A Joaninha que não tinha asas.

Era uma vez uma linda joaninha, seu nome era Joana e ela era como as outras joaninhas: vermelha com bolinhas pretas, uma gracinha. Mas a joaninha Joana nasceu com uma grande diferença, ela nasceu sem nenhuma asinha, coitadinha. Sem ter asas Joana, a joaninha, não podia voar.

Apesar de não poder voar Joana tinha um grande sonho, o sonho de ver o mundo bem lá de cima, lá das nuvens, onde voavam pássaros pequenos e grandes, onde nenhuma joaninha havia chegado antes. Joana acreditava que se ela quisesse muito, mas muito mesmo, ia conseguir voar até lá, mesmo sem ter asas. E assim todos os dias ela acordava e acreditava: “Hoje eu vou conseguir voar e vou voar até as nuvens porque é isso que eu quero com todas as forças do meu coração”. Mas os dias passavam e, mesmo querendo muito mesmo, a joaninha Joana não saía do chão.

Um dia sua amiga lagarta Tá estava passeando pela região onde morava a joaninha quando a viu sentada em uma folha com uma cara muito triste, era a cara mais triste que a lagarta já havia visto na vida. A lagarta Tá ficou preocupada com a joaninha:

-Que aconteceu Joana, porque toda essa tristeza na vida?

-Ah, minha amiga lagarta, eu sempre acreditei que se eu quisesse muito, mas muito mesmo, voar até as nuvens, eu conseguiria, mas agora eu entendi que não basta desejar… Eu não tenho asas, nunca vou conseguir voar…

-Hora minha amiga, não desista! Mas saiba que para conquistar nossos sonhos não basta querer, a gente tem que fazer acontecer e, principalmente, saber pedir ajuda para aquilo que a gente não sabe ou não consegue fazer. Fique bem minha amiga.

A lagarta se despediu e deixou a joaninha pensando em tudo aquilo que ela havia dito.

Depois de muito refletir a joaninha sentiu-se novamente animada e motivada e resolveu que ia pedir ajuda para o seu sonho realizar. Pois não é que bem nessa hora a dona Borbo Leta, mão da lagarta Tá, estava passando por lá.

-Bom dia Joana, tudo bem com você?

-Bom dia Borbo Leta, está tudo bem sim, mas será que você pode me ajudar a realizar o meu sonho de voar até lá em cima, pra ver o mundo lá das nuvens, era tudo que eu queria…

-Mas é claro que posso.- respondeu a Bobo Leta, e com toda a delicadeza pegou a joaninha e saiu a voar.

Voou com a joaninha até a altura das flores, mas quando chegou lá:

-Afff, aff, ufa! Joaninha você é muito pesada para mim, já não aguento mais te carregar, posso te deixar aqui nessa flor.

-Claro Borbo Leta, muito obrigada. Nossa quanta flor bonita, quanta cor, quantos perfumes.- a joaninha se encantava observando as flores que nunca tinha visto antes, pulava de flor em flor cheirando uma por uma- Ahh! Que maravilha! Não conseguiu chegar até as nuvens mas já estou feliz de ter chegado até aqui.

A joaninha Joana ficou brincando nas flores por uma semana inteirinha. Olhando para aquelas flores feliz da vida. Mas logo voltou a olhar pra cima, a sonhar com as nuvens e com tudo que ela veria lá de cima. Foi quando ela ouviu um barulhão:

-Zzzzzzzzzzzzzzzzzzuuuuuuummmmm.

Era o seu Bê, o besouro.

-Bom dia joaninha, que surpresa boa encontrá-la aqui em cima.

-Bom dia senhor Bê, será que o senhor podia me ajudar a voar ainda mais pro alto? Queria tanto chegar até as nuvens…

-Ora, posso tentar, venha cá.

E o besouro pegou a joaninha com todo cuidado e saiu a voar ainda mais para o alto. Mas quando chegou na altura das árvores ele falou:

-Ufa, ufa, puf, puf! Você é muito pesada pra mim joaninha, já não consigo ir mais alto, posso te deixar nesse galho?

-Pode sim seu Besouro, muito obrigada. Uau, quanta árvore linda, quantos frutos diferentes!- E a Joana viu maçãs, uvas, poncãs, pêras, mamão, caqui, mexerica, laranja, limão, pitanga, manga e muitas outras frutos, com cores e formatos diferentes.

Pulando de galho e, galho a joaninha experimentava cada uma das frutas.

-Hum, a ameixa é tão azeda, assim como o araçá e o maracujá. Hum, o mamão é tão docinho, como o caqui e o melão. Hum, como o Jatobá é amargo, assim como a fruta pão e o cacau…

A joaninha passou dias conhecendo frutos, provando seus sabores, admirando seus formatos e suas cores. pulava de galho em galho feliz da vida, mas logo voltou a olhar lá pra cima…

Foi quando ela ouviu um canto lindo:

-Piupiupiupiiiiiuupiuuuu!

-Olá seu passarinho, bom dia!

-Bom dia Joaninha, como vai a vida?

-A vida vai ótima, tenho conhecido uma porção de coisas novas… Mas será que você poderia me ajudar a realizar meu sonho e me levar pra voar lá em cima, nas nuvens?

-Claro que sim dona Joaninha, suba em cima de mim.

A joaninha Joana subiu nas costas do passarinho e ele saiu a voar, subindo, subindo… quando ele chegou nas nuvens a joaninha mal podia acreditar. Era tudo tão pequeno visto de lá. E tudo tão bonito… A joaninha se emocionou olhando todas aquelas paisagens e o passarinho a levou pra ver a floresta, o mar, o rio e a cidade. A Joana olhava pra tudo embasbacada, mal conseguia piscar. No fim do dia o passarinho levou a joaninha de volta pra casa.

A joaninha Joana continuava sem asas, ainda não podia voar, mas vivia feliz da vida, vivia a sorrir e cantar. Às vezes a joaninha Joana ainda olha sonhadora pra cima, mas já não sente nenhuma tristeza, quando olha pras nuvens lembra das suas viagens, de tudo que viu e conheceu, as flores, os frutos e as paisagens, lembra dos amigos que a ajudaram e das histórias que agora tem pra contar. E a Joana acredita que hoje em dia é a joaninha mais feliz que há.

FIM

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A lenda do Boi Bumbá

As lendas passadas de boca à boca através das gerações acabam com inúmeras versões, não é diferente com a lenda do bumba meu boi. Originária do Nordeste retrata a época da escravidão. Embora suas raízes ainda possam ser encontradas na Europa, é uma das versões da lenda nordestina que eu vou lhes contar agora:

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Era uma vez um casal de escravos, Mãe Catirina e Pai Francisco, que pertenciam a um grande criador de gado.

Mãe Catirina estava grávida e teve vontade de comer língua de boi, mas não de um boi qualquer. Queria a língua de um boi gordo que pertencia ao seu patrão, mas era o boi preferido do homem, pois sabia dançar e divertia a todos da região.

Mas vontade de grávida vocês sabem como é, não se pode ignorar. Com medo do que pudesse acontecer ao seu bebê, Pai Francisco resolveu o tal boi matar. Matou o coitado e deu a língua pra sua mulher cozinhar, Catirina comeu de se lambuzar e o restante do boi repartiu com os outros escravos que raramente podiam comer carne de gado. Sobrou só o chifre, o esqueleto e o rabo que Pai Francisco escondeu no meio do mato.

Pai Francisco ficou com medo do que o patrão pudesse lhe fazer e por isso ele e a esposa fugiram para outra cidade onde ficaram até o bebê nascer e crescer.

Acontece que o dono do boi logo deu por sua falta e saiu a procurar, acabou achando no meio do mato o rabo, o esqueleto e os chifres,  e ficou louco de triste. Mandou chamar pajés e curandeiros, padres e feiticeiros, prometendo rios de dinheiro pra quem fizesse seu boi voltar a viver e a dançar… Mas ninguém conseguia o tal boi ressuscitar.

Eis que o tempo passou e um dia chegou na cidade onde moravam agora o Pai Francisco e a mãe Catirina uma triste notícia. Seu antigo patrão estava morrendo, doente de saudade do boi Bumbá que Pai Francisco havia matado pra vontade de grávida da sua mulher saciar.

Eis Pai Francisco se sentia muito culpado e resolveu se entregar, seu filho que já era crescido então disse:

-Pai Francisco me leve lá que esse boi eu vou ressuscitar.

Vendo o filho tão decidido Pai Francisco e mãe Catirina levaram o filho pra casa do antigo patrão. O menino pegou o chifre do boi e soprou três vezes dentro dele e na mesma hora o boi Bumbá ressuscitou. Saiu dançando e chifrando quem lhe estivesse na frente. A festa foi tão grande e foi tão alta a gritaria que o patrão veio correndo ver o que estava acontecendo. Quando viu seu boi vivo e dançando se curou na mesma hora, perdoou Pai Francisco e Mãe Catirina que o boi agora tinha até uma língua nova. E mandou fazer uma festa como a muito tempo não se via.

E é por isso que desde então, quando chega a época da ressurreição do boi Bumbá, todo o nordeste entre em festa e o boi dança até o dia clarear.

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O HOMEM QUE SONHAVA EM SER RIBEIRINHO

Era uma vez um menino que vivia em uma grande cidade. Era um menino alegre, disposto e divertido, do tipo que tem muitos amigos, mas seus dias preferidos eram os domingos. Embora fosse um dia que ele não passasse com os amigos, era o dia em que seu pai o levava pra percar no ribeirinho.

Lá era tão tranquilo. Ao invés do barulho dos carros o menino ouvia a cantoria dos passarinhos e o barulho das águas do rio, correndo pelo seu caminho. Não tinha seus amigos para brincar mas tinha uma porção de animais que eram super divertidos, como tatus e esquilos. Ao invés do cheiro de fumaça e do ar poluído, lá ele respirava o ar puro e o campo de flores, perfumado e colorido.

Isso sem falar das árvores pra escalar,  dos frutos colhidos direto do pé, e do rio pra nadar. O que o menino menos fazia era pescar, ainda assim ele não via a hora de chegar o domingo pra poder ir pra lá…

Esse menino cresceu, trabalhou duro e pesado, ganhou dinheiro e tomou uma grande decisão: ia morar na beira daquele riacho onde por tantos domingo ele e seu pai haviam pescado.

O menino conseguiu comprar aquele mesmo terreno, bem na beira do rio, e logo se pôs a trabalhar. Cortou quase todas as árvores da margem e construiu uma bela casa e uma grande roça de milho, para vender e se sustentar. Deu um trabalhão danado, mas a casa e a roça ficaram lindas ao lado do riacho. Agora era só aproveitar.

Mas quando sentou na varanda pra descansar e admirar seu lindo retiro o menino se deu conta de que já não ouvia o canto dos passarinhos… e pra piorar, sem mais nem menos o ribeirão começou a secar… o menino já não encontrava mais nenhum animal, nenhum tatu, nenhum esquilo. Isso sem contar que a plantação começou a ser atacada por pragas e o menino precisava por cada vez mais venenos e aditivos que eram caríssimos. E o rio quase seco começou a ficar cada vez mais poluído. O menino se sentia totalmente infeliz, entristecido, teu sonho tão bonito tinha se destruído.

Até que um dia o menino estava caminhando pela beirada do que restara do rio, ia rio abaixo, triste e cabisbaixo. Quando viu uma menininha sentada em uma pedra, chorando desconsolada.

-Por que chora menininha? Posso ajudá-la?- perguntou o menino tentando consolá-la.

-Ah, eu choro pelo meu rio que foi todo destruído.

-Bem, acho que nesse caso vou me sentar ao seu lado e chorar junto com você…

-Eu queria tanto saber quem foi o desalmado que construiu aquela casa no alto do riacho e destruiu tudo rio abaixo…

-Como assim?- quis saber o menino intrigado com o que disse a tal menina- O que a casa lá de cima tem a ver com toda essa destruição do rio e da mata ribeirinha?

-Ora, tem tudo a ver, você não consegue perceber? Quando cortaram todas aquelas árvores da beira do rio, as árvores que formavam a mata ciliar, para construir a casa e fazer a plantação de milho, cortaram as árvores que este rio protegiam e, por isso, o rio começou a assorear. Aquelas árvores eram também a morada dos pássaros e de diversos outros animais, que tiveram que ir embora por já não ter onde morar, além da falta de água, já que o rio estava assoreando deixando a água suja e escassa. Além disso tudo a plantação leva veneno e aditivos químicos que envenenaram o rio que já estava diminuindo. Com isso as flores secaram acabando com o alimento dos poucos animaizinhos que restavam… Como você pode ver, a falta de cuidado com a natureza de quem construiu aquela casa la de cima foi o que destruiu o rio e acabou com a mata ribeirinha…

Quando a menina terminou de falar o menino chorava desesperado, soluçando e se engasgando, mal conseguiu se desculpar…

-Eu sinto muito.- ele disse entre soluços- Não imaginava que a construção da minha casa fosse causar tanto mal pra esse recanto de que eu tanto gostava…

A menina entendendo que era ele que morava lá em cima começou a sorrir, felicíssima:

-Então é você que mora lá em cima!

O menino não entendeu aquela alegria repentina:

-Por que você está sorrindo? não percebe que o que eu fiz foi terrível?

-Percebo, mas a verdade é que antes de te conhecer eu achava que você nem se importava, agora, sabendo que você se importa e que gostava da mata como era antes, sei que podemos resolver esse problema num instante…

-Como?- quis saber o menino enxugando as lágrimas- Vamos destruir a minha casa?

-Não precisa- respondeu a menina- é só a gente replantar a mata ciliar (que fica na margem dos rios e protege nossas águas). Depois vamos transformar sua plantação em uma horta agroecológica. Assim, com as coisas plantadas com grande variedade e imitando os mecanismos da natureza, as próprias plantas garantiriam seus nutrientes e suas defesas, sem precisar de agrotóxicos e nem de aditivos químicos. O menino também aprendeu a tratar o próprio esgoto e a cuidar do próprio lixo. Em pouco tempo as árvores cresceram, o rio voltou a encher e a água a jorrar, os animais e os passarinhos logo apareceram por lá e voltaram a morar nas árvores e fazer suas tocas entre as flores que cresciam mais fortes e bonitas que nunca.

E logo o menino morava no paraíso, o ribeirão onde tantas vezes ele tinha ido quando era apenas um pequeno menino, havia se transformado em um lugar ainda mais bonito do que aquele com o qual ele havia sonhado. E além de tudo isso o menino ainda ganhou uma grande amiga, a menina que o havia ensinado a viver na natureza mas em plena harmonia com toda a vida.

FIM

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O Coelhinho Duro de Roer

Essa história foi criada sob encomenda para a escola PP, para os alunos do NIV, para tentar resolver o problema das mordidas que eventualmente acontecem em sala entre os coleguinhas. É uma história com uma moral mais direto do que o que eu costumo usar, mas vamos testar pra ver no que é que dá….

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O COELHINHO DURO DE ROER

Era uma vez um lindo coelhinho, bem pequenininho. Um belo dia ele aprendeu a pular bem alto: “Tóim, tóim, tóim”

Quando a mamãe coelha chegou na toca e viu seu filho pulando pela primeira vez ficou muito contente e disse:

-Que bom meu filho que você já sabe pular sozinho, agora é hora de sair da toca para fazer novos amigos.

O coelhinho saiu da toca saltando to faceiro: “Tóim, tóim, tóim”, até que encontrou um peixinho:

-Bom dia peixinho- disse o coelhinho- quer ser meu amigo?

-Glub, glub. Eu quero sim- respondeu o peixinho.

Mas antes que eles começassem a brincar o coelhinho deu uma mordida no peixinho: “Nhoc”.

-Gluuuuub! Ai! Eu não quero mais ser seu amigo coelhinho. Sai fora!

E o coelhinho foi embora. Foi pulando sem parar: “Tóim, tóim, tóim”. Logo adiante o coelhinho encontrou um passarinho:

-Bom dia passarinho, quer ser meu novo amiguinho?

-Piu! Claro coelhinho, vamos brincar muito juntinhos…

Mas antes que o passarinho começasse a brincar o coelhinho deu uma mordida no passarinho: “Nhoc”.

-Piiiiiiu! Ai! Eu não quero mais ser seu amigo coelhinho. Sai fora!

E o coelhinho foi embora. Mesmo já nem tão animado ele continuou pulando e procurando: “Tóim, tóim, tóim”. No caminho ele encontrou um gatinho:

-Olá gatinho, quer ser meu mais novo amiguinho?

-Miau. Eu quero coelhinho, vai ser muito divertido.

Mas antes que eles começassem a brincar o coelhinho foi lá e deu uma mordida no gatinho: “Nhoc”.

-Miiiiiaaauuuuu! Ai! Eu não quero mais ser seu amigo coelhinho. Sai fora!

E o coelhinho foi embora. Ele já estava ficando desanimado, mas continuou pulando e procurando. “Tóim, tóim, tóim”. No caminho ele encontrou um cachorrinho:

-Bom dia cachorrinho, quer ser meu amigo?

-Au, au. Eu quero coelhinho, vamos ser melhores amigos.

Mas antes que eles começassem a brincar o coelhinho deu uma mordida no cachorrinho:

-Aaaauuuuu! Ai! Eu não quero mais ser seu amigo coelhinho. Sai fora!

E o coelhinho foi embora. O coelhinho estava triste e desanimado, desistiu de tentar fazer um amigo e voltou pra casa, estava tão infeliz que já nem queria pular…

Quando ele chegou na toca sua mãe vei logo perguntar:

-O que foi meu filho? Por que está tão tristinho?

-Ah, mamãe. Ninguém quer ser meu amigo, nem o peixinho, nem o passarinho, nem o gatinho e nem o cachorrinho…

-Ora filho, mas o que foi que você fez para eles não quererem mais ser seus amigos?

-Nada de mais mamãe. Eu só dei uma mordidinha neles pra mostrar o quanto eu gosto dos meus novos amigos, mas eles não gostaram de brincar comigo.

-Mas filho, a gente não pode morder nossos amigos, senão acabamos sozinhos. Ninguém gosta de ser mordido. Os amigos servem pra pular e brincar com a gente, mas sem morder e nem bater…

A mamãe coelha chamou o peixinho, o passarinho, o gatinho e o cachorrinho, o coelhinho pediu desculpas a todos eles e prometeu nunca mais morder nem bater e todos juntos foram logo tratar de brincar. E pularam, pularam e pularam até cansar.

FIM

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A Lenda dos Rabos

Esta história aconteceu há muito tempo atrás, em uma época em que os animais ainda não tinham rabos, eram todos desrabados e, assim, viviam meio desequilibrados, como se lhes faltasse um pedaço.

Um dia apareceu uma linda fadinha trazendo um enorme saco cheio de rabos. Havia no saco tudo quanto é tipo de rabo. Rabos curtos ou compridos, grossos ou finos, esticados ou enrolados, rabos com penas, com pelos ou escamas, rabos de todas as cores e tamanhos que se possa imaginar. A fada pousou em uma clareira e chamou bem alto todos os animais:

-Atenção, atenção. Quero que formem uma fila com um animal de cada espécie para escolher um rabo. escolham com muito cuidado, pois todos da sua espécie terão que usar esses rabos para todo o sempre. Não precisam ficar alvoroçados, neste saco tem um rabo para cada um de vocês. Formem uma fila e que cada um escolha o rabo que mais combina com si.

Dizendo isso a fada virou o saco bem no meio da clareira, enquanto os animais formavam uma grande fileira. Logo todos os animais já haviam enviado um representante da sua espécie para escolher o rabo e todos eles já estavam enfileirados.

As aves que vieram voando eram as primeiras da fila, escolheram rabos feitos com penas, algumas como o pássaro Tesoura, escolheram penas bem compridas, o Pavão escolheu o maior rabo e com as penas mais coloridas, já o Tico-tico preferiu uma pequena e discreta pra que pudesse continuar pulando de lá pra cá, botando pra quebrar sem o rabo a lhe atrapalhar.

Depois vieram os mamíferos, o Elefante, apesar de ser muito grande, escolheu um rabo bem pequenino e todo enroladinho. O Rato quis um rabo fino e comprido, o Gato preferiu um peludo e alongado. Mas quando chegou a vez do Macaco ele não conseguia se decidir por um rabo, ficou dividido entre um rabo enrolado e um rabo comprido. Sem conseguir se decidir teve uma ideia egoísta, juntou os dois rabos em um só e vestiu os dois bem rápido, ficando assim com um rabo comprido e enrolado para poder se pendurar pelos galhos. E foi logo se pendurando em um galho, bem rápido, antes que alguém percebesse que o danado tinha pego dois rabos, subiu bem alto e ficou sentado em cima do rabo.

E assim foi seguindo a fila, cada animal escolhendo o rabo que mais lhe convinha.

Mas vocês lembram que no começo desta história a gente falou que a fada havia trazido um rabo pra cada bicho? Pois se o Macaco pegou dois rabos o que foi que aconteceu?

Pois é, quando chegou no fim da fila faltava a Cobra e o Sapo, mas só sobrara um rabo!

O Sapo olhou pra Cobra e a Cobra olhou pro Sapo, os dois olharam para o último rabo que havia sobrado, novamente se olharam e saíram correndo atrás do rabo. O Sapo puxou o pé da Cobra (porque naquele tempo a cobra ainda tinha patas, pés e mãos). A Cobra deu um chute no Sapo. O Sapo pulou em cima da Cobra e a Cobra rolou por cima do Sapo e os dois foram correndo aos papos e sopapos até que na última hora a Cobra se jogou com tudo no rabo que havia sobrado. Mas a cobra caiu tão desajeitada que acabou caindo dentro do rabo e ficando entalada, assim suas patas ficaram pra dentro do rabo e a coitada acabou sem mão, nem pé, nem nada, num grande rabo enfiada. E o Sapo, coitado, acabou ficando sem rabo.

Por isso até hoje a Cobra tem raiva do Sapo, pois acha que é por culpa dele que ela acabou sem as patas e pra andar tem que se arrastar de cá pra lá. E o Sapo tem raiva da Cobra porque acha que é culpa dela que ele acabou sem rabo (nem imagina que o verdadeiro culpado é o Macaco). E é por isso que até hoje, no meio do mato, o Sapo come a Cobra e a Cobra come o Sapo.

FIM

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