O Coelhinho Duro de Roer

Essa história foi criada sob encomenda para a escola PP, para os alunos do NIV, para tentar resolver o problema das mordidas que eventualmente acontecem em sala entre os coleguinhas. É uma história com uma moral mais direto do que o que eu costumo usar, mas vamos testar pra ver no que é que dá….

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O COELHINHO DURO DE ROER

Era uma vez um lindo coelhinho, bem pequenininho. Um belo dia ele aprendeu a pular bem alto: “Tóim, tóim, tóim”

Quando a mamãe coelha chegou na toca e viu seu filho pulando pela primeira vez ficou muito contente e disse:

-Que bom meu filho que você já sabe pular sozinho, agora é hora de sair da toca para fazer novos amigos.

O coelhinho saiu da toca saltando to faceiro: “Tóim, tóim, tóim”, até que encontrou um peixinho:

-Bom dia peixinho- disse o coelhinho- quer ser meu amigo?

-Glub, glub. Eu quero sim- respondeu o peixinho.

Mas antes que eles começassem a brincar o coelhinho deu uma mordida no peixinho: “Nhoc”.

-Gluuuuub! Ai! Eu não quero mais ser seu amigo coelhinho. Sai fora!

E o coelhinho foi embora. Foi pulando sem parar: “Tóim, tóim, tóim”. Logo adiante o coelhinho encontrou um passarinho:

-Bom dia passarinho, quer ser meu novo amiguinho?

-Piu! Claro coelhinho, vamos brincar muito juntinhos…

Mas antes que o passarinho começasse a brincar o coelhinho deu uma mordida no passarinho: “Nhoc”.

-Piiiiiiu! Ai! Eu não quero mais ser seu amigo coelhinho. Sai fora!

E o coelhinho foi embora. Mesmo já nem tão animado ele continuou pulando e procurando: “Tóim, tóim, tóim”. No caminho ele encontrou um gatinho:

-Olá gatinho, quer ser meu mais novo amiguinho?

-Miau. Eu quero coelhinho, vai ser muito divertido.

Mas antes que eles começassem a brincar o coelhinho foi lá e deu uma mordida no gatinho: “Nhoc”.

-Miiiiiaaauuuuu! Ai! Eu não quero mais ser seu amigo coelhinho. Sai fora!

E o coelhinho foi embora. Ele já estava ficando desanimado, mas continuou pulando e procurando. “Tóim, tóim, tóim”. No caminho ele encontrou um cachorrinho:

-Bom dia cachorrinho, quer ser meu amigo?

-Au, au. Eu quero coelhinho, vamos ser melhores amigos.

Mas antes que eles começassem a brincar o coelhinho deu uma mordida no cachorrinho:

-Aaaauuuuu! Ai! Eu não quero mais ser seu amigo coelhinho. Sai fora!

E o coelhinho foi embora. O coelhinho estava triste e desanimado, desistiu de tentar fazer um amigo e voltou pra casa, estava tão infeliz que já nem queria pular…

Quando ele chegou na toca sua mãe vei logo perguntar:

-O que foi meu filho? Por que está tão tristinho?

-Ah, mamãe. Ninguém quer ser meu amigo, nem o peixinho, nem o passarinho, nem o gatinho e nem o cachorrinho…

-Ora filho, mas o que foi que você fez para eles não quererem mais ser seus amigos?

-Nada de mais mamãe. Eu só dei uma mordidinha neles pra mostrar o quanto eu gosto dos meus novos amigos, mas eles não gostaram de brincar comigo.

-Mas filho, a gente não pode morder nossos amigos, senão acabamos sozinhos. Ninguém gosta de ser mordido. Os amigos servem pra pular e brincar com a gente, mas sem morder e nem bater…

A mamãe coelha chamou o peixinho, o passarinho, o gatinho e o cachorrinho, o coelhinho pediu desculpas a todos eles e prometeu nunca mais morder nem bater e todos juntos foram logo tratar de brincar. E pularam, pularam e pularam até cansar.

FIM

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A Lenda dos Rabos

Esta história aconteceu há muito tempo atrás, em uma época em que os animais ainda não tinham rabos, eram todos desrabados e, assim, viviam meio desequilibrados, como se lhes faltasse um pedaço.

Um dia apareceu uma linda fadinha trazendo um enorme saco cheio de rabos. Havia no saco tudo quanto é tipo de rabo. Rabos curtos ou compridos, grossos ou finos, esticados ou enrolados, rabos com penas, com pelos ou escamas, rabos de todas as cores e tamanhos que se possa imaginar. A fada pousou em uma clareira e chamou bem alto todos os animais:

-Atenção, atenção. Quero que formem uma fila com um animal de cada espécie para escolher um rabo. escolham com muito cuidado, pois todos da sua espécie terão que usar esses rabos para todo o sempre. Não precisam ficar alvoroçados, neste saco tem um rabo para cada um de vocês. Formem uma fila e que cada um escolha o rabo que mais combina com si.

Dizendo isso a fada virou o saco bem no meio da clareira, enquanto os animais formavam uma grande fileira. Logo todos os animais já haviam enviado um representante da sua espécie para escolher o rabo e todos eles já estavam enfileirados.

As aves que vieram voando eram as primeiras da fila, escolheram rabos feitos com penas, algumas como o pássaro Tesoura, escolheram penas bem compridas, o Pavão escolheu o maior rabo e com as penas mais coloridas, já o Tico-tico preferiu uma pequena e discreta pra que pudesse continuar pulando de lá pra cá, botando pra quebrar sem o rabo a lhe atrapalhar.

Depois vieram os mamíferos, o Elefante, apesar de ser muito grande, escolheu um rabo bem pequenino e todo enroladinho. O Rato quis um rabo fino e comprido, o Gato preferiu um peludo e alongado. Mas quando chegou a vez do Macaco ele não conseguia se decidir por um rabo, ficou dividido entre um rabo enrolado e um rabo comprido. Sem conseguir se decidir teve uma ideia egoísta, juntou os dois rabos em um só e vestiu os dois bem rápido, ficando assim com um rabo comprido e enrolado para poder se pendurar pelos galhos. E foi logo se pendurando em um galho, bem rápido, antes que alguém percebesse que o danado tinha pego dois rabos, subiu bem alto e ficou sentado em cima do rabo.

E assim foi seguindo a fila, cada animal escolhendo o rabo que mais lhe convinha.

Mas vocês lembram que no começo desta história a gente falou que a fada havia trazido um rabo pra cada bicho? Pois se o Macaco pegou dois rabos o que foi que aconteceu?

Pois é, quando chegou no fim da fila faltava a Cobra e o Sapo, mas só sobrara um rabo!

O Sapo olhou pra Cobra e a Cobra olhou pro Sapo, os dois olharam para o último rabo que havia sobrado, novamente se olharam e saíram correndo atrás do rabo. O Sapo puxou o pé da Cobra (porque naquele tempo a cobra ainda tinha patas, pés e mãos). A Cobra deu um chute no Sapo. O Sapo pulou em cima da Cobra e a Cobra rolou por cima do Sapo e os dois foram correndo aos papos e sopapos até que na última hora a Cobra se jogou com tudo no rabo que havia sobrado. Mas a cobra caiu tão desajeitada que acabou caindo dentro do rabo e ficando entalada, assim suas patas ficaram pra dentro do rabo e a coitada acabou sem mão, nem pé, nem nada, num grande rabo enfiada. E o Sapo, coitado, acabou ficando sem rabo.

Por isso até hoje a Cobra tem raiva do Sapo, pois acha que é por culpa dele que ela acabou sem as patas e pra andar tem que se arrastar de cá pra lá. E o Sapo tem raiva da Cobra porque acha que é culpa dela que ele acabou sem rabo (nem imagina que o verdadeiro culpado é o Macaco). E é por isso que até hoje, no meio do mato, o Sapo come a Cobra e a Cobra come o Sapo.

FIM

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A BORBOLETA DE UMA ASA SÓ

Essa história eu costumo contar usando uma cartolina dobrada ao meio e cola colorida. Começo fazendo uma bolinha que é o ovinho, depois quando o ovo se abre e de lá sai a lagarta faço o corpinho, quando a lagarta sai do casulo e vira borboleta faço a asa (uma só, porque a Leta tem só uma asa). Tudo isso em metade da cartolina. Continuo contando a história usando a borboleta pintada como personagem. Quando a Leta e o Leto se abraçam prontos para virar comida de sapo eu dobro a cartolina deixando a borboleta para dentro. Quando a Leta bate a asa direita eu abro um lado da cartolina, quando o Leto bate a asa esquerda eu abro o restante e então o desenho espelhado forma uma borboleta inteira. Depois da contação faço com as crianças uma oficina de desenhos espelhados (pintados em meia folha com cola colorida e depois carimbados na outra metade). É, com certeza, uma das histórias preferidas da minha turminha…

A BORBOLETA DE UMA ASA SÓ

Era uma vez um pequeno ovinho, bem pequenininho que, quando de abriu, lá de dentro uma lagarta saiu. Saiu com fome e comeu a casca do ovo e saiu comendo, e comendo, e achando tudo gostoso. Quando cansou, se dependurou num galho e ficou toda encolhidinha dentro de um casulo. Veio a chuva, veio o Sol e, como diz o jogador de futebol: O tempo passa. E o tempo passou. Até que de dentro do casulo saiu uma linda borboleta. Era a borboleta Leta.

Mas a Leta não era como as outras borboletas, porque a Leta tinha uma asa só e, sendo assim, não podia voar. Mas a Leta tinha um grande sonho, conhecer a Sempre-viva, que de todas as flores é a mais bonita. Mesmo sem poder voar a Leta resolveu sair e procurar a sempre viva. Por isso foi caminhando, caminhando e procurando, caminhando e perguntando:

-Oi, bom dia! Você viu a Sempre-viva?

Para todo bichinho que a Leta encontrava ela perguntava:

-Oi, bom dia! Você viu a Sempre-viva?

-Oi, bom dia! Você viu a Sempre-viva?

Mas só quem tinha visto eram os bichos que sabiam voar. É que a Sempre-viva só nascia lá no alto. Sem asas para voar a Leta não as podia alcançar. Mas ela não desistiu. Continuou procurando e perguntando, perguntando e procurando.

Até que viu uma moita se mexendo e foi pra moita perguntar:

-Oi, bom dia! Você viu a Sempre-viva?

E adivinha quem saiu de detrás da moita? Foi o Leto, um borboleto que também tinha uma asa só.

A Leta olhou pro Leto, o Leto olhou pra Leta e os dois ficaram encantados por se verem iguais. E resolveram sair juntos à procura da Sempre-viva.

Mas o que eles encontraram foi um sapo. Um sapo gordo, enorme, com uma língua nojenta gigantesca pronta pra engolir os dois. E o pior é que sem poder voar eles não tinham como escapar. O Leto e a Leta se abraçaram prontos para virar jantar. Mas foi aí que a mágica aconteceu: a Leta bateu a asa direita e o Leto bateu a asa esquerda e eles descobriram que os dois juntos formavam uma borboleta inteira. E assim, juntinhos, saíram voando, escaparam do sapo gordo e foram pousar justamente em cima da Sempre-viva, a flor que de todas é a mais bonita.

FIM

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O Gato Pelado

Essa é a história de um gato. Um gato que vivia participando desses concursos de gato e era sempre premiado, porque era um gato muito diferente dos outros gatos, era um gato egípcio, um gato pelado. Pelado mesmo, não tinha nem um pelo, nem unzinho, nem mesmo no rabo. Por isso mesmo não tinha amigos, vivia sozinho desprezado pelos outros gatos.

-Sai daqui, você mais parece um rato.- dizia o gato malhado.

-Fique longe de nós, você não é um gato, deve ser um cachorro pequinês.- falava o gato siamês.

-Não sei que bicho você é, mas com certeza não é gato, nós gatos temos o corpo coberto de pelos macios e belos.- se gabava o gato amarelo.

E assim o Gato Pelado viva sozinho, pobrezinho.

Um dia tomou uma decisão, resolveu sair por esse mundão e descobrir que bicho ele era, assim poderia fazer amigos e não ficaria mais sozinho.

Logo viu uma árvore cheia de passarinhos, tinha passarinhos de todos os tipos, tinham grandes gralhas e pequenos pintassilgos, todos piando e conversando alegremente, apesar de serem muito diferentes eram todos amigos, haja visto que eram todos passarinhos.

Mais que depressa o Gato Pelado subiu pelo tronco até chegar em um galho lá no alto onde vários passarinhos conversavam.

-Piu, piu, piu.- cantavam os passarinhos.

-Piu, piu, piu!- imitava o Gato Pelado.

-Piu, piu! Bom dia! Temos um novo amigo para nos fazer companhia, mas que tipo de passarinho você é  que eu nunca vi?- perguntou o Colibri.

-Sou um pássaro-gato a procura de amigos.- respondeu o gatinho.

– Seja muito bem-vindo!- responderam os passarinhos cantando em uníssono.

E assim o Gato Pelado achando que era um passarinho se divertiu com seus novos amigos pulando de galho em galho. Até que o Beija-flor falou.

-Estou com sede, preciso de água. Quem quer ir comigo até o lago da Araucárias.

-Piu,piu. Vamos todos.- responderam os passarinhos e logo levantaram voo.

E atrás do Papagaio, pulou nosso amigo Gato Pelado.

-Miauuuu!!!

O Gato pelado caiu no chão todo estatelado.

-Miau! Acho que afinal eu não sou um passarinho, não sei voar, não posso viver em um ninho.

E assim partiu novamente o nosso amigo. Decidido a encontrar novos amigos. O Gato Pelado viu uma porção de sapos coachando na beira do lago.

-Coach!- faziam os sapos.

-Coach!- imitou o Gato Pelado.

-Olá,- disse o sapo Cururu-  que tipo de sapo és tu?

-Olá, sou um sapo-gato a procura de amigos, posso cantar contigo?

-Claro!- responderam todos os outros sapos.

E saíram saltando e coachando e o Gato pelado imitando. Saltando e coachando junto com os outros sapos. Até que os sapos pularam nas folhas de vitória régia que ficavam em cima do lago.

-Miauuuuu!- miou o gato quase morrendo afogado- Cof, cof, miau. Pelo jeito eu também não sou sapo, não sei boiar nas folhas do lago…se eu não sou um pássaro e não sou um sapo, que bicho será que eu sou?

Foi quando ele viu um sapo na beira do rio.

-Quac, quac!- o pato grasnou.

-Quac, quac!- o Gato Pelado imitou.

-Olá!- disse o pato- você é um pato bem diferente dos que eu conheço, que tipo de pato você é?

-Sou um pato-gato a procura de amigos.- respondeu o Gato Pelado.

-Que legal, quer brincar comigo?

-Claro!- respondeu o Gato Pelado.

E o Pato saiu rebolando e grasnado:

-Quac, quac!

E atrás dele ia o Gato Pelado imitando:

-Quac, quac!

Estavam se divertindo a mil quando o pato foi rebolando pra nadar no rio.

-Miaaaaaau!- miou o gato se afogando.

-Não sou pato, não sou sapo, não sou passarinho. Pelo jeito meu destino é ser um gato sozinho…. Miau, miau.- o gatinho miava quase chorando, estava tão tristinho.

Foi quando ao seu lado foram chegando os passarinhos e começaram a imitar o seu novo amigo:

-Miau, miau!- miavam os passarinhos.

E foram chegando também os sapos e começaram a imitar o Gato Pelado e os passarinhos a miar.

-Miau, miau.- miavam os sapinhos.

E foi chegando o pato e também começou a miar imitando os passarinhos, os sapos e o Gato Pelado.

-Miau, miau.- miava o pato.

E assim o Gato Pelado nunca mais ficou sozinho pois vive rodeado por seus novos amigos, o pato, os sapos e os passarinhos, pois todos eles adoram brincar de ser gatinho.

Quem aí também quer brincar de imitar um gatinho?

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A nova escola de Naninha

Esta história estou criando agora para a minha turminha do grupo 3 que está na última semana em nossa escola, se preparando para uma etapa nova.

Ainda está bem crua e com certeza trás alguns erros, mas volto em breve (no máximo um ano rsrs) pra cuidar melhor dessa historinha.

………………………………..A NOVA ESCOLA DE NANINHA………………… Taina Andere

A porquinha Naninha estava bem tristinha. Andava assim a dias. Estava nervosa e assustada porque estava deixando de ser tão porquinha. Não que ela estivesse virando outro animal, não, ela apenas estava perdendo o “inha” e por isso mesmo ia ter que mudar de escola, não podia mais ficar no jardim com a turma do lamaçal. Ela agora ia estudar com os porquinhos crescidos lá no barracão, com o professor Porquildo.

Ela estava tão nervosa, tinha ouvido que lá os porquinhos já grandinhos não podiam mais brincar, só estudar lições difíceis e complicadas, que era tão difícil que tinha até que levar dever pra casa… Naninha sentia borboletas na barriga, estava desesperada. Foi quando apareceu uma linda fada, a fadinha olhou pra Naninha sem dizer nada, encostou no nariz de tomada da porquinha e Naninha virou uma abelhinha. Naninha saiu a voar feliz da vida.

Assim todos os seus problemas tinham chegado ao fim, não precisava mais estudar, podia viver a voar de flor em flor, apenas colhendo pólem, bebendo néctar e comendo mel até se empanturrar.. E lá se foi Naninha a voar.

Chegou no quintal bem na hora que deu o sinal. Era a aula dos porquinhos maiores que já ia começar e de todos os cantos os porquinhos  grandes e assustadores começaram a chegar. Naninha que era bem ligeira se escondeu embaixo de uma carteira. Estava pronta pra ver os porquinhos chegarem tristes e desesperados e se sentarem quietinhos olhando para o quadro por horas e horas até a aula terminar.

Mas o que ela viu foi uma porção de porquinhos sorridentes e contentes chegaram correndo e brincando e se reuniram no pátio em uma porção de filas, depois cada fila foi pra sua sala cantando uma musiquinha.

Lá dentro da sala que estava Naninha entraram os alunos mais novos abraçando a professora cheios de alegria.

E durante a aula Naninha viu que eles estavam fazendo quadrinhas e rimas para aprender a ler e escrever. Naninha ficou cheia de vontade de sair do seu esconderijo pra ir lá ver. Queria tanto ser uma porquinha naquela sala. Ficou feliz da vida ao pensar em quão pouco faltava pra ela ir estudar lá.

Ainda mais quando chegou a hora do recreio e depois de comer todos os porquinhos foram brincar no lamaçal, brincar com os porquinhos mais velhos parecia tão mais legal…

Foi daí que Naninha percebeu que não ia mais estudar lá porque tinha virado uma abelhinha e aquela escola era só para porquinhas. Naninha só não chorou porque abelhas não choram, mas já estava voltando a ficar desesperada quando apareceu a fada, dessa vez ela deu um sobro bem forte na abelha Naninha e ela se “destransformou” e voltou a ser uma linda porquinha.

Mas agora Naninha era uma porquinha cheia de alegria. Ia para o jardim sempre feliz pra brincar na lama com seus amigos e amigas, mas quando pensava que ia ter que mudar de escola… contava os dias com euforia!

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Traquinagens do Pererê – Taina Andere

Estou criando essa história nova. Se ela der certo e, ano que vem, vier a ser recontada eu certamente volto aqui para podá-la. Se não voltar até o final do ano que vem vão saber que é porque desta vez eu não acertei, não dá pra acertar sempre, né! (rsrs).

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TRAQUINAGENS DO PERERÊ

A vaca Mimosa era uma vaca muito curiosa, gostava de descobrir os porquês das coisas. Por isso mesmo estava sempre fuçando e perguntando.

Um dia viu que os cavalos estavam relinchando alto, pareciam assustados, alvoraçados. Mimosa foi lá correndo e encontrou os cavalos com os rabos todos amarrados. Cada um tentava correr para um lado, era um furdúncio danado.

Mimosa, toda cuidadosa, acalmou os cavalos e ajudou a desamarrar todos os rabos, mas queria saber quem é que tinha feito esse malfeito, acontece que os cavalos não tinham visto nada e só diziam que aconteceu desse jeito:

Todos eles estavam bem tranquilos, comendo beterrabas e quando viram já estavam com o nó nas caudas.

Mimosa começou a investigar a cena do crime e percebeu que havia na cerca um pedacinho de uma roupa vermelha. Seja lá quem fosse que tivesse aprontado a pirraça, a Mimosa já sabia que alguma peça de roupa vermelha o danado usava.

Mimosa ainda estava a investigar quando ouviu a dona Nona gritar:

-Ah, mai num é possíver, quem pôis açúcar no meu feijão? Foi ocê João?

-Eu não muié, tô aqui passando mar porque arguém ponhô sar no meu café.

E lá foi Mimosa sem hesitação pra investigar a nova confusão. Viu que na porta da casa, bem debaixo do caixilho alguém tinha derrubado um pouco de fumo de cachimbo.

Mimosa ainda estava examinando quando ouviu  a vizinha gritando:

-Corre aqui véio Clemente que algum atentado azedou todo nosso leite.

Dessa vez Mimosa não precisou nem chegar lá pra saber quem era que estava a aprontar, poi ainda no caminho viu as pegadas que estavam indo para a casa do vizinho e aquelas eram pegadas que seriam reconhecidas até por um bocoió, porque aquelas pegadas eram de um menino com uma perna só.

Ora, quem é que usa uma roupa vermelha, pra não dizer uma touca. Fuma cachimbo e tem uma perna só? Você sabe me dizer?

É ele mesmo, nosso amigo espevitado, o Saci Pererê.

E para achá-lo Mimosa sabia muito bem o que fazer. Mas antes foi pedir a ajuda do galo Cocó, e pegar as armas de que iriam precisar: uma peneira que por uma cruz era entrecortada e uma garrafa.

E lá foram os dois assim armados pra encruzilhada, Mimosa com a peneira e Cocó com a garrafa.

Chegaram e esperaram aparecer um redemoinho levantando pó então Mimosa com a peneira empurrou o Saci para dentro da garrafa que estava na mão do Cocó. E antes de fechar a garrafa arrancaram sua touca encarnada.

É verdade que assim o Saci ficava invisível, mas era obrigado a fazer tudo que a Mimosa e o Cocó mandavam. E assim passou a ajudar todos aqueles que precisassem e não conseguiu mais aprontam suas traquinagens.

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Bom Dia Todas As Cores – Ruth Rocha

Essa é uma daquelas histórias que não precisa de versão, ela é perfeita assim como é, com as rimas da Ruth Rocha, que me embalam dede a infância e que hoje é minha grande referência. Mas como é sempre bom escrever pra decorar, trago ela pra cá…

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BOM DIA TODAS AS CORES- Ruth Rocha

Meu amigo Camaleão acordou de bom humor:

-Bom dia Sol, bom dia Flores, bom dia todas as cores!

Lavou o rosto em uma folha de orvalho, mudou sua cor para cor-de-rosa que era a que ele achava mais bonita e saiu para o Sol contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz porque havia chegado a primavera, e o Sol, finalmente, depois de um inverno longo e frio, brilhava alegre no céu.

-Eu hoje estou de bem com a vida. – ele disse – Quero ser bonzinho para todo mundo!

Logo que saiu encontrou o senhor Pernilongo. O senhor Pernilongo toca violino na orquestra do Teatro Florestal.

-Bom dia professor! Como vai o senhor?

-Bom dia Camaleão! Mas o que é isso irmão? Porque mudou de cor? Essa cor não lhe cai bem. Olhe para o azul do céu. Porque não fica azul também?

O Camaleão, amável como era, resolveu ficar azul como o céu da primavera.

Até que numa clareira o Camaleão encontrou o Sabiá-de-laranjeira.

-Meu amigo Camaleão, bom dia para você. Mas que cor é esta? Está azul porque?

E o Sabiá lhe explicou que a cor mais linda do mundo era a cor alaranjada, cor de laranja, dourada.

Nosso amigo bem depressa resolveu mudar de cor. Ficou logo alaranjado, louro, laranja, dourado.

E cantando alegremente lá se foi, ainda contente.

Na pracinha da floresta, saindo da capelinha, vinha o senhor Louva-a-Deus, mais a família inteirinha. Ele é um senhor muito sério, que não gosta de gracinha.

-Bom dia Camaleão. Mas que cor mais escandalosa, parece até fantasia pra baile de carnaval. Você deveria usar uma cor mais natural… Veja o verde da folhagem, veja o verde da campina, você deveria fazer o que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo resolveu mudar de cor, ficou logo bem verdinho e foi pelo seu caminho.

Vocês agora já sabem como era o Camaleão, bastava que alguém falasse, mudava de opinião. Ficava roxo, amarelo, ficava cor de pavão. Ficava de todas as cores. Não sabia dizer não.

Por isso naquele dia cada vez que encontrava algum de seus amigos e que o amigo estranhava a cor que ele estava, adivinha o que é que fazia o nosso amigo Camaleão? Pois ele logo mudava, mudava pra outro tom.

Mudou de rosa pra azul. De azul pra alaranjado. De laranja para verde. De verde pra encarnado. Mudou-se de preto pra branco. De branco virou roxinho. De roxo pra amarelo e até pra cor de vinho.

Quando o sol começou a se pôr no horizonte, Camaleão resolveu voltar para casa. Estava cansado do longo passeio e mais cansado ainda de tanto mudar de cor. Entrou na sua casinha. Deitou para descansar. E lá ficou a pensar:

– Por mais que a gente se esforce, não pode agradar a todos. Alguns gostam de farofa, outros preferem farelo… Uns querem comer maçã. Outros preferem marmelo… Tem quem goste de sapato. Tem quem goste de chinelo… E se não fosse os gostos, que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se bem cedinho.

– Bom dia, sol, bom dia, flores, bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha cheia de orvalho, mudou sua cor para cor-de-rosa, que ele achava a mais bonita de todas, e saiu para o sol, contente da vida. Logo que saiu, Camaleão encontrou o Sapo Cururu, que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.

-Bom dia, meu caro Sapo! Que dia mais lindo, não?

-Muito bom dia, amigo Camaleão! Mas que cor mais engraçada, antiga, tão desbotada… Por que é que você não usa uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:

– Eu uso as cores que eu gosto, e com isso faço bem. Eu gosto dos bons conselhos, mas faço o que me convém. Quem não agrada a si mesmo, não pode agradar a ninguém…

FIM

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Contos da Escócia

Todo mundo sabe que a Inglaterra é uma ilha, o que muitos não sabem é que nessa ilha tem um outro país, um país cheio de antigos castelos que lhe dão um ar de filme de terror e por isso, talvez, seu folclore seja tão cheio de bruxas, vampiros e monstros assustadores. É um país conhecido porque lá os homens usam kilt, o que para nós parece uma saia. Sim, estou falando da Escócia. Mas em meio a tantos seres assustadores, encontrei dois mais “bonzinhos” e resolvi dar a eles histórias mais infantis, que trago para cá e levo para meus alunos nesta semana.

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MIÚCHA E A FADA PÚCA

Miúcha estava muito ansiosa, era a primeira vez que viajava sozinha, iria para a Escócia visitar a sua tia Olívia. Quando chegou no aeroporto viu seu primo acenando. Eles tinham a mesma idade, oito, embora Olívia adorasse dizer que Otávio era 15 dias mais novo. Enquanto sua tia Olívia assinava os papéis com a aeromoça que a havia acompanhado Miúcha foi cumprimentar seu primo Otávio. Ele estava muito animado, não deixou nem o abraço terminar e já começou a falar:

-Miúcha, hoje mesmo lá no castelo, acho que vi uma Púca!!!

-Castelo? Piruca? Do que é que você está falando Otávio?- quis saber Miúcha.

-Você não sabia que estamos morando em um castelo? Foi por isso que mudamos pra cá, meu pai e minha mãe estão ajudando a restaurar e durante esse tempo que eles trabalham estamos morando lá. No castelo tem um jardim enorme e hoje, enquanto esperava você chegar vi uma Púca por lá. Presta atenção é Púca, não Piruca.

-E o que é uma Púca?

O Otávio foi explicando em voz baixa durante todo o caminho pra casa, ou melhor castelo, onde o primo morava:

-Púca é uma fada levada que vive no meio da mata. Pode se transformar em qualquer animal, o que é muito legal. Vira pássaro e sai a voar, vira peixe se mergulhar no mar, mas se chegar na areia vira cavalo e sai a cavalgar. Mas vire o que virar será sempre um escuro exemplar de olhos grandes e vermelhos. Seja escama, couro ou pena, a cor será sempre negra. Seu animal preferido é o cavalo negro, mas Púca também é muitas vezes vista na forma de um coelho preto. Ela fala a língua dos animais, mas mesmo se estiver transformada, falar a língua humana ela também é capaz. Por isso quando vi no meu quintal um coelho preto falar, sabia que não estava ficando louco mas que a Púca eu acabei de encontrar. A Púca dá bons conselhos, mas também adora pregar peças, depende de como você vai responder as charadas dela.

 -Mas qual foi a charada que ela te deu? -quis saber Miúcha já louca de curiosidade.

-Eu sei lá! Fui correndo pra dentro do castelo. Sei lá se eu ia acertar a charada, e se eu erro a fada me prega uma peça danada.

-Era só o que me faltava. você tem uma oportunidade dessas e deixa escapar…

A essa altura eles já haviam chegado no castelo e Miúcha quis ver onde seu primo havia visto a fada e os dois saíram juntos pra procurá-la.

E lá estava o coelho, parado.

-Pro meu enigma desvendar primeiro tem que me encontrar.

Otávio não tinha mentido, o coelho falava. Ele falou e saiu correndo. Dessa vez com a prima ao seu lado Otávio não podia ficar com medo, tinha que se corajoso como a prima. E Miúcha, embora tremesse por dentro queria parecer corajosa pro primo, por isso fingia que nenhum medo sentia e os dois saíram correndo atrás do coelho.

Passaram correndo pelo milharal, depois correndo atravessaram o riacho, atravessaram correndo o descampado onde o vento soprava e entraram correndo dentro de uma caverna onde o coelho entrara. Dentro da caverna estava tudo escuro, não se via nem se ouvia nada, mas de repente uma voz que vinha do meio do nada disse a charada:

-Posso ser fofinho e de pelúcia e vocês vão me adorar, ou posso ser grande e peludo pra vocês eu assustar. Gosto muito de comer mel e também de hibernar. Que animal sou eu? Vocês devem adivinhar…

-Já sei! Uma abelha.

Disse Miúcha sem hesitar.

-Errou! – respondeu a voz grossa- é melhor se mandar.

Os dois foram sair correndo, mas deram de cara com a Púca e ela estava enorme.

-Estou sentindo uma coisa peluda! -gritou Miúcha.

-Eu sinto um nariz gelado!- gritou Otávio

-É um urso!- gritaram os dois juntos.

Como os dois a charada haviam errado, a Púca ao invés de bons conselhos deu-lhes um susto danado. E transformou-se num Urso negro enorme e com cara de bravo. Os dois saíram correndo, mas quando saíram da caverna descobriram que já estava anoitecendo, como é que eles iam acertar o caminho pra casa sem enxergar nada?

-Ouça o vento Otávio- disse Miúcha- estamos no descampado.

 E assim os dois atravessaram o descampado.

-E agora Miúcha, vamos pra que lado? Já sei! Vamos cruzar o riacho!

-Agora é só atravessar o Milharal e chegaremos no nosso quintal.

Os dois chegaram em casa bem a tempo do jantar e decidiram que a Púca nunca mais iriam procurar.

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WULVER- O Lobisomem Bom

Essa é a história de um Lobisomem bonzinho que pescava peixe no lago e deixava de presente na janela dos mais pobrezinhos.

O seu nome era Wulver e ele era grande e peludo com uma cara de lobo de dar medo no mais carrancudo.

Quando o pobre ferreiro não tinha mais ferro pra malhar, estava muito preocupado pois sua família já não havia almoçado e não tinha nada pro jantar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o ferreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre marceneiro não tinha nenhuma madeira pra serrar, sua mulher estava com fome, sua filha a chorar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o marceneiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre pedreiro não tinha obras pra trabalhar, já lhe faltava comida pra família alimentar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o pedreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o inverno veio forte e o lavrador ficou sem lida. Toda a vila teve falta de comida.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. E em cada janela deixou um bom peixe para todos alimentar.

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

A Trama da Dona Aranha

Dona Aranha adora tecer tramas, mas não gosta de fazer teias e nem de prender insetos com as suas artimanhas. Por isso ao invés de tecer teias resolveu usar suas tramas para fazer lindas meias, fez oito, uma para cada pé. E essas coisas, vocês sabem como é, logo as outras aranhas estavam tirando sarro da dona Aranha que ao invés de fazer teias, tecia meias.

Mas dona Aranha nem ligou. Seus pés estavam tão quentinhos, e estava mesmo fazendo frio. Foi quando um grilo que cantava lá perto viu as meias da dona Aranha e achou seu truque esperto. Também quis um par de meias pra se proteger do frio.

O que a dona aranha não sabia é que tantos insetos veriam o grilo e quisessem também fazer seus pedidos. Antes do inverno chegar todos os insetos da redondeza já usavam lindas meias feitas sob encomenda.

Dona Aranha ficou famosa, mas não acabou por aí. Quando o frio aumentou seu grilo encomendou um casaco e logo todos queriam o seu. Dona Aranha não conseguiria tantas roupas costurar antes do inverno chegar.

Foi quando suas vizinhas aranhas se ofereceram para ajudar. Ninguém mais queria fazer teias e prender insetos, todas queriam costurar e ouvir as mais lindas histórias que eles tinham pra contar. Assim as aranhas mesmo sem ter asas podem o mundo viajar.

E a Dona Aranha hoje em dia vive rodeada de amigas, conversa com as outras aranhas enquanto estão a tricotar, ou ouve a história de insetos que acabaram de chegar. Costura vestidos de casamento pras moscas e pras Joaninha se e dizem que ela costura até pra Abelha Rainha.

FIM

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BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

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