Chapeuzinho Vermelho

Esta história é clássica, presente na famosa coletânea dos irmãos Grimm, muito conhecida, mas tem uma série de elementos que devem ser trabalhados na primeira infância, acho que por isso mesmo ainda me encanta. Uma das  histórias menos alterada nas suas versões atualizadas. Embora como uma história de tradição horal, tenha mais de uma versão, principalmente quanto ao final.

As músicas (no texto entre aspas) são do compositor João de Barro (conhecido como Braguinha) que musicou cerca de 50 histórias infantis para a coleção disquinho. Para saber mais sobre esse grande compositor brasileiro acesse:

http://www.braguinha.ag.com.br/

Essa versão eu montei com uma grande mistura daquilo que eu lembrava com o que eu encontrei em minha pesquisa, com um toque das minhas rimas. A maior parte do que foi copiado veio do site:

 

http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=1

Uma versão que eu gostei muito, principalmente pelas rimas já existentes, mas a minha versão final acabou bem diferente:

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CHAPEUZINHO VERMELHO

Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela que sua mãe havia feito, logo os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa, tadinha. Morava numa casinha, no interior da mata, no fim da trilha.
Chapeuzinho sempre ia à casa da vovozinha para levar deliciosas comidas que sua mãe fazia.
Um dia, a mãe da menina preparou alguns quitutes, eram os preferidos da avó Gertrudes.
Então, chamou a filha e disse:
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estes quitutes para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, vontade de cozinhar ela não tem.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, pelo caminho certo. Não pegue o atalho, pois ouvi dizer que tem um lobo morando lá perto!
— Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. Vou pelo caminho mais cumprido.

A mãe arrumou os quitutes em uma cesta e colocou também um pote de geleia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geleia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores. Chapeuzinho ia pelo caminho colhendo lindas flores. Acabou se distraindo e demorou muito naquele caminho, quando viu o sol já ia alto, resolveu pegar o atalho. Ia cantando distraída:

“Pela estrada à fora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha, ela mora longe o caminho é deserto, e o lobo mal passeia aqui por perto. Mas à tardinha, ao sol poente, junto à mamãezinha dormirei contente.”

Quando o lobo viu aquela linda menina, pensou que ela devia ser saborosa e macia. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas ao ouvir a música e ver que ela ia até a casa da avó resolveu usar da inteligência, assim poderia comer a avó primeiro, depois a menina de sobremesa. Escondeu-se na sombra de uma árvore de grande porte e  disse com voz doce:
— Bom dia, linda menina.
— Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
— Qual é seu nome?
— Chapeuzinho Vermelho
. — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
— Vou visitar minha avó.
— Muito bem! E onde mora sua avó?
— Mais além, no interior da mata.
— Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
— Numa casinha verde, com cortinas bem branquinhas, lá no final da trilha.
O lobo então falou:
— Você não deveria ir por aqui, tem um lobo mau logo ali na frente e está bem na hora dele almoçar, se quiser chegar viva na sua vovozinha vá pelo caminho de lá.- o lobo a mandava  pela trilha mais comprida para que ele pudesse chegar primeiro na casa da velhinha usando o atalho no lugar da menina.

Chapeuzinho Vermelho agradeceu e seguiu o conselho sem nem imaginar o que é que o lobo estava fazendo…

“Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau. Eu pego as criancinhas pra fazer mingau. Hoje estou contente, vai haver festança, eu tenho um bom petisco para encher a minha pança”
Quando o lobo chegou na casa da vovozinha bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
— Quem é? — perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
— Sou eu, sua netinha, vovó. Trago uma cesta cheia de delícias.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
— Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta, vestiu um pijama da velha, enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A menina demorou um bocado antes de chegar, o lobo até cansou de esperar. quando finalmente Chapeuzinho chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
— Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
— É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo uma cesta cheia de delícias! Mas que voz grossa vovozinha.
Só então o lobo se lembrou de afinar a voz horrorosa antes de responder:
— É que eu estou muito gripada minha netinha. Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
— Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
Coloque a cesta na mesa, minha querida netinha, e venha aqui até aqui deitar comigo para me aquecer.
Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
— Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
— São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
— Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
— São para enxergar te enxergar melhor, minha menina!
— Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
— São para te ouvir melhor, queridinha!
— Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
— É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

— Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
O lobo, que dormia como uma pedra, com um enorme barrigão parecendo um grande balão!
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
— Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudá-la!”.
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
— Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
— E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Ou seria o  chapeuzinho vermelho da menina? Quanta sede ele sentia. Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e afundou.
A vovó ficou em casa lanchando aquelas delícias enquanto o caçador levava pra casa a menina. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo caminho mais comprido”.

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