O BONEQUINHO DOCE – de Alaíde Lisboa de Oliveira

Era uma vez duas irmãs, Lucinha e Lalá, que queriam muito um irmãozinho para brincar.

Foi Lucinha quem teve a ideia, depois de pensar e pensar:

-Já sei, vamos fazer um irmãozinho!

Lalá dava pulos de alegria repetindo:

-Vamos fazer um irmãozinho! Vamos fazer um irmãozinho!

Lucinha e Lalá foram até a cozinha onde, em uma bacia, misturaram um pouquinho de água e um pouquinho de açúcar e deram o ponto com farinha, quando a massa estava bem macia, fizeram uma bolinha. uma minhocona e quatro minhoquinhas. E juntaram tudo com palitinhos para formar um bonequinho. Depois de assar a massa para firmar, foram pedir tinta à sua mamãe, para poder pintar. Pintaram olhos, nariz e boca, um shorts verde e uma blusa roxa. O bonequinho Doce ficou mesmo muito bonitinho.

Mas quando Lucinha e Lalá levantaram o bonequinho, ele desatou a correr.

Lucinha correu atrás do bonequinho doce e Lalá correu atrás deles também, mais o bonequinho Doce corria mais e as duas foram ficando para trás. Lucinha gritou:

– Espere bonequinho, venha ser nosso irmãozinho.

E o bonequinho Doce respondeu:

-Corra Lucinha, corra Lalá, senão vocês não vão me pegar.

“Venha bonequinho, volte para cá.

Só se vocês conseguirem me pegar.

Venha bonequinho, volte para cá.

Tralalalalá vocês não vão me pegar.” (cantado)

No caminho o bonequinho doce passou pela vovozinha e Lalá gritou:

-Vovozinha, pegue o bonequinho Doce.

-Pegue o bonequinho Doce, gritou também Lucinha.

E lá se foi a vovozinha correndo atrás do bonequinho Doce. Mas o bonequinho doce corria mais e a vovozinha a Lucinha e a Lalá ficaram para trás. E a vovó gritou:

-Espere bonequinho Doce, minhas netinhas só querem brincar com você.

E o bonequinho Doce respondeu:

– Corra vovozinha, corra Lucinha, corra Lalá, senão vocês não vão me pegar.

“Venha bonequinho, volte para cá.

Só se vocês conseguirem me pegar.

Venha bonequinho, volte para cá.

Tralalalalá vocês não vão me pegar.” (cantado)

No caminho o bonequinho doce passou pelo vovô e a vovó gritou:

-Vovô, pegue o bonequinho Doce.

-Pegue o bonequinho Doce – gritou Lucinha.

-Pegue o bonequinho Doce vovozinho, gritou Lalá, em meio a correria.

E lá se foi o vovô correndo atrás do bonequinho Doce. Mas o bonequinho Doce corria mais e o vovô, a vovó, a Lucinha e a Lalá ficaram para trás.

E o vovô gritou:

-Espere bonequinho Doce, minhas netinhas só querem brincar com você.

E o bonequinho Doce respondeu:

– Corra vovô, corra vovozinha, corra Lucinha, corra Lalá, senão vocês não vão me pegar.

“Venha bonequinho, volte para cá.

Só se vocês conseguirem me pegar.

Venha bonequinho, volte para cá.

Tralalalalá vocês não vão me pegar.” (cantado)

E o bonequinho doce passou pela cerca e chegou na fazenda do tio Janjão e passou correndo pelo Janjão. E o vovô gritou:

-Janjão! Pegue este bonequinho Doce.

-Pegue este bonequinho Doce meu filho – gritou a vovozinha

Pegue Janjão! Pegue este bonequinho Doce. – gritaram juntas Lalá e Lucinha.

E lá se foi o Janjão correndo atrás do bonequinho Doce. Mas o bonequinho Doce corria mais e quem é que foi ficando para trás? O Janjão, o vovô, a vovozinha, a Lucinha e a Lalá.

E o bonequinho Doce passou correndo pelo Juca. E o Janjão gritou:

– Juca, pegue este bonequinho Doce meu filho!

– Pegue este bonequinho Doce meu netinho – gritaram juntos a vovó e o vovozinho.

– Juca! Pegue este bonequinho Doce para as suas priminhas – disseram juntas Lalá e Lucinha.

E lá se foi o Juca correndo atrás do bonequinho Doce. Mas o bonequinho Doce corria mais e… quem foi mesmo que ficou para trás? O Juca, o Janjão, o vovô, a vovozinha, a Lucinha e a Lalá.

E o Juca gritou:

-Espere bonequinho Doce, minhas primas só querem brincar com você.

E o bonequinho Doce respondeu:

– Corra vovô, corra vovozinha, corra Lucinha, corra Lalá, senão vocês não vão me pegar.

“Venha bonequinho, volte para cá.

Só se vocês conseguirem me pegar.

Venha bonequinho, volte para cá.

Tralalalalá vocês não vão me pegar.” (cantado)

E o bonequinho doce chegou até a lagoa e tentou fugir a nado, pensando que assim ninguém poderia alcançá-lo. Pulou na água e… começou a se derreter.

E, na beira do lago, foi chegando todo mundo a correr. Chegou o Juca e o Janjão, o vovô e a vovozinha e chegou a Lucinha  e, por último, a  Lalá. E o bonequinho Doce terminou de se desmanchar e Lalá começou a chorar…

-Não chore! – disse Lucinha – vamos fazer outro irmãozinho e desta vez vamos cuidar dele bem direitinho.

E assim fizeram, voltaram para a cozinha, desta vez com a ajuda do vovô e da vovozinha, fizeram um bonequinho Doce ainda mais supimpa, com terninho e até chapéu. Mas desta vez, antes de levantar o bonequinho novo, as irmãs fecharam bem as portas e janelas do quarto, e depois que o bonequinho Doce já havia acordado, Lucinha contou-lhe toda a história do bonequinho anterior, e assim o novo bonequinho doce não quis mais sair sozinho e juntos eles foram muito felizes pois o bonequinho era um doce de irmãozinho.

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Esta história do Alaíde é mais ou menos assim. Essa é a minha versão, como ela brotou na minha memória, no ritmo ditado pela canto que eu criei para este conto enfim, é como eu vou contar esta história nesta terça feira.

Primeiro apenas uma contação limpa, sem elementos. Depois vamos repetir a história fazendo (os pequeninos – NII e NIII – juntos na minha bacia com água e farinha, os maiores -NIV e NV – cada um no seu lugar, com argila) um bonequinho igual ao da história.

Quero trazer para eles a vivência do fazer inspirado no conto, apesar de pequenos ainda, creio que estão prontos para essa experiência que, acredito, será rica e proveitosa, para cada um a sua maneira.

Com os maiores aproveitaremos ainda as propriedades terapêuticas da modelagem. Para tanto começaremos a trabalhar a argila já durante a primeira contação. Orientando as crianças para pegarem pedacinho por pedacinho da argila e ir juntando na mãe e amassando, sempre com as mãos na altura do coração.