Histórias da Carochinha

Histórias da Carochinha foi o primeiro livro infantil publicado no Brasil, em 1920. Trata-se de uma coletânea de 61 contos populares recolhida por Figueiredo Pimentel da tradição oral. Por isso hoje este termo serve para indicar histórias tradicionais diversas. Esta semana vou de carochinha pra contar duas dessas histórias que aqui escrevo em minhas versões rimadas:

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Os Compadres Corcundas

Numa certa vila pra lá de esquecida, depois da curva do bigode, vivam dois compadres corcundas, um rico e outro pobre.

Como o povo não é mole e de justiça ninguém se gaba, viviam tirando sarro da corcunda do pobre, mas na corcunda do rico ninguém reparava…

A situação do pobre andava bem complicada, ele era caçador, mas ultimamente não conseguia caçar nada. Um dia na mata resolveu que não voltava pra casa enquanto não encontrasse ao menos uma caça e como não encontrasse nada, acabou passando a noite na mata.

A lua já ia alta quando o caçador começou a escutar uma cantoria ritmada. Resolveu ir atrás da musica pra dar uma espiada. Logo encontrou uma porção de homenzinhos que cantavam e dançavam muito animados:

“Segunda. Terça-feira. Vai, vem.”. “Segunda. Terça-feira. Vai, vem.”

 Tremendo de medo escondeu-se atrás de uma moita e ficou escutando aquela cantoria que era a mesma durante horas.

Depois ficou mais calmo e foi se animando, e como era metido a improvisador, logo se meteu no meio da cantoria entoando:

“Segunda. Terça-feira. Vai, vem.”.”E quarta e quinta-feira, também meu bem.”

Calou-se tudo imediatamente e todos olharam para todos os lados procurando quem havia cantado. Acharam o velho corcunda e o levaram para o meio da roda onde foi interrogado:

-Foi você quem cantou o verso novo da cantiga?

-Fui eu, sim senhor!- respondeu o velho com honestidade.

-Quer vender seu verso?- perguntou o velho duende educado.

-Vende não precisa não. Eu dou de bom grado, pois gostei muito da cantoria desse povo animado.

O velho duende achou graça e o seu povo também deu risada.

-Então fique assim, eu fico com a sua corcunda e te dou este gibão em troca ficamos com o novo verso pra nossa canção.

Assim o velho passou a mão nas costas do corcunda e a corcunda desapareceu.

-Só abra esse gibão ao alvorecer.- disse o velho ao outrora corcunda enquanto sumia com seu povo na floresta escura.

Quando o sol raiou e o mendigo abriu a sacola descobriu que estava cheia de ouro e das mais ricas pedras preciosas.

Rico e sem corcunda o homem tratou logo de comprar roupas respeitáveis e se dirigir à missa, afinal era domingo e ele queria ainda agradecer o grande presente recebido.

Vendo-o tão mudado seu compadre corcunda rico não conseguiu acreditar e pode crer menos ainda quando seu compadre agora belo e rico lhe contou o que lhe havia acontecido.

Sem poder mais esperar o ambicioso corcunda tratou de correr pra floresta pensando em se desfazer da sua incômoda corcunda e ainda aumentar mais sua enorme fortuna.

Ao chegar na floresta esperou anoitecer e procurou até encontrar o povo miúdo a cantar:

“Segunda. Terça-feira. Vai, vem.”.”E quarta e quinta-feira, também meu bem.”

O rico não se conteve. Sem mais esperar já se meteu a entoar:

“Sexta, sábado e domingo, também.”

Calou-se tudo novamente. O povo miúdo tratou de trazê-lo ao meio da roda onde o velho gritou furioso:

-Quem mandou se meter aonde não era chamado, criatura besta? Por acaso não sabes que o povo encantado não quer saber de sexta, dia que morreu o filho do Alto, sábado, dia que morreu o filho do pecado e nem domingo, dia que ressuscitou quem nunca morre? Não sabia? Pois agora vai aprender pra nunca mais esquecer, pois a corcunda que deixaram aqui vai levar com você.

Depois de dizer estas palavras passou a mão sobre o peito do corcunda e lá apareceu a corcunda do seu compadre. E logo desapareceu na mata escura o velho e sua estranha turma.

E o Corcunda aprendeu sua lição. Continuou rico, mas teve que carregar mais uma corcunda pra aprender a controlar sua ambição.

FIM

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A MENINA DOS BRINCOS DE OURO

Era uma vez uma menina muito delicada e bonita. Sua mãe era uma viúva sempre severa e rude com suas filhas.

Um dia a menina ganhou um brinco de ouro. Sempre que ia nadar no rio cuidava para não perder seu brinco, por isso os tirava e deixava em uma pedra na beirada da água.

Certo dia a menina esqueceu dos brincos na pedra e voltou pra casa, quando chegou lembrou que os havia deixado à margem, temia ser castigada, nem ligou que era tarde, voltou ao rio para buscar seus brincos.

Quando lá chegou um velho feio encontrou. O velho pegou a menina, pôs dentro de um grande saco de couro e levou-a nas costas. Depois costurou a boca do saco com a menina dentro e disse:

-Agora vou ganhar dinheiro. Quando eu te mandar cantar tu canta se não quiser apanhar.

Assim o velho levava a menina no saco costurado e bem alto dizia:

-Quer ver um sapo cantar que nem gente? Canta sapo se não quiser levar sopapo!

E a menina cantava dentro do saco:

“Nesse saco me puseram, nesse saco hei de morrer. Por causa dos brincos de ouro que na pedra não devia esquecer.”

Todo mundo ficava admirado e dava dinheiro ao velho que foi ficando enricado.

Até que um dia o velho chegou em uma casa da vila onde a tristeza era tão grande que só de ver doía.

-Deixa eu te alegrar vendo meu sapo cantar. Canta sapo se não quiser levar sopapo!

E a menina cantou dentro do saco:

“Nesse saco me puseram, nesse saco hei de morrer. Por causa dos brincos de ouro que na pedra não devia esquecer.”

Mas essa era justamente a casa da mãe da menina que logo que ouviu o canto reconheceu a voz da filha. Não podendo ela enfrentar a força do velho, ainda mais armado de seu cajado a mulher fingiu estar encantada com o canto do sapo e convidou-o pra ficar pra dormir e jantar.

Como já era tarde o velho viajante aceitou, comeu e se embebedou e logo pregou num sono profundo. A mãe então libertou sua filha do saco e encheu o saco novamente com esterco ainda molhado, costurando novamente a boca do saco.

A menina coitada estava quase morta de tão fraca, há dias sem comida nem água. Sua mãe cuidou dela com muito amor e carinho. Logo ela estava recuperada.

E o velho saiu de manhã cedo levando o saco cheio de coco de carneiro fresco. Chegando em outra casa foi logo falando.

-Quer ver um sapo que canta como gente? Canta sapo pra não levar sopapo!

E nenhum barulho veio de dentro do saco.

-Tá dormindo seu sapo?- gritou o velho enfezado dando um chute no saco- Canta ou vai apanhar com o cajado!

E como no saco só tinha esterco e não menina, não veio a cantoria. O velho ficou ainda mais bravo e bateu com o cajado no saco espalhando esterco pra todo lado. O velho ficou coberto de coco de carneiro e dizem que até hoje ele ainda está com o cheiro.

FIM

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O Duende Mais Querido -História rítmica de Natal

Esta é uma história rítmica que eu estou criando para a entrada desta época de Natal. Ainda é uma planta nova neste meu jardim, futuramente volto para podar ou adubar, conforme precisar. Mas com a correria deste fim de ano, não estranhem se eu só voltar em novembro do ano que vem…

O DUENDE MAIS QUERIDO – Taina Andere

Um duende eu estou vendo em seu lugar a trabalhar, o que será que está fazendo, quem consegue adivinhar?

Será que é um duende de jardim? Será que está trazendo lindas flores para mim?

Ele trás enxada ou ancinho? Ele está carregando terra em um carrinho?

Não trás enxada e nem ancinho. E não carrega nem terra, nem carrinho.

Então não é duende de jardim, que será enfim?

Será que é um duende das cavernas que trabalha com lindas pedras?

Trás ele picareta nas costas ou carrega pedras preciosas? Está a fabricar as mais lindas jóias?

Ele não trás picareta, nemas valiosas pedras preciosas. Nem fabrica jóias.

Se ele não é um duende das pedras, então quais são suas tarefas?

Será este o duende do pote de ouro que vive no fim do arco-íris guardando esse tesouro?

Ou é um duende da floresta que vive nos cogumelos ou sob as pedras?

Será um daqueles duendes atrevidos que gostam de pregar peças ou atender pedidos?

Não, este duende é daqueles que carrega e fabrica presentes. De todos os duendes estou vendo justamente o duende mais legal, que ajuda o Papai Noel o ano inteiro preparando tudo para fazer das noites de Natal um momento esperado, único e especial.

FIM

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Banho Bom

Esta história brota inspirada por dois eventos: em primeiro lugar um pau-de-chuva que eu fabriquei semana passada e que me fez querer escolher uma história onde eu pudesse usá-lo;

Em segundo lugar um acontecimento familiar, pois esses dias meu filho mais novo não queria entrar no banho de jeito nenhum, embora estivesse imundo e, para convence-lo comecei a cantar a música que habitualmente canto, “Hora do Banho”do livro de poesias musicado chamado ‘Amigos do Peito’ do Claudio Thebas (esta música em especial musicada pelo Zeca Balero). Foi quando minha filha mais velha relembrou que eu cantava outra música para o banho dela: “A refrescante sensação” do quadro dos porquinhos tomando banho no programa Rá-tim-bum. Lembramos que tinha outra ainda para o banho da minha filha do meio: “Ratinho tomando banho” do Castelo Rá-tim-bum.

Relembrar e cantar juntas todas essas ótimas músicas feitas para esta tão clássica hora onde há sempre briga pra entrar e pra sair, me fez ter vontade de criar uma história sobre o banho onde eu pudesse encaixar estas músicas e ainda usar o pau-de-chuva…

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BANHO BOM

Beto era um menino esperto e muito belo. Mas desde pequeno Beto dava um trabalho tamanho na hora de tomar banho.

“-Entrar no banho, puxa vida,+ é acabar com a brincadeira.

-Já pro banho não se enrola, olha só quanta sujeira.”(2x)

Todo dia era a mesa história, era só entrar no banheiro pra começar o berreiro. A mãe do Beto já entrava em desespero… e quando chegou a idade do menino tomar banho sozinho… Beto logo descobriu os truques mais variados pra fingir que o banho já estava tomado. Entrava no banheiro, ligava o chuveiro e depois saía com o cabelo molhado, quando na verdade no chuveiro mesmo ele não tinha nem entrado.

Acontece que em pouco tempo Beto já estava começando a ficar com mau cheiro. Logo ninguém mais queria brincar com ele na hora do recreio, na sala as carteiras iam ficando cada vez mais afastadas e sua mãe logo soube que alguma coisa estava errada. Mas já estava tão cansada de brigar que resolveu não obrigar o Beto a tomar banho e ver aonde aquilo ia dar.

Assim os dias se passaram e Beto já nem precisava fingir que tomava banho, parecia um porquinho, mas vivia sozinho porque ninguém mais aguentava aquele cheirinho.

Sua mãe então teve uma ideia, costurou na sua cueca um rabo de porquinho pro menino pensar que estava se transformando e resolver tomar logo um bom banho. Mas quando ele viu aquilo, ficou feliz e tranquilo pois agora podia aproveitar que não era mais menino para brincar com outros porquinhos e, assim, não ficaria mais sozinho. Foi para o lamaçal e se chafurdou na lama como um animal. Aquilo era tão divertido, nem queria mais voltar a ser menino. Mas na hora do almoço… ugh, os porcos foram comer lavagem, que é um monte de legumes e verduras que não foram comprados por estarem meio estragados, tudo misturado. Além de feio é fedido, comida de porco parece lixo. Beto resolveu que mesmo sendo um porquinho ia comer comida de menino.

Mas no caminho de casa começou a sentir uma coceira danada, coçava tudo, era terrível. E quando chegou em casa não conseguiu lanchar, o cheiro tava tão ruim que ele começou a enjoar.

Resolveu ir brincar mais um pouco, pra esquecer da fome, da coceira  e do enjoo. Mas era tanta coceira que ele nem conseguiu brincar e sua barriga não parava de roncar.

E pra piorar, de repente, começou a chover , o Beto até tentou se correr, mas ele estava no meio do campinho, não tinha como se esconder. Logo já estava todo molhado, encharcado.

Mas não é que chuva foi tirando o grosso da sujeira e a sensação era tão boa, até diminuiu a coceira, Beto pensou em como seria bom tomar um banho de chuveiro, só de pensar no sabonete ele já lembrou do cheiro, hum.

“Sujeira dá coceira, cheiro ruim muito chulé. Um banho de banheira ou de chuveiro é o que é. Experimente a refrescante sensação de bem estar, tome um bainho já! A refrescante sensação de bem estar. Chuá, chuá! Tome um bainho já.”(2x)

Foi assim que beto resolveu ir para o banho, mesmo que não voltasse a ser um menino e fosse ser pra sempre um porquinho, seria um porquinho limpinho.

Chegou em casa e foi direto pro banheiro tomar um belo banho no chuveiro, se lavou por inteiro.

“Tchau preguiça, tchau sujeira. Adeus cheirinho de suor. Oh…
Lava, lava, lava. Lava, lava, lava. Uma orelha uma orelha, outra orelha outra orelha.
Lava, lava, lava, lava, lava, lava a testa, a bochecha, lava o queixo, lava a coxa e lava até…
Meu pé, meu querido pé, que me agüenta o dia inteiro. Ooh!
E o meu nariz, meu pescoço, meu tórax, o meu bumbum e também o fazedor de xixi. Oh…
Lala, laia laia la, laia la la la, laia la, la la la la la.
Hum… Ainda não acabou não. Vem cá vem toalhinha… vem! Uma enxugadinha aqui, uma coçadinha ali, faz a volta e põe a roupa de paxá. Ahh!
Banho é bom. Banho é bom. Banho é muito bom.
Agora acabou!”

Beto estava gostando tanto do banho, estava se divertindo, por isso mesmo ficou uma arara quando sua mãe veio dizer que era hora de sair porque estava gastando muita água, e sem falar na luz que tava custando os olhos da  cara. O menino ainda tentou ficar mais um pouquinho, gastou todos seus argumentos, mas não teve jeito, teve que sair do chuveiro antes que o negócio ficasse feio.
“-Sair do banho puxa vida, é acabar com a brincadeira.
-Sai do banho, não se enrola, vai ficar a vida inteira?
-Sair do banho, puxa vida, é acabar com a brincadeira.
-Sai do banho, não se enrola, olha só que molhadeira…”

E qual não foi sua surpresa ao sair do banho e perceber que seu rabo de porquinho já havia sumido. Na escola todos gostaram de ter de volta seu amigo e não mais aquele menino tão sujo e fedido. E o Beto nunca mais deixou de tomar banho nem um diazinho. Mesmo que esteja frio e que o chuveiro esteja queimado, ele toma um banho gelado. Por isso hoje é conhecido como o mais cheiroso de todos os meninos do bairro. Quem quer dar um cheirinho?

FIM

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