Pituchinha – Marieta Leite

Conto essa história já há alguns anos, as crianças adoram. Mas como já dizia o velho ditado, quem conta aumenta um ponto, e ao contá-la tantas vezes ela foi se transformando muito e se diferenciando muito da original, tanto que a boneca Pituchinha virou Neneca, que é o nome da minha personagem boneca, que muitas vezes uso na animação de festas infantis. Posto aqui essa minha versão, que mais uma vez não tem a intenção de ser melhor que a original, mas é como a história ficou no meu cabedal.

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A BONECA NENECA – Versão da história Pituchinha, de Marieta Leite

Era uma vez uma grande loja de brinquedos, cheia prateleiras repletas de bolas, jogos, carrinhos de todos os tipos, tinha até petecas, mas o que mais tinha nessa loja eram bonecas, tinha uma porção delas: grandes e pequenas, de pano ou de plástico, tinha boneca de bailarina, de super herói e de palhaço.

Durante o dia a loja fica muito animada, com clientes andando pra todo lado e o grande rebuliço da criançada. Mas nas prateleiras as bonecas ficam todas bem paradas.

E quando chega a noite e a loja é fechada, em cima do balcão fica o soldadinho montando guarda para garantir que todas as bonecas fiquem bem quietinhas dentro das suas caixas. O soldadinho de chumbo é muito bravo e tem uma grande espada. As bonecas e bonecos tem muito medo do soldadinho, por isso ficam bem quietinhos, dormindo dentro de suas caixas.

Entre essas bonecas tinha uma muito especial chamada Neneca. Um dia Neneca viu a dona da loja passar carregando um grande pote de doce de leite para guardá-lo na cozinha.

Neneca adora doce de leite. Passou o dia, paradinha, pensando naquele pote enorme de doce guardado na cozinha.

Quando a noite chegou Neneca não conseguiu dormir, deitada na sua caixa no grande pote pensava. Neneca tomou uma decisão! Abriu seus olhinhos de botão:

-Shii! Está tão escuro! Não posso fazer barulho para não acordar o soldado de chumbo. Tenho que falar baixinho e andar bem devagarzinho. Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar… Aiii!

A boneca Neneca tropeçou na caixa da bonequinha Pom Pom. Pom Pom acordou:

-Quem está aí?

-Shhh! Sou eu Neneca. Fale baixo pro soldado de chumbo não acordar.- a boneca tinha medo do soldadinho de chumbo.

O Soldadinho de chumbo tinha uma grande espada. A boneca Pom Pom também tinha medo do soldadinho de chumbo.

– Nossa, que escuridão!- sussurou a bonequinha Pom Pom saindo de sua caixa marrom.

– Pom Pom, você gosta de doce de leite? – perguntou Neneca

– Uhm! Eu adoro!- a Boneca Pom Pom também gostava muito de doce de leite.

-Quer ir comigo até a cozinha para comer um pouco do doce que está lá?- sussurrou Neneca.

-Eu quero!- respondeu a boneca Pom Pom, já bem desperta.

-Então vamos! Mas temos que falar bem baixinho e ir bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…

Elá foram as duas juntinhas pra cozinha:

-Um pé pra lá, outro pra cá, bem devagarzinho pro soldadinho não acordar… Um pé pra lá, outro pra cá, bem devagarzinho pro soldadinho não… Aiii!

A boneca Neneca tropeçou na caixa do palhacinho Polichinelo. O palhacinho acordou:

-Quem esta aí?

-Shhh! Somos nós. A Neneca e a Pom Pom. Fale baixinho pra não acordar o soldadinho.

A Neneca tem medo do soldado de chumbo e da sua grande espada dourada. Pom Pom também tem medo do soldado. O palhaço Polichinelo também tem medo do soldado de chumbo de casaco amarelo.

– Nossa que escuridão!- sussurrou o boneco Polichinelo saindo da sua caixa.

– Polichinelo você gosta de doce de leite? – perguntou Neneca que adorava doce de leite.

-Uhm! Adoro!- o palhacinho Polichinelo também gostava muito de doce de leite.

– Estamos indo para cozinha comer um pouco do doce de leite que hoje cedo foi lá guardado. Quer ir conosco pra comer um pedaço?

–  Eu quero sim!- respondeu o palhaço já todo animado.

-Temos que falar baixinho e andar bem devagarzinho pra não acordar o soldadinho.

E lá foram o boneco palhacinho e as duas bonequinhas para cozinha:

– Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…

E chegaram na cozinha. Mas o pote de doce de leite estava na prateleira mais alta, lá em cima. Neneca era tão pequenina.

-Já sei!- a boneca Neneca teve uma ideia- Vamos subir um em cima do outro e assim alcançamos o pote lá em cima.

Os amigos adoraram a ideia da boneca. Primeiro foi o Polichinelo, que era o mais forte de todos. Ficou bem abaixo da prateleira. Mas Polichinelo era pequeno, a prateleira tão alta, ele não alcançava. Então veio a boneca Pom Pom, que também era bem fortinha e subiu nos ombros do palhaço Polichinelo. Mas a prateleira era muito alta, Pom Pom tão pequenina, mesmo os dois juntos não alcançavam o doce lá em cima.

Foi a vez da Neneca. Subiu no ombro do boneco Polichinelo, depois no ombro da boneca Pompom e ficou bem alta, bem longe do chão, quase alcançava a prateleira.

A boneca Neneca ficou nas pontas dos pés, alcançou a prateleira mas não conseguia pegar o pote.

A boneca Pom Pom também ficou nas pontas dos pés. Neneca conseguia agora tocar o pote, mas não conseguia pegar.

O boneco Polichinelo também ficou nas pontas dos pés. E a boneca Neneca finalmente conseguiu alcançar e pegar o pote lá no alto da prateleira.

Mas bem nessa hora o palhacinho perdeu o equilíbrio. Estava na ponta dos pés, não conseguiu aguentar e desmoronou no chão levando junto com ele o pote de doce de leite, a boneca Neneca e a boneca Pom Pom.

Fez um barulho danado. Acordou o soldado:

– Que barulho é esse? Quem está aí? Shiii, que escuridão.

O soldadinho de chumbo foi correndo pra cozinha e viu toda a confusão: tinha vidro quebrado e doce de leite pra todo lado. Só faltava um culpado. O soldadinho de chumbo olhou para os lados e não viu nada. Então olhou com mais atenção e, mesmo naquela escuridão percebeu três caixas destampadas. O soldadinho com a sua grande espada, resolveu ir até lá dar uma olhada. Chegou perto da primeira caixinha bem devagar e:

-Ahá!- gritou o soldado.

Mas não encontrou nada, só o polichinelo, o boneco palhaço que dormia bem sossegado.

-Zzzzzz…

O soldado não se deu por logrado, foi andando até a segunda caixa, bem devagarzinho pra não ser escutado, chegou perto da segunda caixa aberta quase sem respirar e:

-Ahá!

Mas só o que viu lá foi a boneca Pom Pom dormindo tranquila na sua caixa marrom.

-Zzzzzzzzzzzzzz…

Contudo o soldado de chumbo queria achar o culpado e castigá-lo por ter sujado tudo. Foi com todo cuidado espiar a terceira caixa aberta, andando bem devagar pra não ser escutado. Foi pé ante pé e…

-Ahá!- Mas uma vez o soldado gritou, mas só o que encontrou foi a boneca Neneca tirando sua soneca.

-Zzzzzzzzzzzzzzz…

Mas o soldado de chumbo não podia sair vencido, se não as bonecas não iriam mais querer passar as noites em suas caixas, podiam acabar quebrando, sujando ou rasgando e as crianças não iriam mais querer comprá-las. Foi aí que o soldado teve uma grande ideia pegou um rolo de barbante e amarrou todas as bonecas. Princesas e heróis, palhaços e bailarinas. Foram todos bem amarradinhos, cada um em sua caixinha. E assim o soldadinho de chumbo pode voltar a dormir sossegado.

E é por isso que até hoje, quando você compra um boneco ou boneca nova, vindo da loja,  dentro da caixa ela está toda amarrada.

…………………………………………………………..FIM……………………………………..

Essa história é contada sem nenhum recurso visual, apenas a entonação de voz, mas com várias nuances de volume, para criar o suspense, dando maior ou menor intensidade aos pequenos sustos conforme a idade dos ouvintes.

Assim, sempre antes dos gritos do soldado ou dos tropeços da boneca nas caixas dos amigos, eu falo com a voz mais baixa, chegando mesmo a sussurrar, para depois falar mais alto na hora do grito (com os alunos do ensino fundamental chego mesmo a gritar causando altos sustos, mas eles adoram).

De todas as histórias sem recursos visuais que já contei essa foi a que meus alunos a partir do nível V mais pediram pra repetir. (Embora ela nem se compare com as histórias “O Caminho da Estrela” ou da “Borboleta de uma asa só”, sempre pedidas, mas essas eu conto com uso de recursos lúdicos quase mágicos…)

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Agradeço pela visita, até outro dia!

 

 

Contos Japoneses

Ao procurar histórias japonesas encontrei um blog:

http://fernandosantiago.com.br/hisjapo.htm

E qual não foi minha surpresa ao encontrar nele contos bastante conhecidos mas que eu não fazia ideia de que tinham origem japonesa. Escolhi dois que trarei para o meu jardim com as minhas versões rimadas.

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AS BODAS DA RATINHA

Era uma vez um Ratinho muito, mas muito bonito. Ele era o ratinho mais forte e bonito já visto. Por isso mesmo, quando chegou na idade de se casar, ele resolveu que a melhor esposa do mundo ela iria encontrar. Queria a mais poderosa de todas e depois de muito pensar resolveu que a Lua era a noiva ideal para levar ao altar. Sem mais rodeios para a Lua o belo Ratinho foi se declarar:

-Oh! Lua brilhante que ilumina a noite e faz a água brilhar, você que é a mais poderosa, transforma a luz do Sol em luar, com você eu quero me casar fazer da noite escura o nosso altar.

-Fico honrada Sr. Rato, mas não sou a mais poderosa já vista. Minha luz é tão bonita, mas está sempre por um triz, mesmo quando eu estou cheia, vem a Nuvem me cobrir. Ela sim Nuvem macia é que te fará feliz.

O Senhor Ratinho cheio de coragem e ousadia foi falar com a dona Nuvem poderosa e macia.

-Oh! Nuvem tão branquinha, tu que és a mais poderosa, que cobre a Lua e esconde o luar, com você eu quero me casar fazer do céu imenso o nosso altar.

-Fico honrada senhor rato, mas não sou a mais poderosa. A Brisa que me desfaz, mesmo soprando morna, é bem mais poderosa. Ela sim Brisa faceira saberá como te amar.

O senhor Ratinho sem hesitar para a Brisa foi se declarar:

-Brisa faceira que desfaz a Nuvem que cobre o luar, tu que és a mais poderosa e vive no céu a voar, com você eu quero me casar, fazer da natureza o nosso altar.

-Fico honrada senhor rato, mas não sou a mais poderosa já vista. A Parede que me barra e me impede de soprar é bem mais forte, dura, altiva. Com ela você deve se casar, ela sim dura parede saberá como te amar.

O Senhor Rato firme se manteve e foi falar com a Parede:
-Parede Parada, que barra a brisa, que desfaz a Nuvem, que cobre o luar, tu que és a mais poderosa já vista, com você eu quero me casar, fazer da Terra o nosso altar.

-Fico honrada Senhor Rato e adoraria lhe ter como esposo, mas não sou a mais poderosa do mundo todo. A Bela Ratinha que rói os meus tijolos e me deixa toda esburacada, é bem mais poderosa, forte e ousada.

E foi assim que depois de muito procurar o Senhor Rato decidiu que com uma Ratinha ele devia se casar.

-Ratinha dentuça, que rói a Parede, que barra a Brisa, que desfaz a Nuvem que cobre o luar, declaro ser o seu mais lindo amante. Com você eu quero me casar fazer da Terra inteira o nosso altar.

-Rato, meu querido Rato, eu sou mesmo assim de fino trato pra selar este contrato. Mesmo não sendo perfeita, eu sou a ratinha eleita. fico aqui toda sem jeito esperando um grande queijo… ops… um grande beijo.

Casaram-se naquele outono e dizem que são os ratinhos mais felizes do mundo todo.

…………………………………………….. FIM………………………………………………………..

(Na versão original é um Rato que procura marido pra sua linda filha. Por uma questão óbvia ideológica preferi a versão do grupo musical Palavra Cantada…)

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O OMOSUBI ROLANTE

Era uma vez um velho servo feudal que foi às montanhas catar lenha. Quando o Sol já estava a pino parou para descansar e comer um dos seus bolinhos (omosubi) que trazia no bornal. Mas o bolinho escorregou de suas mãos, rolou morro abaixo e acabou caindo em um buraco. E lá de dentro uma voz saiu:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

O velho achou aquilo curioso e engraçado, resolveu jogar mais um omosubi no buraco pra ver se ouvia a voz de novo vindo lá de baixo. Jogou o bolinho e de novo escutou:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

O velho caiu na risada e resolveu mais um omosubi jogar só pra novamente escutar. Jogou e escutou:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

-Engraçado, engraçado.- repetia o velhinho rindo de rolar no chão- se eu rolar lá pra dentro o que será que eles cantarão?

 O velhinho era muito ousado por isso se jogou no buraco.

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais um velhinho que tá muito bom!”

O velho mal acreditava no que via, o interior do buraco era um palácio que reluzia, era enorme e suas paredes brilhavam encrustadas de pedras e jóias magníficas.

O velho estava atônito, estupefato, maravilhado olhava para todos os lados. E para melhorar haviam muitos, mas muitos coelhos no buraco.

-Vovô, seja bem vindo.- cumprimentavam o velho todos os coelhos do castelo do buraco.

E lá fizeram uma festa, havia um banquete, todos cantavam e dançavam. E o velho banqueteou-se como um rei, cantou e dançou e se divertiu o dia inteiro.

A noite já despontava no céu quando o velho disse. Tenho que ir. Agradeço muito o banquete, mas é hora de partir.

Os coelhos se despediram e trouxeram uma trouxa cheia de omosubis para dar de presente como lembrança do seu país, o país dos coelhos.

E aqueles eram os melhores omosubis que o velho já comera.

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E a história de hoje entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser que conte outra…

O Pirata Pirado

Pirado era um pirata mas não tinha perna-de-pau, nem olho de vidro e nem cara de mau. Pra falar bem a verdade, branca como mingau, Pirado era um pirata engraçado, não era perneta mas era um pirata com cara de pau…

Usava tapa-olho, embora enxergasse muito bem com os dois, porque pirata que é pirata usa tapa-olho. Tinha uma cicatriz na cara, mas era desenhada, é que não tinha graça ser pirata e não ter cicatriz na cara.

Pirado tinha um navio, mas não navegava pelo mar, só no rio. É que o pirado sentia enjoo em alto mar, por isso preferia navegar no rio Paraná. Subia e descia o rio, sempre de lá para cá, só não chegava até as cascatas que era pra não despencar. Vivia procurando um tesouro porque afinal não se é pirata se não se tem um tesouro pra procurar.

Um dia ele estava lá, saindo do rio Paraná entrou no Iguaçu, navegava bem pertinho de Curitiba quando viu uma garrafa de náufrago correndo rio abaixo enquanto ele seguia rio acima.  Sem pensar duas vezes o destemido pirata Pirado subiu na prancha e pulou no riu Iguaçu para pegar a garrafa de náufrago.

Seria um pedido de socorro? Um mapa para a ilha do tesouro? O pirata pirado não podia adivinhar, abriu rapidamente a garrafa para ver o que havia lá. Mas quando conseguiu tirar a tampa, que decepção, não tinha nem mapa nem carta, só desenhos de montão.

O pirata Pirado ficou tão desanimado, resolveu ao menos usar o desenho pra fazer um quadro. Foi quando ele prestou atenção no que estava desenhado: tinha o numero um, depois tinha uma pá, uma tesoura de bigode, um X e o desenho bem feito do lugar onde o riu Iguaçu vai desaguar no rio Paraná.

-Ora vejam só, como eu não consegui enxergar, diz aqui que tem um mapa do tesouro onde o rio Iguaçu encontra o rio Paraná. Marujo Cara-de-Caramujo, vamos fazer a volta e navegar para lá.

Na mesma hora deram meia volta e foram navegando pra lá.

– Remem, remem marujos, estamos quase lá.

E os marujos remaram e rapidinho lá chegaram. E sabe o que foi que encontraram?

Um pássaro dourado carregando um papel dobrado.

-Se vocês querem esta pista, foi logo dizendo o pássaro, vão ter antes que imitar o canto de três pássaros.

-Imitar passarinhos? Mas isso é muito difícil, será que vocês podem me ajudar?

E os marujos ajudaram, cada um imitou um pássaro e o pássaro dourado deu pro pirata Pirado o tal papel dobrado.

E lá dentro tinha a pista, mas uma vez desenhada, era o desenho das cataratas e de uma bela capivara.

-Vamos marujos depressa, voltem pro remo, vamos pra lá, pra foz do Iguaçu nós devemos chegar.

E os marujos remaram e logo chegaram lá. Bem perto das cataratas tinha uma enorme capivara, carregando um papel nas patas.

-Lá está a capivara, igual a que estava desenhada.

-Se vocês querem essa pista- foi dizendo a capivara- antes terão que imitar essa minha dança engraçada.

“Se você é um pirata bata palma. Se você é um pirata bata palma. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata bata palmas. Se você é um pirata bata os pés. Se você é um pirata bata os pés. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata bata os pés. Bata palmas, bata os pés. Se você é um pirata dá uma voltinha. Se você é um pirata dá uma voltinha. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata dá uma voltinha. Bata palma, bata os pés, dá uma voltinha… manda um beijinho e diga legal: legal!”

Depois de dançarem todos, os marujos e o pirata, receberam a próxima pista da bela capivara. E a pista dessa vez era uma grande charada.

“Posso ser bravo ou posso ser calmo, posso ser azul ou verde claro, quando o sol vem me beijar posso mesmo alaranjar. Quando a noite está clara vem a lua se espelhar é aqui que todo rio acaba e o meu nome é?”

-Mar!- responderam todos, sem nem parar pra pensar.

Assim o barco pirata do pirata Pirado, pela primeira vez, foi em direção ao mar e quando chegou na praia nem puderam acreditar: a praia era tão bonita, tão imenso era o mar. E o tesouro o que seria? Onde será que ele está?

-Vejam lá no fim da praia- gritou o pirata pirado- um X eu consigo enxergar.

Foram todos correndo pela beira do mar e quando lá chegaram o maior tesouro encontraram: um monte de piratas pirados que queriam fazer amigos e formavam um X sentados.

Hora o pirata Pirado adorou fazer amigos que como ele eram piratas piradinhos. Afinal nessa vida não existe tesouro maior do que uma porção de amigos.

……………………………………………..FIM……………………………………………………………

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A Trama da Dona Aranha

Dona Aranha adora tecer tramas, mas não gosta de fazer teias e nem de prender insetos com as suas artimanhas. Por isso ao invés de tecer teias resolveu usar suas tramas para fazer lindas meias, fez oito, uma para cada pé. E essas coisas, vocês sabem como é, logo as outras aranhas estavam tirando sarro da dona Aranha que ao invés de fazer teias, tecia meias.

Mas dona Aranha nem ligou. Seus pés estavam tão quentinhos, e estava mesmo fazendo frio. Foi quando um grilo que cantava lá perto viu as meias da dona Aranha e achou seu truque esperto. Também quis um par de meias pra se proteger do frio.

O que a dona aranha não sabia é que tantos insetos veriam o grilo e quisessem também fazer seus pedidos. Antes do inverno chegar todos os insetos da redondeza já usavam lindas meias feitas sob encomenda.

Dona Aranha ficou famosa, mas não acabou por aí. Quando o frio aumentou seu grilo encomendou um casaco e logo todos queriam o seu. Dona Aranha não conseguiria tantas roupas costurar antes do inverno chegar.

Foi quando suas vizinhas aranhas se ofereceram para ajudar. Ninguém mais queria fazer teias e prender insetos, todas queriam costurar e ouvir as mais lindas histórias que eles tinham pra contar. Assim as aranhas mesmo sem ter asas podem o mundo viajar.

E a Dona Aranha hoje em dia vive rodeada de amigas, conversa com as outras aranhas enquanto estão a tricotar, ou ouve a história de insetos que acabaram de chegar. Costura vestidos de casamento pras moscas e pras Joaninha se e dizem que ela costura até pra Abelha Rainha.

FIM

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A Bonequinha Preta (Alaide Lisboa de Oliveira)

Esta versão não tem a menor intensão de ser melhor que o original, que eu adoro, mas é como a historia ficou na minha memória, com as minhas rimas, como ela ficou nas minhas contações de história, com contação direta, sem recursos cênicos, seguida de uma música de boneca para cantar e dançar junto com elas (minhas crianças sapecas).

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A BONEQUINHA PRETA – adaptação do texto de Alaide Lisboa de Oliveira

Mariazinha tem uma boneca, uma boneca preta como carvão. A boneca de Mariazinha é muito bonita! Ela tem duas trancinhas, os lábios bem vermelhos, os olhos redondos e um vestido de borboleta. Mariazinha gosta muito da sua bonequinha Preta.

Mariazinha tem muito cuidado com a sua bonequinha Preta. Elá dá banho na sua bonequinha Preta, penteia a sua bonequinha Preta, prepara a comidinha pra ela e fica segurando sua bonequinha Preta pra ela poder espiar a rua pela janela. As duas sempre brincam juntas, trocam segredos e fazem estripulias e, na hora de dormir, a bonequinha Preta vai pra cama da Mariazinha e as duas dormem bem juntinhas.

De manhã Mariazinha pergunta para a sua bonequinha:

-Bonequinha Preta, você gosta muito de mim?

E a bonequinha Preta responde:

-É claro que sim!

Depois é a vez da bonequinha Preta perguntar:

-E você Mariazinha? Gosta muito da sua bonequinha Preta?

-Gosto muito bonequinha Preta, mais do que sobremesa….

E as duas se abraçam felizes e satisfeitas.

Mas hoje Mariazinha vai passear com a sua mãe e não pode levar a bonequinha Preta. O passeio é muito longo e a boneca muito pequena, boneca não pode andar muito…

Mariazinha chama a Bonequinha Preta e fala:

-Bonequinha Preta vou passear com a mamãe e você não pode ir, vai ter que ficar aqui. Fique bem quietinha, nada de ser sapeca, fique sentada na cadeira amarela e não chegue perto da janela, pois sozinha você pode cair. Fique comportada até eu voltar que depois eu te levo pra brincar.

A bonequinha Preta prometeu a Mariazinha que ia ficar quietinha, bem na dela, sentada na cadeira amarela e que não ia chegar perto da janela:

-Pode ir passear sossegada Mariazinha, eu vou ficar aqui bem paradinha, igual uma bonequinha…

Mariazinha foi passear com a sua mãe a a bonequinha Preta ficou na cadeira bem sentadinha olhando para os lados. Foi quando ouviu um miado: -Miau! Miau!

Ah, a bonequinha Preta gosta tanto dos gatinhos, eles são tão fofinhos. A bonequinha Preta queria muito ver como ele era. Queria tanto poder dar só uma espiadinha na janela.

E o gatinho lá fora continuou a miar: Miau, miau.

Miava tão afinado o danado. Seria pretinho como ela? Seria branco? Malhado? Ou seria da cor da cadeira, amarelado?

A bonequinha Preta resolveu dar só uma espiadinha na janela, ia ver o gatinho, de que cor ele era e depois voltava a ficar bem sentadinha na sua cadeira amarela.

A bonequinha Preta chegou bem perto da janela e deu um pulo: – Upa! – Mas não conseguiu alcançar. A janela era muito alta, a bonequinha Preta muito pequena. Pulou ainda mais alto: -Upa, upa! – mas não conseguiu olhar. A janela era mesmo muito alta e a bonequinha Preta tão pequena. E, lá fora, o gatinho continuava a cantar: Miau, miau.

A bonequinha preta gostava tanto de gatinhos, eles eram tão fofinhos e ela queria muito saber como esse gatinho era. A bonequinha Preta teve uma ideia. Arrastou sua cadeira amarela até chegar bem perto da janela e subiu na cadeira amarela, mas não conseguiu alcançar, a janela era muito alta e a bonequinha Preta muito pequena. E lá fora o gatinho miava: Miau, miau.

A bonequinha preta gostava tanto de gatinhos, queria tanto poder espiar… resolveu pular: -Upa! – mas mesmo pulando em cima da cadeira amarela a bonequinha Preta não conseguiu alcançar a janela. É que a janela é muito alta e a bonequinha Preta é tão pequena. Mas ela queria muito ver o gatinho e ele continuava a miar: -Miau, miau!- a bonequinha Preta resolveu pular ainda mais alto pra conseguir espiar: -Upa, upa! Aiiii!

A bonequinha Preta pulou tão alto que caiu da janela. Bem que a Mariazinha falou pra ela não sair da cadeira amarela…

Por sorte o verdureiro passava bem nessa hora, trazendo seu grande cesto cheio de verduras frescas da horta. E a boneca Preta caiu dentro da cesta do verdureiro e não se machucou nem um pouco.

Mas o verdureiro tomou um baita susto: -Ah!

A bonequinha preta também tomou um baita susto: -Ah!

E o gatinho, que por um acaso também era preto e bem fofinho, também tomou um baita susto: -Miaaau!

O verdureiro parou, tirou da cabeça e pôs no chão seu grande cesto, pra ver o que havia caído lá dentro. E o verdureiro tomou um susto maior ainda: -Ahh!!!

É que no momento em que ele pôs no chão seu cesto, o gatinho preto pulou lá dentro, pegou a bonequinha Preta com os dentes, pulou de novo e saiu correndo feito o vento, levando a bonequinha Preta, arrastando-a pelo vestido amarelo, tão belo. A bonequinha foi levada aos berros:

-Socorro! Socorro!- a bonequinha Preta gritava e pensava:

“Ai, porque fui desobedecer Mariazinha?”

Quando a Mariazinha chegou em casa já entrou a gritar:

-Bonequinha Preta, eu cheguei! Venha logo, vamos brincar!

Mas ninguém respondeu.

-Bonequinha Preta eu já cheguei! Cade você? Venha logo, vamos brincar.

Mas de novo ninguém respondeu e a Mariazinha começou a se preocupar. Procurou por toda a casa. Olhou pela janela desesperada, e nada.

Mariazinha se pôs a chorar, chorava de soluçar. Foi quando bateram na porta. Quem será que estava lá?

Mariazinha foi atender chorando, chorava sem parar. Abriu a porta, era o verdureiro com seu grande cesto.

-Não chore Mariazinha, eu vi sua bonequinha Preta quando ela caiu da janela, caiu no meu cesto, mas foi levada pelo gatinho preto. Mas não precisa se preocupar, eu sei onde esse gatinho mora. Vou lá agora e trago sua bonequinha Preta de volta.

Mariazinha ficou tão feliz, ficou tomando conta do grande cesto enquanto o verdureiro ia até a ponte onde morava o gatinho preto. Ele foi até o fim da rua, virou à direita, andou várias quadras e virou à esquerda e ainda andou mais um monte, é que o gatinho preto morava bem longe, lá embaixo da ponte.

Quando chega perto da casa do gatinho preto o verdureiro dá uma espiadinha e vê a bonequinha Preta bem sentadinha, e o gatinho preto na sua frente está cantando e fazendo estripulias. O gatinho preto não é mau, ele esta fazendo o maior carnaval tentando fazer a bonequinha rir. Mas a bonequinha Preta não ri, ela tem saudades da Mariazinha. O gatinho preto não é mau, ele só quer sem amigo da bonequinha Preta, ela é tão bonita. O verdureiro sabe que o gatinho preto é bonzinho, ele vai até o gatinho.

-Gatinho, a bonequinha chora porque tem saudade da Mariazinha, e a Mariazinha, lá na sua casinha, também chora, triste de saudade da sua bonequinha.

O gatinho é bonzinho, não quer ver a bonequinha triste, por isso deixa o verdureiro levar a bonequinha embora. Mas o gatinho fica tão triste, ele gostou tanto de ser amigo da bonequinha Preta. O verdureiro tem uma ideia.

-Ei, gatinho! Porque você não vem junto com a bonequinha Preta pra morar na casa dela? Mariazinha gosta tanto de gatinhos, aposto que vai adorar a ideia.

O gatinho miou todo feliz: -Miau, miau

A bonequinha Preta também ficou muito feliz, ter um amigo gatinho é tudo que ela sempre quis.

E os dois vão junto com o verdureiro pra casa da Mariazinha. Quando Mariazinha vê sua bonequinha Preta sã e salva e inteirinha a Mariazinha fica tão feliz. Mariazinha nem zanga com a bonequinha Preta. E ela gostou tanto do gatinho preto e de ter ele como seu novo amigo… E a bonequinha Preta nunca mais desobedeceu a Mariazinha, nunca mais chegou sozinha perto da janela e agora, quando a Mariazinha tem que sair, a bonequinha Preta fica bem sentadinha na cadeira amarela com o seu novo amigo, o gatinho preto, sentado pertinho dela.

FIM

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O Menino e a Bola

Esta terceira história eu criei no início de 2015 para a escola O Pequeno Polegar, a partir de uma sugestão dada pela minha irmã Shandra Andere, grande artista (e arteira) de Salvador – BA, que também conta histórias para crianças e adultos.

Montei esta história para uma interação ativa com as crianças, pois para cada personagem eu assumo uma postura de mãos e braços, incentivando-os a fazer o mesmo. A partir da segunda vez que o personagem entra na história eu faço apenas a postura e deixo que eles anunciem qual personagem está participando no momento.

As crianças adoram contribuir e, embora no começo apenas as mais extrovertidas participem, as outras logo se juntam ao coro e, na segurança da coletividade, até as mais introvertidas acabam extravasando e participando.

O Menino e a Bola

Era uma vez um menino que morava no alto de um grande morro.

Este menino tinha uma grande e linda bola, com a qual brincava todos os dias. Ele levava sua bola para o quintal e jogava ela no chão e a bola pulava, para cima e para baixo: tóim, toím, tóim.

Um dia ele estava brincando com a sua bola quando ela saiu pulando morro a baixo: tóim, toím, tóim.

O menino saiu correndo atrás da bola. Era o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim!

A bola passou por um rato. E quem vinha atrás da bola? O menino.

O menino pisou no rabo do rato! E o rato saiu correndo atrás do menino.

Era o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim!

A bola passou pelo gato. E quem vinha atrás da bola? O menino. E atrás do menino? O rato.

O gato viu o rato e saiu correndo atrás do rato.

Era o gato atrás do rato,  o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim!

A bola passou por um cachorro. E quem é que vinha atrás da bola? O menino. E atrás do menino? O rato. E atrás do rato? O gato.

O cachorro viu o gato e saiu correndo atrás do gato.

Era o cachorro atrás do gato, o gato atrás do rato,  o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim!

A bola passou pelo pato.  E quem é que vinha atrás da bola? O menino. E atrás do menino? O rato. E atrás do rato? O gato. E atrás do gato? O cachorro.

E o o pato viu todo mundo correndo atrás de todo mundo e achou que era uma brincadeira de pega-pega e quis brincar também… E o pato saiu correndo atrás do cachorro.

Era o pato atrás do cachorro, o cachorro atrás do gato, o gato atrás do rato,  o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim.

A bola passou pelo galo. E quem é que vinha atrás da bola? O menino. E atrás do menino? O rato. E atrás do rato? O gato. E atrás do gato? O cachorro. E atrás do cachorro? O pato.

E o galo viu todo mundo correndo atrás de todo mundo, achou que era pega-pega e saiu correndo atrás do pato também.

Era o galo atrás do pato, o pato atrás do cachorro, o cachorro atrás do gato, o gato atrás do rato,  o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim.

A bola bateu na parede. E quem é que vinha atras da bola? O menino. E o menino bateu na bola. E quem é que vinha atrás do menino? O rato. E o rato bateu no menino. E quem é que vinha atrás do rato? O gato. E o gato bateu no rato. E quem e que vinha atrás do gato? O cachorro. E o cachorro bateu no gato. E quem é que vinha atrás do cachorro? O pato. E o pato bateu no cachorro. E quem é que vinha atrás do pato? O galo. E o galo bateu o pato.

E os animais bateram um no outro,  bateram na parede e cairam no chão. E foi a maior confusão…

E a solução foi que todos levantaram e, juntos, jogaram bola até se cansar!

Quem quer jogar?

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E a história termina com a bola sendo jogada para cada um deles, principalmente com os menores essa brincadeira do final pode ir longe, e eles adoram tanto quanto a história.