floresta Viva. Quem quer embarcar nessa viajem, apertem os cintos e fiquem à vontade.

“Tralalalalá, sentadinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar. Tralalalalá, bem quietinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar.”

ONCINHA SAÇÁ

Quem aqui já ouviu falar de uma onça chamada Saçá?

Pois então, certo dia a Saçá estava tranquila no meio da floresta viva observando os barulhos da mata, ouvia o vento, a água e o canto dos mais belos passarinhos. Foi quando bem do seu lado cantou o pato Quaquá, com seu canto desafinado:

-Quac, quac!

A oncinha Saçá ficou uma fera por ter sido interrompida no seu momento de calmaria.

-Seu pato você gosta de cantar? – perguntou Saçá.

-Ah, na verdade eu adoro! – respondeu o pato animado.

-Pois então deveria aprender ou parar de cantar.- disse a onça muito brava, sem nem parar pra pensar.

-Mas quem canta seus males espanta.- disse o pato tentando argumentar.

-Pois vai espantar seus males pra lá, porque se continuar a me incomodar vai virar o meu jantar.

Assustado o pato Quaquá foi embora e a oncinha Saçá voltou a escutar a música da mata que pelos pássaros era entoada e pelo som da água e do vento ritmada.

Mas no dia seguinte parecia que tinham menos pássaros a cantar, e nos outros menos ainda, até que mais nenhum canto de passarinho a Saçá ouvia. Saçá ficou muito triste de tanta saudade da música que ela sentia. Ainda ouvia o barulho da água e do vento, mas faltava a melodia.

Saçá já estava doente de saudade de ouvir um canto de passarinho quando um dia lá no alto de uma árvore viu o canário Cantor sentado em um galho.

-Olá seu Canário, bom dia! Você que é o tal Cantor que todos falam por aqui?- perguntou Saçá que ainda não o conhecia, mas já ouvira sua fama.

-Sou eu sim.- respondeu o canário já tremendo de medo- você deve ser a onça Saçá.

-Eu mesma, em garras e dentes. Cante uma música para me alegrar!- pediu Saçá.

-Eu não!- respondeu o Cantor, tremendo de se depenar- Soube que você mandou avisar que quem cantar perto de você se desafinar vira jantar… eu é que não vou me arriscar.

Só então a oncinha Saçá pode perceber o que estava acontecendo, porque os passarinhos andavam se escondendo.

Foi procurar o pato Quaquá, estava muito arrependida, pediu para que o pato, por favor, lhe cantasse uma melodia, mesmo que desafinada, Saçá queria muito ouvi-la. O pato todo orgulhoso entoou a única música que conhecia.

Logo os outros pássaros vendo que o pato cantava todo desafinado e que ainda assim era pela onça apreciado, e não virara jantar, começaram a tomar coragem e um a um puseram-se a cantar, com tanta harmonia que formavam a mais bela sinfonia.

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TOTÓ O MACACO

Agora eu quero saber quem conhece Totó, o macaco mais bonito do pedaço?

Há muito tempo atrás eu conheci o Totó, na época era um macaco muito mal educado, gostava de ajudar os outros, mas vivia pondo apelidos e fazendo piadas de mau gosto.

Certo dia ele estava passeando pela floresta quando viu seu amigo Pepê, trabalhando sozinho e o Totó se ofereceu pra ajudar, pois ele é muito prestativo.

Pepê aceitou e os dois, trabalhando juntos, rapidinho construíram um palco bem bonito.

Lá pelas tantas Totó quis saber pra que era tudo aquilo.

-Se eu te contar você promete não contar pra ninguém? Promete que o meu segredo é seu também?

-Claro!- respondeu totó- Minha boca é um túmulo. Comigo seu segredo está seguro, eu juro.

-Vou fazer uma festa pra comemorar a chegada da primavera, mas ninguém pode ficar sabendo pois será uma surpresa para todos da floresta.

Totó ficou muito animado, ajudou o Pepê com todo o trabalho. Tava voltando pra casa todo contente quando encontrou com sua amiga Tatá e não conseguiu se segurar, deu com a língua nos dentes. Logo toda floresta já sabia da festa surpresa que o Pepê faria. O Nilo ficou muito entristecido resolveu se vingar, pra hora da festa fez um boneco de bechiga cheio de água e farinha, era tão bem feito que parecia um macaco de verdade, perfeito. Quando chegou o Totó… bem, se vocês já o conhecem sabem que ele adora ser o centro das atenções, por isso preparou para a festa uma série de apresentações começou com seu show de malabarismo e equilibrismo, todos o olhavam encantados, todos menos aquele macaco sentado no canto, que era novo no pedaço. O Totó ficou incomodado, resolveu contar piadas pra chamar sua atenção. Contou a piada do Português, do papagaio, da arara, da aranha e até aquela piada suja e pesada do elefante que caiu na lama. Toda festa ria, menos o macaco lá no canto, afinal ele era feito de bexiga, mas o Totó não sabia:

-Ei seu macaco com cara de sovaco!- falou Totó irritado- Ei você, não vai me responder? Além de sem graça é mal educado?

E como o macaco não respondia Totó foi ficando ainda mais irritado. Até que perdeu a cabeça e meteu no boneco um chute danado. Como o boneco era feito de bexiga, estourou e o Totó ficou coberto de farinha.

Totó ficou muito chateado, triste, envergonhado, branco azedo. Gostava de brincar com os outros, mas detestava quando era pego… Já estava prestes a deixar a festa e ir embora quando percebeu que toda a turma estava às gargalhadas, chorando de dar risada. O Totó nunca havia conseguido fazer uma brincadeira tão engraçada.

E por isso mesmo hoje em dia, quando tem uma festa na floresta viva o Totó pede pro Pepê fazer um boneco de bexiga cheio de farinha só pra ele poder repetir a apresentação.

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O SAPO BABÁ

O sapo Babá era um sapo que gostava muito de cooperar com os outros, mas era muito preguiçoso. Se deixassem ficava acordado até de madrugada e, depois enquanto o Sol não ia a pino Babá não acordava.

Depois que acordava Babá sempre reclamava. Que a grama estava toda pisoteada, não dava nem pra brincar, que a água da lagoa estava toda revirada e lamacenta, mal dava pra nadar, que não tinha sobrado quase nenhum mosquito pra ele almoçar. E assim Babá passava o dia, reclamando e morrendo de preguiça.

E todos os dias quando os pássaros cantavam a história se repetia. Toda bicharada acordava naquela folia, e ia brincar na grama, tomar água no lago e depois se alimentar. Só o sapo Babá que continuava roncando até o Sol esquentar, e ainda se enrolava mais um pouquinho antes de levantar, pra depois passar o dia a reclamar.

Um dia o professor corujão resolveu dar-lhe uma lição

-Ei Babá, porque em vez de passar o dia a reclamar você não experimenta uma só vez na vida acordar com o canto dos passarinhos ao invés de esperar o sol ir a pino? Aposto que você vai gostar.

-Ahh, eu não. Desculpe professor Corujão, mas eu gosto de curtir o dia, por isso fico acordado até de madrugada e durmo até meio dia, pois assim aproveito o melhor da vida.

-Vamos fazer um trato, – insistiu o professor Corujão- amanhã você acorda cedinho, logo que o Cantor cantar, se não gostar do que vai encontrar, pode ficar uma semana inteira de férias, sem precisar estudar.

Babá adorou o trato e assim naquela noite logo que escureceu o sapo foi se deitar, acordou de madrugada com o canto dos primeiros pássaros.

Ver o Sol nascer já foi um glorioso espetáculo. Babá nunca tinha visto nada tão lindo. Depois foi brincar na grama e ela estava fresquinha, coberta de orvalho, foi o melhor lugar que Babá já havia brincado. E quando chegou no lago… a água estava cristalina, dava até pra ver seu reflexo na superfície, de tão limpa. O sapo bebeu água fresquinha e nadou feliz da vida. E ao sair do lago qual não foi sua surpresa ao encontrar  a margem repleta de mosquitos pra encher o papo. Foi um banquete digno de um rei sapo. Aquele dia foi tão gostoso, Babá nem sentiu sono e ficou tão satisfeito que prometeu nunca mais acordar tarde de novo. Será que ele conseguiu?

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4º ANO

Vou contar pra vocês uma história que aconteceu com dois irmão gêmeos que vocês conhecem bem. Quem consegue adivinhar de quem nós vamos falar?

Isso mesmo, da Carol e do Cacá. Mas esta história é de antes deles conhecerem a Escola da Inteligência, então vocês já podem imaginar quanta confusão eles vão armar…

 CAROL E CACÁ 

Carol e Cacá estavam em casa, sozinhos com a babá. Carol estava no quarto brincando de modelo, desfilando com seu guarda roupa inteiro, enquanto Cacá jogava vídeo game sem parar.

Era hora do jantar, mas nenhum dos dois atendia o chamado da babá, fingiam nem escutar…

Mesmo quando a babá foi até os quartos, os dois a ignoraram. Ela já não sabia o que fazer. Resolveu deixar os dois sem comer e entregou toda a comida que tinha pra moradores de rua que estavam dormindo na pracinha.

Acontece que mais tarde a fome bateu nos dois, eles foram correndo pra cozinha e não tinha nada. Os dois começaram a reclamar e espernear, mas a babá fingia nem escutar.

Os dois voltaram pro quarto com a barriga roncando e resolveram fazer um plano: iriam fazer a babá se arrepender de não responder.

E os dois juntos começaram a gritar “desesperados”:

-Socorro! Babá, socorro, tem um ladrão entrando no nosso quarto.

A babá subindo as escadas aos tropeções,  levava na mão uma vassoura, parecia louca, entrou no quarto de supetão, mas não viu nenhum ladrão, só a Carol e o Cacá dando risada de rolar no chão. A babá ficou muito brava, espumando de raiva. Deixou as crianças no quarto e voltou pra sala.

As crianças gostaram tanto da brincadeira que resolveram que daquela vez iam acordar a vizinhança inteira. Abriram a janela e começaram a gritar.

-Socorro babá! Socorro! Dessa vez eu juro, tem um ladrão pulando o muro!

A babá veio aos pulos e mais uma porção de vizinhos veio correndo pra socorre-los. Mas quando chegaram no quarto só encontraram os gêmeos rindo do seu desespero…

Os vizinhos voltaram pra casa bravos que nem jararaca. E a babá então, nem se fala, além de ficar uma arara não sabia onde enfiar a cara.

Os dois irmãos estavam se divertindo, a barriga doía de tanto que riam. Foi quando a Carol falou.

-Ai não Cacá, olha lá, é um ladrão com capuz escuro pulando nosso muro. Vem ver, é verdade, eu juro!

Cacá mesmo desconfiado resolveu espiar.

-Ai meu pai! É mesmo Carol! Vamos chamar a babá!

E os dois tremendo de medo começaram a gritar:

-Socorro vizinhos, socorro babá! Tem um ladrão vindo pra cá!

Mas ninguém deu bola para aquela gritaria, acharam que era outra pegadinha.

E o ladrão já estava perto da casa, as crianças gritando e ele nem ligava. O ladrão começou a subir na árvore do quintal, pelo pé de camélia ele podia chegar até a janela. Justamente aquela, do quarto onde as crianças estavam.

Os dois irmão estavam desesperados. Resolveram sair do quarto e ficar com a babá lá em baixo, correram pra porta mas ela estava trancada. A babá devia ter fechado a porta a chave pra garantir que eles não fizessem mais nenhuma traquinagem. E agora, não tinham como fugir.

Carol e Cacá se prometeram que se conseguissem sair dali nunca mais iriam mentir, que iriam escutar a babá e tentar se comportar.

Foi quando a porta se abriu e sua mãe e seu pai entraram no quarto, queriam saber porque é que os dois estavam tão assustados.

-Tem um ladrão no pé de camélia, vindo para a nossa janela.

O pai das crianças correu pra olhar, depois começou a rir de gargalhar. Pois era só um macaco que morava lá no bairro e tinha vindo brincar pra cá.

FIM

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