O menino e a viola

Essa história foi adaptada de um LP muito antigo chamado Canções de Ninar que eu ouvia quando era criança, na história original tudo começa com uma folha de coca e era assim que eu contava a história. Até que um dia ouvi uma contadora que muito admiro, a Adriana do Malasartes, contando essa história usando a paçoca no lugar da folha de coca, o que facilitou muito o entendimento das crianças e evitou perguntas embaraçosas. Desde então quando conto este conto para crianças pequenas uso eu também a paçoca, deixando a folha de coca apenas para contar a história para crianças maiores como uma introdução para um bate papo sobre a cultura da América espanhola da qual faz parte o costume de mascar folhas de coca…

No conto original o menino começa tropeçando em uma folha de coca no meio do mato, leva a folha pra avó e vai brincar, depois sente fome, pensa na folha de coca e entra em casa cantando a música que é: “Minha vó me dê minha coca, torta ricota que o mato me deu”

O MENINO E A VIOLA

Era uma vez uma velha cozinheira que juntou em um pilão um pouco de amendoim torrado, açúcar mascavo e farinha caipira, moeu tudo bem moído e fez uma deliciosa paçoca. Quando estava pronta ela comeu um bocado e guardou outro pra seu neto.

Quando o menino chegou da escola a avó lhe ofereceu a paçoca, mas ele nem deu bola, foi correndo pro quintal jogar bola. Mais tarde o menino sentiu fome, lembrou da paçoca e entrou em casa cantando:

“Minha vó me dê minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que a velha já havia comido toda a paçoca, deu então ao menino um pouco de angu que sobrara do almoço. Contrariado o menino tacou o angu na parede e seguiu o seu caminho. Mas logo adiante lembrou que tinha fome e voltou cantando:

“Parede me dê meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que a parede já havia comido todo o angu, deu então ao menino um pedaço de sabão. Contrariado o menino guardou o sabão no bolso e seguiu o seu caminho.

Logo o menino chegou em um rio e encontrou uma lavadeira que lava suas roupas apenas com pedras e areia. Apiedado o menino deu-lhe o sabão e seguiu o seu caminho. Mas logo adiante o menino percebeu que estava sujo, fedido. Resolveu tomar um banho, lembrou do pedaço de sabão e voltou cantando:

“Lavadeira me dê meu sabão, sabão que a parede me deu. Parede comeu meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que a lavadeira havia gastado todo o sabão lavando um grande lençol. Deu então ao menino uma navalha. O menino guardou a navalha no bolso e seguiu o seu caminho contrariado.

Logo o menino chegou na praia e encontrou um cesteiro que cortava a palha nos dentes pra fazer suas cestas. Apiedado o menino deu-lhe a navalha e seguiu o seu caminho.

Mais adiante o menino passou por uma vitrine, viu o seu reflexo e notou que sua barba já estava começando a crescer. Resolveu barbear-se, lembrou da navalha e voltou cantando:

“Cesteiro me dê minha navalha, navalha que a lavadeira me deu. Lavadeira gastou meu sabão, sabão que a parede me deu. Parede comeu meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que o cesteiro havia quebrado a navalha cortando uma palha mais dura, Deu então ao menino o último cesto que havia feito. Contrariado o menino seguiu seu caminho levando o cesto na cabeça. Mais adiante encontrou um padeiro que servia seus pães direto no balcão. Apiedado o menino deu-lhe o cesto. Mas como sempre se arrependia de tudo, arrepende-se de ter dado o cesto ao padeiro e voltou cantando:

“Padeiro me dê meu cesto, cesto que o cesteiro me deu. Cesteiro quebrou minha navalha, navalha que a lavadeira me deu. Lavadeira gastou meu sabão, sabão que a parede me deu. Parede comeu meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que o padeiro havia vendido a cesta junto com uma grande encomenda de pães, deu então ao menino o último pão da fornada.

Contrariado o menino seguiu o seu caminho, mas logo na primeira esquina encontrou uma mulher que tomava café puro, sem nada para comer. Apiedado o menino deu-lhe o pão e seguiu o seu caminho. Mas logo lembrou que tinha fome desde o começo da história, pensou no pão e voltou cantando:

“Moça me dê meu pão, pão que o padeiro me deu. Padeiro vendeu meu cesto, cesto que o cesteiro me deu. Cesteiro quebrou minha navalha, navalha que a lavadeira me deu. Lavadeira gastou meu sabão, sabão que a parede me deu. Parede comeu meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que a moça já havia comido todo o pão, não sobrara nem uma migalha. Ela deu-lhe então uma viola, que era tudo o que tinha pra dar.

O menino sentiu-se satisfeito pela primeira vez na vida, pegou a viola, subiu no alto de uma árvore e pôs-se tocar e a cantar:

“De paçoca fiz angu, de angu fiz sabão, do sabão fiz uma navalha, de uma navalha fiz um cesto, de um cesto fiz um pão, de um pão fiz uma viola. Dinguiriding e eu vou pra Angola, dinguiriding acabou-se a história. Dinguiriding e acabou-se a história, dinguiriding que eu vou pra Angola.”

FIM

Para ver mais flores deste jardim, minhas criações ou versões rimadas, clique no menu, são esses risquinhos mesmo no cantinho direito no alto da página.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar seu evento ou para a sua escola. Entre em contato:

Telefone: 41 988210086  (vivo/whats)

Email: meujardimdehistorias@gmail.com

 

Natal na Cabana

Essa história é uma versão bastante modificada de uma história Waldorf para a época de natal. Vou faze-la com a participação dos meus alunos, algo que não acontece na original.

…………………………………………………………….

NATAL NA CABANA

Era uma vez uma pequena pastorinha que naquele natal ia ficar sozinha cuidando das ovelhas da fazenda.

Resolveu subir a montanha para passar a noite de natal com a suas ovelhas lá no alto, na cabana.

No caminho encontrou um porco-espinho:

– Aonde vai pastorinha, sozinha com as suas ovelhinhas, em um dia tão especial?

– Vou subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

– Posso ir com você? Com meus espinhos eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seu novo amigo, o porco-espinho.

No caminho eles passaram por um gato-do-mato.

-Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês? Com minhas garras afiadas eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seus novos amigos: o gato-do-mato e o porco-espinho.

Logo adiante passaram por um cachorro.

-Aonde vai gato-do-mato? Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês? Com meus dentes afiados eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seus novos amigos: o cachorro, o gato-do-mato e o porco-espinho.

Logo adiante passaram por um cavalo.

-Aonde vai seu cachorro? Aonde vai gato-do-mato? Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês? Com os meus coices eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seus novos amigos: o cavalo, o cachorro, o gato-do-mato e o porco-espinho.

Logo adiante passaram por um zangão, que é o macho da abelha.

-Aonde vai seu cavalo? Aonde vai seu cachorro? Aonde vai gato-do-mato? Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês? Com o meu ferrão eu posso lhes proteger.

E assim seguiu a pastorinha com as suas ovelhinhas e seus novos amigos: o zangão, o cavalo, o cachorro, o gato-do-mato e o porco-espinho.

Logo adiante passaram por uma pedra.

-Aonde vai seu zangão? Aonde vai seu cavalo? Aonde vai seu cachorro? Aonde vai gato-do-mato? Aonde vai porco-espinho? Aonde vai pastorinha? Em um dia tão especial!

– Vamos subir a montanha para passar na cabana a noite de natal.

-Posso ir com vocês?

E o zangão pensou: “Ela não tem ferrão, como poderá nos proteger?”

E o cavalo pensou: “Ela não pode nem dar coices para nos proteger…”

E o cachorro pensou: “Mas nem dentes ela tem para nos proteger.”

E o gato pensou: “Ela não tem nem garras para nos defender.”

E o porco-espinho pensou: “Para que servirá uma pedra se ela nem tem espinhos?”

E a pastorinha pensou: “Ela não será útil, mas não posso deixá-lá sozinha, ainda mais em um dia tão especial”

E assim seguiram todos juntos: a pastorinha, as ovelhinhas, o porco-espinho, o gato-do-mato, o cachorro, o cavalo e a pedra, para a cabana no alto da montanha.

Prepararam uma ceia simples, mas muito apetitosa, com alimentos para todos (até para a pedra tinha um pouquinho de limo). Já iam se preparar pra cear quando ouviram um ladrão chegar.

Todos se esconderam, mas o ladrão logo de cara achou uma ovelha e a agarrou e já ia escapar quando o porco espinho soltou-lhe uma saravaiada de espinhos na perna do indivíduo. Ele soltou um gemido doído mas não largou a ovelha. O gato-do-mato pulou com as garras na sua cara enquanto o cachorro lhe mordia os fundilhos, o ladrão deu um berro dolorido, mas não largou a ovelha e já ia pular a cerca quando o cavalo lhe deu um coice danado e o zangão lhe acertou o ferrão bem na ponta do nariz. O ladrão deu um salto e um grito de dor bem alto, mas caiu de pé e não soltou a ovelha.

Já estava prestes a escapar dali quando tropeçou na pedra, que havia se posto bem no caminho, soltou a ovelha e se estatelou no chão, levantou, saiu correndo montanha abaixo e nunca mais se viu o ladrão por aqueles lados, dizem que o sujeito tomou jeito naquele natal…

E na cabana, lá no alto da montanha, todos salvos se reuniram para uma linda celebração. Tamanha era a alegria da pastorinha com os seus novos amigos e as suas ovelhinhas. E enorme era a alegria da pedra que tinha virado heroína numa noite tão especial quanto a noite de Natal!!!

FIM

………………………………………………………………………………….

Para ver mais contos desse jardim, minhas criações uou versões rimadas, clique no menu  (são esses risquinhos mesmo no alto da página, canto direito).

Entre em contato pelo telefone ou whats: 41 98821 0113 (Taina Andere)

Encante suas festas com os contos e as brincadeiras do Jardim de Histórias, leve nossas contações de história para a sua escola!!!

O Menino e a Bola

Esta terceira história eu criei no início de 2015 para a escola O Pequeno Polegar, a partir de uma sugestão dada pela minha irmã Shandra Andere, grande artista (e arteira) de Salvador – BA, que também conta histórias para crianças e adultos.

Montei esta história para uma interação ativa com as crianças, pois para cada personagem eu assumo uma postura de mãos e braços, incentivando-os a fazer o mesmo. A partir da segunda vez que o personagem entra na história eu faço apenas a postura e deixo que eles anunciem qual personagem está participando no momento.

As crianças adoram contribuir e, embora no começo apenas as mais extrovertidas participem, as outras logo se juntam ao coro e, na segurança da coletividade, até as mais introvertidas acabam extravasando e participando.

O Menino e a Bola

Era uma vez um menino que morava no alto de um grande morro.

Este menino tinha uma grande e linda bola, com a qual brincava todos os dias. Ele levava sua bola para o quintal e jogava ela no chão e a bola pulava, para cima e para baixo: tóim, toím, tóim.

Um dia ele estava brincando com a sua bola quando ela saiu pulando morro a baixo: tóim, toím, tóim.

O menino saiu correndo atrás da bola. Era o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim!

A bola passou por um rato. E quem vinha atrás da bola? O menino.

O menino pisou no rabo do rato! E o rato saiu correndo atrás do menino.

Era o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim!

A bola passou pelo gato. E quem vinha atrás da bola? O menino. E atrás do menino? O rato.

O gato viu o rato e saiu correndo atrás do rato.

Era o gato atrás do rato,  o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim!

A bola passou por um cachorro. E quem é que vinha atrás da bola? O menino. E atrás do menino? O rato. E atrás do rato? O gato.

O cachorro viu o gato e saiu correndo atrás do gato.

Era o cachorro atrás do gato, o gato atrás do rato,  o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim!

A bola passou pelo pato.  E quem é que vinha atrás da bola? O menino. E atrás do menino? O rato. E atrás do rato? O gato. E atrás do gato? O cachorro.

E o o pato viu todo mundo correndo atrás de todo mundo e achou que era uma brincadeira de pega-pega e quis brincar também… E o pato saiu correndo atrás do cachorro.

Era o pato atrás do cachorro, o cachorro atrás do gato, o gato atrás do rato,  o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim.

A bola passou pelo galo. E quem é que vinha atrás da bola? O menino. E atrás do menino? O rato. E atrás do rato? O gato. E atrás do gato? O cachorro. E atrás do cachorro? O pato.

E o galo viu todo mundo correndo atrás de todo mundo, achou que era pega-pega e saiu correndo atrás do pato também.

Era o galo atrás do pato, o pato atrás do cachorro, o cachorro atrás do gato, o gato atrás do rato,  o rato atrás do menino, o menino atrás da bola e a bola: tóim, toím, tóim.

A bola bateu na parede. E quem é que vinha atras da bola? O menino. E o menino bateu na bola. E quem é que vinha atrás do menino? O rato. E o rato bateu no menino. E quem é que vinha atrás do rato? O gato. E o gato bateu no rato. E quem e que vinha atrás do gato? O cachorro. E o cachorro bateu no gato. E quem é que vinha atrás do cachorro? O pato. E o pato bateu no cachorro. E quem é que vinha atrás do pato? O galo. E o galo bateu o pato.

E os animais bateram um no outro,  bateram na parede e cairam no chão. E foi a maior confusão…

E a solução foi que todos levantaram e, juntos, jogaram bola até se cansar!

Quem quer jogar?

……………………………………………………………………………………………………………

E a história termina com a bola sendo jogada para cada um deles, principalmente com os menores essa brincadeira do final pode ir longe, e eles adoram tanto quanto a história.