Os Anõezinhos e o Gigante

Era uma vez uma grande família de anõezinhos que vivia no interior de uma enorme caverna. Mas não era uma caverna sombria, não era escura e nem fria, era uma caverna brilhante cheia de pedras preciosas e diamantes e esses anõezinhos viviam trabalhando embaixo da terra, deixando sua caverna ainda mais bela.

Todos os dias um dos anõezinhos tinha que ir lá em cima colher frutas, legumes, verduras e cereais, para fazer comida. É que essas coisas, pra crescer, precisam de luz do sol e os anõezinhos não podiam cultivá-las na caverna iluminada apenas por velas e pelo brilho das pedras…

Era um trabalho tranquilo e assim, sem problemas, todos os anõezinhos se dividiam ficando um cada dia com esse ofício.

Um dia estava indo o anão Benrur com seus passinhos pequenininhos:

“Bim, bim, bim.”

Quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam.”

O anãozinho tomou um baita susto, largou no chão seu cesto já cheio de frutos e voltou pra caverna correndo aos pulos:

-Socorro! Socorro! Tem lá fora um monstro horroroso!

-Do que está falando? Cadê nossa comida? – disse desconfiado o anãozinho Caete.

E o Benrur respondeu:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Não acredita? Pois vai lá ver.

-Eu acho que você está é com preguiça. Mas eu estou com fome então vou lá buscar nossa cesta de comida…

E lá se foi Caete, pra fora da caverna, lá pra cima. Saiu com seus passinhos pequeninhos:

“Bim, bim, bim.”

Chegou até o cesto e estava pronto para voltar quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam!”

O anãozinho ficou tão assustado, voltou para a caverna correndo e gritando, aos saltos:

-Socorro, socorro! Um monstro!

-Como assim? – quiseram saber os outros.

E Caete explicou:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Ah! Que má sorte, vamos morrer de fome.

Começou uma grande confusão, alguns queriam fugir para longe dali, outros se esconder no fundo mais profundo da caverna. Mas a fome falava mais alto, e os anõezinhos são corajosos e fortes… resolveram subir e enfrentar o monstro horroroso.

Lá se foram os anõezinhos subindo com seus passinhos bem assim:

“Bim, bim, bim.” Bim, bim, bim”

Quando ouviram o som do monstro assustador:

“Bam, bam, bam.”

Os anõezinhos quase saíram correndo, mas o corajoso Dundum falou:

-Fiquem anõezinhos, temos que pegar nosso cesto de comida, vamos enfrentar o monstro horroroso.

E como os anõezinhos são fortes e corajosos foram  em direção ao som assustador com seus passinhos assim:

“Bim, bim, bim.”

E logo ouviram mais perto o som do monstro horroroso:

“Bam, bam, bam”

Os anõezinhos quase correram de novo. Mas Dundum lembrou do cesto de comida. Das frutas legumes e cereais que deveriam estar bem gostosos. E eles como eram fortes e corajosos, resolveram enfrentar o monstro horroroso. E lá se foram com seus passinhos que faziam assim:

“Bim, bim, bim.”

Ouviram o barulho horroroso vindo ao seu encontro:

“Bam, bam, bam.”

Deram de cara com o monstro. Era um gigante, enorme, mas não era horroroso, era até bem jeitoso, tinha cara de ser bondoso, o que de fato era. E o gigante trazia pros anõezinhos uma enorme cesta cheia das mais deliciosas comidas. É que o gigante se sentia muito sozinho. Morava na montanha ao lado dos anõezinhos e sempre ouvia o barulho dos seus passinhos e pensava consigo: “Será que se eu for até lá não consigo fazer amigos?” Mas os passos eram tão baixinhos que o gigante tinha medo de ir até lá e assustar os anõezinhos. Mas aquele dia tinha tomado coragem. E os anõezinhos estavam com tanta fome que quando viram o grande cesto cheio de deliciosos alimentos, esqueceram dos seus medos e juntos com o gigante fizeram um grande piquenique. Estavam todos tão felizes que depois de comer foram juntos dançar, em roda a girar:

“Bim, bim bim. Bam, bam bam. Quem caminha com pequenos passinhos? Somos os anãozinho e andamos assim: Bim, bim bim. Bam, bam, bam. Bim, bim, bim. Quem conosco vem girar? Sou o gigante Firamfar, faço muito barulho pra caminhar, assusto quem escutar: Bam, bam, bam”.

FIM

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Lendas Indígenas

Com o dia dos índios se aproximando chega a hora da índia Taina aparecer na escola com cantos e lendas indígenas. Este ano escolhi a lenda do guaraná e uma das lendas do Uirapuru. Seguem as duas como as novas flores desse jardim de histórias. Qualquer mudança da lenda original é proposital, resultado dessa minha sina de querer contar tudo com rima…

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LENDA DO GUARANÁ

Era uma vez um casal de índios, que se amavam muito e queriam muito ter um filho. Pediram pra todos os deuses: Rudá, Caupé, Caramuru,  Tupã e Guaraci em seus rituais tupi e dançaram para a lua cheia, a grande e bela Jaci.

Como este era um casal muito bondoso, acabaram sendo atendidos por Tupã, o Deus mais poderoso. E foram finalmente abençoados com um filho, um belo e forte indiozinho, que recebeu o nome Guari.

Guari cresceu cada vez mais forte e alegre, era um indiozinho bem serelepe, mas com um enorme coração, por isso mesmo era muito querido por todos da sua tribo e era amigo de todos os animaizinhos que viviam em sua região.

Mas o grande Jurupari, espírito mau, senhor da escuridão, gostava de colher frutas por ali, e toda vez que o jovem Guari ele via, muita inveja sentia. Invejava a força e a beleza de Guari e desprezava toda a paz e alegria que ele transmitia.

E pra piorar ele via o Guari quase todo dia. É que embora fosse muito forte, Guari não era um caçador. Pois seu coração era tão cheio de amor pelos seus amigos animais que Guari só se alimentava de frutas e alguns cereais.

Guari era um ótimo coletor de frutas. Desde pequeno pegava seu grande cesto e saía pela floresta, voltando logo com ele cheio de frutas nativas, que ele dividia com toda tribo, sempre cheio de alegria.

Mas Jurupari resolveu tomar uma iniciativa e acabar com Guari, ceifando a flor da sua vida.

Aproveitou enquanto Guari estava coletando frutos pela floresta para a grande festa da primavera. Jurupari se transformou em uma cobra venenosa e mordeu o calcanhar do jovem índio, acabando com a sua vida generosa.

Toda tribo ficou muito triste, os pais do jovem índio ficaram desconsolados e Tupã, indignado, soltou pelos céus da floresta inúmeros raios. A mão de Guari entendeu que Tupã mandava uma mensagem através dos raios, mandando que os olhos do jovem índio fossem plantados e pelas lágrimas de toda a tribo regado.

Assim eles fizeram e plantaram aqueles olhos negros na floresta perto da tribo no equinócio de setembro. E para encanto e espanto de todos que pelo jovem índio choravam nasceu uma lindo arbusto no lugar onde os olhos haviam sido plantados.

Essa planta deu frutos deliciosos e muito, muito parecidos com olhos. Quem come esse fruto fica mais alegre e cheio de energia pois, assim como o índio Guari, essa fruta transmite força e alegria.

Assim surgiu o guaraná essa fruta que parece com um olho e que dá muito energia pra quem comer ou tomar.

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A LENDA DO UIRAPURU

Em certa tribo indígena haviam duas belas jovens índias que eram muito amigas. As duas viviam juntas desde pequenininhas. Brincavam juntas. Saiam juntas para coletar lenha e frutas, ficavam juntas sentadas na oca mascando o milho ou moendo a mandioca.

Nessa tribo havia um jovem índio, muito forte e muito lindo pelo qual as duas índias acabaram apaixonadas, mas nenhuma das duas dizia nada. O amor crescia dentro delas sem que elas soubessem que pelo mesmo jovem estavam interessadas.

Até que um dia resolveram contar uma pra outra por quem batia mais seu coração e qual não foi a surpresa das duas ao descobrir que dividiam a mesma paixão…

Resolveram deixar o guerreiro escolher com qual das duas queria ficar e aquela que fosse preterida (ou seja, a que não fosse escolhida), deveria ficar feliz pela outra e o destino aceitar.

Mas o guerreiro gostava das duas, não conseguia escolher uma. Por isso decidiu que as duas deveriam fazer uma disputa, aquela que tivesse a melhor mira seria a noiva escolhida.

Na manhã seguinte toda a tribo se reuniu em festa para ver as duas fazerem a disputa com arco e flecha. Logo já havia uma vencedora que se casou com o grande guerreiro, enquanto a outra fingiu ficar feliz, mas chorava por dentro.

A índia que perdeu estava mesmo muito triste e se escondeu na floresta para que pudesse chorar sem que ninguém a visse. O tempo passou e ela não queria voltar, continuava chorando sem parar.

Tupã se apiedou da moça e se ofereceu pra ajudar. Ela disse que chorava não só por ter perdido seu amor, mas por ter perdido também a sua amiga, da qual sentia imensa saudade, mas não tinha coragem de visitá-la por medo de que ela percebesse a sua tristeza e triste também ficasse.

Tupã então transformou-a em um passarinho. Um passarinho feio, sem graça e sem nenhuma cor chamativa, para que ela pudesse ver sua amiga sem chamar atenção e nem por ninguém ser vista.

Mas ao ver sua amiga com o grande guerreiro tão feliz da vida, a jovem transformada em passarinho ficou mais triste ainda. Tupã então resolveu presenteá-la com um canto tão lindo, mas tão lindo, que a faria esquecer a própria dor e no primeiro Uirapuru ele a transformou.

E assim surgiu esse passarinho, tão sem cor, tão sem graça, mas com um canto tão lindo que, quando ele canta toda a floresta silencia só pra ficar ouvindo.

FIM

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A Sopa de Pedra

A história original é com uma velha mas meu tema era alimentação saudável e a data era dia das bruxas, então eu troquei a velha por uma bruxa para fazer esta versão…

A SOPA DE PEDRA

Pedro Pedroca Nariz de Pipoca era um menino muito esperto e sapeca. Adorava brincar com os amigos, jogar bola, brincar de pique-esconde e pega-pega. Mas o que ele gostava mesmo de fazer era comer. Comia de tudo. Frutas, verduras e cereais ele não recusava jamais.

Por isso mesmo ficou feliz da vida quando sua mãe anunciou que nessas férias ele iria passar um mês inteiro na casa da tia Clotilda. É que a tia Clotilda mora num sítio. Dá pra colher fruta no pé, comer verduras e legumes da horta colhidos na hora, sem um veneninho sequer. Catar ovos no galinheiro ou tirar leite para beber fresco, hum. Sem contar as delícias que a tia Clotilda fazia: doces de frutas e compotas, tortas de maçã ou de amora e tirava leite da vaca Mimosa pra beber ainda quentinho ou bater com jeitinho pra fazer requeijão, iogurte e queijo fresco… ahhh! Pedrinho ficava com água na boca só de pensar, mal podia esperar.

Mas pra alegria de Pedro as férias não tardaram a chegar e logo ele foi viajar.

Na primeira semana ele comeu de se empanturrar e brincou até se acabar. Mas um dia estava brincando sozinho quando lembrou do filme da Chapeuzinho em que ela colhia amoras silvestres na floresta. Pensou que delícia seria uma torta de amora feita pela sua tia Clotilda. Resolveu ir colher amoras naquela mesma hora. E não é que o Pedrinho, apesar de ser esperto como ele era, foi procurar amoras sozinho na floresta.

Sabem o que ele descobriu? Que não é tão fácil achar frutas no meio do mato. Procurou, procurou e não achou nada. E o pior, também não conseguiu encontrar o caminho de volta para casa. Andou e andou o dia inteirinho e ainda uma boa parte da tarde procurando o cominho.

Já estava cansado e verde de fome, com o estômago encostando nas costas, quando viu uma cabana no alto de uma colina. Ficou tão feliz que nem se lembrou da história do João e da Maria.

-Viva, estou salvo. Além de conseguir descobrir o caminho de volta pra casa da minha tia, ainda posso conseguir um rango e acabar com o ronco da minha barriga.

E lá se foi o Pedro para o alto da colina bater na casa para pedir ajuda e comida. O que ele não sabia é que naquela casa morava uma Bruxa mão de vaca, pão dura, mão fechada, lazarenta…

Quando ele bateu a bruxa gritou lá de dentro que era pra não gastar a sola do sapato indo até a porta:

-Se for vendedor é melhor dar o fora daqui, antes que eu te transforme em um sagui! E se for pedinte é melhor sair correndo, antes que eu te transforme em um sapo fedorento.

Mas como o Pedrinho era esperto e afiado como uma navalha, bolou um plano e respondeu na lata:

-Não vim pedir nada não, apenas permissão. É que sou viajante e sabe como é, não posso ficar gastando com comida, por isso como sopa de pedra todos os dias. E recebi a informação de que as melhores pedras para sopa encontram-se nessa região. Se a senhora me permitir algumas pedras recolher em troca eu lhe ensino essa deliciosa sopa a fazer.

E a velha pensou consigo:

-Ora! Se eu ainda gasto o meu rico dinheirinho é para comprar comida, se aprender a fazer a tal sopa de pedras certamente ficarei muito rica…

Resolveu gastar a sola do sapato e foi abrir a porta:

-Entre, entre, por favor, só não vá se sentar para não gastar a cadeira, ela ainda está novinha, tem só setenta anos, não vai durar mais cem se você ficar gastando… É que eu economizo muito sabe, esta minha roupa já tem duzentos e trinta e cinco anos, o segredo é não lavar, para não gastar o pano. Mas vamos lá, o que é que você precisa para fazer a sopa de pedras?

-Uma panela com água, fogo e pedras.

-Ora, ora, mas isso é mesmo uma coisa maravilhosa pode esperar que eu já vou providenciar.

Quando a velha colocou a panela de água para ferver no fogo o menino fingiu selecionar as pedras:

-Essa serve,  essa pode jogar fora, essa aqui tá muito boa, pode por na panela, ihh, essa daqui não presta.

Depois das pedras separadas Pedro tentou a primeira cartada:

-Por acaso a senhora não teria aí uma salsinha e uma cebolinha?

-Mas não era só água e pedra? Agora precisa de salsinha e cebolinha?

-Precisar não precisa, mas é que se tiver dá um cheirinho mais gostoso sabe.

-Bom nesse caso eu vou buscar, afinal tenho na horta, não preciso comprar…

Quando a velha trouxe o cheiro verde o menino continuou:

-E por acaso não teria aí uma cenoura?

-Quê? Agora precisa de cenoura?

-Precisar não precisa, mas sabe como é né, a cenoura dá uma corzinha pra sopa.

-Bom, se é assim eu tenho sim. Espera aí que eu vou buscar.

Enquanto cortava a cebola Pedrinho recomeçou:

-E uma batata, será que a senhora tem?

-Ora! Era só o que faltava, agora também precisa de batata?

-Precisar não precisa, mas veja bem, a senhora vai comer sopa de pedra pela primeira vez, é uma ocasião especial, vale a pena dar uma caprichada, e a batata serve pra dar uma engrossada…

-Bem, nesse caso eu vou pegar a batata.

Enquanto descascava a batata o menino ainda tentou mais uma cartada:

-E um pedaço de carne? Tem?

-O queeeeeê? Carne tá os olhos da cara! A sopa não era de pedra? Agora precisa de  carne?

-Precisar não precisa não, mas pensando na ocasião, a carne não ia nada mal e é bom pra dar um sabor especial.

-Tem um pedaço de carne na geladeira sim. Acontece que eu compro carne uma vez por ano, que é pra economizar, mas pensando bem, fazendo sopa de pedra eu nunca mais vou precisar comprar comida… Está bem, pode colocar a minha carninha.

Quando a sopa ficou pronta um cheiro delicioso se espalhou pelo ar. Pedrinho comeu logo cinco pratadas, mas a velha bruxa comeu uma só, pra economizar pro jantar.

Depois de comer a bruxa explicou pro Pedro o caminho de volta até a casa da tia Clotilda. O menino já estava de saída quando a velha falou:

-Espera, deixa eu anotar a receita: seleciono as pedras, ponho pra cozinhar. Daí vai cebolinha e salsinha pra dar um cheiro, cenoura pra dar cor, batata pra engrossar, carne pra dar sabor… mas espera aí! Pedro, ô Pedrinho! Pra que é que serve a pedra?

E o Pedro lá debaixo da colina gritou dando risada:

-A pedra é pra enganar a bruxa mão de vaca! Há, há, há, há!

A bruxa ficou vermelha de raiva e até pensou em ir atrás do menino pra transformá-lo em um sapo fedido, mas pensando bem, pra voar até lá, ia gastar a vassoura… além do que na poção pra transformar menino em sapo vai olho de dragão, e o olho de dragão tá muito caro.

FIM

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Madalena e seu problema

Esta história eu criei para as crianças dos 4ºs e 5ºs anos da escola onde trabalho. O tema encomendado é alimentação saudável, mas na minha pesquisa tive uma enorme dificuldade de achar uma história de qualidade sobre esse tema. Parecem todas bem óbvias, enfim, dois dias inteiros de pesquisa e não achei nada, nadinha. Resolvi contar a Sopa de Pedra, mas ainda precisava de mais uma e queria uma que abordasse o tema mais diretamente. Foi a hora de criar. Escolhi uma história com bruxa porque vou contá-la na escola amanhã, véspera de Dia das Bruxas…. espero que gostem.

MADALENA E SEU PROBLEMA

Era uma menina muito bonita, chamada Madalena, mas que tinha um grande problema, dava trabalho para comer desde pequena. Na hora do almoço e do jantar sua mãe bem que dizia:

– Come menina, se não a Bruxa má vai te pegar!

E Madalena respondia:

– Oba ela vai me levar pra conhecer o Harry Poter?

Mas depois do almoço mesmo sem ter comido nada ia para a frente da TV e começava a sessão porcariada. E haja cheetos, bombom achocolatado, bala chiclet, chocolate em barra e bolacha recheada. Se estivesse calor tomava sorvete de baldada, se não bebia leite condensado direto da lata.

E frutas, legumes e cereais… jamais. A menina só comia porcaria, de comida saudável nem o nome ela sabia.

– Que comida é essa? (mostra uma manga)

– É uma maçã. Eca! Tem gosto de meleca!

– Isso é uma manga Madalena. E isso? (mostra uma pêra)

– Essa é a maçã que é uma eca e tem gosto de meleca?

– Não Madalena, isso é uma pêra. E isso, sabe o que é? (mostra uma abobrinha)

– Nunca vi, deve ter gosto de chulé!

– O que tem gosto de chulé é cheetos Madalena, isso é abobrinha e bem cozidinha é uma delícia. É menina, é melhor você se cuidar, porque deste jeito a Bruxa Má vai mesmo vir te pegar…

Mas Madalena nem ligava. E vocês sabem o que aconteceu? Vieram as féria e Madalena foi passar um mês na casa da tia que morava no interior. Chegando lá, que horror! Não tinha televisão e nem computador. E o que era pior, para comer só do bom e do melhor. Pelo menos é o que a tia dizia:

-Na minha casa ninguém come porcaria.

Não tinha salgadinho, nem batom, nem biz, nem sorvete de chocolate, nem bombom… E quando a menina pediu um doce de sobremesa, e olha que ela até pediu por favor, a tia me veio com um monte de potes com tudo quanto é tipo de geléia de frutas.

A menina quase teve um treco, foi pro celeiro fervendo de raiva, pegou seu celular e já ia ligar para casa quando viu seu reflexo na telinha do microfone.

Alguma coisa estava mudando, a menina estava se transformando. Seus dentes foram caindo até ficar um só, amarelado e crescido. Seu nariz foi crescendo até quase encostar no queixo. Seu cabelo virou um emaranhado só, todo seco e cheio de nós.

Madalena ficou horrorosa, assustadora, tenebrosa.

Foi aí que apareceu um baita gigante.

-Yes!!! – comemorou Madalena até se esquecendo de que estava horrenda – Você vai me levar para Hogwarts?

– Que? Eu vim levar você sim, mas para um lugar bem mais divertido, acredite em mim. Nós vamos para a terra do Terror sem Fim.

E sem que Madalena pudesse nem gritar o gigante pegou-a pela cintura e levou-a para lá. Mas não era um lugar bonito como o do filme do Harry Poter. Era uma floresta escura e fedida, em um castelo macabro caindo aos pedaços.

Só quando entrou no castelo é que Madalena se deu conta do tamanho do perigo, tinham monstros horrendos, bruxas e magos, lobisomens e vampiros, pra cada canto que ela olhava dava de cara com um ser mais terrível. Em uma sala bem grande sentavam-se gigantes, ogros e até ciclopes que são os gigantes caolhos.

O gigante largou Madalena em uma sala escura e abafada, cheia de bruxinhos e bruxinhas olhando com cara assustada. Logo entrou a Bruxa Má e começou a falar:

-Hoje é o primeiro dia de vocês na escola de magia. Se vocês estão aqui é porque fizeram muita birra, foram mal educadas e só comeram porcarias. Meus parabéns, tenho muito orgulho de vocês, conseguiram deixar para traz o caminho do bem. Agora começa a azaração e nós vamos nos divertir de montão, fazendo maldades e atrocidades. E nossa primeira lição vai ser amarrar bombinha no rabo da gata da vizinha.

– Mas isso é terrível! – disse Madalena horrorizada.

E a Bruxa má respondeu:

-Obrigada.

-Os gatinhos são nossos amigos e a gata da vizinha não nos fez nada!

-Ora, ora. Onde já se viu, uma bruxinha que não quer ser malvada. Pois se não fizer uma grande maldade, na torre ficará trancada.

– Mas eu não quero fazer maldades, só quero voltar para casa. – disse Madalena indignada.

– Ah, não quer fazer maldades? Guardas, guardas! Levem-na para a torre e fiquem de guarda.

E lá se foi Madalena pelos gigantes arrastada. E ficou lá, trancada, sozinha, triste e arrependida só pensava em voltar para casa da tia, mas sabia que nunca mais conseguiria.

Foi quando chegou o Ogro trazendo uma cesta cheinha de comidas: tinha doce, bala, salgadinho, bombom, pirulito e mais um monte de porcarias. A menina esqueceu da vida e já ia atacar quando ouviu uma vozinha que dizia:

– Não! Não como isso. As bruxas vão te engordar pra você virar jantar.

– Quem é você? Cadê?

– Aqui, aqui em cima, eu sou uma fadinha e vim pra te ajudar. Eu sei o que fazer para uma menina você voltar a ser e assim conseguir escapar.

– O que é? O que é? Me diga, eu faço qualquer coisa!

– Eu vou trazer para você, todos os dias, comida boa e saudável. Você vai comer todinha para voltar a ser uma menina.

E assim, no primeiro dia, a fadinha trouxe uma bandeija com caldo de abobrinha, um cacho de uvas e um pedaço de melancia. Madalena torceu o nariz, mas comeu tudo, pois queria muito voltar a ser menina… e não é que ela achou tudo a maior delícia? A uva era tão docinha, a melancia tão refrescante e o caldo de abobrinha, bem quentinho, era alucinante.

No segundo dia a fadinha trouxe arroz integral com abóbora e uma laranja Bahia.

A menina fez careta, mas mais uma vez comeu tudo, pois estava decidida. E não é que mais uma vez estava tudo uma delícia?

Quando foi no terceiro dia a menina já esperava animada a chegada da fada, imaginando o gosto gostoso das comidas que ela traria.

E assim foi dia a dia, até passar uma semana inteirinha. Foi no fim desta semana que o guarda veio trazer mais uma cesta cheia de porcarias, mas quando viu Madalena saiu gritando na maior correria.

– Socorro! Socorro! Tem uma menina humana no calabouço.

Foi aí que Madalena percebeu que o feitiço havia se revertido e cheia de nova esperança resolveu enfrentar de frente o perigo. Abriu sozinha a porta da cela, levando junto com ela uma bandeja de amoras que era a última que a fadinha havia trazido.

É que as bruxas morrem de medo de comidas saudáveis, e vendo a menina armada com amoras saíram correndo e gritando na mesma hora.

E foi assim que a menina conseguiu escapar do castelo, atravessou a floresta escura (mas essa história eu vou deixar para outra aventura), e chegou na casa da tia, onde levou uma baita dura.

Estavam todos preocupados, pois ela sumira uma semana inteirinha. Até a polícia já tinha desistido de encontrar a menina. Mas daquele dia em diante nunca mais deu trabalho com a comida, comia de um tudo, cresceu saudável e cheia de vida.

FIM

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A Galinha Ruiva

Esta é uma história bem tradicional. Estou publicando a minha versão, que está sendo preparada para ser apresentada pela dona carochinha, na Escola o Pequeno Polegar, no próximo dia 5.

A GALINHA RUIVA

Em uma bela chácara, lá na minha rua, vivia uma galinha ruiva. Um dia a galinha ruiva estava ciscando, procurando minhocas e insetos quando achou um grão de milho amarelo. Ao invés de comer o grão de milho e acabar de uma vez com a história, a galinha ruiva teve uma ideia ótima:

-Se eu plantar este milho vou ter uma espiga inteirinha que eu posso colher, debulhar e moer para virar farinha, para depois fazer um delicioso pão. Có cóó, mas vai dar um trabalhão. Já sei! Como não preciso comer o pão sozinha, para os meus amigos vou pedir uma ajudinha.

A galinha ruiva chamou o cachorro, o gato e o pato, e perguntou:

-Quem me ajuda a arar a terra e plantar este grão de milho, para depois fazer um delicioso pão?

-Eu não. Au, au! – respondeu o cão – Agora eu quero é brincar.

-Eu nãããoo. Miau! – respondeu o gato – Estou com muita preguiça… eu tô tão cansado.

-Eu não. Quac, quac! – respondeu o pato – Vai dar muito trabalho.

Assim, a galinha arou a terra e plantou o milho sozinha. Passado um tempo a semente brotou e cresceu, virando um lindo pé de milho, com uma espiga enorme. Quando a espiga amadureceu e era a hora de colhê-la, a galinha ruiva procurou novamente a ajuda de seus amigos:

-Quem me ajuda a colher e debulhar a espiga para fazer um delicioso pão?

-Eu não. Au, au! – respondeu o cão – Agora eu quero é brincar.

-Eu nãããoo. Miau! – respondeu o gato – Estou com muita preguiça… eu tô tão cansado.

-Eu não. Quac, quac! – respondeu o pato – Vai dar muito trabalho.

E a galinha ruiva colheu a espiga e debulhou o milho sozinha. Era hora de moer o milho e a galinha foi novamente procurar a ajuda de seus amigos:

-Quem me ajuda a moer o milho para virar farinha e fazer um delicioso pão?

-Eu não. Au, au! – respondeu o cão – Agora eu quero é brincar.

-Eu nãããoo. Miau! – respondeu o gato – Estou com muita preguiça… eu tô tão cansado.

-Eu não. Quac, quac! – respondeu o pato – Vai dar muito trabalho.

Assim a galinha ruiva moeu todo o milho sozinha até virar uma fina farinha. Faltava agora misturar todos os ingredientes para amassar o pão e a galinha, mais uma vez, foi pedir ajuda a seus amigos:

-Quem me ajuda a misturar a massa e sovar um delicioso pão?

-Eu não. Au, au! – respondeu o cão – Agora eu quero é brincar.

-Eu nãããoo. Miau! – respondeu o gato – Estou com muita preguiça… eu tô tão cansado.

-Eu não. Quac, quac! – respondeu o pato – Vai dar muito trabalho.

E a galinha juntou a farinha com ovos, leite, óleo, sal, açúcar e por último o fermento. Misturou bem misturado, amassou bem amassado e sovou bem sovado. Quando o pão estava pronto e só faltava pegar a lenha e acender o forno para o pão assar, a galinha ruiva decidiu pela última vez pedir aos amigos para lhe ajudar:

-Quem me ajuda a juntar a lenha e acender o forno para assar um delicioso pão?

-Eu não. Au, au! – respondeu o cão – Agora eu quero é brincar.

-Eu nãããoo. Miau! – respondeu o gato – Estou com muita preguiça… eu tô tão cansado.

-Eu não. Quac, quac! – respondeu o pato – Vai dar muito trabalho.

E a galinha ruiva recolheu a lenha e acendeu o forno sozinha e mesmo sem ninguém pra lhe ajudar ela pôs o pão para assar.

Logo toda a chácara foi tomada por um cheiro delicioso de pão quentinho no forno. Era tão bom aquele cheirinho que bem rapidinho os amigos já estavam todos reunidos com água na boca. Quando a galinha ruiva tirou o pão do forno foram logo falando:

-Au,au! Eu quero um pedação! – disse o cão, louco para provar o pão.

-Miau! Eu também quero! – disse o gato amarelo, agora bem desperto.

-Quac,quac! Eu também quero um pedaço! – disse o pato sem pensar mais no trabalho.

-Quem foi que me ajudou a arar a terra e plantar o milho? Quem me ajudou a colher e debulhar a espiga? Quem me ajudou a moer o milho pra fazer farinha? Quem me ajudou a misturar a massa e a sovar o pão? Quem foi que me ajudou a pegar lenha e acender o forno para ao delicioso pão assar? – quis saber a galinha ruiva.

Todos ficaram bem quietinhos, pois ninguém tinha ajudado, nem um pouquinho.

-Pois agora – disse a galinha ruiva- vou comer ele inteirinho, não dou nem um pedacinho.

E assim ela fez, comeu o pão inteirinho sem deixar nem  ao menos uma migalhinha. E estava mesmo uma delícia.

E vocês acham que foi bem feito o que a galinha ruiva fez?

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Final alternativo (eu costumo sentir o clima e escolher na hora o final que vou usar…):

Eu acho que foi bem feito sim. E mais bem feito ainda que ela guardou um grão da espiga para novamente poder plantar, colher, debulhar, moer, misturar, amassar, sovar e um delicioso pão assar. Mas desta vez todos os seus amigos quiseram ajudar e, no final, puderam juntos um delicioso pão saborear.

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História revisada e editada em 25/04/2016, para apresentação na escola Brincantes.

 

O Cucuruto do galo e o fim do mundo.

Esta história também é própria para a educação infantil. É a história de um livro que eu li quando ainda estava aprendendo a ler (há mais tempo do que eu queria admitir). Eu não me lembro o nome da história e nem como ela era realmente, então esta é uma releitura do que a minha memória pode se lembrar e a minha imaginação inventar.

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O Cucuruto do Galo e o Fim do Mundo

O galo e a galinha estavam ciscando na horta quando um chuchu caiu no cucuruto do galo. O galo, desesperado, saiu gritando sem nem ao menos ouvir o que a galinha dizia ao seu lado:

-Cócorico! O mundo vai se acabar! Cócorico! O mundo vai se acabar!

O pato ouviu o galo e foi correndo perguntar:

– Quac, quac! Mas que história é essa seu galo?

E o galo respondeu:

– Foi um pedaço do céu que caiu no meu cucuruto anunciando que o mundo vai se acabar. Cócorico! O mundo vai se acabar! Cócorico! O mundo vai se acabar!

O pato, desesperado, também se pôs a gritar:

– Quac, quac! O mundo vai se acabar! Quac, quac! O mundo vai se acabar!

O ganso ouviu o pato e foi correndo perguntar:

– Uaaaah! Mas que história é esta seu pato?

– Foi o galo quem avisou que um pedaço do céu caiu no seu cucuruto anunciando que o mundo vai se acabar. Quac, quac! O mundo vai se acabar! Quac, quac! O mundo vai se acabar!

O ganso, desesperado, também se pôs a gritar:

– Uaaaah! O mundo vai se acabaaar! Uaaaah! O mundo vai se acabaaar!

O Peru ouviu o ganso e foi correndo perguntar:

– Gluglu! Mas que história é essa seu ganso?

– Foi o pato quem contou que o galo avisou que um pedaço do céu caiu o seu cucuruto anunciando que o mundo vai se acabar. Uaaaah! O mundo vai se acabaaar! Uaaaah! O mundo vai se acabaaar!

O peru desesperado também se pôs a gritar:

– Gluglu! O mundo vai se acabar! Gluglu! O mundo vai se acabar!

O pavão ouviu o peru e foi rebolando perguntar:

– Uauac! Mas que história é essa seu peru?

– Foi o ganso quem falou que o pato contou que o galo avisou que um pedaço do céu caiu no seu cucuruto anunciando que o mundo vai se acabar. Gluglu! O mundo vai se acabar! Gluglu! O mundo vai se acabar!

E o pavão desesperado também se pôs a gritar

– Uauac! O mundo vai se acabar! Uauac! O mundo vai se acabar!

A arara ouviu o pavão e foi logo perguntar:

-Arara! Mas que história é essa seu pavão?

– Foi o peru quem me disse que o ganso falou que o pato contou que o galo avisou que um pedaço do céu caiu no seu cucuruto anunciando que o mundo vai se acabar. Uauac! O mundo vai se acabar! Uauac! O mundo vai se acabar!

A arara desesperada também se pôs a gritar:

-Arara! Arara! O mundo vai se acabar! Arara! Arara! O mundo vai se acabar!

A galinha (aquela do começo da nossa história) viu todo aquele rebuliço e foi logo perguntar:

– Cocó! Mas que confusão é essa dona arara?

– Foi o pavão quem relatou que o peru disse que o ganso falou que o pato contou que o galo avisou que um pedaço do céu caiu no seu cucuruto anunciando que o mundo vai se acabar.

Mas antes que a arara voltasse a gritar a galinha disse bem alto para todo mundo escutar…

-Cocóóó! Quanta besteira. O que caiu na cabeça do galo foi este chuchu e a única coisa que ele anunciou foi que o chuchu está bem maduro e o galo, coitado, já tá caduco. Quem quer comer comigo?

E foi assim que a galinha acabou com a confusão e todos eles comeram aquele delicioso chuchu que estava mesmo bem maduro e gostoso.

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Revisada e editada em 25/04/2016, para apresentação na escola Brincantes.