O Gato Pelado

Essa é a história de um gato. Um gato que vivia participando desses concursos de gato e era sempre premiado, porque era um gato muito diferente dos outros gatos, era um gato egípcio, um gato pelado. Pelado mesmo, não tinha nem um pelo, nem unzinho, nem mesmo no rabo. Por isso mesmo não tinha amigos, vivia sozinho desprezado pelos outros gatos.

-Sai daqui, você mais parece um rato.- dizia o gato malhado.

-Fique longe de nós, você não é um gato, deve ser um cachorro pequinês.- falava o gato siamês.

-Não sei que bicho você é, mas com certeza não é gato, nós gatos temos o corpo coberto de pelos macios e belos.- se gabava o gato amarelo.

E assim o Gato Pelado viva sozinho, pobrezinho.

Um dia tomou uma decisão, resolveu sair por esse mundão e descobrir que bicho ele era, assim poderia fazer amigos e não ficaria mais sozinho.

Logo viu uma árvore cheia de passarinhos, tinha passarinhos de todos os tipos, tinham grandes gralhas e pequenos pintassilgos, todos piando e conversando alegremente, apesar de serem muito diferentes eram todos amigos, haja visto que eram todos passarinhos.

Mais que depressa o Gato Pelado subiu pelo tronco até chegar em um galho lá no alto onde vários passarinhos conversavam.

-Piu, piu, piu.- cantavam os passarinhos.

-Piu, piu, piu!- imitava o Gato Pelado.

-Piu, piu! Bom dia! Temos um novo amigo para nos fazer companhia, mas que tipo de passarinho você é  que eu nunca vi?- perguntou o Colibri.

-Sou um pássaro-gato a procura de amigos.- respondeu o gatinho.

– Seja muito bem-vindo!- responderam os passarinhos cantando em uníssono.

E assim o Gato Pelado achando que era um passarinho se divertiu com seus novos amigos pulando de galho em galho. Até que o Beija-flor falou.

-Estou com sede, preciso de água. Quem quer ir comigo até o lago da Araucárias.

-Piu,piu. Vamos todos.- responderam os passarinhos e logo levantaram voo.

E atrás do Papagaio, pulou nosso amigo Gato Pelado.

-Miauuuu!!!

O Gato pelado caiu no chão todo estatelado.

-Miau! Acho que afinal eu não sou um passarinho, não sei voar, não posso viver em um ninho.

E assim partiu novamente o nosso amigo. Decidido a encontrar novos amigos. O Gato Pelado viu uma porção de sapos coachando na beira do lago.

-Coach!- faziam os sapos.

-Coach!- imitou o Gato Pelado.

-Olá,- disse o sapo Cururu-  que tipo de sapo és tu?

-Olá, sou um sapo-gato a procura de amigos, posso cantar contigo?

-Claro!- responderam todos os outros sapos.

E saíram saltando e coachando e o Gato pelado imitando. Saltando e coachando junto com os outros sapos. Até que os sapos pularam nas folhas de vitória régia que ficavam em cima do lago.

-Miauuuuu!- miou o gato quase morrendo afogado- Cof, cof, miau. Pelo jeito eu também não sou sapo, não sei boiar nas folhas do lago…se eu não sou um pássaro e não sou um sapo, que bicho será que eu sou?

Foi quando ele viu um sapo na beira do rio.

-Quac, quac!- o pato grasnou.

-Quac, quac!- o Gato Pelado imitou.

-Olá!- disse o pato- você é um pato bem diferente dos que eu conheço, que tipo de pato você é?

-Sou um pato-gato a procura de amigos.- respondeu o Gato Pelado.

-Que legal, quer brincar comigo?

-Claro!- respondeu o Gato Pelado.

E o Pato saiu rebolando e grasnado:

-Quac, quac!

E atrás dele ia o Gato Pelado imitando:

-Quac, quac!

Estavam se divertindo a mil quando o pato foi rebolando pra nadar no rio.

-Miaaaaaau!- miou o gato se afogando.

-Não sou pato, não sou sapo, não sou passarinho. Pelo jeito meu destino é ser um gato sozinho…. Miau, miau.- o gatinho miava quase chorando, estava tão tristinho.

Foi quando ao seu lado foram chegando os passarinhos e começaram a imitar o seu novo amigo:

-Miau, miau!- miavam os passarinhos.

E foram chegando também os sapos e começaram a imitar o Gato Pelado e os passarinhos a miar.

-Miau, miau.- miavam os sapinhos.

E foi chegando o pato e também começou a miar imitando os passarinhos, os sapos e o Gato Pelado.

-Miau, miau.- miava o pato.

E assim o Gato Pelado nunca mais ficou sozinho pois vive rodeado por seus novos amigos, o pato, os sapos e os passarinhos, pois todos eles adoram brincar de ser gatinho.

Quem aí também quer brincar de imitar um gatinho?

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A lenda da mandioca

A Lenda da Mandioca

Era uma índia muito bela chamada Mara que pela Lua era apaixonada. Todas as noites Mara saía de sua oca para a Lua admirar e dizia a todos da tribo que somente com o deus Lua era iria se casar.

Um dia ela dormiu e sonhou que um grande guerreiro de pele branca e longos cabelos loiros descia da Lua para com ela se casar. Passado certo tempo Mara, apesar de virgem, descobriu que estava grávida e depois de alguns meses deu aluz à uma linda menina, de pele branca como o luar.

A pequena indiazinha recebeu o nome de Mani, era graciosa e delicada e logo por toda a tribo passou a ser amada e admirada.

Mas quando estava com três anos Mani faleceu sem nem mesmo adoecer. Toda a tribo ficou muito triste, choraram a noite inteira, até o amanhecer.

O espírito da pequena índia foi morar junto com seu pai. Mas Mara, a mãe da menina, não conseguia se consolar. Enterrou a filha na sua própria oca pra dela não se separar… E chorou sobre o túmulo noite e dia, sem parar, derramando na terra o leite do seu seio, esperando que assim sua filha pudesse reavivar.

Passado um tempo surgiu ali um uma planta com folhas grandes e arroxeadas e com uma raíz muito branca, como a pele da filha de Mara.

Essa planta foi chamada de Manioca e considerada sagrada. Hoje em dia é conhecida como mandioca, uma raíz muito rica que serve pra fazer bebida ou pra ser comida cozida, frita ou assada.

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Pituchinha – Marieta Leite

Conto essa história já há alguns anos, as crianças adoram. Mas como já dizia o velho ditado, quem conta aumenta um ponto, e ao contá-la tantas vezes ela foi se transformando muito e se diferenciando muito da original, tanto que a boneca Pituchinha virou Neneca, que é o nome da minha personagem boneca, que muitas vezes uso na animação de festas infantis. Posto aqui essa minha versão, que mais uma vez não tem a intenção de ser melhor que a original, mas é como a história ficou no meu cabedal.

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A BONECA NENECA – Versão da história Pituchinha, de Marieta Leite

Era uma vez uma grande loja de brinquedos, cheia prateleiras repletas de bolas, jogos, carrinhos de todos os tipos, tinha até petecas, mas o que mais tinha nessa loja eram bonecas, tinha uma porção delas: grandes e pequenas, de pano ou de plástico, tinha boneca de bailarina, de super herói e de palhaço.

Durante o dia a loja fica muito animada, com clientes andando pra todo lado e o grande rebuliço da criançada. Mas nas prateleiras as bonecas ficam todas bem paradas.

E quando chega a noite e a loja é fechada, em cima do balcão fica o soldadinho montando guarda para garantir que todas as bonecas fiquem bem quietinhas dentro das suas caixas. O soldadinho de chumbo é muito bravo e tem uma grande espada. As bonecas e bonecos tem muito medo do soldadinho, por isso ficam bem quietinhos, dormindo dentro de suas caixas.

Entre essas bonecas tinha uma muito especial chamada Neneca. Um dia Neneca viu a dona da loja passar carregando um grande pote de doce de leite para guardá-lo na cozinha.

Neneca adora doce de leite. Passou o dia, paradinha, pensando naquele pote enorme de doce guardado na cozinha.

Quando a noite chegou Neneca não conseguiu dormir, deitada na sua caixa no grande pote pensava. Neneca tomou uma decisão! Abriu seus olhinhos de botão:

-Shii! Está tão escuro! Não posso fazer barulho para não acordar o soldado de chumbo. Tenho que falar baixinho e andar bem devagarzinho. Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar… Aiii!

A boneca Neneca tropeçou na caixa da bonequinha Pom Pom. Pom Pom acordou:

-Quem está aí?

-Shhh! Sou eu Neneca. Fale baixo pro soldado de chumbo não acordar.- a boneca tinha medo do soldadinho de chumbo.

O Soldadinho de chumbo tinha uma grande espada. A boneca Pom Pom também tinha medo do soldadinho de chumbo.

– Nossa, que escuridão!- sussurou a bonequinha Pom Pom saindo de sua caixa marrom.

– Pom Pom, você gosta de doce de leite? – perguntou Neneca

– Uhm! Eu adoro!- a Boneca Pom Pom também gostava muito de doce de leite.

-Quer ir comigo até a cozinha para comer um pouco do doce que está lá?- sussurrou Neneca.

-Eu quero!- respondeu a boneca Pom Pom, já bem desperta.

-Então vamos! Mas temos que falar bem baixinho e ir bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…

Elá foram as duas juntinhas pra cozinha:

-Um pé pra lá, outro pra cá, bem devagarzinho pro soldadinho não acordar… Um pé pra lá, outro pra cá, bem devagarzinho pro soldadinho não… Aiii!

A boneca Neneca tropeçou na caixa do palhacinho Polichinelo. O palhacinho acordou:

-Quem esta aí?

-Shhh! Somos nós. A Neneca e a Pom Pom. Fale baixinho pra não acordar o soldadinho.

A Neneca tem medo do soldado de chumbo e da sua grande espada dourada. Pom Pom também tem medo do soldado. O palhaço Polichinelo também tem medo do soldado de chumbo de casaco amarelo.

– Nossa que escuridão!- sussurrou o boneco Polichinelo saindo da sua caixa.

– Polichinelo você gosta de doce de leite? – perguntou Neneca que adorava doce de leite.

-Uhm! Adoro!- o palhacinho Polichinelo também gostava muito de doce de leite.

– Estamos indo para cozinha comer um pouco do doce de leite que hoje cedo foi lá guardado. Quer ir conosco pra comer um pedaço?

–  Eu quero sim!- respondeu o palhaço já todo animado.

-Temos que falar baixinho e andar bem devagarzinho pra não acordar o soldadinho.

E lá foram o boneco palhacinho e as duas bonequinhas para cozinha:

– Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…

E chegaram na cozinha. Mas o pote de doce de leite estava na prateleira mais alta, lá em cima. Neneca era tão pequenina.

-Já sei!- a boneca Neneca teve uma ideia- Vamos subir um em cima do outro e assim alcançamos o pote lá em cima.

Os amigos adoraram a ideia da boneca. Primeiro foi o Polichinelo, que era o mais forte de todos. Ficou bem abaixo da prateleira. Mas Polichinelo era pequeno, a prateleira tão alta, ele não alcançava. Então veio a boneca Pom Pom, que também era bem fortinha e subiu nos ombros do palhaço Polichinelo. Mas a prateleira era muito alta, Pom Pom tão pequenina, mesmo os dois juntos não alcançavam o doce lá em cima.

Foi a vez da Neneca. Subiu no ombro do boneco Polichinelo, depois no ombro da boneca Pompom e ficou bem alta, bem longe do chão, quase alcançava a prateleira.

A boneca Neneca ficou nas pontas dos pés, alcançou a prateleira mas não conseguia pegar o pote.

A boneca Pom Pom também ficou nas pontas dos pés. Neneca conseguia agora tocar o pote, mas não conseguia pegar.

O boneco Polichinelo também ficou nas pontas dos pés. E a boneca Neneca finalmente conseguiu alcançar e pegar o pote lá no alto da prateleira.

Mas bem nessa hora o palhacinho perdeu o equilíbrio. Estava na ponta dos pés, não conseguiu aguentar e desmoronou no chão levando junto com ele o pote de doce de leite, a boneca Neneca e a boneca Pom Pom.

Fez um barulho danado. Acordou o soldado:

– Que barulho é esse? Quem está aí? Shiii, que escuridão.

O soldadinho de chumbo foi correndo pra cozinha e viu toda a confusão: tinha vidro quebrado e doce de leite pra todo lado. Só faltava um culpado. O soldadinho de chumbo olhou para os lados e não viu nada. Então olhou com mais atenção e, mesmo naquela escuridão percebeu três caixas destampadas. O soldadinho com a sua grande espada, resolveu ir até lá dar uma olhada. Chegou perto da primeira caixinha bem devagar e:

-Ahá!- gritou o soldado.

Mas não encontrou nada, só o polichinelo, o boneco palhaço que dormia bem sossegado.

-Zzzzzz…

O soldado não se deu por logrado, foi andando até a segunda caixa, bem devagarzinho pra não ser escutado, chegou perto da segunda caixa aberta quase sem respirar e:

-Ahá!

Mas só o que viu lá foi a boneca Pom Pom dormindo tranquila na sua caixa marrom.

-Zzzzzzzzzzzzzz…

Contudo o soldado de chumbo queria achar o culpado e castigá-lo por ter sujado tudo. Foi com todo cuidado espiar a terceira caixa aberta, andando bem devagar pra não ser escutado. Foi pé ante pé e…

-Ahá!- Mas uma vez o soldado gritou, mas só o que encontrou foi a boneca Neneca tirando sua soneca.

-Zzzzzzzzzzzzzzz…

Mas o soldado de chumbo não podia sair vencido, se não as bonecas não iriam mais querer passar as noites em suas caixas, podiam acabar quebrando, sujando ou rasgando e as crianças não iriam mais querer comprá-las. Foi aí que o soldado teve uma grande ideia pegou um rolo de barbante e amarrou todas as bonecas. Princesas e heróis, palhaços e bailarinas. Foram todos bem amarradinhos, cada um em sua caixinha. E assim o soldadinho de chumbo pode voltar a dormir sossegado.

E é por isso que até hoje, quando você compra um boneco ou boneca nova, vindo da loja,  dentro da caixa ela está toda amarrada.

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Essa história é contada sem nenhum recurso visual, apenas a entonação de voz, mas com várias nuances de volume, para criar o suspense, dando maior ou menor intensidade aos pequenos sustos conforme a idade dos ouvintes.

Assim, sempre antes dos gritos do soldado ou dos tropeços da boneca nas caixas dos amigos, eu falo com a voz mais baixa, chegando mesmo a sussurrar, para depois falar mais alto na hora do grito (com os alunos do ensino fundamental chego mesmo a gritar causando altos sustos, mas eles adoram).

De todas as histórias sem recursos visuais que já contei essa foi a que meus alunos a partir do nível V mais pediram pra repetir. (Embora ela nem se compare com as histórias “O Caminho da Estrela” ou da “Borboleta de uma asa só”, sempre pedidas, mas essas eu conto com uso de recursos lúdicos quase mágicos…)

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Agradeço pela visita, até outro dia!

 

 

Contos da Escócia

Todo mundo sabe que a Inglaterra é uma ilha, o que muitos não sabem é que nessa ilha tem um outro país, um país cheio de antigos castelos que lhe dão um ar de filme de terror e por isso, talvez, seu folclore seja tão cheio de bruxas, vampiros e monstros assustadores. É um país conhecido porque lá os homens usam kilt, o que para nós parece uma saia. Sim, estou falando da Escócia. Mas em meio a tantos seres assustadores, encontrei dois mais “bonzinhos” e resolvi dar a eles histórias mais infantis, que trago para cá e levo para meus alunos nesta semana.

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MIÚCHA E A FADA PÚCA

Miúcha estava muito ansiosa, era a primeira vez que viajava sozinha, iria para a Escócia visitar a sua tia Olívia. Quando chegou no aeroporto viu seu primo acenando. Eles tinham a mesma idade, oito, embora Olívia adorasse dizer que Otávio era 15 dias mais novo. Enquanto sua tia Olívia assinava os papéis com a aeromoça que a havia acompanhado Miúcha foi cumprimentar seu primo Otávio. Ele estava muito animado, não deixou nem o abraço terminar e já começou a falar:

-Miúcha, hoje mesmo lá no castelo, acho que vi uma Púca!!!

-Castelo? Piruca? Do que é que você está falando Otávio?- quis saber Miúcha.

-Você não sabia que estamos morando em um castelo? Foi por isso que mudamos pra cá, meu pai e minha mãe estão ajudando a restaurar e durante esse tempo que eles trabalham estamos morando lá. No castelo tem um jardim enorme e hoje, enquanto esperava você chegar vi uma Púca por lá. Presta atenção é Púca, não Piruca.

-E o que é uma Púca?

O Otávio foi explicando em voz baixa durante todo o caminho pra casa, ou melhor castelo, onde o primo morava:

-Púca é uma fada levada que vive no meio da mata. Pode se transformar em qualquer animal, o que é muito legal. Vira pássaro e sai a voar, vira peixe se mergulhar no mar, mas se chegar na areia vira cavalo e sai a cavalgar. Mas vire o que virar será sempre um escuro exemplar de olhos grandes e vermelhos. Seja escama, couro ou pena, a cor será sempre negra. Seu animal preferido é o cavalo negro, mas Púca também é muitas vezes vista na forma de um coelho preto. Ela fala a língua dos animais, mas mesmo se estiver transformada, falar a língua humana ela também é capaz. Por isso quando vi no meu quintal um coelho preto falar, sabia que não estava ficando louco mas que a Púca eu acabei de encontrar. A Púca dá bons conselhos, mas também adora pregar peças, depende de como você vai responder as charadas dela.

 -Mas qual foi a charada que ela te deu? -quis saber Miúcha já louca de curiosidade.

-Eu sei lá! Fui correndo pra dentro do castelo. Sei lá se eu ia acertar a charada, e se eu erro a fada me prega uma peça danada.

-Era só o que me faltava. você tem uma oportunidade dessas e deixa escapar…

A essa altura eles já haviam chegado no castelo e Miúcha quis ver onde seu primo havia visto a fada e os dois saíram juntos pra procurá-la.

E lá estava o coelho, parado.

-Pro meu enigma desvendar primeiro tem que me encontrar.

Otávio não tinha mentido, o coelho falava. Ele falou e saiu correndo. Dessa vez com a prima ao seu lado Otávio não podia ficar com medo, tinha que se corajoso como a prima. E Miúcha, embora tremesse por dentro queria parecer corajosa pro primo, por isso fingia que nenhum medo sentia e os dois saíram correndo atrás do coelho.

Passaram correndo pelo milharal, depois correndo atravessaram o riacho, atravessaram correndo o descampado onde o vento soprava e entraram correndo dentro de uma caverna onde o coelho entrara. Dentro da caverna estava tudo escuro, não se via nem se ouvia nada, mas de repente uma voz que vinha do meio do nada disse a charada:

-Posso ser fofinho e de pelúcia e vocês vão me adorar, ou posso ser grande e peludo pra vocês eu assustar. Gosto muito de comer mel e também de hibernar. Que animal sou eu? Vocês devem adivinhar…

-Já sei! Uma abelha.

Disse Miúcha sem hesitar.

-Errou! – respondeu a voz grossa- é melhor se mandar.

Os dois foram sair correndo, mas deram de cara com a Púca e ela estava enorme.

-Estou sentindo uma coisa peluda! -gritou Miúcha.

-Eu sinto um nariz gelado!- gritou Otávio

-É um urso!- gritaram os dois juntos.

Como os dois a charada haviam errado, a Púca ao invés de bons conselhos deu-lhes um susto danado. E transformou-se num Urso negro enorme e com cara de bravo. Os dois saíram correndo, mas quando saíram da caverna descobriram que já estava anoitecendo, como é que eles iam acertar o caminho pra casa sem enxergar nada?

-Ouça o vento Otávio- disse Miúcha- estamos no descampado.

 E assim os dois atravessaram o descampado.

-E agora Miúcha, vamos pra que lado? Já sei! Vamos cruzar o riacho!

-Agora é só atravessar o Milharal e chegaremos no nosso quintal.

Os dois chegaram em casa bem a tempo do jantar e decidiram que a Púca nunca mais iriam procurar.

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WULVER- O Lobisomem Bom

Essa é a história de um Lobisomem bonzinho que pescava peixe no lago e deixava de presente na janela dos mais pobrezinhos.

O seu nome era Wulver e ele era grande e peludo com uma cara de lobo de dar medo no mais carrancudo.

Quando o pobre ferreiro não tinha mais ferro pra malhar, estava muito preocupado pois sua família já não havia almoçado e não tinha nada pro jantar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o ferreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre marceneiro não tinha nenhuma madeira pra serrar, sua mulher estava com fome, sua filha a chorar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o marceneiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre pedreiro não tinha obras pra trabalhar, já lhe faltava comida pra família alimentar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o pedreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o inverno veio forte e o lavrador ficou sem lida. Toda a vila teve falta de comida.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. E em cada janela deixou um bom peixe para todos alimentar.

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

O Pirata Pirado

Pirado era um pirata mas não tinha perna-de-pau, nem olho de vidro e nem cara de mau. Pra falar bem a verdade, branca como mingau, Pirado era um pirata engraçado, não era perneta mas era um pirata com cara de pau…

Usava tapa-olho, embora enxergasse muito bem com os dois, porque pirata que é pirata usa tapa-olho. Tinha uma cicatriz na cara, mas era desenhada, é que não tinha graça ser pirata e não ter cicatriz na cara.

Pirado tinha um navio, mas não navegava pelo mar, só no rio. É que o pirado sentia enjoo em alto mar, por isso preferia navegar no rio Paraná. Subia e descia o rio, sempre de lá para cá, só não chegava até as cascatas que era pra não despencar. Vivia procurando um tesouro porque afinal não se é pirata se não se tem um tesouro pra procurar.

Um dia ele estava lá, saindo do rio Paraná entrou no Iguaçu, navegava bem pertinho de Curitiba quando viu uma garrafa de náufrago correndo rio abaixo enquanto ele seguia rio acima.  Sem pensar duas vezes o destemido pirata Pirado subiu na prancha e pulou no riu Iguaçu para pegar a garrafa de náufrago.

Seria um pedido de socorro? Um mapa para a ilha do tesouro? O pirata pirado não podia adivinhar, abriu rapidamente a garrafa para ver o que havia lá. Mas quando conseguiu tirar a tampa, que decepção, não tinha nem mapa nem carta, só desenhos de montão.

O pirata Pirado ficou tão desanimado, resolveu ao menos usar o desenho pra fazer um quadro. Foi quando ele prestou atenção no que estava desenhado: tinha o numero um, depois tinha uma pá, uma tesoura de bigode, um X e o desenho bem feito do lugar onde o riu Iguaçu vai desaguar no rio Paraná.

-Ora vejam só, como eu não consegui enxergar, diz aqui que tem um mapa do tesouro onde o rio Iguaçu encontra o rio Paraná. Marujo Cara-de-Caramujo, vamos fazer a volta e navegar para lá.

Na mesma hora deram meia volta e foram navegando pra lá.

– Remem, remem marujos, estamos quase lá.

E os marujos remaram e rapidinho lá chegaram. E sabe o que foi que encontraram?

Um pássaro dourado carregando um papel dobrado.

-Se vocês querem esta pista, foi logo dizendo o pássaro, vão ter antes que imitar o canto de três pássaros.

-Imitar passarinhos? Mas isso é muito difícil, será que vocês podem me ajudar?

E os marujos ajudaram, cada um imitou um pássaro e o pássaro dourado deu pro pirata Pirado o tal papel dobrado.

E lá dentro tinha a pista, mas uma vez desenhada, era o desenho das cataratas e de uma bela capivara.

-Vamos marujos depressa, voltem pro remo, vamos pra lá, pra foz do Iguaçu nós devemos chegar.

E os marujos remaram e logo chegaram lá. Bem perto das cataratas tinha uma enorme capivara, carregando um papel nas patas.

-Lá está a capivara, igual a que estava desenhada.

-Se vocês querem essa pista- foi dizendo a capivara- antes terão que imitar essa minha dança engraçada.

“Se você é um pirata bata palma. Se você é um pirata bata palma. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata bata palmas. Se você é um pirata bata os pés. Se você é um pirata bata os pés. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata bata os pés. Bata palmas, bata os pés. Se você é um pirata dá uma voltinha. Se você é um pirata dá uma voltinha. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata dá uma voltinha. Bata palma, bata os pés, dá uma voltinha… manda um beijinho e diga legal: legal!”

Depois de dançarem todos, os marujos e o pirata, receberam a próxima pista da bela capivara. E a pista dessa vez era uma grande charada.

“Posso ser bravo ou posso ser calmo, posso ser azul ou verde claro, quando o sol vem me beijar posso mesmo alaranjar. Quando a noite está clara vem a lua se espelhar é aqui que todo rio acaba e o meu nome é?”

-Mar!- responderam todos, sem nem parar pra pensar.

Assim o barco pirata do pirata Pirado, pela primeira vez, foi em direção ao mar e quando chegou na praia nem puderam acreditar: a praia era tão bonita, tão imenso era o mar. E o tesouro o que seria? Onde será que ele está?

-Vejam lá no fim da praia- gritou o pirata pirado- um X eu consigo enxergar.

Foram todos correndo pela beira do mar e quando lá chegaram o maior tesouro encontraram: um monte de piratas pirados que queriam fazer amigos e formavam um X sentados.

Hora o pirata Pirado adorou fazer amigos que como ele eram piratas piradinhos. Afinal nessa vida não existe tesouro maior do que uma porção de amigos.

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A Princesa do Castelo em Chamas (conto da Transilvania, Romenia)

 

Era uma vez um homem, um pastor muito pobre. Mas existia tanto amor entre ele e sua companheira que eles tinham tantos filhos quantos furos tem uma peneira. Todos os homens da aldeia já eram seus compadres. Ao nascer-lhe mais um filho, não tinha mais a quem pedir para ser o padrinho. Mas o pasto r não perdeu a esperança, sentou-se na beira da estrada para pedir ao primeiro passante que fosse padrinho da criança.
Vinha então descendo a estrada um velho com um manto cinza, ao qual ele fez o pedido, o velho, que mais parecia um mendigo, aceitou agradecido.
Seguiram juntos o caminho, e o velho ajudou a batizar a criança. Deu, então, de presente ao pobre uma vaca e um bezerro nascido no mesmo dia em que seu afilhado. O bezerro tinha na testa uma estrela dourada e deveria pertencer ao menino.
Quando o menino cresceu, o bezerro se havia tornado um enorme touro, e juntos iam ambos todos os dias ao pasto. O touro sabia falar e, quando chegavam ao topo da montanha, dizia ao menino:
– Fica aqui e dorme. Enquanto isso, vou procurar meu pasto sozinho.
Assim que o pastor dormia, o touro corria como um raio até o grande pasto celeste e comia flores douradas de estrelas. Quando o sol se punha, ele voltava para acordar o menino, e iam, então para casa. Isto se repetiu todos os dias até o menino alcançar a idade de vinte anos. Um dia, disse-lhe o touro:
-Senta-te agora entre os meus chifres e eu te levarei até o Rei. Pede-lhe uma espada de ferro do tamanho de sete varas e dize-lhe que queres salvar sua filha.
Logo eles estavam no castelo real. O pastor desceu e foi ter com o Rei; este lhe perguntou o motivo de sua vinda. Após ouvir a resposta, deu-lhe com prazer a espada desejada, mas sem muita esperança de poder rever sua filha. Muitos jovens audaciosos tinham em vão ousado libertá-la. Ela fora raptada por um dragão de doze cabeças, que morava muito, muito longe. Ninguém podia chegar até lá, pois no caminho para seu castelo se encontrava uma serra imensamente alta, impossível de atravessar; e, mais além, um grande mar bravio. Mesmo se alguém conseguisse transpor a serra e o mar, encontraria o castelo envolto em chamas poderosas; e, mesmo tendo-as vencido, havia ainda um dragão de doze cabeças pronto para matar o indivíduo.
Quando o pastor obteve a espada, montou novamente entre os chifres do touro, e num instante eles se encontraram diante da serra imensa.
-Podemos voltar – disse ele ao touro, pois achava impossível atravessar tal serra.
O touro respondeu-lhe:
-Espera apenas um instante!
E desceu o rapaz ao chão. Mal tinha feito isso, cravou no chão os cascos, deu um impulso e moveu, com seus chifres poderosos, a serra inteira para o lado; e eles puderam seguir em frente.
O touro assentou o pastor novamente entre os chifres, e logo eles alcançaram o mar.
-Agora podemos voltar – disse o jovem – pois ali ninguém consegue passar.
-Espera apenas um instante – retrucou-lhe o touro -, e segura te bem em meus chifres.
Então inclinou a cabeça até a água e bebeu o mar inteiro, e assim prosseguiram eles em chão seco.
Logo chegaram ao Castelo de Chamas. Mas, já de longe, sentiram um calor tão imenso que era quase insuportável ao rapaz.
-Pára – gritou ele ao touro – não vás em frente senão morro queimado.
O touro porém correu até bem perto e cuspiu de uma vez, por sobre as chamas, o mar que havia bebido.Rapidamente o fogo se apagou e uma fumaça enorme se elevou, enevoando todo o céu. Então, do vapor medonho, saltou o dragão de doze cabeças, enraivado.
-Agora é tua vez – disse o touro a seu amo. – Vê se consegues cortar todas as cabeças do monstro de um só golpe.
Ele juntou toda a sua força, tomou a espada poderosa com as mãos e golpeou tão rapidamente o monstro que todas as cabeças rolaram ao chão. O animal se contorceu e se debateu contra a terra com tal força que ela tremeu. O touro apanhou o corpo do dragão com seus chifres arremessando-o ás nuvens, e nada mais se viu dele.
O touro disse ao pastor:
– Minha tarefa chegou ao fim. Vai até o castelo, e lá encontrarás a princesa. Leva-a de volta a seu pai.
Tendo dito isto, correu para o gramado celeste e virou uma constelação. O rapaz nunca mais o viu mas também nunca mais o esqueceu.
Ele se dirigiu ao castelo, onde encontrou a princesa, que se alegrou muito por estar livre do terrível dragão.
Regressaram ambos então ao país da princesa, onde se casaram; e uma enorme alegria invadiu todo o reino desde o momento em que os dois regressaram.
FIM
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BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

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Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque de Holanda)

Este poema/história tão genial escrito pelo grande Chico vem aqui sem mudanças ou alterações, apenas para ser redecorado, pois amanhã será contado junto com o conto da Chapeuzinho Vermelho, afinal, os dois formam o par ideal, não é mesmo?

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CHAPEUZINHO AMARELO

(Chico Buarque de Holanda)

Era a Chapeuzinho Amarelo
Amarelada de medo
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.

Já não ria
Em festa, não aparecia
Não subia escada, nem descia
Não estava resfriada, mas tossia
Ouvia conto de fada, e estremecia
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha

Tinha medo de trovão
Minhoca, pra ela, era cobra
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra

Não ia pra fora pra não se sujar
Não tomava sopa pra não ensopar
Não tomava banho pra não descolar
Não falava nada pra não engasgar
Não ficava em pé com medo de cair
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo
Assim era a Chapeuzinho Amarelo, amarelada de medo

E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
e um chapéu de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.

O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem ela estava falando:

LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
“Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;
barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.
FIM

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Chapeuzinho Vermelho

Esta história é clássica, presente na famosa coletânea dos irmãos Grimm, muito conhecida, mas tem uma série de elementos que devem ser trabalhados na primeira infância, acho que por isso mesmo ainda me encanta. Uma das  histórias menos alterada nas suas versões atualizadas. Embora como uma história de tradição horal, tenha mais de uma versão, principalmente quanto ao final.

As músicas (no texto entre aspas) são do compositor João de Barro (conhecido como Braguinha) que musicou cerca de 50 histórias infantis para a coleção disquinho. Para saber mais sobre esse grande compositor brasileiro acesse:

http://www.braguinha.ag.com.br/

Essa versão eu montei com uma grande mistura daquilo que eu lembrava com o que eu encontrei em minha pesquisa, com um toque das minhas rimas. A maior parte do que foi copiado veio do site:

 

http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=1

Uma versão que eu gostei muito, principalmente pelas rimas já existentes, mas a minha versão final acabou bem diferente:

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CHAPEUZINHO VERMELHO

Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela que sua mãe havia feito, logo os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa, tadinha. Morava numa casinha, no interior da mata, no fim da trilha.
Chapeuzinho sempre ia à casa da vovozinha para levar deliciosas comidas que sua mãe fazia.
Um dia, a mãe da menina preparou alguns quitutes, eram os preferidos da avó Gertrudes.
Então, chamou a filha e disse:
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estes quitutes para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, vontade de cozinhar ela não tem.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, pelo caminho certo. Não pegue o atalho, pois ouvi dizer que tem um lobo morando lá perto!
— Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. Vou pelo caminho mais cumprido.

A mãe arrumou os quitutes em uma cesta e colocou também um pote de geleia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geleia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores. Chapeuzinho ia pelo caminho colhendo lindas flores. Acabou se distraindo e demorou muito naquele caminho, quando viu o sol já ia alto, resolveu pegar o atalho. Ia cantando distraída:

“Pela estrada à fora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha, ela mora longe o caminho é deserto, e o lobo mal passeia aqui por perto. Mas à tardinha, ao sol poente, junto à mamãezinha dormirei contente.”

Quando o lobo viu aquela linda menina, pensou que ela devia ser saborosa e macia. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas ao ouvir a música e ver que ela ia até a casa da avó resolveu usar da inteligência, assim poderia comer a avó primeiro, depois a menina de sobremesa. Escondeu-se na sombra de uma árvore de grande porte e  disse com voz doce:
— Bom dia, linda menina.
— Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
— Qual é seu nome?
— Chapeuzinho Vermelho
. — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
— Vou visitar minha avó.
— Muito bem! E onde mora sua avó?
— Mais além, no interior da mata.
— Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
— Numa casinha verde, com cortinas bem branquinhas, lá no final da trilha.
O lobo então falou:
— Você não deveria ir por aqui, tem um lobo mau logo ali na frente e está bem na hora dele almoçar, se quiser chegar viva na sua vovozinha vá pelo caminho de lá.- o lobo a mandava  pela trilha mais comprida para que ele pudesse chegar primeiro na casa da velhinha usando o atalho no lugar da menina.

Chapeuzinho Vermelho agradeceu e seguiu o conselho sem nem imaginar o que é que o lobo estava fazendo…

“Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau. Eu pego as criancinhas pra fazer mingau. Hoje estou contente, vai haver festança, eu tenho um bom petisco para encher a minha pança”
Quando o lobo chegou na casa da vovozinha bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
— Quem é? — perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
— Sou eu, sua netinha, vovó. Trago uma cesta cheia de delícias.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
— Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta, vestiu um pijama da velha, enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A menina demorou um bocado antes de chegar, o lobo até cansou de esperar. quando finalmente Chapeuzinho chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
— Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
— É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo uma cesta cheia de delícias! Mas que voz grossa vovozinha.
Só então o lobo se lembrou de afinar a voz horrorosa antes de responder:
— É que eu estou muito gripada minha netinha. Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
— Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
Coloque a cesta na mesa, minha querida netinha, e venha aqui até aqui deitar comigo para me aquecer.
Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
— Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
— São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
— Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
— São para enxergar te enxergar melhor, minha menina!
— Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
— São para te ouvir melhor, queridinha!
— Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
— É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

— Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
O lobo, que dormia como uma pedra, com um enorme barrigão parecendo um grande balão!
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
— Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudá-la!”.
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
— Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
— E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Ou seria o  chapeuzinho vermelho da menina? Quanta sede ele sentia. Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e afundou.
A vovó ficou em casa lanchando aquelas delícias enquanto o caçador levava pra casa a menina. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo caminho mais comprido”.

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Contos da Turma da Inteligência

Estas histórias não são histórias aprovadas pelo programa da Escola da Inteligência, do Dr. Augusto Cury, mas sim histórias feitas por mim para trabalhar com meus alunos da escola O Pequeno Polegar, que aplica esse programa desde o começo do ano. Elas adoraram ver as histórias com os personagens da Floresta Viva. A identificação das crianças foi emocionante.

 

Hoje eu vou contar histórias de uma turminha que já é pra lá de conhecida, quem aqui adivinha?

Isso mesmo hoje com muita alegria trago os personagens da Floresta Viva. Quem quer embarcar nessa viajem, apertem os cintos e fiquem à vontade.

“Tralalalalá, sentadinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar. Tralalalalá, bem quietinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar.”

ONCINHA SAÇÁ

Quem aqui já ouviu falar de uma onça chamada Saçá?

Pois então, certo dia a Saçá estava tranquila no meio da floresta viva observando os barulhos da mata, ouvia o vento, a água e o canto dos mais belos passarinhos. Foi quando bem do seu lado cantou o pato Quaquá, com seu canto desafinado:

-Quac, quac!

A oncinha Saçá ficou uma fera por ter sido interrompida no seu momento de calmaria.

-Seu pato você gosta de cantar? – perguntou Saçá.

-Ah, na verdade eu adoro! – respondeu o pato animado.

-Pois então deveria aprender ou parar de cantar.- disse a onça muito brava, sem nem parar pra pensar.

-Mas quem canta seus males espanta.- disse o pato tentando argumentar.

-Pois vai espantar seus males pra lá, porque se continuar a me incomodar vai virar o meu jantar.

Assustado o pato Quaquá foi embora e a oncinha Saçá voltou a escutar a música da mata que pelos pássaros era entoada e pelo som da água e do vento ritmada.

Mas no dia seguinte parecia que tinham menos pássaros a cantar, e nos outros menos ainda, até que mais nenhum canto de passarinho a Saçá ouvia. Saçá ficou muito triste de tanta saudade da música que ela sentia. Ainda ouvia o barulho da água e do vento, mas faltava a melodia.

Saçá já estava doente de saudade de ouvir um canto de passarinho quando um dia lá no alto de uma árvore viu o canário Cantor sentado em um galho.

-Olá seu Canário, bom dia! Você que é o tal Cantor que todos falam por aqui?- perguntou Saçá que ainda não o conhecia, mas já ouvira sua fama.

-Sou eu sim.- respondeu o canário já tremendo de medo- você deve ser a onça Saçá.

-Eu mesma, em garras e dentes. Cante uma música para me alegrar!- pediu Saçá.

-Eu não!- respondeu o Cantor, tremendo de se depenar- Soube que você mandou avisar que quem cantar perto de você se desafinar vira jantar… eu é que não vou me arriscar.

Só então a oncinha Saçá pode perceber o que estava acontecendo, porque os passarinhos andavam se escondendo.

Foi procurar o pato Quaquá, estava muito arrependida, pediu para que o pato, por favor, lhe cantasse uma melodia, mesmo que desafinada, Saçá queria muito ouvi-la. O pato todo orgulhoso entoou a única música que conhecia.

Logo os outros pássaros vendo que o pato cantava todo desafinado e que ainda assim era pela onça apreciado, e não virara jantar, começaram a tomar coragem e um a um puseram-se a cantar, com tanta harmonia que formavam a mais bela sinfonia.

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TOTÓ O MACACO

Agora eu quero saber quem conhece Totó, o macaco mais bonito do pedaço?

Há muito tempo atrás eu conheci o Totó, na época era um macaco muito mal educado, gostava de ajudar os outros, mas vivia pondo apelidos e fazendo piadas de mau gosto.

Certo dia ele estava passeando pela floresta quando viu seu amigo Pepê, trabalhando sozinho e o Totó se ofereceu pra ajudar, pois ele é muito prestativo.

Pepê aceitou e os dois, trabalhando juntos, rapidinho construíram um palco bem bonito.

Lá pelas tantas Totó quis saber pra que era tudo aquilo.

-Se eu te contar você promete não contar pra ninguém? Promete que o meu segredo é seu também?

-Claro!- respondeu totó- Minha boca é um túmulo. Comigo seu segredo está seguro, eu juro.

-Vou fazer uma festa pra comemorar a chegada da primavera, mas ninguém pode ficar sabendo pois será uma surpresa para todos da floresta.

Totó ficou muito animado, ajudou o Pepê com todo o trabalho. Tava voltando pra casa todo contente quando encontrou com sua amiga Tatá e não conseguiu se segurar, deu com a língua nos dentes. Logo toda floresta já sabia da festa surpresa que o Pepê faria. O Nilo ficou muito entristecido resolveu se vingar, pra hora da festa fez um boneco de bechiga cheio de água e farinha, era tão bem feito que parecia um macaco de verdade, perfeito. Quando chegou o Totó… bem, se vocês já o conhecem sabem que ele adora ser o centro das atenções, por isso preparou para a festa uma série de apresentações começou com seu show de malabarismo e equilibrismo, todos o olhavam encantados, todos menos aquele macaco sentado no canto, que era novo no pedaço. O Totó ficou incomodado, resolveu contar piadas pra chamar sua atenção. Contou a piada do Português, do papagaio, da arara, da aranha e até aquela piada suja e pesada do elefante que caiu na lama. Toda festa ria, menos o macaco lá no canto, afinal ele era feito de bexiga, mas o Totó não sabia:

-Ei seu macaco com cara de sovaco!- falou Totó irritado- Ei você, não vai me responder? Além de sem graça é mal educado?

E como o macaco não respondia Totó foi ficando ainda mais irritado. Até que perdeu a cabeça e meteu no boneco um chute danado. Como o boneco era feito de bexiga, estourou e o Totó ficou coberto de farinha.

Totó ficou muito chateado, triste, envergonhado, branco azedo. Gostava de brincar com os outros, mas detestava quando era pego… Já estava prestes a deixar a festa e ir embora quando percebeu que toda a turma estava às gargalhadas, chorando de dar risada. O Totó nunca havia conseguido fazer uma brincadeira tão engraçada.

E por isso mesmo hoje em dia, quando tem uma festa na floresta viva o Totó pede pro Pepê fazer um boneco de bexiga cheio de farinha só pra ele poder repetir a apresentação.

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O SAPO BABÁ

O sapo Babá era um sapo que gostava muito de cooperar com os outros, mas era muito preguiçoso. Se deixassem ficava acordado até de madrugada e, depois enquanto o Sol não ia a pino Babá não acordava.

Depois que acordava Babá sempre reclamava. Que a grama estava toda pisoteada, não dava nem pra brincar, que a água da lagoa estava toda revirada e lamacenta, mal dava pra nadar, que não tinha sobrado quase nenhum mosquito pra ele almoçar. E assim Babá passava o dia, reclamando e morrendo de preguiça.

E todos os dias quando os pássaros cantavam a história se repetia. Toda bicharada acordava naquela folia, e ia brincar na grama, tomar água no lago e depois se alimentar. Só o sapo Babá que continuava roncando até o Sol esquentar, e ainda se enrolava mais um pouquinho antes de levantar, pra depois passar o dia a reclamar.

Um dia o professor corujão resolveu dar-lhe uma lição

-Ei Babá, porque em vez de passar o dia a reclamar você não experimenta uma só vez na vida acordar com o canto dos passarinhos ao invés de esperar o sol ir a pino? Aposto que você vai gostar.

-Ahh, eu não. Desculpe professor Corujão, mas eu gosto de curtir o dia, por isso fico acordado até de madrugada e durmo até meio dia, pois assim aproveito o melhor da vida.

-Vamos fazer um trato, – insistiu o professor Corujão- amanhã você acorda cedinho, logo que o Cantor cantar, se não gostar do que vai encontrar, pode ficar uma semana inteira de férias, sem precisar estudar.

Babá adorou o trato e assim naquela noite logo que escureceu o sapo foi se deitar, acordou de madrugada com o canto dos primeiros pássaros.

Ver o Sol nascer já foi um glorioso espetáculo. Babá nunca tinha visto nada tão lindo. Depois foi brincar na grama e ela estava fresquinha, coberta de orvalho, foi o melhor lugar que Babá já havia brincado. E quando chegou no lago… a água estava cristalina, dava até pra ver seu reflexo na superfície, de tão limpa. O sapo bebeu água fresquinha e nadou feliz da vida. E ao sair do lago qual não foi sua surpresa ao encontrar  a margem repleta de mosquitos pra encher o papo. Foi um banquete digno de um rei sapo. Aquele dia foi tão gostoso, Babá nem sentiu sono e ficou tão satisfeito que prometeu nunca mais acordar tarde de novo. Será que ele conseguiu?

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4º ANO

Vou contar pra vocês uma história que aconteceu com dois irmão gêmeos que vocês conhecem bem. Quem consegue adivinhar de quem nós vamos falar?

Isso mesmo, da Carol e do Cacá. Mas esta história é de antes deles conhecerem a Escola da Inteligência, então vocês já podem imaginar quanta confusão eles vão armar…

 CAROL E CACÁ 

Carol e Cacá estavam em casa, sozinhos com a babá. Carol estava no quarto brincando de modelo, desfilando com seu guarda roupa inteiro, enquanto Cacá jogava vídeo game sem parar.

Era hora do jantar, mas nenhum dos dois atendia o chamado da babá, fingiam nem escutar…

Mesmo quando a babá foi até os quartos, os dois a ignoraram. Ela já não sabia o que fazer. Resolveu deixar os dois sem comer e entregou toda a comida que tinha pra moradores de rua que estavam dormindo na pracinha.

Acontece que mais tarde a fome bateu nos dois, eles foram correndo pra cozinha e não tinha nada. Os dois começaram a reclamar e espernear, mas a babá fingia nem escutar.

Os dois voltaram pro quarto com a barriga roncando e resolveram fazer um plano: iriam fazer a babá se arrepender de não responder.

E os dois juntos começaram a gritar “desesperados”:

-Socorro! Babá, socorro, tem um ladrão entrando no nosso quarto.

A babá subindo as escadas aos tropeções,  levava na mão uma vassoura, parecia louca, entrou no quarto de supetão, mas não viu nenhum ladrão, só a Carol e o Cacá dando risada de rolar no chão. A babá ficou muito brava, espumando de raiva. Deixou as crianças no quarto e voltou pra sala.

As crianças gostaram tanto da brincadeira que resolveram que daquela vez iam acordar a vizinhança inteira. Abriram a janela e começaram a gritar.

-Socorro babá! Socorro! Dessa vez eu juro, tem um ladrão pulando o muro!

A babá veio aos pulos e mais uma porção de vizinhos veio correndo pra socorre-los. Mas quando chegaram no quarto só encontraram os gêmeos rindo do seu desespero…

Os vizinhos voltaram pra casa bravos que nem jararaca. E a babá então, nem se fala, além de ficar uma arara não sabia onde enfiar a cara.

Os dois irmãos estavam se divertindo, a barriga doía de tanto que riam. Foi quando a Carol falou.

-Ai não Cacá, olha lá, é um ladrão com capuz escuro pulando nosso muro. Vem ver, é verdade, eu juro!

Cacá mesmo desconfiado resolveu espiar.

-Ai meu pai! É mesmo Carol! Vamos chamar a babá!

E os dois tremendo de medo começaram a gritar:

-Socorro vizinhos, socorro babá! Tem um ladrão vindo pra cá!

Mas ninguém deu bola para aquela gritaria, acharam que era outra pegadinha.

E o ladrão já estava perto da casa, as crianças gritando e ele nem ligava. O ladrão começou a subir na árvore do quintal, pelo pé de camélia ele podia chegar até a janela. Justamente aquela, do quarto onde as crianças estavam.

Os dois irmão estavam desesperados. Resolveram sair do quarto e ficar com a babá lá em baixo, correram pra porta mas ela estava trancada. A babá devia ter fechado a porta a chave pra garantir que eles não fizessem mais nenhuma traquinagem. E agora, não tinham como fugir.

Carol e Cacá se prometeram que se conseguissem sair dali nunca mais iriam mentir, que iriam escutar a babá e tentar se comportar.

Foi quando a porta se abriu e sua mãe e seu pai entraram no quarto, queriam saber porque é que os dois estavam tão assustados.

-Tem um ladrão no pé de camélia, vindo para a nossa janela.

O pai das crianças correu pra olhar, depois começou a rir de gargalhar. Pois era só um macaco que morava lá no bairro e tinha vindo brincar pra cá.

FIM

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