Histórias da Carochinha

Histórias da Carochinha foi o primeiro livro infantil publicado no Brasil, em 1920. Trata-se de uma coletânea de 61 contos populares recolhida por Figueiredo Pimentel da tradição oral. Por isso hoje este termo serve para indicar histórias tradicionais diversas. Esta semana vou de carochinha pra contar duas dessas histórias que aqui escrevo em minhas versões rimadas:

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Os Compadres Corcundas

Numa certa vila pra lá de esquecida, depois da curva do bigode, vivam dois compadres corcundas, um rico e outro pobre.

Como o povo não é mole e de justiça ninguém se gaba, viviam tirando sarro da corcunda do pobre, mas na corcunda do rico ninguém reparava…

A situação do pobre andava bem complicada, ele era caçador, mas ultimamente não conseguia caçar nada. Um dia na mata resolveu que não voltava pra casa enquanto não encontrasse ao menos uma caça e como não encontrasse nada, acabou passando a noite na mata.

A lua já ia alta quando o caçador começou a escutar uma cantoria ritmada. Resolveu ir atrás da musica pra dar uma espiada. Logo encontrou uma porção de homenzinhos que cantavam e dançavam muito animados:

“Segunda. Terça-feira. Vai, vem.”. “Segunda. Terça-feira. Vai, vem.”

 Tremendo de medo escondeu-se atrás de uma moita e ficou escutando aquela cantoria que era a mesma durante horas.

Depois ficou mais calmo e foi se animando, e como era metido a improvisador, logo se meteu no meio da cantoria entoando:

“Segunda. Terça-feira. Vai, vem.”.”E quarta e quinta-feira, também meu bem.”

Calou-se tudo imediatamente e todos olharam para todos os lados procurando quem havia cantado. Acharam o velho corcunda e o levaram para o meio da roda onde foi interrogado:

-Foi você quem cantou o verso novo da cantiga?

-Fui eu, sim senhor!- respondeu o velho com honestidade.

-Quer vender seu verso?- perguntou o velho duende educado.

-Vende não precisa não. Eu dou de bom grado, pois gostei muito da cantoria desse povo animado.

O velho duende achou graça e o seu povo também deu risada.

-Então fique assim, eu fico com a sua corcunda e te dou este gibão em troca ficamos com o novo verso pra nossa canção.

Assim o velho passou a mão nas costas do corcunda e a corcunda desapareceu.

-Só abra esse gibão ao alvorecer.- disse o velho ao outrora corcunda enquanto sumia com seu povo na floresta escura.

Quando o sol raiou e o mendigo abriu a sacola descobriu que estava cheia de ouro e das mais ricas pedras preciosas.

Rico e sem corcunda o homem tratou logo de comprar roupas respeitáveis e se dirigir à missa, afinal era domingo e ele queria ainda agradecer o grande presente recebido.

Vendo-o tão mudado seu compadre corcunda rico não conseguiu acreditar e pode crer menos ainda quando seu compadre agora belo e rico lhe contou o que lhe havia acontecido.

Sem poder mais esperar o ambicioso corcunda tratou de correr pra floresta pensando em se desfazer da sua incômoda corcunda e ainda aumentar mais sua enorme fortuna.

Ao chegar na floresta esperou anoitecer e procurou até encontrar o povo miúdo a cantar:

“Segunda. Terça-feira. Vai, vem.”.”E quarta e quinta-feira, também meu bem.”

O rico não se conteve. Sem mais esperar já se meteu a entoar:

“Sexta, sábado e domingo, também.”

Calou-se tudo novamente. O povo miúdo tratou de trazê-lo ao meio da roda onde o velho gritou furioso:

-Quem mandou se meter aonde não era chamado, criatura besta? Por acaso não sabes que o povo encantado não quer saber de sexta, dia que morreu o filho do Alto, sábado, dia que morreu o filho do pecado e nem domingo, dia que ressuscitou quem nunca morre? Não sabia? Pois agora vai aprender pra nunca mais esquecer, pois a corcunda que deixaram aqui vai levar com você.

Depois de dizer estas palavras passou a mão sobre o peito do corcunda e lá apareceu a corcunda do seu compadre. E logo desapareceu na mata escura o velho e sua estranha turma.

E o Corcunda aprendeu sua lição. Continuou rico, mas teve que carregar mais uma corcunda pra aprender a controlar sua ambição.

FIM

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A MENINA DOS BRINCOS DE OURO

Era uma vez uma menina muito delicada e bonita. Sua mãe era uma viúva sempre severa e rude com suas filhas.

Um dia a menina ganhou um brinco de ouro. Sempre que ia nadar no rio cuidava para não perder seu brinco, por isso os tirava e deixava em uma pedra na beirada da água.

Certo dia a menina esqueceu dos brincos na pedra e voltou pra casa, quando chegou lembrou que os havia deixado à margem, temia ser castigada, nem ligou que era tarde, voltou ao rio para buscar seus brincos.

Quando lá chegou um velho feio encontrou. O velho pegou a menina, pôs dentro de um grande saco de couro e levou-a nas costas. Depois costurou a boca do saco com a menina dentro e disse:

-Agora vou ganhar dinheiro. Quando eu te mandar cantar tu canta se não quiser apanhar.

Assim o velho levava a menina no saco costurado e bem alto dizia:

-Quer ver um sapo cantar que nem gente? Canta sapo se não quiser levar sopapo!

E a menina cantava dentro do saco:

“Nesse saco me puseram, nesse saco hei de morrer. Por causa dos brincos de ouro que na pedra não devia esquecer.”

Todo mundo ficava admirado e dava dinheiro ao velho que foi ficando enricado.

Até que um dia o velho chegou em uma casa da vila onde a tristeza era tão grande que só de ver doía.

-Deixa eu te alegrar vendo meu sapo cantar. Canta sapo se não quiser levar sopapo!

E a menina cantou dentro do saco:

“Nesse saco me puseram, nesse saco hei de morrer. Por causa dos brincos de ouro que na pedra não devia esquecer.”

Mas essa era justamente a casa da mãe da menina que logo que ouviu o canto reconheceu a voz da filha. Não podendo ela enfrentar a força do velho, ainda mais armado de seu cajado a mulher fingiu estar encantada com o canto do sapo e convidou-o pra ficar pra dormir e jantar.

Como já era tarde o velho viajante aceitou, comeu e se embebedou e logo pregou num sono profundo. A mãe então libertou sua filha do saco e encheu o saco novamente com esterco ainda molhado, costurando novamente a boca do saco.

A menina coitada estava quase morta de tão fraca, há dias sem comida nem água. Sua mãe cuidou dela com muito amor e carinho. Logo ela estava recuperada.

E o velho saiu de manhã cedo levando o saco cheio de coco de carneiro fresco. Chegando em outra casa foi logo falando.

-Quer ver um sapo que canta como gente? Canta sapo pra não levar sopapo!

E nenhum barulho veio de dentro do saco.

-Tá dormindo seu sapo?- gritou o velho enfezado dando um chute no saco- Canta ou vai apanhar com o cajado!

E como no saco só tinha esterco e não menina, não veio a cantoria. O velho ficou ainda mais bravo e bateu com o cajado no saco espalhando esterco pra todo lado. O velho ficou coberto de coco de carneiro e dizem que até hoje ele ainda está com o cheiro.

FIM

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A Princesa do Castelo em Chamas (conto da Transilvania, Romenia)

 

Era uma vez um homem, um pastor muito pobre. Mas existia tanto amor entre ele e sua companheira que eles tinham tantos filhos quantos furos tem uma peneira. Todos os homens da aldeia já eram seus compadres. Ao nascer-lhe mais um filho, não tinha mais a quem pedir para ser o padrinho. Mas o pasto r não perdeu a esperança, sentou-se na beira da estrada para pedir ao primeiro passante que fosse padrinho da criança.
Vinha então descendo a estrada um velho com um manto cinza, ao qual ele fez o pedido, o velho, que mais parecia um mendigo, aceitou agradecido.
Seguiram juntos o caminho, e o velho ajudou a batizar a criança. Deu, então, de presente ao pobre uma vaca e um bezerro nascido no mesmo dia em que seu afilhado. O bezerro tinha na testa uma estrela dourada e deveria pertencer ao menino.
Quando o menino cresceu, o bezerro se havia tornado um enorme touro, e juntos iam ambos todos os dias ao pasto. O touro sabia falar e, quando chegavam ao topo da montanha, dizia ao menino:
– Fica aqui e dorme. Enquanto isso, vou procurar meu pasto sozinho.
Assim que o pastor dormia, o touro corria como um raio até o grande pasto celeste e comia flores douradas de estrelas. Quando o sol se punha, ele voltava para acordar o menino, e iam, então para casa. Isto se repetiu todos os dias até o menino alcançar a idade de vinte anos. Um dia, disse-lhe o touro:
-Senta-te agora entre os meus chifres e eu te levarei até o Rei. Pede-lhe uma espada de ferro do tamanho de sete varas e dize-lhe que queres salvar sua filha.
Logo eles estavam no castelo real. O pastor desceu e foi ter com o Rei; este lhe perguntou o motivo de sua vinda. Após ouvir a resposta, deu-lhe com prazer a espada desejada, mas sem muita esperança de poder rever sua filha. Muitos jovens audaciosos tinham em vão ousado libertá-la. Ela fora raptada por um dragão de doze cabeças, que morava muito, muito longe. Ninguém podia chegar até lá, pois no caminho para seu castelo se encontrava uma serra imensamente alta, impossível de atravessar; e, mais além, um grande mar bravio. Mesmo se alguém conseguisse transpor a serra e o mar, encontraria o castelo envolto em chamas poderosas; e, mesmo tendo-as vencido, havia ainda um dragão de doze cabeças pronto para matar o indivíduo.
Quando o pastor obteve a espada, montou novamente entre os chifres do touro, e num instante eles se encontraram diante da serra imensa.
-Podemos voltar – disse ele ao touro, pois achava impossível atravessar tal serra.
O touro respondeu-lhe:
-Espera apenas um instante!
E desceu o rapaz ao chão. Mal tinha feito isso, cravou no chão os cascos, deu um impulso e moveu, com seus chifres poderosos, a serra inteira para o lado; e eles puderam seguir em frente.
O touro assentou o pastor novamente entre os chifres, e logo eles alcançaram o mar.
-Agora podemos voltar – disse o jovem – pois ali ninguém consegue passar.
-Espera apenas um instante – retrucou-lhe o touro -, e segura te bem em meus chifres.
Então inclinou a cabeça até a água e bebeu o mar inteiro, e assim prosseguiram eles em chão seco.
Logo chegaram ao Castelo de Chamas. Mas, já de longe, sentiram um calor tão imenso que era quase insuportável ao rapaz.
-Pára – gritou ele ao touro – não vás em frente senão morro queimado.
O touro porém correu até bem perto e cuspiu de uma vez, por sobre as chamas, o mar que havia bebido.Rapidamente o fogo se apagou e uma fumaça enorme se elevou, enevoando todo o céu. Então, do vapor medonho, saltou o dragão de doze cabeças, enraivado.
-Agora é tua vez – disse o touro a seu amo. – Vê se consegues cortar todas as cabeças do monstro de um só golpe.
Ele juntou toda a sua força, tomou a espada poderosa com as mãos e golpeou tão rapidamente o monstro que todas as cabeças rolaram ao chão. O animal se contorceu e se debateu contra a terra com tal força que ela tremeu. O touro apanhou o corpo do dragão com seus chifres arremessando-o ás nuvens, e nada mais se viu dele.
O touro disse ao pastor:
– Minha tarefa chegou ao fim. Vai até o castelo, e lá encontrarás a princesa. Leva-a de volta a seu pai.
Tendo dito isto, correu para o gramado celeste e virou uma constelação. O rapaz nunca mais o viu mas também nunca mais o esqueceu.
Ele se dirigiu ao castelo, onde encontrou a princesa, que se alegrou muito por estar livre do terrível dragão.
Regressaram ambos então ao país da princesa, onde se casaram; e uma enorme alegria invadiu todo o reino desde o momento em que os dois regressaram.
FIM
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BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

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Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque de Holanda)

Este poema/história tão genial escrito pelo grande Chico vem aqui sem mudanças ou alterações, apenas para ser redecorado, pois amanhã será contado junto com o conto da Chapeuzinho Vermelho, afinal, os dois formam o par ideal, não é mesmo?

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CHAPEUZINHO AMARELO

(Chico Buarque de Holanda)

Era a Chapeuzinho Amarelo
Amarelada de medo
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.

Já não ria
Em festa, não aparecia
Não subia escada, nem descia
Não estava resfriada, mas tossia
Ouvia conto de fada, e estremecia
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha

Tinha medo de trovão
Minhoca, pra ela, era cobra
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra

Não ia pra fora pra não se sujar
Não tomava sopa pra não ensopar
Não tomava banho pra não descolar
Não falava nada pra não engasgar
Não ficava em pé com medo de cair
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo
Assim era a Chapeuzinho Amarelo, amarelada de medo

E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
e um chapéu de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.

O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem ela estava falando:

LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
“Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;
barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.
FIM

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Chapeuzinho Vermelho

Esta história é clássica, presente na famosa coletânea dos irmãos Grimm, muito conhecida, mas tem uma série de elementos que devem ser trabalhados na primeira infância, acho que por isso mesmo ainda me encanta. Uma das  histórias menos alterada nas suas versões atualizadas. Embora como uma história de tradição horal, tenha mais de uma versão, principalmente quanto ao final.

As músicas (no texto entre aspas) são do compositor João de Barro (conhecido como Braguinha) que musicou cerca de 50 histórias infantis para a coleção disquinho. Para saber mais sobre esse grande compositor brasileiro acesse:

http://www.braguinha.ag.com.br/

Essa versão eu montei com uma grande mistura daquilo que eu lembrava com o que eu encontrei em minha pesquisa, com um toque das minhas rimas. A maior parte do que foi copiado veio do site:

 

http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=1

Uma versão que eu gostei muito, principalmente pelas rimas já existentes, mas a minha versão final acabou bem diferente:

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CHAPEUZINHO VERMELHO

Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela que sua mãe havia feito, logo os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa, tadinha. Morava numa casinha, no interior da mata, no fim da trilha.
Chapeuzinho sempre ia à casa da vovozinha para levar deliciosas comidas que sua mãe fazia.
Um dia, a mãe da menina preparou alguns quitutes, eram os preferidos da avó Gertrudes.
Então, chamou a filha e disse:
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estes quitutes para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, vontade de cozinhar ela não tem.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, pelo caminho certo. Não pegue o atalho, pois ouvi dizer que tem um lobo morando lá perto!
— Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. Vou pelo caminho mais cumprido.

A mãe arrumou os quitutes em uma cesta e colocou também um pote de geleia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geleia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores. Chapeuzinho ia pelo caminho colhendo lindas flores. Acabou se distraindo e demorou muito naquele caminho, quando viu o sol já ia alto, resolveu pegar o atalho. Ia cantando distraída:

“Pela estrada à fora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha, ela mora longe o caminho é deserto, e o lobo mal passeia aqui por perto. Mas à tardinha, ao sol poente, junto à mamãezinha dormirei contente.”

Quando o lobo viu aquela linda menina, pensou que ela devia ser saborosa e macia. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas ao ouvir a música e ver que ela ia até a casa da avó resolveu usar da inteligência, assim poderia comer a avó primeiro, depois a menina de sobremesa. Escondeu-se na sombra de uma árvore de grande porte e  disse com voz doce:
— Bom dia, linda menina.
— Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
— Qual é seu nome?
— Chapeuzinho Vermelho
. — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
— Vou visitar minha avó.
— Muito bem! E onde mora sua avó?
— Mais além, no interior da mata.
— Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
— Numa casinha verde, com cortinas bem branquinhas, lá no final da trilha.
O lobo então falou:
— Você não deveria ir por aqui, tem um lobo mau logo ali na frente e está bem na hora dele almoçar, se quiser chegar viva na sua vovozinha vá pelo caminho de lá.- o lobo a mandava  pela trilha mais comprida para que ele pudesse chegar primeiro na casa da velhinha usando o atalho no lugar da menina.

Chapeuzinho Vermelho agradeceu e seguiu o conselho sem nem imaginar o que é que o lobo estava fazendo…

“Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau. Eu pego as criancinhas pra fazer mingau. Hoje estou contente, vai haver festança, eu tenho um bom petisco para encher a minha pança”
Quando o lobo chegou na casa da vovozinha bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
— Quem é? — perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
— Sou eu, sua netinha, vovó. Trago uma cesta cheia de delícias.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
— Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta, vestiu um pijama da velha, enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A menina demorou um bocado antes de chegar, o lobo até cansou de esperar. quando finalmente Chapeuzinho chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
— Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
— É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo uma cesta cheia de delícias! Mas que voz grossa vovozinha.
Só então o lobo se lembrou de afinar a voz horrorosa antes de responder:
— É que eu estou muito gripada minha netinha. Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
— Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
Coloque a cesta na mesa, minha querida netinha, e venha aqui até aqui deitar comigo para me aquecer.
Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
— Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
— São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
— Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
— São para enxergar te enxergar melhor, minha menina!
— Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
— São para te ouvir melhor, queridinha!
— Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
— É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

— Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
O lobo, que dormia como uma pedra, com um enorme barrigão parecendo um grande balão!
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
— Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudá-la!”.
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
— Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
— E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Ou seria o  chapeuzinho vermelho da menina? Quanta sede ele sentia. Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e afundou.
A vovó ficou em casa lanchando aquelas delícias enquanto o caçador levava pra casa a menina. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo caminho mais comprido”.

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O Macaco e a Velha Firinfinfelha

Ah, as férias acabaram e acaba assim também meu tempo longe dessa telinha, o que me parece curioso é que nesse mês sem cultivar meu jardim virtual, fiz muitas podas no meu quintal real. Tenho um lindo pomar em casa, mais de 200 frutíferas plantadas pelo meu companheiro e por mim ao longo desta década de parceria cultivando nosso Jardim de Amor, mas nesse ano e meio que venho escrevendo e contando meus contos, ou seja, desde que comecei a plantar esse meu Jardim de Histórias, quase que abandonei minhas ferramentas de jardim. Por isso mesmo esse mês me dediquei a deixar meu quintal lindo e bem cuidado, canteiros preparados, para a primavera que se aproxima. Mês que vem queremos plantar muitas mudas, mas dessa vez vou fazê-lo sem deixar de plantar meus contos por aqui também, e sem deixar de cultivá-los nas escolas e por aí a fora. Junte a tudo isso o fato de que eu tenho duas filhas e um filho, mais três cachorros e um gato, ufa! Vai ser um semestre corrido. Mas deixando o desabafo de lado vamos ao primeiro conto do semestre:

Escolhi uma história da coleção disquinho: “O Macaco e a Velha” e fiz dela minha versão que virou quase uma nova história, afinal, quem conta aumenta um ponto e, depois de tantos anos, já foram muitos pontos acrescentados ou adaptados…

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O MACACO E A VELHA FIRINFINFELHA

Era uma vez uma velha muito velha, chamada Firinfinfelha que tinha um lindo bananal no fundo do seu quintal. Mas a coitada da velha poucas bananas comia pois o macaco Simão roubava todas que conseguia.

“Macaco Simão, macaco ladrão. Macaco Simão sem educação” (cantado)

Cansada de tanto ser roubada a velha Firinfinfelha teve uma ideia danada: comprou alguns quilos de alcatrão e fez um bonequinho bem pretinho igual carvão. Depois de pronto a velha levou o boneco para o quintal e colocou ele sentado no meio do bananal, colheu as bananas mais maduras e apetitosas, pôs em um saco de algodão e colocou no colo do boneco de alcatrão. E lá ficou o boneco, tinha até cartola, e uma porção de bananas na sacola.

“Boneco valente, parece ser gente. Macaco Simão vai ter sua lição”

Quando chegou o macaco Simão e viu as bananas no colo do boneco de alcatrão, torceu o rabo, fez uma careta bem feia e cantou desafinado:

“Que moleque sem vergonha, que menino mais ladrão, roubando minhas bananas sem me dar satisfação. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve roubar o macaco Simão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve roubar o macaco Simão.”

E o macaco  Simão, ficou muito bravo que nem um cravo e foi falando pro boneco de alcatrão:

-Solta já minhas bananas seu moleque sabichão.

E o boneco ficou lá sentado, quieto, com a sua cartola e as bananas na sacola.

Mais bravo ainda falou o macaco Simão:

-Ora seu mau educado, não vai nem me responder? Pois se você não falar nada vou aí dar-te uma bofetada! Daí eu quero ver!

O macaco gritava e o bonequinho nada. Simão já soltava fumaça pelas ventas, e quando Simão fica bravo ninguém aguenta. Pois o macaco foi lá e deu-lhe um bofetão no moleque sem educação. E a mão do macaco Simão ficou presa no boneco de alcatrão.

-Seu menino atrevido que cheira a chulé! Solte minha mão ou lá vai pontapé.

E como o boneco não soltava a mão do macaco Simão e ele já tinha avisado… deu-lhe um chute bem dado. E o pé do macaco também ficou grudado.

-Ora seu moleque malvado é assim que você quer, vai segurar também o meu pé. Pois saiba que eu tenho outro pé e outra mão, vai chover safanão, e se prepara que também tem cabeçada.

E lá foi o macaco Simão atacando com todas as suas armas, mas quanto mais ele atacava mais se grudava e pior ficava. No final da luta já nem havia boneco, só o macaco Simão todo grudado no chão em um bolo de alcatrão.

-Socorro! Acudam! -gritava o pobre macaco desesperado.

E veio rindo a velha Firinfinfelha.

-A seu macaco malvado. Assim você aprende sua lição. Viu como é ruim ficar roubando as minhas bananas. Agora vai ficar preso no meu boneco de alcatrão.

-Me solta velha Firinfinfelha, eu faço o que você quiser! – implorava o macaco.

-Só solto se você prometer nunca mais vir ao meu quintal roubar as bananas do meu bananal.

O macaco prometeu pra velha nunca mais roubar uma banana dela e a Firinfinfela também cumpriu sua promessa. Soltou o macaco que tava todo grudado.

 Simão, no meio da mata, chorava como uma criança enquanto planejava sua vingança. Pegou emprestada uma pele de leão que ao sol estava secando e foi visitar a velha conforme o plano que estava bolando:

“A velha Firinfinfelha vai ter a sua lição e saber que um macaco irritado é pior do que um leão.”

E o macaco Simão pulou o muro do quintal e foi se esconder no meio do bananal. Quando apareceu a velha ele deu o susto final.

“-Socorro vizinhos! Senão não escapo!

-Sossegue velhinha. Você está no papo!”

A velha Firinfinfelha tomou um susto tremendo, fugiu correndo, queria correr pra casa, mas naquele alvoroço acabou errando o caminho e caiu no fundo do poço.

“-Socorro vizinho! Socorro seu moço! Se não eu me afogo no fundo do poço!”

Vendo aquilo o macaco ficou até sem fala, queria assustar a velha, mas não queria matá-la. Saiu da pele correndo e foi ajudar a velha, procurava uma corda ou cipó pra puxar a Firinfinfelha. Não encontrava nada e a velha ainda gritando, o tempo estava acabando, ela estava se afogando.

Então o macaco Simão teve uma grande ideia, agarrou na beira do poço e jogou o seu rabo pra velha.

“-Socorro, meu Deus! Se não me afogo!

-Então minha velha segura no rabo.”

Os vizinhos foram chegando no meio do bananal e viram estupefatos essa cena original : o macaco na beira do poço fazendo uma força danada e no rabo do macaco Firinfinfelha vinha pendurada.

Mas depois desse dia as coisas muito mudaram pois Firinfinfelha e o macaco bons amigos viraram. E até hoje em dia sentam juntos no quintal pra colher e dividir entre si as bananas do bananal. De noite fazem fogueira e a velha pega a viola e o macaco canta enquanto Firinfinfelha toca:

“Minha velha me enganou com um boneco de alcatrão e eu enganei a velha com uma pele de leão. Minha velha me enganou com um boneco de alcatrão e eu enganei a velha com uma pele de leão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve enganar o macaco Simão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve enganar o macaco Simão.”

FIM

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As partes entre aspas serão cantadas. Depois da história quero fazer com as crianças uma atividade na qual todos vamos imitar macacos e depois todos esse macaquinhos formarão um trem que será conduzido por mim até formar uma roda. Nessa posição todos se sentarão com perna de índio (um virado para as costas do outro). Então os macaquinhos vão procurar piolho na cabeça do macaquinho da frente. Em seguida faremos uma brincadeira na qual eu começarei tocando com as pontas dos dedos a cabeça da criança que estiver sentada na minha frente (de costas pra mim). Essa criança deve repetir esse mesmo toque na cabeça do colega que está na frente dela e assim por diante. Todavia as crianças não poderão olhar para trás para ver como estão sendo tocadas, elas devem repetir esse toque apenas imaginando como ele é à partir do que ela está sentindo. É como um telefone sem fio, mas ao invés de palavras o que corre pela roda são toques rítmicos feitos com as pontas dos dedos na cabeça e ombros, ora com todos os dedos ao mesmo tempo, ora com os dedos em sequência, ora alternando entre o dedão e os outros dedos.

Nunca fiz essa brincadeira antes, inventei ela hoje, mas na minha cabeça funcionou muito bem, então vamos testar…

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Os dois anõezinhos

Quando fiz meu curso de Pedagogia Waldorf ouvimos uma história coletada pelos irmãos Grimm chamada ” Os presentes do povo pequenino”. Anos depois fui contar essa história para as minhas filhas, e contei como me lembrava. Minha filha gosotu muito dessa história, por isso a repeti diversas vezes de lá pra cá, chegando mesmo a apresentá-la nas minhas escolas. Mas descobri ontem que o que ficou na minha memória não era quase nada parecido com a história. Ou seja, sem querer inventei uma história nova, ao mesmo tempo percebo agora que nessa história nova eu incluí diversos conceitos do que eu havia estudado. Por isso resolvi publicá-la agora.

Essa é uma história para o inverno, pois durante esta época as forças espirituais estão concentradas no interior da terra, guardando a vida das sementes ou formando as mais belas pedras. Na mitologia essa força é representada pelos anõezinhos, seres pequenos mas muito fortes, guerreiros ferozes, mas também trabalhadores extremamente habilidosos na carpintaria, na mineração e na transformação das pedras preciosas nas mais belas e mágicas jóias.

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OS DOIS ANÕEZINHOS

Em um certo país uma grande caverna existia, mas não era uma caverna escura e fria. Era uma caverna toda enfeitada com lindas pedras polidas e lustradas. Tão enfeitada que brilhava.

Pois aquela caverna não era uma caverna cheia de animais assustadores, ela era habitada por anõezinhos mineradores muito trabalhadores.

Todos os dias eles procuravam pedras, quando não eram preciosas, mas eram belas, eles usavam para enfeitar a caverna, mas quando achavam uma pedra preciosa e brilhante, fosse uma esmeralda, um rubi ou um diamante, trabalhavam a pedra lustrando e polindo com cuidado e afinco até deixá-la lisa e cintilante. E quando achavam ouro ou prata faziam as jóias mais raras encrustando suas pedras trabalhadas em coroas, espadas e seus cintos, anéis, colares ou brincos.

Mas os anõezinhos, apesar de serem um povo bastante orgulhoso, não são muito vaidosos, por isso faziam as jóias não para usar, e sim para vender ou trocar. Trocavam suas relíquias principalmente por comida, é que na caverna a luz do Sol não consegue entrar, logo não dá pra plantar e os anõezinhos são conhecidos por saber trabalhar mas também pelo tamanho de seu apetite, o que considerando que os anões são tão pequenos, é mesmo de espantar. Por isso deixo avisado, não convide um anãozinho pra jantar.

Acontece que nassa caverna os anõezinhos já não conseguiam mais achar ouro, prata ou pedras, e assim estavam todos começando a passar necessidades.

Fizeram uma grande reunião para resolver aquela situação. Logo todos concordaram que um anãozinho deveria fazer uma expedição pra procurar na montanha vizinha uma possível solução.

O anão mais velho deu a sua opinião:

-Deveríamos enviar para essa honrosa e perigosa tarefa o anão Spik, corajoso e valente, um anão experiente e que tem uma barba respeitável.

Todos concordaram, todos menos Spok. Spok era um anão que adorava chamar a atenção. Estava sempre se metendo em confusão, queria falar mais alto enquanto alguém falava, tirava sarro de meio mundo e parece que ele não sabia a hora de fazer piada. E o pior é que ele ainda “se achava”…

-Eu devo ser o anãozinho enviado, afinal sou muito mais barbado.- disse o Spok.

É que todos os anõezinhos são barbados e, geralmente, quanto mais barbado, mais o anãozinho é respeitado. Mas Spok era um anão mal educado, ninguém queria vê-lo ser o responsável por tão importante trabalho.

Foi Spik quem resolveu a situação:

-Vamos nós dois então! Eu posso te ajudar e, nós dois juntos, mais pedras conseguiremos carregar.

Assim, na manhã seguinte, depois de um café da manhã reforçado, saíram os dois para fazer o trabalho. Spik e Spok caminharam o dia inteiro e chegaram no sopé da montanha quando já estava anoitecendo, mas não quiseram nem parar para descansar. Resolveram aproveitar a luz da lua cheia para começar a procurar. Acharam muitas pedras bonitas, mas nenhuma preciosa, ainda assim, como os dois anõezinhos gostavam muito de pedras bonitas, todas que encontravam recolhiam. Passaram assim a noite inteira e ainda o dia inteiro, sempre montanha acima. Já estava anoitecendo quando chegaram lá em cima.

Os dois traziam as bolsas e os bolsos completamente carregados de lindas pedras, mas nenhuma valia nada, nenhuma servia para resolver o problema deles e dos outros anõezinhos lá da caverna. Muito tristes pararam para descansar, fizeram uma cama de pedras, usaram as bolsas cheias de pedras como travesseiro e as pedras em seus muitos bolsos lhe serviam de coberta. E dormiram.

O primeiro a acordar foi Spik:

-Aaah! Nossa Spok que sono pesado que eu tive. Essas pedras me parecem tão pesadas. Uau! Acorda Spok veja que maravilha, nossas pedras todas viraram ouro, é o mais puro ouro que eu já vi na vida. É tanto ouro que dá pra resolver o problema de toda a nossa vila.

Os dois anõezinhos encantados dançaram e cantaram.

-Vamos Spok- disse Spik – Vamos logo voltar para caverna e levar o ouro e a boa notícia para todos lá da vila!

-O quê Spik? Você ficou louco? Pra que ir embora agora se podemos passar o dia aqui juntando muito mais pedras para amanhã termos muito mais ouro?

-Mais ouro pra que Spok? Já temos ouro suficiente pra resolver o problema de todos os anõezinhos da montanha, quero logo voltar para casa e a boa nova levar. Vamos lá!

-Se você quiser que vá. Pode levar o ouro que puder carregar. Eu vou ficar, juntar mais pedras fazer mais ouro e, quando eu voltar, vou ser o anãozinho mais rico de toda a nossa caverna, ou melhor, vou ser o anão mais rico e poderoso do mundo todo.

Vendo que Spok estava tomado pela ambição e não ia mudar sua decisão Spik resolver pegar metade do ouro e voltar pra caverna pra dividir o tesouro por todos os nõezinhos.

Spok ficou na montanha recolhendo pedras, já não mais se importava se eram feias ou belas, redondas ou quadradas, era pedra ele pegava. Quando terminou o dia ela já tinha feito uma montanha enorme de pedras no alto da montanha, junto com o monte de ouro que ele havia conseguido na noite anterior. Também trazia pedras nas bolsas e nos bolsos da calça, da camisa e do casaco e até seu chapéu estava cheio de pedras. Spok estava feliz e cansado. Deitou no alto das pedras, usando sua bolsa cheia de pedras como travesseiro e as pedras dos bolsos servindo de coberta. Dormiu sonhando com todo o tesouro que teria ao acordar.

Acordou no outro dia com um pulo.

-Aah! Me sinto tão leve e disposto. Dormi tão bem… minha cama de ouro estava tão quentinha e macia…. Epa, espera um pouco, quente e macio? Mas o ouro é duro e frio!!! Oh! Mas que horror, que decepção. Todas as minhas pedras, até mesmo todo meu ouro, virou carvão!!!

O anãozinho começou a chorar e, pra piorar, quando levou a mão aos olhos, para suas lágrimas enxugar, percebeu que estava sem nenhum pelo na cara, não tinha mais nem um fio de bigode nem de barba.

Envergonhado o anãozinho foi procurar uma caverna pra morar, e lá ficou dias a fio, chorando sozinho, arrependido.

Por sorte lá na vila o anãozinho Spik começou a ficar preocupado, afinal já era tempo do Spok ter voltado… resolveu ir procurá-lo.

Ao chegar na montanha acabou achando a caverna onde o amigo tinha ido morar, mas ao ver Spok sem barba nem bigode, Spik começou a rir de gargalhar. Era uma gargalhada tão gostosa que o Spok não aguentou e começou a rir junto com o amigo, e aquela risada lavava toda a tristeza que ele estava sentindo.

-Vamos Spok- disse o Spik ainda rindo- Vamos voltar pra caverna, estão todos preocupados meu amigo. Além do que eu dividi o meu tesouro entre todos os anõezinhos e agora somos todos ricos.

-Não posso voltar- disse Spok envergonhado.- Se voltar para nossa caverna serei o único anãozinho pobre e isso é muito triste.

-Claro que não!- disse Spik- eu não falei que tinha dividido o ouro entre todos os anõezinhos do condado, então, seu ouro também está lá separado.

E assim Spok resolveu voltar, quando chegou na caverna todos os seus colegas que o viam sem bigode nem barba, caiam na gargalhada. Mas Spok nem ligava, estava feliz da vida e tinha aprendido sua lição. Além disso, se sentia muito rico, não por conta do ouro, mas por ter Spik como seu amigo.

FIM

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Os anõezinhos e o sapateiro

Este é um conto popular que consta na coletânea feita pelos irmãos Grimm. Como pertenceu ao tempo em que os contos só eram registrados na memória e transmitidos pela oralidade, através das gerações, esse é uma história que possui inúmeras versões. Acrescento esta minha versão rimada para me ajudar a decorá-la já que amanhã irei contá-la.

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OS ANÕEZINHOS E O SAPATEIRO

Era uma vez um sapateiro que gostava muito de ajudar os outros, dividia tudo o que tinha e fazia seus sapatos sempre muito baratos, isso quando não os vendia fiado. Acontece que naquele tempo houve uma grande seca, que resultou em uma grande crise financeira, como seus clientes eram somente seus mais simples amigos, o pobre sapateiro foi ficando cada vez mais sem serviço,  e o pior é que aqueles que lhe deviam não puderam pagá-lo.

O sapateiro já não tinha mais nenhum dinheiro, ele e sua mulher já estavam passando por maus bocados, e iria piorar, porque agora o sapateiro só tinha couro para fazer um último par de sapatos…

O sapateiro cortou aquele último pedaço de couro com todo cuidado para fazer seu último par de sapatos. Iria costurá-lo no dia seguinte e tentar vender para comprar mais couro e quem sabe algo pra comer. Assim ele e sua mulher dividiram o último bocado de pão embolorado e foram para a cama pensando em quem iria comprar aquele último par de sapatos…

Mas qual não foi a surpresa do sapateiro quando acordou no dia seguinte e aquele par de sapatos estava completamente costurado… o sapateiro olhou mais de perto e ficou admirado com a qualidade do trabalho. Estava perfeito, sem nenhum pontinho errado…

O sapateiro mal teve tempo de mostrar pra sua esposa, que também se espantou, e já lhe bateram à porta. Era um nobre senhor pedindo ajuda pra consertar a roda da sua carroça. O jovem sapateiro se pôs à disposição na mesma hora, pegou suas ferramentas e logo consertou a roda. Quando o nobre senhor viu aquele par de sapatos tão bem costurado pagou por ele um bom bocado. O sapateiro e sua mulher ficaram felizes da vida pois além de comprar comida puderam comprar couro para fazer mais três pares de sapato. O sapateiro deixou os três pares de sapato bem cortados e, como já era tarde, foi dormir para no outro dia terminar o trabalho. Mas novamente quando acordou encontrou os três pares de sapato prontos e muito bem costurados. Mal podia acreditar no que via. Ele e sua mulher ficaram cheios de alegria. E pra melhorar apareceram novos clientes indicados pelo nobre senhor que havia comprado o primeiro par de sapatos.

O sapateiro comprou mais material pra fazer sapatos e ainda comprou comida para ajudar seus vizinhos que também passavam maus bocados.

E dia após dia o mesmo se repetia, o sapateiro cortava os sapatos de dia, tantos quanto precisava, e de noite alguém os costurava. O sapateiro enriquecia e toda sua vila prosperava. Mas depois de algum tempo ele e sua mulher resolveram passar a noite toda acordados para ver quem é que estava a ajudá-los.

Então como sempre ele cortou o couro e as solas e os dois se esconderam embaixo da escada depois de fingirem terem ido embora e viram chegando dois anõezinhos completamente nus, pelados, que costuraram os sapatos com rapidez e habilidade admirável, e foram embora assim que terminaram.

-Pobre anõezinhos- disse o bom sapateiro- tão dedicados e vivem sem ter o que vestir, devem passar tanto frio, coitados.

-Não se preocupe marido, hoje, ao invés de cortar couro pros sapatos, vamos costurar lindas roupas para esses anõezinhos que tanto nos ajudaram.

E assim os dois compraram ótimos tecidos e a mulher costurou duas calças, duas camisas, dois coletes, dois casacos e dois pares de meia, muito bem costurados, enquanto o homem cortou e costurou dois pequenos pares de sapatos.

Quando a noite chegou os dois resolveram ficar a cordados pra ver como os anõezinhos receberiam aqueles presentes.

Logo os dois chegaram e subiram na mesa prontos para o trabalho. Ficaram loucos de contentes quando encontraram os presentes. E juntos os dois cantaram:

“Nós somos rapazes elegantes e faceiros, pra que sermos ainda sapateiros?”

Dançando de braços dados foram embora e nunca mais voltaram.

Mas o sapateiro e a sua mulher não ficaram entristecidos, pelo contrário, ficaram muito contentes de poder ajudar quem os havia enriquecido.

E viveram muito prósperos e felizes, pois nunca mais faltaram clientes e nem material pro serviço, pois a boa sorte continuou a companhá-los e eles continuaram sempre ajudando os necessitados.

 FIM

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Natal na Cabana

Essa história é uma versão bastante modificada de uma história Waldorf para a época de natal. Vou faze-la com a participação dos meus alunos, algo que não acontece na original.

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NATAL NA CABANA

Era uma vez uma pequena pastorinha que naquele natal ia ficar sozinha cuidando das ovelhas da fazenda.

Resolveu subir a montanha para passar a noite de natal com a suas ovelhas lá no alto, na cabana.

No caminho encontrou um porco-espinho:

– Aonde vai pastorinha, sozinha com as suas ovelhinhas, em um dia tão especial?

– Vou subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

– Posso ir com você? Com meus espinhos eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seu novo amigo, o porco-espinho.

No caminho eles passaram por um gato-do-mato.

-Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês? Com minhas garras afiadas eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seus novos amigos: o gato-do-mato e o porco-espinho.

Logo adiante passaram por um cachorro.

-Aonde vai gato-do-mato? Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês? Com meus dentes afiados eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seus novos amigos: o cachorro, o gato-do-mato e o porco-espinho.

Logo adiante passaram por um cavalo.

-Aonde vai seu cachorro? Aonde vai gato-do-mato? Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês? Com os meus coices eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seus novos amigos: o cavalo, o cachorro, o gato-do-mato e o porco-espinho.

Logo adiante passaram por um zangão, que é o macho da abelha.

-Aonde vai seu cavalo? Aonde vai seu cachorro? Aonde vai gato-do-mato? Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês? Com o meu ferrão eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seus novos amigos: o zangão, o cavalo, o cachorro, o gato-do-mato e o porco-espinho.

Logo adiante passaram por uma pedra.

-Aonde vai seu zangão? Aonde vai seu cavalo? Aonde vai seu cachorro? Aonde vai gato-do-mato? Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês?

E o zangão pensou: “Ela não tem ferrão, como poderá nos proteger?”

E o cavalo pensou: “Ela não pode nem dar coices para nos proteger…”

E o cachorro pensou: “Mas nem dentes ela tem para nos proteger.”

E o gato pensou: “Ela não tem nem garras para nos defender.”

E o porco-espinho pensou: “Para que servirá uma pedra se ela nem tem espinhos?”

E a pastorinha pensou: “Ela não será útil, mas não posso deixá-lá sozinha, ainda mais em um dia tão especial”

E assim seguiram todos juntos: a pastorinha, as ovelhinhas, o porco-espinho, o gato-do-mato, o cachorro, o cavalo e a pedra, para a cabana no alto da montanha.

Prepararam uma ceia simples, mas muito apetitosa, com alimentos para todos (até para a pedra tinha um pouquinho de limo). Já iam se preparar pra cear quando ouviram um ladrão chegar.

Todos se esconderam, mas o ladrão logo de cara achou uma ovelha e a agarrou e já ia escapar quando o porco espinho soltou-lhe uma saravaiada de espinhos na perna do indivíduo. Ele soltou um gemido doído mas não largou a ovelha. O gato-do-mato pulou com as garras na sua cara enquanto o cachorro lhe mordia os fundilhos, o ladrão deu um berro dolorido, mas não largou a ovelha e já ia pular a cerca quando o cavalo lhe deu um coice danado e o zangão lhe acertou o ferrão bem na ponta do nariz. O ladrão deu um salto e um grito de dor bem alto, mas caiu de pé e não soltou a ovelha.

Já estava prestes a escapar dali quando tropeçou na pedra, que havia se posto bem no caminho, soltou a ovelha e se estatelou no chão, levantou, saiu correndo montanha abaixo e nunca mais se viu o ladrão por aqueles lados, dizem que o sujeito tomou jeito naquele natal…

E na cabana, lá no alto da montanha, todos salvos se reuniram para uma linda celebração. Tamanha era a alegria da pastorinha com os seus novos amigos e as suas ovelhinhas. E enorme era a alegria da pedra que tinha virado heroína numa noite tão especial quanto a noite de Natal!!!

FIM

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O Casamento de Dona Baratinha

Esta também é uma história clássica, das mais conhecidas, aqui escrita para que eu possa memorizá-la com as minhas rimas.

Também muito conhecida como história da Carochinha. Foi uma das primeiras histórias infantis publicada no Brasil no livro Contos da Carochinha.

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O CASAMENTO DA DONA BARATINHA

Era uma vez uma barata chamada Dona Baratinha. Dona baratinha era uma barata das mais limpinhas, que gostava de tudo bem ajeitadinho. Por isso vivia limpando e arrumando a sua casinha.

E limpa que limpa, arruma que arruma, achou uma moeda de ouro. Dona Baratinha ficou felicíssima. Pensou que estava rica e já podia se casar.

Colocou um vestido branco, arrumou um belo laço de fita na cabeça e foi se debruçar na janela, onde pôs-se a cantar:

“Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha.”

Olhou para um lado e não viu ninguém. Olhou para o outro e nada também. Olhou para a frente… e viu chegando um boi elegante que disse todo galante:

-Muuuu! Eu caso com a senhorinha, Dona Baratinha.

-Hum, você daria um bom partido. Só preciso saber de uma coisa se quiseres casar comigo. Quando dorme, como é o seu mugido?

E o boi respondeu:

-Meu mugido quando estou dormindo? Acho que é mais ou menos assim: Muuuuu! Muuuuu!

Dona baratinha levou um baita susto.

-Ai! Assim eu não caso não. Nunca mais iria dormir com todo este barulhão. Sai fora!

E o boi foi embora. Mas Dona Baratinha não se deu por vencida. Recuperou-se do susto, arrumou seu laço de fita e foi para a janela cantar:

“Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha.”

Olhou para um lado e não viu ninguém. Olhou para o outro e nada também. Olhou para a frente… e viu chegando um cavalo esbelto, que foi falando e chegando mais perto:

-Brrrrrrrf! Eu caso com a senhorinha Dona Baratinha.

-Hum! Com você eu bem poderia me casar, mas antes de aceitar, tenho algo para lhe perguntar: como você vai relinchar quando estiver a sonhar?

-Quando eu estiver sonhando vou relinchar mais ou menos assim: Riiiiiiiiiiiiiiinch! Riiiiiiiiinch!

Dona Baratinha levou um baita susto!

-Ai, assim não caso não! Nunca mais ia dormir com todo esse barulhão. Sai fora.

E o cavalo foi embora. Mas Dona Baratinha não se deu por vencida. Recuperou-se do susto, arrumou seu laço de fita e foi para a janela cantar:

“Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha.”

Olhou para um lado e não viu ninguém. Olhou para o outro e nada também. Olhou para a frente… e viu chegando um carneiro que disse faceiro:

-Méééé! Eu caso com a senhorinha, Dona Baratinha.

-Hum, o senhor daria um marido maneiro, seu carneiro. Tenho apenas uma pergunta antes de decidir a nossa sorte: como é o seu balido quando o senhor dorme?

-Meu balido dormindo é mais ou menos assim: Méééééé! Méeééééé!

Dona Baratinha levou um baita susto.

-Ai! Assim eu não caso não. Nunca mais ia dormir com todo este barulhão. Sai fora!

E o carneiro foi embora. Mas Dona Baratinha não se deu por vencida. Recuperou-se do susto, arrumou seu laço de fita e foi para a janela cantar:

“Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha.”

Olhou para um lado e não viu ninguém. Olhou para o outro e nada também. Olhou para a frente… e viu chegando um cachorro latindo e sorrindo:

-Auau! Eu caso com a senhorinha, Dona Baratinha!

– Hum, o senhor seria um marido fiel e dedicado. Tenho apenas uma pergunta antes de me decidir: como o senhor vai latir quando estiver a dormir?

-Meu latido dormindo? Acho que é mais ou menos assim: Aufauf! Aufauf!

Dona Baratinha levou um baita susto.

-Ai! Assim eu não caso não. Nunca mais ia dormir com todo este barulhão. Sai fora!

E o cachorro foi embora. Mas nem mesmo assim Dona Baratinha se deu por vencida. Mais uma vez ela recuperou-se do susto, arrumou seu laço de fita e foi para a janela cantar:

“Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha.”

Olhou para um lado e não viu ninguém. Olhou para o outro e nada também. Olhou para a frente… e viu chegando de um gato. Chegou e soltou o papo:

-Miau! Eu caso com a senhorinha Dona Baratinha.

-Hum, o senhor eu levaria para o altar. Só tenho uma pergunta pra fazer antes de aceitar: como o senhor vai miar quando estiver a sonhar?

-Meu miado quando chega a lua cheia é uma verdadeira beleza: Miaaaaauuuuu! Miiiiaaaauuuuu!

Dona Baratinha levou um baita susto.

-Ai! Assim eu não caso não. Nunca mais ia dormir com todo este barulhão. Sai fora!

E o gato foi embora. Mas Dona Baratinha tinha a casca grossa e ainda não foi dessa vez que ela se deu por vencida. Não! Pela última vez ela recuperou-se do susto, arrumou seu laço de fita e foi para a janela cantar:

“Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha.”

Olhou para um lado e não viu ninguém. Olhou para o outro e nada também. Olhou para a frente… e viu chegando de mansinho o senhor Ratinho:

-Eu caso com a senhorinha, Dona Baratinha.

-Hum! Você é um par ideal, formaríamos um belíssimo casal. Mas diga-me enfim, para que eu possa dizer sim: qual barulho eu vou ouvir quando formos dormir?

-O barulho que eu faço pra dormir? É mais ou menos assim: iiiic, iiiic!

Mas foi tão baixinho que Dona Baratinha teve que pedir para que fizesse mais duas vezes antes que ela conseguisse ouvi-lo.

-Ah, que maravilha! Com este barulhinho eu posso dormir a noite inteirinha. O senhor seu ratinho será o meu marido. Já está decidido.

E assim toda a floresta começou a organizar a grande festa.

As abelhas fizeram os mais deliciosos docinhos e as aranhas teceram belos vestidos. Os gatos se reuniram para limpar o salão onde seria a celebração e os passarinhos, o sapo e o pato formaram uma banda só para a ocasião. Os passarinhos flauteando, o sapo cantando e o pato na percussão. E vieram as borboletas pra deixar a festa enfeitada e chegaram as cozinheiras pra fazer a feijoada. Traziam feijão macio, couve colhida a pouco e as mais variadas partes da carne de porco. Tinha orelha e tinha rabo, tinha pé, paio e focinho. E para deixar mais gostoso tinha toicinho, linguiça e lombinho.

E já era a hora do seu Ratinho ir pro altar quando a tal feijoada começou a cheirar. E o cheiro de toicinho era tão gostoso que o ratinho não se segurou. Aproveitou que as cozinheiras tinham ido assistir ao casamento e deu uma corrida bem rapidinha na cozinha, para sentir de perto aquele suculento cheiro. E subiu na beirada do fogão e abriu a panela pra melhor cheirar e resolveu roubar só um toicinho, que ninguém ia notar. Mas quando se debruçou pra pegar, acabou perdendo o equilíbrio e poft. A tragédia estava armada. Com o casamento todo pronto perdeu-se o noivo e a feijoada.

E a Dona Baratinha então… deve ter ficado arrasada.

Na verdade não muito. Quer dizer, no começo ela ficou muito triste e chorou até cansar, afinal onde já se viu, ficar viúva antes mesmo de se casar. Mas depois ela pensou bem e concluiu que tinha sido o melhor. Ter um marido que gostava menos dela do que de feijoada, no fim ia ser a maior roubada. E assim ela decidiu aproveitar sua moeda de ouro viajando pelo mundo. E não é que em suas viagens ela conheceu o senhor Baratão? Pois foi o que aconteceu. E mesmo sem ter mais a moeda os dois se apaixonaram e se casaram. E até hoje a dona Baratinha vive muito feliz na sua casa ajeitadinha e cheia de baratinhas bem limpinhas…

FIM

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Essa história será contada na forma de teatro, eu como a Dona Baratinha e os meus alunos como os pretendentes.

Depois da história nós cantaremos e dançaremos a música “O Sono dos Bichos” do MPB4. (https://www.vagalume.com.br/mpb4/o-sono-dos-bichos.html )

Essa música nos leva  explorar os planos alto, médio e baixo, além da diferença entre os sonos dos bichos, o que nos levará a um rápido bate-papo sobre curiosidades referentes ao sono dos animais.

Em seguida faremos uma brincadeira na qual eu falo o nome de um dos animais da música e eles imitam o seu sono.  Nessa atividade posso avaliar o quanto os alunos gravaram da música que nós dançamos e também a criatividade e a expressão corporal deles ao imitarem os diversos animais dormindo.