Banho Bom

Esta história brota inspirada por dois eventos: em primeiro lugar um pau-de-chuva que eu fabriquei semana passada e que me fez querer escolher uma história onde eu pudesse usá-lo;

Em segundo lugar um acontecimento familiar, pois esses dias meu filho mais novo não queria entrar no banho de jeito nenhum, embora estivesse imundo e, para convence-lo comecei a cantar a música que habitualmente canto, “Hora do Banho”do livro de poesias musicado chamado ‘Amigos do Peito’ do Claudio Thebas (esta música em especial musicada pelo Zeca Balero). Foi quando minha filha mais velha relembrou que eu cantava outra música para o banho dela: “A refrescante sensação” do quadro dos porquinhos tomando banho no programa Rá-tim-bum. Lembramos que tinha outra ainda para o banho da minha filha do meio: “Ratinho tomando banho” do Castelo Rá-tim-bum.

Relembrar e cantar juntas todas essas ótimas músicas feitas para esta tão clássica hora onde há sempre briga pra entrar e pra sair, me fez ter vontade de criar uma história sobre o banho onde eu pudesse encaixar estas músicas e ainda usar o pau-de-chuva…

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BANHO BOM

Beto era um menino esperto e muito belo. Mas desde pequeno Beto dava um trabalho tamanho na hora de tomar banho.

“-Entrar no banho, puxa vida,+ é acabar com a brincadeira.

-Já pro banho não se enrola, olha só quanta sujeira.”(2x)

Todo dia era a mesa história, era só entrar no banheiro pra começar o berreiro. A mãe do Beto já entrava em desespero… e quando chegou a idade do menino tomar banho sozinho… Beto logo descobriu os truques mais variados pra fingir que o banho já estava tomado. Entrava no banheiro, ligava o chuveiro e depois saía com o cabelo molhado, quando na verdade no chuveiro mesmo ele não tinha nem entrado.

Acontece que em pouco tempo Beto já estava começando a ficar com mau cheiro. Logo ninguém mais queria brincar com ele na hora do recreio, na sala as carteiras iam ficando cada vez mais afastadas e sua mãe logo soube que alguma coisa estava errada. Mas já estava tão cansada de brigar que resolveu não obrigar o Beto a tomar banho e ver aonde aquilo ia dar.

Assim os dias se passaram e Beto já nem precisava fingir que tomava banho, parecia um porquinho, mas vivia sozinho porque ninguém mais aguentava aquele cheirinho.

Sua mãe então teve uma ideia, costurou na sua cueca um rabo de porquinho pro menino pensar que estava se transformando e resolver tomar logo um bom banho. Mas quando ele viu aquilo, ficou feliz e tranquilo pois agora podia aproveitar que não era mais menino para brincar com outros porquinhos e, assim, não ficaria mais sozinho. Foi para o lamaçal e se chafurdou na lama como um animal. Aquilo era tão divertido, nem queria mais voltar a ser menino. Mas na hora do almoço… ugh, os porcos foram comer lavagem, que é um monte de legumes e verduras que não foram comprados por estarem meio estragados, tudo misturado. Além de feio é fedido, comida de porco parece lixo. Beto resolveu que mesmo sendo um porquinho ia comer comida de menino.

Mas no caminho de casa começou a sentir uma coceira danada, coçava tudo, era terrível. E quando chegou em casa não conseguiu lanchar, o cheiro tava tão ruim que ele começou a enjoar.

Resolveu ir brincar mais um pouco, pra esquecer da fome, da coceira  e do enjoo. Mas era tanta coceira que ele nem conseguiu brincar e sua barriga não parava de roncar.

E pra piorar, de repente, começou a chover , o Beto até tentou se correr, mas ele estava no meio do campinho, não tinha como se esconder. Logo já estava todo molhado, encharcado.

Mas não é que chuva foi tirando o grosso da sujeira e a sensação era tão boa, até diminuiu a coceira, Beto pensou em como seria bom tomar um banho de chuveiro, só de pensar no sabonete ele já lembrou do cheiro, hum.

“Sujeira dá coceira, cheiro ruim muito chulé. Um banho de banheira ou de chuveiro é o que é. Experimente a refrescante sensação de bem estar, tome um bainho já! A refrescante sensação de bem estar. Chuá, chuá! Tome um bainho já.”(2x)

Foi assim que beto resolveu ir para o banho, mesmo que não voltasse a ser um menino e fosse ser pra sempre um porquinho, seria um porquinho limpinho.

Chegou em casa e foi direto pro banheiro tomar um belo banho no chuveiro, se lavou por inteiro.

“Tchau preguiça, tchau sujeira. Adeus cheirinho de suor. Oh…
Lava, lava, lava. Lava, lava, lava. Uma orelha uma orelha, outra orelha outra orelha.
Lava, lava, lava, lava, lava, lava a testa, a bochecha, lava o queixo, lava a coxa e lava até…
Meu pé, meu querido pé, que me agüenta o dia inteiro. Ooh!
E o meu nariz, meu pescoço, meu tórax, o meu bumbum e também o fazedor de xixi. Oh…
Lala, laia laia la, laia la la la, laia la, la la la la la.
Hum… Ainda não acabou não. Vem cá vem toalhinha… vem! Uma enxugadinha aqui, uma coçadinha ali, faz a volta e põe a roupa de paxá. Ahh!
Banho é bom. Banho é bom. Banho é muito bom.
Agora acabou!”

Beto estava gostando tanto do banho, estava se divertindo, por isso mesmo ficou uma arara quando sua mãe veio dizer que era hora de sair porque estava gastando muita água, e sem falar na luz que tava custando os olhos da  cara. O menino ainda tentou ficar mais um pouquinho, gastou todos seus argumentos, mas não teve jeito, teve que sair do chuveiro antes que o negócio ficasse feio.
“-Sair do banho puxa vida, é acabar com a brincadeira.
-Sai do banho, não se enrola, vai ficar a vida inteira?
-Sair do banho, puxa vida, é acabar com a brincadeira.
-Sai do banho, não se enrola, olha só que molhadeira…”

E qual não foi sua surpresa ao sair do banho e perceber que seu rabo de porquinho já havia sumido. Na escola todos gostaram de ter de volta seu amigo e não mais aquele menino tão sujo e fedido. E o Beto nunca mais deixou de tomar banho nem um diazinho. Mesmo que esteja frio e que o chuveiro esteja queimado, ele toma um banho gelado. Por isso hoje é conhecido como o mais cheiroso de todos os meninos do bairro. Quem quer dar um cheirinho?

FIM

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