Contos da Escócia

Todo mundo sabe que a Inglaterra é uma ilha, o que muitos não sabem é que nessa ilha tem um outro país, um país cheio de antigos castelos que lhe dão um ar de filme de terror e por isso, talvez, seu folclore seja tão cheio de bruxas, vampiros e monstros assustadores. É um país conhecido porque lá os homens usam kilt, o que para nós parece uma saia. Sim, estou falando da Escócia. Mas em meio a tantos seres assustadores, encontrei dois mais “bonzinhos” e resolvi dar a eles histórias mais infantis, que trago para cá e levo para meus alunos nesta semana.

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MIÚCHA E A FADA PÚCA

Miúcha estava muito ansiosa, era a primeira vez que viajava sozinha, iria para a Escócia visitar a sua tia Olívia. Quando chegou no aeroporto viu seu primo acenando. Eles tinham a mesma idade, oito, embora Olívia adorasse dizer que Otávio era 15 dias mais novo. Enquanto sua tia Olívia assinava os papéis com a aeromoça que a havia acompanhado Miúcha foi cumprimentar seu primo Otávio. Ele estava muito animado, não deixou nem o abraço terminar e já começou a falar:

-Miúcha, hoje mesmo lá no castelo, acho que vi uma Púca!!!

-Castelo? Piruca? Do que é que você está falando Otávio?- quis saber Miúcha.

-Você não sabia que estamos morando em um castelo? Foi por isso que mudamos pra cá, meu pai e minha mãe estão ajudando a restaurar e durante esse tempo que eles trabalham estamos morando lá. No castelo tem um jardim enorme e hoje, enquanto esperava você chegar vi uma Púca por lá. Presta atenção é Púca, não Piruca.

-E o que é uma Púca?

O Otávio foi explicando em voz baixa durante todo o caminho pra casa, ou melhor castelo, onde o primo morava:

-Púca é uma fada levada que vive no meio da mata. Pode se transformar em qualquer animal, o que é muito legal. Vira pássaro e sai a voar, vira peixe se mergulhar no mar, mas se chegar na areia vira cavalo e sai a cavalgar. Mas vire o que virar será sempre um escuro exemplar de olhos grandes e vermelhos. Seja escama, couro ou pena, a cor será sempre negra. Seu animal preferido é o cavalo negro, mas Púca também é muitas vezes vista na forma de um coelho preto. Ela fala a língua dos animais, mas mesmo se estiver transformada, falar a língua humana ela também é capaz. Por isso quando vi no meu quintal um coelho preto falar, sabia que não estava ficando louco mas que a Púca eu acabei de encontrar. A Púca dá bons conselhos, mas também adora pregar peças, depende de como você vai responder as charadas dela.

 -Mas qual foi a charada que ela te deu? -quis saber Miúcha já louca de curiosidade.

-Eu sei lá! Fui correndo pra dentro do castelo. Sei lá se eu ia acertar a charada, e se eu erro a fada me prega uma peça danada.

-Era só o que me faltava. você tem uma oportunidade dessas e deixa escapar…

A essa altura eles já haviam chegado no castelo e Miúcha quis ver onde seu primo havia visto a fada e os dois saíram juntos pra procurá-la.

E lá estava o coelho, parado.

-Pro meu enigma desvendar primeiro tem que me encontrar.

Otávio não tinha mentido, o coelho falava. Ele falou e saiu correndo. Dessa vez com a prima ao seu lado Otávio não podia ficar com medo, tinha que se corajoso como a prima. E Miúcha, embora tremesse por dentro queria parecer corajosa pro primo, por isso fingia que nenhum medo sentia e os dois saíram correndo atrás do coelho.

Passaram correndo pelo milharal, depois correndo atravessaram o riacho, atravessaram correndo o descampado onde o vento soprava e entraram correndo dentro de uma caverna onde o coelho entrara. Dentro da caverna estava tudo escuro, não se via nem se ouvia nada, mas de repente uma voz que vinha do meio do nada disse a charada:

-Posso ser fofinho e de pelúcia e vocês vão me adorar, ou posso ser grande e peludo pra vocês eu assustar. Gosto muito de comer mel e também de hibernar. Que animal sou eu? Vocês devem adivinhar…

-Já sei! Uma abelha.

Disse Miúcha sem hesitar.

-Errou! – respondeu a voz grossa- é melhor se mandar.

Os dois foram sair correndo, mas deram de cara com a Púca e ela estava enorme.

-Estou sentindo uma coisa peluda! -gritou Miúcha.

-Eu sinto um nariz gelado!- gritou Otávio

-É um urso!- gritaram os dois juntos.

Como os dois a charada haviam errado, a Púca ao invés de bons conselhos deu-lhes um susto danado. E transformou-se num Urso negro enorme e com cara de bravo. Os dois saíram correndo, mas quando saíram da caverna descobriram que já estava anoitecendo, como é que eles iam acertar o caminho pra casa sem enxergar nada?

-Ouça o vento Otávio- disse Miúcha- estamos no descampado.

 E assim os dois atravessaram o descampado.

-E agora Miúcha, vamos pra que lado? Já sei! Vamos cruzar o riacho!

-Agora é só atravessar o Milharal e chegaremos no nosso quintal.

Os dois chegaram em casa bem a tempo do jantar e decidiram que a Púca nunca mais iriam procurar.

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WULVER- O Lobisomem Bom

Essa é a história de um Lobisomem bonzinho que pescava peixe no lago e deixava de presente na janela dos mais pobrezinhos.

O seu nome era Wulver e ele era grande e peludo com uma cara de lobo de dar medo no mais carrancudo.

Quando o pobre ferreiro não tinha mais ferro pra malhar, estava muito preocupado pois sua família já não havia almoçado e não tinha nada pro jantar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o ferreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre marceneiro não tinha nenhuma madeira pra serrar, sua mulher estava com fome, sua filha a chorar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o marceneiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre pedreiro não tinha obras pra trabalhar, já lhe faltava comida pra família alimentar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o pedreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o inverno veio forte e o lavrador ficou sem lida. Toda a vila teve falta de comida.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. E em cada janela deixou um bom peixe para todos alimentar.

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Contos Japoneses

Ao procurar histórias japonesas encontrei um blog:

http://fernandosantiago.com.br/hisjapo.htm

E qual não foi minha surpresa ao encontrar nele contos bastante conhecidos mas que eu não fazia ideia de que tinham origem japonesa. Escolhi dois que trarei para o meu jardim com as minhas versões rimadas.

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AS BODAS DA RATINHA

Era uma vez um Ratinho muito, mas muito bonito. Ele era o ratinho mais forte e bonito já visto. Por isso mesmo, quando chegou na idade de se casar, ele resolveu que a melhor esposa do mundo ela iria encontrar. Queria a mais poderosa de todas e depois de muito pensar resolveu que a Lua era a noiva ideal para levar ao altar. Sem mais rodeios para a Lua o belo Ratinho foi se declarar:

-Oh! Lua brilhante que ilumina a noite e faz a água brilhar, você que é a mais poderosa, transforma a luz do Sol em luar, com você eu quero me casar fazer da noite escura o nosso altar.

-Fico honrada Sr. Rato, mas não sou a mais poderosa já vista. Minha luz é tão bonita, mas está sempre por um triz, mesmo quando eu estou cheia, vem a Nuvem me cobrir. Ela sim Nuvem macia é que te fará feliz.

O Senhor Ratinho cheio de coragem e ousadia foi falar com a dona Nuvem poderosa e macia.

-Oh! Nuvem tão branquinha, tu que és a mais poderosa, que cobre a Lua e esconde o luar, com você eu quero me casar fazer do céu imenso o nosso altar.

-Fico honrada senhor rato, mas não sou a mais poderosa. A Brisa que me desfaz, mesmo soprando morna, é bem mais poderosa. Ela sim Brisa faceira saberá como te amar.

O senhor Ratinho sem hesitar para a Brisa foi se declarar:

-Brisa faceira que desfaz a Nuvem que cobre o luar, tu que és a mais poderosa e vive no céu a voar, com você eu quero me casar, fazer da natureza o nosso altar.

-Fico honrada senhor rato, mas não sou a mais poderosa já vista. A Parede que me barra e me impede de soprar é bem mais forte, dura, altiva. Com ela você deve se casar, ela sim dura parede saberá como te amar.

O Senhor Rato firme se manteve e foi falar com a Parede:
-Parede Parada, que barra a brisa, que desfaz a Nuvem, que cobre o luar, tu que és a mais poderosa já vista, com você eu quero me casar, fazer da Terra o nosso altar.

-Fico honrada Senhor Rato e adoraria lhe ter como esposo, mas não sou a mais poderosa do mundo todo. A Bela Ratinha que rói os meus tijolos e me deixa toda esburacada, é bem mais poderosa, forte e ousada.

E foi assim que depois de muito procurar o Senhor Rato decidiu que com uma Ratinha ele devia se casar.

-Ratinha dentuça, que rói a Parede, que barra a Brisa, que desfaz a Nuvem que cobre o luar, declaro ser o seu mais lindo amante. Com você eu quero me casar fazer da Terra inteira o nosso altar.

-Rato, meu querido Rato, eu sou mesmo assim de fino trato pra selar este contrato. Mesmo não sendo perfeita, eu sou a ratinha eleita. fico aqui toda sem jeito esperando um grande queijo… ops… um grande beijo.

Casaram-se naquele outono e dizem que são os ratinhos mais felizes do mundo todo.

…………………………………………….. FIM………………………………………………………..

(Na versão original é um Rato que procura marido pra sua linda filha. Por uma questão óbvia ideológica preferi a versão do grupo musical Palavra Cantada…)

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O OMOSUBI ROLANTE

Era uma vez um velho servo feudal que foi às montanhas catar lenha. Quando o Sol já estava a pino parou para descansar e comer um dos seus bolinhos (omosubi) que trazia no bornal. Mas o bolinho escorregou de suas mãos, rolou morro abaixo e acabou caindo em um buraco. E lá de dentro uma voz saiu:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

O velho achou aquilo curioso e engraçado, resolveu jogar mais um omosubi no buraco pra ver se ouvia a voz de novo vindo lá de baixo. Jogou o bolinho e de novo escutou:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

O velho caiu na risada e resolveu mais um omosubi jogar só pra novamente escutar. Jogou e escutou:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

-Engraçado, engraçado.- repetia o velhinho rindo de rolar no chão- se eu rolar lá pra dentro o que será que eles cantarão?

 O velhinho era muito ousado por isso se jogou no buraco.

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais um velhinho que tá muito bom!”

O velho mal acreditava no que via, o interior do buraco era um palácio que reluzia, era enorme e suas paredes brilhavam encrustadas de pedras e jóias magníficas.

O velho estava atônito, estupefato, maravilhado olhava para todos os lados. E para melhorar haviam muitos, mas muitos coelhos no buraco.

-Vovô, seja bem vindo.- cumprimentavam o velho todos os coelhos do castelo do buraco.

E lá fizeram uma festa, havia um banquete, todos cantavam e dançavam. E o velho banqueteou-se como um rei, cantou e dançou e se divertiu o dia inteiro.

A noite já despontava no céu quando o velho disse. Tenho que ir. Agradeço muito o banquete, mas é hora de partir.

Os coelhos se despediram e trouxeram uma trouxa cheia de omosubis para dar de presente como lembrança do seu país, o país dos coelhos.

E aqueles eram os melhores omosubis que o velho já comera.

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E a história de hoje entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser que conte outra…

A Trama da Dona Aranha

Dona Aranha adora tecer tramas, mas não gosta de fazer teias e nem de prender insetos com as suas artimanhas. Por isso ao invés de tecer teias resolveu usar suas tramas para fazer lindas meias, fez oito, uma para cada pé. E essas coisas, vocês sabem como é, logo as outras aranhas estavam tirando sarro da dona Aranha que ao invés de fazer teias, tecia meias.

Mas dona Aranha nem ligou. Seus pés estavam tão quentinhos, e estava mesmo fazendo frio. Foi quando um grilo que cantava lá perto viu as meias da dona Aranha e achou seu truque esperto. Também quis um par de meias pra se proteger do frio.

O que a dona aranha não sabia é que tantos insetos veriam o grilo e quisessem também fazer seus pedidos. Antes do inverno chegar todos os insetos da redondeza já usavam lindas meias feitas sob encomenda.

Dona Aranha ficou famosa, mas não acabou por aí. Quando o frio aumentou seu grilo encomendou um casaco e logo todos queriam o seu. Dona Aranha não conseguiria tantas roupas costurar antes do inverno chegar.

Foi quando suas vizinhas aranhas se ofereceram para ajudar. Ninguém mais queria fazer teias e prender insetos, todas queriam costurar e ouvir as mais lindas histórias que eles tinham pra contar. Assim as aranhas mesmo sem ter asas podem o mundo viajar.

E a Dona Aranha hoje em dia vive rodeada de amigas, conversa com as outras aranhas enquanto estão a tricotar, ou ouve a história de insetos que acabaram de chegar. Costura vestidos de casamento pras moscas e pras Joaninha se e dizem que ela costura até pra Abelha Rainha.

FIM

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