O Pirata Capa Preta

Essa é a história do Pirata Capa Preta. Um pirata que tinha cara de mau, mas que gostava mesmo era de brincar e tomar mingau. Ao invés de caçar tesouros como todo pirata, Capa Preta caçava as lendas brasileiras.

Quem aqui conhece uma lenda brasileira?

Tem a lenda do Boitatá. Uma cobra feita de fogo que vive no meio da mata e que assusta quem desrespeita a natureza.

Tem o Curupira, que tem corpo de menino, cabelo vermelho e os pés virados para trás para enganar os caçadores com as suas pegadas, pois quando parece que ele foi para um lado ele foi para o outro e, assim, pode chegar por trás e dar um baita susto no caçador, protegendo os animaizinhos. Dizem que se você precisar o Curupira chamar, basta três vezes assoviar.

Tem também a Mula-sem-cabeça. Reza a lenda que a muito tempo atrás uma mulher seduziu um padre e, como castigo, foi transformada em uma mula sem cabeça que solta fogo pelo pescoço e vive vagando por aí para assustar as moças que, como ela, se apaixonam por padres.

Mas a lenda que o pirata Capa Preta conseguiu capturar foi a mais bonita de todas. A sereia Iara que de tão bela, mas tão bela, transforme em pedra quem olha pra ela.

Mas pera aí! Como é que o Capa Preta conseguiu capturar a sereia sem poder olhar pra ela pra não virar pedra?

Ora, ele usou um espelho, é claro. E assim pode ver a sereia sem olhar diretamente pra ela e tirar uma foto dela. Sim, porque o pirata Capa Preta é um pirata bonzinho, não ia deixar a pobre sereia presa. Por isso capturou apenas a imagem da bela sereia.

Todavia teve uma lenda que o pirata Capa Preta capturou de verdade, em carne e osso. E ele está aqui, preso dentro desta garrafa. Não estão vendo? É porque o Saci Pererê  é louco de esperto e, quado você captura ele dentro de uma garrafa de vidro o danado fica invisível porque assim, achando que a garrafa está vazia, a gente tira a rolha da garrafa e o danado escapa. Agora segura um pouquinho pra mim a garrafa do Saci. (nessa hora a garrafa deve ser entregue para a criança mais serelepe para que ela abra a garrafa e, nesse momento, aparece o fantoche do saci levando as crianças ao delírio.)

“Saci Pererê, duende encantado.

Mãozinha furada, gorrinho encarnado.

Do redemoinho, do meio do pó,

Surgiu o negrinho de uma perna só.

Com cachimbo na boca, olhando o brejeiro,

pulou minha cerca entrou no terreiro.

Puxou bem o rabo de todos os bois,

juntou em um só nó e fugiu depois.

Saci Pererê só faz confusão.

Apagou o meu fogo, azedou meu feijão,

fez trança na cauda do meu alazão.

Saci Pererê só faz confusão,

puxou minha banqueta e eu caí no chão.”

E para prender o Saci Pererê sabe como fez nosso destemido pirata? Ele pegou uma garrafa de rolha e uma peneira que tinha ao centro uma cruz de madeira, e ficou de guarda na encruzilhada. Quando apareceu um redemoinho de pó nosso pirata sabia que lá dentro estava o Saci escondido. Sem dó ele jogou a peneira por cima do redemoinho, pegou a garrafa de vidro e jogou lá dentro o pobrezinho, que aliás de pobrezinho não tem é nada que o saci é danado que nem um Diabo. (nessa hora o fantoche é jogado dentro de uma caixa e a garrafa vazia novamente fechada com a rolha)

Viu que o danado já ficou invisível pra gente pensar que não tem nada dentro da garrafa?

Mas como eu havia dito no começo da história, o Capa Preta, apesar da cara de mau, gostava mesmo era de comer mingau. Um dia ele acordou bem cedinho pronto pra fazer o seu mingau, mas na hora que ele abriu a dispensa, nada, não tinha nem leite, nem banana e nem aveia. O Capa Preta fez a maior cara de mau, mas logo depois, vendo que não adiantava nada, resolveu sair em busca dos ingredientes para o seu mingau.

Primeiro ele foi atrás da aveia. Mas a plantação de aveia ficava no alto de uma montanha coberta de lava. Pra chegar lá só voando e o navio do pirata não tinha asas. Sabe o que ele fez? Foi pedir ajuda aos passarinhos.

-Ei, passarinhos! Vocês podem me ajudar a pegar aveia no alto da montanha de lava para eu fazer um delicioso mingau?

-Nós pegamos pra você, mas só se você cantar para nós uma música com passarinho…

-Uma música de passarinho? Será crianças, que vocês podem me ajudar?

(as crianças cantam uma música de passarinho)

Os passarinhos gostaram tanto dessa musiquinha que foram voando buscar a aveia no alto da montanha de lava para o pirata Capa Preta.

Agora o Capa Preta já tinha a aveia. O que é mesmo que faltava para ele completar a sua receita?

Isso mesmo, leite e banana. Pra quem vocês acham que ele foi pedir o leite? Para a vaquinha Mimosa que morava no pasto.

-Bom dia vaca Mimosa, tem um pouco de leite para me arrumar?

-Ter eu tenho, mas só vou te dar se uma musiquinha com vaca você cantar.

-E agora? Quem pode me ajudar? Quem conhece uma musica com vaca?

(As crianças cantam uma música com vaca. Muitas vezes nessa hora alguém diz a parlenda da vaca amarela, mas a Mimosa gosta tanto que aceita a parlenda no lugar da música)

A Mimosa gostou tanto da tal musica que deu para o pirata um litro de leite de vaca.

Dessa vez o Capa Preta já tinha o leite e a aveia. Qual era mesmo o ingrediente que faltava?

Isso, a banana. Pra quem será que o pirata foi pedir banana?

Claro, pro macaco.

E o que foi que o macaco falou?

-Só te dou uma banana se uma música com macaco você cantar.

-Música com macaco? Mas eu não conheço nenhuma…. Será que vocês podem me ajudar?

(As crianças cantam uma música com macaco)

O macaco gostou tanto desta musica que deu pro Capa Preta um cacho inteiro de bananas bem maduras.

Finalmente o Capa Preta tinha todos os ingredientes da sua receita e pode fazer um delicioso mingau que ele ainda dividiu com o passarinho, com a vaca Mimosa e até com o macaco. E o mingau estava mesmo delicioso.

FIM

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Lenda do Amendoim

O grande guerreiro Mbeyu tinham uma irmã chamada Antoinka e ela tinha um filho que se chamava Doinmã.

Doinmã fazia um cocô durinho, vermelho por fora e  por dentro bem branquinho, pequenininho assim. Parecia com uma semente, e Antoinka chamou de amendoim.

Mas esse era o segredo deles. Todos os dias quando o menino dizia:

-Mamãe, quero fazer cocô.

A índia pegava uma panela e mandava o menino fazer cocô lá dentro, escondidinho. Depois assava no fogo e servia para todos os índios.

Todos adoravam aquela comidaa e queriam saber aonde Antoinka a colhia. Mas a índia nada dizia.

Um dia Antoinka teve que sair e deixou Doinmã com seu tio Mbeyu, mas esqueceu de dizer ao menino que ele deveria fazer cocô escondido.

Lá pelas tantas o menino chamou o tio e disse:

-Tio, quero fazer cocô!

E o índio respondeu:

-Vai fazer cocô no mato menino.

Mas o menino acostumado foi logo pegar a panela pra fazer cocô dentro dela. O tio que de nada sabia ficou muito bravo e botou o menino de castigo, amarrado em um galho.

O menino assim amarrado teve que fazer cocô no mato. E não é que o tal do amendoim era mesmo uma semente e no lugar onde ele fez cocô brotou um pé de planta diferente.

Acreditem em mim, assim nasceu o primeiro pé de amendoim.

A lenda da mandioca

A Lenda da Mandioca

Era uma índia muito bela chamada Mara que pela Lua era apaixonada. Todas as noites Mara saía de sua oca para a Lua admirar e dizia a todos da tribo que somente com o deus Lua era iria se casar.

Um dia ela dormiu e sonhou que um grande guerreiro de pele branca e longos cabelos loiros descia da Lua para com ela se casar. Passado certo tempo Mara, apesar de virgem, descobriu que estava grávida e depois de alguns meses deu aluz à uma linda menina, de pele branca como o luar.

A pequena indiazinha recebeu o nome de Mani, era graciosa e delicada e logo por toda a tribo passou a ser amada e admirada.

Mas quando estava com três anos Mani faleceu sem nem mesmo adoecer. Toda a tribo ficou muito triste, choraram a noite inteira, até o amanhecer.

O espírito da pequena índia foi morar junto com seu pai. Mas Mara, a mãe da menina, não conseguia se consolar. Enterrou a filha na sua própria oca pra dela não se separar… E chorou sobre o túmulo noite e dia, sem parar, derramando na terra o leite do seu seio, esperando que assim sua filha pudesse reavivar.

Passado um tempo surgiu ali um uma planta com folhas grandes e arroxeadas e com uma raíz muito branca, como a pele da filha de Mara.

Essa planta foi chamada de Manioca e considerada sagrada. Hoje em dia é conhecida como mandioca, uma raíz muito rica que serve pra fazer bebida ou pra ser comida cozida, frita ou assada.

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Os Anõezinhos e o Gigante

Era uma vez uma grande família de anõezinhos que vivia no interior de uma enorme caverna. Mas não era uma caverna sombria, não era escura e nem fria, era uma caverna brilhante cheia de pedras preciosas e diamantes e esses anõezinhos viviam trabalhando embaixo da terra, deixando sua caverna ainda mais bela.

Todos os dias um dos anõezinhos tinha que ir lá em cima colher frutas, legumes, verduras e cereais, para fazer comida. É que essas coisas, pra crescer, precisam de luz do sol e os anõezinhos não podiam cultivá-las na caverna iluminada apenas por velas e pelo brilho das pedras…

Era um trabalho tranquilo e assim, sem problemas, todos os anõezinhos se dividiam ficando um cada dia com esse ofício.

Um dia estava indo o anão Benrur com seus passinhos pequenininhos:

“Bim, bim, bim.”

Quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam.”

O anãozinho tomou um baita susto, largou no chão seu cesto já cheio de frutos e voltou pra caverna correndo aos pulos:

-Socorro! Socorro! Tem lá fora um monstro horroroso!

-Do que está falando? Cadê nossa comida? – disse desconfiado o anãozinho Caete.

E o Benrur respondeu:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Não acredita? Pois vai lá ver.

-Eu acho que você está é com preguiça. Mas eu estou com fome então vou lá buscar nossa cesta de comida…

E lá se foi Caete, pra fora da caverna, lá pra cima. Saiu com seus passinhos pequeninhos:

“Bim, bim, bim.”

Chegou até o cesto e estava pronto para voltar quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam!”

O anãozinho ficou tão assustado, voltou para a caverna correndo e gritando, aos saltos:

-Socorro, socorro! Um monstro!

-Como assim? – quiseram saber os outros.

E Caete explicou:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Ah! Que má sorte, vamos morrer de fome.

Começou uma grande confusão, alguns queriam fugir para longe dali, outros se esconder no fundo mais profundo da caverna. Mas a fome falava mais alto, e os anõezinhos são corajosos e fortes… resolveram subir e enfrentar o monstro horroroso.

Lá se foram os anõezinhos subindo com seus passinhos bem assim:

“Bim, bim, bim.” Bim, bim, bim”

Quando ouviram o som do monstro assustador:

“Bam, bam, bam.”

Os anõezinhos quase saíram correndo, mas o corajoso Dundum falou:

-Fiquem anõezinhos, temos que pegar nosso cesto de comida, vamos enfrentar o monstro horroroso.

E como os anõezinhos são fortes e corajosos foram  em direção ao som assustador com seus passinhos assim:

“Bim, bim, bim.”

E logo ouviram mais perto o som do monstro horroroso:

“Bam, bam, bam”

Os anõezinhos quase correram de novo. Mas Dundum lembrou do cesto de comida. Das frutas legumes e cereais que deveriam estar bem gostosos. E eles como eram fortes e corajosos, resolveram enfrentar o monstro horroroso. E lá se foram com seus passinhos que faziam assim:

“Bim, bim, bim.”

Ouviram o barulho horroroso vindo ao seu encontro:

“Bam, bam, bam.”

Deram de cara com o monstro. Era um gigante, enorme, mas não era horroroso, era até bem jeitoso, tinha cara de ser bondoso, o que de fato era. E o gigante trazia pros anõezinhos uma enorme cesta cheia das mais deliciosas comidas. É que o gigante se sentia muito sozinho. Morava na montanha ao lado dos anõezinhos e sempre ouvia o barulho dos seus passinhos e pensava consigo: “Será que se eu for até lá não consigo fazer amigos?” Mas os passos eram tão baixinhos que o gigante tinha medo de ir até lá e assustar os anõezinhos. Mas aquele dia tinha tomado coragem. E os anõezinhos estavam com tanta fome que quando viram o grande cesto cheio de deliciosos alimentos, esqueceram dos seus medos e juntos com o gigante fizeram um grande piquenique. Estavam todos tão felizes que depois de comer foram juntos dançar, em roda a girar:

“Bim, bim bim. Bam, bam bam. Quem caminha com pequenos passinhos? Somos os anãozinho e andamos assim: Bim, bim bim. Bam, bam, bam. Bim, bim, bim. Quem conosco vem girar? Sou o gigante Firamfar, faço muito barulho pra caminhar, assusto quem escutar: Bam, bam, bam”.

FIM

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A Sopa de Pedra

A história original é com uma velha mas meu tema era alimentação saudável e a data era dia das bruxas, então eu troquei a velha por uma bruxa para fazer esta versão…

A SOPA DE PEDRA

Pedro Pedroca Nariz de Pipoca era um menino muito esperto e sapeca. Adorava brincar com os amigos, jogar bola, brincar de pique-esconde e pega-pega. Mas o que ele gostava mesmo de fazer era comer. Comia de tudo. Frutas, verduras e cereais ele não recusava jamais.

Por isso mesmo ficou feliz da vida quando sua mãe anunciou que nessas férias ele iria passar um mês inteiro na casa da tia Clotilda. É que a tia Clotilda mora num sítio. Dá pra colher fruta no pé, comer verduras e legumes da horta colhidos na hora, sem um veneninho sequer. Catar ovos no galinheiro ou tirar leite para beber fresco, hum. Sem contar as delícias que a tia Clotilda fazia: doces de frutas e compotas, tortas de maçã ou de amora e tirava leite da vaca Mimosa pra beber ainda quentinho ou bater com jeitinho pra fazer requeijão, iogurte e queijo fresco… ahhh! Pedrinho ficava com água na boca só de pensar, mal podia esperar.

Mas pra alegria de Pedro as férias não tardaram a chegar e logo ele foi viajar.

Na primeira semana ele comeu de se empanturrar e brincou até se acabar. Mas um dia estava brincando sozinho quando lembrou do filme da Chapeuzinho em que ela colhia amoras silvestres na floresta. Pensou que delícia seria uma torta de amora feita pela sua tia Clotilda. Resolveu ir colher amoras naquela mesma hora. E não é que o Pedrinho, apesar de ser esperto como ele era, foi procurar amoras sozinho na floresta.

Sabem o que ele descobriu? Que não é tão fácil achar frutas no meio do mato. Procurou, procurou e não achou nada. E o pior, também não conseguiu encontrar o caminho de volta para casa. Andou e andou o dia inteirinho e ainda uma boa parte da tarde procurando o cominho.

Já estava cansado e verde de fome, com o estômago encostando nas costas, quando viu uma cabana no alto de uma colina. Ficou tão feliz que nem se lembrou da história do João e da Maria.

-Viva, estou salvo. Além de conseguir descobrir o caminho de volta pra casa da minha tia, ainda posso conseguir um rango e acabar com o ronco da minha barriga.

E lá se foi o Pedro para o alto da colina bater na casa para pedir ajuda e comida. O que ele não sabia é que naquela casa morava uma Bruxa mão de vaca, pão dura, mão fechada, lazarenta…

Quando ele bateu a bruxa gritou lá de dentro que era pra não gastar a sola do sapato indo até a porta:

-Se for vendedor é melhor dar o fora daqui, antes que eu te transforme em um sagui! E se for pedinte é melhor sair correndo, antes que eu te transforme em um sapo fedorento.

Mas como o Pedrinho era esperto e afiado como uma navalha, bolou um plano e respondeu na lata:

-Não vim pedir nada não, apenas permissão. É que sou viajante e sabe como é, não posso ficar gastando com comida, por isso como sopa de pedra todos os dias. E recebi a informação de que as melhores pedras para sopa encontram-se nessa região. Se a senhora me permitir algumas pedras recolher em troca eu lhe ensino essa deliciosa sopa a fazer.

E a velha pensou consigo:

-Ora! Se eu ainda gasto o meu rico dinheirinho é para comprar comida, se aprender a fazer a tal sopa de pedras certamente ficarei muito rica…

Resolveu gastar a sola do sapato e foi abrir a porta:

-Entre, entre, por favor, só não vá se sentar para não gastar a cadeira, ela ainda está novinha, tem só setenta anos, não vai durar mais cem se você ficar gastando… É que eu economizo muito sabe, esta minha roupa já tem duzentos e trinta e cinco anos, o segredo é não lavar, para não gastar o pano. Mas vamos lá, o que é que você precisa para fazer a sopa de pedras?

-Uma panela com água, fogo e pedras.

-Ora, ora, mas isso é mesmo uma coisa maravilhosa pode esperar que eu já vou providenciar.

Quando a velha colocou a panela de água para ferver no fogo o menino fingiu selecionar as pedras:

-Essa serve,  essa pode jogar fora, essa aqui tá muito boa, pode por na panela, ihh, essa daqui não presta.

Depois das pedras separadas Pedro tentou a primeira cartada:

-Por acaso a senhora não teria aí uma salsinha e uma cebolinha?

-Mas não era só água e pedra? Agora precisa de salsinha e cebolinha?

-Precisar não precisa, mas é que se tiver dá um cheirinho mais gostoso sabe.

-Bom nesse caso eu vou buscar, afinal tenho na horta, não preciso comprar…

Quando a velha trouxe o cheiro verde o menino continuou:

-E por acaso não teria aí uma cenoura?

-Quê? Agora precisa de cenoura?

-Precisar não precisa, mas sabe como é né, a cenoura dá uma corzinha pra sopa.

-Bom, se é assim eu tenho sim. Espera aí que eu vou buscar.

Enquanto cortava a cebola Pedrinho recomeçou:

-E uma batata, será que a senhora tem?

-Ora! Era só o que faltava, agora também precisa de batata?

-Precisar não precisa, mas veja bem, a senhora vai comer sopa de pedra pela primeira vez, é uma ocasião especial, vale a pena dar uma caprichada, e a batata serve pra dar uma engrossada…

-Bem, nesse caso eu vou pegar a batata.

Enquanto descascava a batata o menino ainda tentou mais uma cartada:

-E um pedaço de carne? Tem?

-O queeeeeê? Carne tá os olhos da cara! A sopa não era de pedra? Agora precisa de  carne?

-Precisar não precisa não, mas pensando na ocasião, a carne não ia nada mal e é bom pra dar um sabor especial.

-Tem um pedaço de carne na geladeira sim. Acontece que eu compro carne uma vez por ano, que é pra economizar, mas pensando bem, fazendo sopa de pedra eu nunca mais vou precisar comprar comida… Está bem, pode colocar a minha carninha.

Quando a sopa ficou pronta um cheiro delicioso se espalhou pelo ar. Pedrinho comeu logo cinco pratadas, mas a velha bruxa comeu uma só, pra economizar pro jantar.

Depois de comer a bruxa explicou pro Pedro o caminho de volta até a casa da tia Clotilda. O menino já estava de saída quando a velha falou:

-Espera, deixa eu anotar a receita: seleciono as pedras, ponho pra cozinhar. Daí vai cebolinha e salsinha pra dar um cheiro, cenoura pra dar cor, batata pra engrossar, carne pra dar sabor… mas espera aí! Pedro, ô Pedrinho! Pra que é que serve a pedra?

E o Pedro lá debaixo da colina gritou dando risada:

-A pedra é pra enganar a bruxa mão de vaca! Há, há, há, há!

A bruxa ficou vermelha de raiva e até pensou em ir atrás do menino pra transformá-lo em um sapo fedido, mas pensando bem, pra voar até lá, ia gastar a vassoura… além do que na poção pra transformar menino em sapo vai olho de dragão, e o olho de dragão tá muito caro.

FIM

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Madalena e seu problema

Esta história eu criei para as crianças dos 4ºs e 5ºs anos da escola onde trabalho. O tema encomendado é alimentação saudável, mas na minha pesquisa tive uma enorme dificuldade de achar uma história de qualidade sobre esse tema. Parecem todas bem óbvias, enfim, dois dias inteiros de pesquisa e não achei nada, nadinha. Resolvi contar a Sopa de Pedra, mas ainda precisava de mais uma e queria uma que abordasse o tema mais diretamente. Foi a hora de criar. Escolhi uma história com bruxa porque vou contá-la na escola amanhã, véspera de Dia das Bruxas…. espero que gostem.

MADALENA E SEU PROBLEMA

Era uma menina muito bonita, chamada Madalena, mas que tinha um grande problema, dava trabalho para comer desde pequena. Na hora do almoço e do jantar sua mãe bem que dizia:

– Come menina, se não a Bruxa má vai te pegar!

E Madalena respondia:

– Oba ela vai me levar pra conhecer o Harry Poter?

Mas depois do almoço mesmo sem ter comido nada ia para a frente da TV e começava a sessão porcariada. E haja cheetos, bombom achocolatado, bala chiclet, chocolate em barra e bolacha recheada. Se estivesse calor tomava sorvete de baldada, se não bebia leite condensado direto da lata.

E frutas, legumes e cereais… jamais. A menina só comia porcaria, de comida saudável nem o nome ela sabia.

– Que comida é essa? (mostra uma manga)

– É uma maçã. Eca! Tem gosto de meleca!

– Isso é uma manga Madalena. E isso? (mostra uma pêra)

– Essa é a maçã que é uma eca e tem gosto de meleca?

– Não Madalena, isso é uma pêra. E isso, sabe o que é? (mostra uma abobrinha)

– Nunca vi, deve ter gosto de chulé!

– O que tem gosto de chulé é cheetos Madalena, isso é abobrinha e bem cozidinha é uma delícia. É menina, é melhor você se cuidar, porque deste jeito a Bruxa Má vai mesmo vir te pegar…

Mas Madalena nem ligava. E vocês sabem o que aconteceu? Vieram as féria e Madalena foi passar um mês na casa da tia que morava no interior. Chegando lá, que horror! Não tinha televisão e nem computador. E o que era pior, para comer só do bom e do melhor. Pelo menos é o que a tia dizia:

-Na minha casa ninguém come porcaria.

Não tinha salgadinho, nem batom, nem biz, nem sorvete de chocolate, nem bombom… E quando a menina pediu um doce de sobremesa, e olha que ela até pediu por favor, a tia me veio com um monte de potes com tudo quanto é tipo de geléia de frutas.

A menina quase teve um treco, foi pro celeiro fervendo de raiva, pegou seu celular e já ia ligar para casa quando viu seu reflexo na telinha do microfone.

Alguma coisa estava mudando, a menina estava se transformando. Seus dentes foram caindo até ficar um só, amarelado e crescido. Seu nariz foi crescendo até quase encostar no queixo. Seu cabelo virou um emaranhado só, todo seco e cheio de nós.

Madalena ficou horrorosa, assustadora, tenebrosa.

Foi aí que apareceu um baita gigante.

-Yes!!! – comemorou Madalena até se esquecendo de que estava horrenda – Você vai me levar para Hogwarts?

– Que? Eu vim levar você sim, mas para um lugar bem mais divertido, acredite em mim. Nós vamos para a terra do Terror sem Fim.

E sem que Madalena pudesse nem gritar o gigante pegou-a pela cintura e levou-a para lá. Mas não era um lugar bonito como o do filme do Harry Poter. Era uma floresta escura e fedida, em um castelo macabro caindo aos pedaços.

Só quando entrou no castelo é que Madalena se deu conta do tamanho do perigo, tinham monstros horrendos, bruxas e magos, lobisomens e vampiros, pra cada canto que ela olhava dava de cara com um ser mais terrível. Em uma sala bem grande sentavam-se gigantes, ogros e até ciclopes que são os gigantes caolhos.

O gigante largou Madalena em uma sala escura e abafada, cheia de bruxinhos e bruxinhas olhando com cara assustada. Logo entrou a Bruxa Má e começou a falar:

-Hoje é o primeiro dia de vocês na escola de magia. Se vocês estão aqui é porque fizeram muita birra, foram mal educadas e só comeram porcarias. Meus parabéns, tenho muito orgulho de vocês, conseguiram deixar para traz o caminho do bem. Agora começa a azaração e nós vamos nos divertir de montão, fazendo maldades e atrocidades. E nossa primeira lição vai ser amarrar bombinha no rabo da gata da vizinha.

– Mas isso é terrível! – disse Madalena horrorizada.

E a Bruxa má respondeu:

-Obrigada.

-Os gatinhos são nossos amigos e a gata da vizinha não nos fez nada!

-Ora, ora. Onde já se viu, uma bruxinha que não quer ser malvada. Pois se não fizer uma grande maldade, na torre ficará trancada.

– Mas eu não quero fazer maldades, só quero voltar para casa. – disse Madalena indignada.

– Ah, não quer fazer maldades? Guardas, guardas! Levem-na para a torre e fiquem de guarda.

E lá se foi Madalena pelos gigantes arrastada. E ficou lá, trancada, sozinha, triste e arrependida só pensava em voltar para casa da tia, mas sabia que nunca mais conseguiria.

Foi quando chegou o Ogro trazendo uma cesta cheinha de comidas: tinha doce, bala, salgadinho, bombom, pirulito e mais um monte de porcarias. A menina esqueceu da vida e já ia atacar quando ouviu uma vozinha que dizia:

– Não! Não como isso. As bruxas vão te engordar pra você virar jantar.

– Quem é você? Cadê?

– Aqui, aqui em cima, eu sou uma fadinha e vim pra te ajudar. Eu sei o que fazer para uma menina você voltar a ser e assim conseguir escapar.

– O que é? O que é? Me diga, eu faço qualquer coisa!

– Eu vou trazer para você, todos os dias, comida boa e saudável. Você vai comer todinha para voltar a ser uma menina.

E assim, no primeiro dia, a fadinha trouxe uma bandeija com caldo de abobrinha, um cacho de uvas e um pedaço de melancia. Madalena torceu o nariz, mas comeu tudo, pois queria muito voltar a ser menina… e não é que ela achou tudo a maior delícia? A uva era tão docinha, a melancia tão refrescante e o caldo de abobrinha, bem quentinho, era alucinante.

No segundo dia a fadinha trouxe arroz integral com abóbora e uma laranja Bahia.

A menina fez careta, mas mais uma vez comeu tudo, pois estava decidida. E não é que mais uma vez estava tudo uma delícia?

Quando foi no terceiro dia a menina já esperava animada a chegada da fada, imaginando o gosto gostoso das comidas que ela traria.

E assim foi dia a dia, até passar uma semana inteirinha. Foi no fim desta semana que o guarda veio trazer mais uma cesta cheia de porcarias, mas quando viu Madalena saiu gritando na maior correria.

– Socorro! Socorro! Tem uma menina humana no calabouço.

Foi aí que Madalena percebeu que o feitiço havia se revertido e cheia de nova esperança resolveu enfrentar de frente o perigo. Abriu sozinha a porta da cela, levando junto com ela uma bandeja de amoras que era a última que a fadinha havia trazido.

É que as bruxas morrem de medo de comidas saudáveis, e vendo a menina armada com amoras saíram correndo e gritando na mesma hora.

E foi assim que a menina conseguiu escapar do castelo, atravessou a floresta escura (mas essa história eu vou deixar para outra aventura), e chegou na casa da tia, onde levou uma baita dura.

Estavam todos preocupados, pois ela sumira uma semana inteirinha. Até a polícia já tinha desistido de encontrar a menina. Mas daquele dia em diante nunca mais deu trabalho com a comida, comia de um tudo, cresceu saudável e cheia de vida.

FIM

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