A Estrela Sujinha

Era uma vez uma grande nuvem onde todas as estrelinhas mais novas dormiam durante o dia esperando chegar sua hora de iluminar o céu noturno. Quando o Sol já estava quase se pondo a dona Lua as chamava e dizia:

– Estrelinhas, é hora de tomar um banho. Lavem-se bem direitinho para ficarem bem brilhantes e deixarem o céu da noite iluminado e cintilante.

E todas as estrelinhas tomavam um banho bem tomado até saírem radiantes para iluminar a noite escura juntos com a dona Lua. Menos na Lua Nova, quando a dona Lua ficava bem escondida e as estrelinhas iluminavam a noite sozinha. Nesses dias dona Lua fazia questão de que elas tomassem um banho ainda mais caprichado para que ficassem ainda mais brilhantes deixando o céu noturno bem iluminado.

Acontece que havia uma estrelinha que não gostava nada de ter que tomar banho todo dia, ela ficava com muita preguiça. E foi justamente em uma noite de Lua Nova que essa estrelinha resolveu que não ia tomar banho. Quando a dona Lua chamou e as outras estrelinhas foram correndo se banhar, a Estrelinha preguiçosa ficou bem escondida esperando a hora da saída. Só quando as outras estrelinhas limpas e cintilantes foram sair da grande nuvem para o céu iluminar é que a estrelinha saiu sujinha do seu esconderijo para as amigas acompanhar. Acontece que a estrelinha estava tão sujinha que não tinha luz suficiente nem mesmo pra iluminar seu próprio caminho. E, por isso mesmo, acabou se perdendo. Quando a noite acabou e chegou a hora das estrelinhas voltarem para a grande nuvem, a estrela encardida não consegui achar o caminho pra voltar, afinal ela estava tão suja que não tinha luz nenhuma para o caminho iluminar e, pra piorar, sendo noite de Lua Nova não havia nem ao menos a luz do Luar.

Dona Lua logo percebeu que uma das suas estrelinhas não havia voltado para casa e ficou preocupada. Mas preocupada ainda ela ficou quando olhou para o céu e a pequena estrela ela não avistou. É que a estrelinha estava tão suja que dona Lua nem a conseguiu enxergar.

Mas a dona Lua e uma mãe cuidadosa e não ia deixar uma de suas estrelinhas passarem o dia fora. Ainda bem, porque a estrelinha perdida já estava desesperada, achando que ia ficar para sempre perdida, fora de casa, cada vez mais encardida e mais difícil de enxergar e de ser enxergada.

Por sorte dona Lua teve uma ideia, sabe qual era? Foi falar com a dona Nuvem Carregada e pedir uma boa chuva.

Dona Nuvem Carregada mandou aquela chuvarada e a água que caía foi lavando a estrelinha, tirando toda a sujeira e deixando-a cada vez mais brilhante, até que a dona Lua conseguiu enxergá-la, e ela também conseguiu achar o caminho de casa.

A pequena estrelinha nunca mais ficou um dia sem tomar banho, pelo contrário, é só a dona Lua chamar pra ela correr e tomar um banho bem caprichado e hoje em dia, ou melhor, de noite, ela é conhecida como a estrelinha mais brilhante.

FIM

……………………………………………………………………………………………………….

Para ver mais contos desse jardim clique no menu no canto direito, no alto da página (são esses risquinhos mesmo).

Se quiser entrar em contato mande um whats para (41) 98821-0113 (Taina Andere)

Encante suas festas com os contos e as brincadeiras do Jardim de Histórias. Leve nossas histórias e oficinas para a sua escola!

 

A BORBOLETA DE UMA ASA SÓ

Essa história eu costumo contar usando uma cartolina dobrada ao meio e cola colorida. Começo fazendo uma bolinha que é o ovinho, depois quando o ovo se abre e de lá sai a lagarta faço o corpinho, quando a lagarta sai do casulo e vira borboleta faço a asa (uma só, porque a Leta tem só uma asa). Tudo isso em metade da cartolina. Continuo contando a história usando a borboleta pintada como personagem. Quando a Leta e o Leto se abraçam prontos para virar comida de sapo eu dobro a cartolina deixando a borboleta para dentro. Quando a Leta bate a asa direita eu abro um lado da cartolina, quando o Leto bate a asa esquerda eu abro o restante e então o desenho espelhado forma uma borboleta inteira. Depois da contação faço com as crianças uma oficina de desenhos espelhados (pintados em meia folha com cola colorida e depois carimbados na outra metade). É, com certeza, uma das histórias preferidas da minha turminha…

A BORBOLETA DE UMA ASA SÓ

Era uma vez um pequeno ovinho, bem pequenininho que, quando de abriu, lá de dentro uma lagarta saiu. Saiu com fome e comeu a casca do ovo e saiu comendo, e comendo, e achando tudo gostoso. Quando cansou, se dependurou num galho e ficou toda encolhidinha dentro de um casulo. Veio a chuva, veio o Sol e, como diz o jogador de futebol: O tempo passa. E o tempo passou. Até que de dentro do casulo saiu uma linda borboleta. Era a borboleta Leta.

Mas a Leta não era como as outras borboletas, porque a Leta tinha uma asa só e, sendo assim, não podia voar. Mas a Leta tinha um grande sonho, conhecer a Sempre-viva, que de todas as flores é a mais bonita. Mesmo sem poder voar a Leta resolveu sair e procurar a sempre viva. Por isso foi caminhando, caminhando e procurando, caminhando e perguntando:

-Oi, bom dia! Você viu a Sempre-viva?

Para todo bichinho que a Leta encontrava ela perguntava:

-Oi, bom dia! Você viu a Sempre-viva?

-Oi, bom dia! Você viu a Sempre-viva?

Mas só quem tinha visto eram os bichos que sabiam voar. É que a Sempre-viva só nascia lá no alto. Sem asas para voar a Leta não as podia alcançar. Mas ela não desistiu. Continuou procurando e perguntando, perguntando e procurando.

Até que viu uma moita se mexendo e foi pra moita perguntar:

-Oi, bom dia! Você viu a Sempre-viva?

E adivinha quem saiu de detrás da moita? Foi o Leto, um borboleto que também tinha uma asa só.

A Leta olhou pro Leto, o Leto olhou pra Leta e os dois ficaram encantados por se verem iguais. E resolveram sair juntos à procura da Sempre-viva.

Mas o que eles encontraram foi um sapo. Um sapo gordo, enorme, com uma língua nojenta gigantesca pronta pra engolir os dois. E o pior é que sem poder voar eles não tinham como escapar. O Leto e a Leta se abraçaram prontos para virar jantar. Mas foi aí que a mágica aconteceu: a Leta bateu a asa direita e o Leto bateu a asa esquerda e eles descobriram que os dois juntos formavam uma borboleta inteira. E assim, juntinhos, saíram voando, escaparam do sapo gordo e foram pousar justamente em cima da Sempre-viva, a flor que de todas é a mais bonita.

FIM

Para ver mais flores deste jardim, minhas criações ou versões rimadas, clique no menu, são esses risquinhos mesmo no cantinho direito no alto da página.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar seu evento ou para a sua escola. Entre em contato:

Telefone: 41 988210086  (vivo/whats)

Email: meujardimdehistorias@gmail.com

 

 

A Árvore Generosa- Shel Silvertein

Esta história deve ser contada para acompanhar uma aula de educação ambiental, já que mostra dois lados de uma mesma moeda: se por um lado nos mostra o quanto a natureza “gosta” de servir, afinal a planta só fica saudável se estiver cumprindo o seu propósito natural, por outro lado nos mostra o quanto esse fator tornou o ser humano acostumado a tirar tudo da natureza esquecendo-se de trocar com a mesma ou seja, em um processo extrativista insustentável, como a própria natureza tem nos mostrado. As crianças gostam muito dessa história e ela abre caminho para um bate-papo super interessante sobre sustentabilidade, agroecologia e extrativismo sustentável.

Contei esta semana no dia da árvore e as minhas crianças adoraram.

Para a abertura da história usei a canção “A Árvore da Montanha”, que é ótima para trabalhar a memória e o raciocínio lógico, além de ser divertida e própria para o tema abordado.

A Árvore Generosa- Shel Silvertein (adaptação Taina Andere)

Era uma vez uma frondosa árvore que amava muito um menino.

Todos os dias o menino vinha visitá-la, recolhia suas folhas e com ela fazia coroas e brincava de rei da floresta. Depois sobia no seu grosso tronco, balançava-se em seus galhos, comia seus frutos e, quando ficava cansado, descansava à sombra das suas folhas. E a árvore era muito feliz.

Mas o menino cresceu e passou muito tempo sem aparecer. Quando ele finalmente apareceu de novo a árvore ficou tão feliz que até tremeu:

-Ah, Menino! Que bom que você veio. Venha, suba no meu tronco, balance nos meus galhos, coma meus frutos e seja feliz!

-Ora dona Árvore, eu já estou muito crescido para brincar. Agora eu quero comprar coisas, quero me divertir. Mas para isso eu preciso de dinheiro. Você tem algum dinheiro  para me dar?

-Ah, Menino. Dinheiro eu não tenho, não preciso disso. Mas venha, suba no meu tronco, colha os meus frutos, leve-os para vender na cidade, ganhe dinheiro e seja feliz!

E foi o que o menino fez. Subiu no tronco da árvore, colheu todos os seus frutos e levou para vender na cidade. E a árvore ficou feliz.

Mas o menino passou mais um longo tempo sem aparecer. Quando mele voltou a árvore ficou tão feliz que até gemeu:

-Ai, Menino! Que bom que você voltou. Venha, suba no meu tronco, balance nos meus galhos e seja feliz!

-Ora dona Árvore eu agora sou um homem de negócios, ando muito ocupado, não tenho tempo para brincar. Eu quero casar, ter filhos. Mas para isso eu preciso de uma casa. Você por acaso tem uma casa para me dar?

-Ah, Menino. Minha casa é essa floresta. É aqui que eu vivo. Mas venha, corte meus galhos, construa com eles uma casa e seja feliz!

E foi o que o menino fez. colheu todos os galhos da árvore e, com eles, construiu uma bela casa. E a árvore ficou feliz.

Mas o menino passou mais um longo, longo tempo sem aparecer. Quando ele finalmente veio a árvore ficou tão feliz que mal conseguiu falar:

-Ahhhh, Menino! Que bom que você veio. Venha, suba no meu tronco e seja feliz!

-Ora dona Árvore, eu já estou muito velho para subir em troncos, e também estou muito triste. O que eu queria mesmo era um barco ligeiro que me levasse para longe. Você tem um barco para me dar?

-Ah, Menino. Um barco eu não tenho. Mas venha, corte meu tronco, construa com ele um barco e seja feliz!

Foi o que o menino fez. Cortou o tronco da árvore e com ele construiu um barco que o levou para longe. E a árvore ficou feliz, mas nem tanto, porque agora ela era apenas um toco.

E o menino passou um tempo muito, muito longo antes de reaparecer. Quando ele apareceu a árvore ficou feliz, mas não muito.

-Ah, Menino. Que bom que você veio. Mas já não tenho mais nada para te oferecer. Não tenho mais frutos para que você possa comer.

-Ora dona Árvore, eu também já estou muito velho, meus dentes estão muito fracos, mesmo que você ainda tivesse frutos eu não poderia comê-los.

-Ah, Menino. Também já não tenho galhos para que você possa se balançar.

-Ora dona Árvore, mesmo que você os tivesse eu estou velho e fraco, meus braços já não tem força para eu me balançar.

-Ah, Menino. Também já não tenho tronco para você subir. Queria tanto ter algo para lhe oferecer, mas sou apenas um toco, não tenho mais nada para lhe dar.

-Ora, dona Árvore, eu também já sou muito velho para subir em troncos. Para falar a verdade já estou tão velho que não quero mais nada da vida, apenas um lugar tranquilo onde eu possa sentar e descansar.

-Ah, Menino!- disse a árvore novamente contente- Mas para isso um toco serve perfeitamente. Venha Menino, sente no meu toco, descanse e seja feliz!!!

E foi o que o menino fez. Sentou no toco e descansou e a árvore ficou muito feliz.

……………………………………………………………….FIM…………………………………………………………..

Para ver mais flores deste jardim, minhas criações ou versões rimadas, clique no menu, são esses risquinhos mesmo no cantinho direito no alto da página.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar seu evento ou para a sua escola. Entre em contato:

Telefone: 41 988210086  (vivo/whats)

Email: meujardimdehistorias@gmail.com

 

O Gato Pelado

Essa é a história de um gato. Um gato que vivia participando desses concursos de gato e era sempre premiado, porque era um gato muito diferente dos outros gatos, era um gato egípcio, um gato pelado. Pelado mesmo, não tinha nem um pelo, nem unzinho, nem mesmo no rabo. Por isso mesmo não tinha amigos, vivia sozinho desprezado pelos outros gatos.

-Sai daqui, você mais parece um rato.- dizia o gato malhado.

-Fique longe de nós, você não é um gato, deve ser um cachorro pequinês.- falava o gato siamês.

-Não sei que bicho você é, mas com certeza não é gato, nós gatos temos o corpo coberto de pelos macios e belos.- se gabava o gato amarelo.

E assim o Gato Pelado viva sozinho, pobrezinho.

Um dia tomou uma decisão, resolveu sair por esse mundão e descobrir que bicho ele era, assim poderia fazer amigos e não ficaria mais sozinho.

Logo viu uma árvore cheia de passarinhos, tinha passarinhos de todos os tipos, tinham grandes gralhas e pequenos pintassilgos, todos piando e conversando alegremente, apesar de serem muito diferentes eram todos amigos, haja visto que eram todos passarinhos.

Mais que depressa o Gato Pelado subiu pelo tronco até chegar em um galho lá no alto onde vários passarinhos conversavam.

-Piu, piu, piu.- cantavam os passarinhos.

-Piu, piu, piu!- imitava o Gato Pelado.

-Piu, piu! Bom dia! Temos um novo amigo para nos fazer companhia, mas que tipo de passarinho você é  que eu nunca vi?- perguntou o Colibri.

-Sou um pássaro-gato a procura de amigos.- respondeu o gatinho.

– Seja muito bem-vindo!- responderam os passarinhos cantando em uníssono.

E assim o Gato Pelado achando que era um passarinho se divertiu com seus novos amigos pulando de galho em galho. Até que o Beija-flor falou.

-Estou com sede, preciso de água. Quem quer ir comigo até o lago da Araucárias.

-Piu,piu. Vamos todos.- responderam os passarinhos e logo levantaram voo.

E atrás do Papagaio, pulou nosso amigo Gato Pelado.

-Miauuuu!!!

O Gato pelado caiu no chão todo estatelado.

-Miau! Acho que afinal eu não sou um passarinho, não sei voar, não posso viver em um ninho.

E assim partiu novamente o nosso amigo. Decidido a encontrar novos amigos. O Gato Pelado viu uma porção de sapos coachando na beira do lago.

-Coach!- faziam os sapos.

-Coach!- imitou o Gato Pelado.

-Olá,- disse o sapo Cururu-  que tipo de sapo és tu?

-Olá, sou um sapo-gato a procura de amigos, posso cantar contigo?

-Claro!- responderam todos os outros sapos.

E saíram saltando e coachando e o Gato pelado imitando. Saltando e coachando junto com os outros sapos. Até que os sapos pularam nas folhas de vitória régia que ficavam em cima do lago.

-Miauuuuu!- miou o gato quase morrendo afogado- Cof, cof, miau. Pelo jeito eu também não sou sapo, não sei boiar nas folhas do lago…se eu não sou um pássaro e não sou um sapo, que bicho será que eu sou?

Foi quando ele viu um sapo na beira do rio.

-Quac, quac!- o pato grasnou.

-Quac, quac!- o Gato Pelado imitou.

-Olá!- disse o pato- você é um pato bem diferente dos que eu conheço, que tipo de pato você é?

-Sou um pato-gato a procura de amigos.- respondeu o Gato Pelado.

-Que legal, quer brincar comigo?

-Claro!- respondeu o Gato Pelado.

E o Pato saiu rebolando e grasnado:

-Quac, quac!

E atrás dele ia o Gato Pelado imitando:

-Quac, quac!

Estavam se divertindo a mil quando o pato foi rebolando pra nadar no rio.

-Miaaaaaau!- miou o gato se afogando.

-Não sou pato, não sou sapo, não sou passarinho. Pelo jeito meu destino é ser um gato sozinho…. Miau, miau.- o gatinho miava quase chorando, estava tão tristinho.

Foi quando ao seu lado foram chegando os passarinhos e começaram a imitar o seu novo amigo:

-Miau, miau!- miavam os passarinhos.

E foram chegando também os sapos e começaram a imitar o Gato Pelado e os passarinhos a miar.

-Miau, miau.- miavam os sapinhos.

E foi chegando o pato e também começou a miar imitando os passarinhos, os sapos e o Gato Pelado.

-Miau, miau.- miava o pato.

E assim o Gato Pelado nunca mais ficou sozinho pois vive rodeado por seus novos amigos, o pato, os sapos e os passarinhos, pois todos eles adoram brincar de ser gatinho.

Quem aí também quer brincar de imitar um gatinho?

………………………………………………………………………FIM………………………………………………………………..

Para ver mais flores deste jardim, minhas criações ou versões rimadas, clique no menu, são esses risquinhos mesmo no cantinho direito no alto da página.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar seu evento ou para a sua escola. Entre em contato:

Telefone: 41 988210113  (vivo/whats)

Email: meujardimdehistorias@gmail.com

Pituchinha – Marieta Leite

Conto essa história já há alguns anos, as crianças adoram. Mas como já dizia o velho ditado, quem conta aumenta um ponto, e ao contá-la tantas vezes ela foi se transformando muito e se diferenciando muito da original, tanto que a boneca Pituchinha virou Neneca, que é o nome da minha personagem boneca, que muitas vezes uso na animação de festas infantis. Posto aqui essa minha versão, que mais uma vez não tem a intenção de ser melhor que a original, mas é como a história ficou no meu cabedal.

…………………………………………………………………………………………………………………

A BONECA NENECA – Versão da história Pituchinha, de Marieta Leite

Era uma vez uma grande loja de brinquedos, cheia prateleiras repletas de bolas, jogos, carrinhos de todos os tipos, tinha até petecas, mas o que mais tinha nessa loja eram bonecas, tinha uma porção delas: grandes e pequenas, de pano ou de plástico, tinha boneca de bailarina, de super herói e de palhaço.

Durante o dia a loja fica muito animada, com clientes andando pra todo lado e o grande rebuliço da criançada. Mas nas prateleiras as bonecas ficam todas bem paradas.

E quando chega a noite e a loja é fechada, em cima do balcão fica o soldadinho montando guarda para garantir que todas as bonecas fiquem bem quietinhas dentro das suas caixas. O soldadinho de chumbo é muito bravo e tem uma grande espada. As bonecas e bonecos tem muito medo do soldadinho, por isso ficam bem quietinhos, dormindo dentro de suas caixas.

Entre essas bonecas tinha uma muito especial chamada Neneca. Um dia Neneca viu a dona da loja passar carregando um grande pote de doce de leite para guardá-lo na cozinha.

Neneca adora doce de leite. Passou o dia, paradinha, pensando naquele pote enorme de doce guardado na cozinha.

Quando a noite chegou Neneca não conseguiu dormir, deitada na sua caixa no grande pote pensava. Neneca tomou uma decisão! Abriu seus olhinhos de botão:

-Shii! Está tão escuro! Não posso fazer barulho para não acordar o soldado de chumbo. Tenho que falar baixinho e andar bem devagarzinho. Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar… Aiii!

A boneca Neneca tropeçou na caixa da bonequinha Pom Pom. Pom Pom acordou:

-Quem está aí?

-Shhh! Sou eu Neneca. Fale baixo pro soldado de chumbo não acordar.- a boneca tinha medo do soldadinho de chumbo.

O Soldadinho de chumbo tinha uma grande espada. A boneca Pom Pom também tinha medo do soldadinho de chumbo.

– Nossa, que escuridão!- sussurou a bonequinha Pom Pom saindo de sua caixa marrom.

– Pom Pom, você gosta de doce de leite? – perguntou Neneca

– Uhm! Eu adoro!- a Boneca Pom Pom também gostava muito de doce de leite.

-Quer ir comigo até a cozinha para comer um pouco do doce que está lá?- sussurrou Neneca.

-Eu quero!- respondeu a boneca Pom Pom, já bem desperta.

-Então vamos! Mas temos que falar bem baixinho e ir bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…

Elá foram as duas juntinhas pra cozinha:

-Um pé pra lá, outro pra cá, bem devagarzinho pro soldadinho não acordar… Um pé pra lá, outro pra cá, bem devagarzinho pro soldadinho não… Aiii!

A boneca Neneca tropeçou na caixa do palhacinho Polichinelo. O palhacinho acordou:

-Quem esta aí?

-Shhh! Somos nós. A Neneca e a Pom Pom. Fale baixinho pra não acordar o soldadinho.

A Neneca tem medo do soldado de chumbo e da sua grande espada dourada. Pom Pom também tem medo do soldado. O palhaço Polichinelo também tem medo do soldado de chumbo de casaco amarelo.

– Nossa que escuridão!- sussurrou o boneco Polichinelo saindo da sua caixa.

– Polichinelo você gosta de doce de leite? – perguntou Neneca que adorava doce de leite.

-Uhm! Adoro!- o palhacinho Polichinelo também gostava muito de doce de leite.

– Estamos indo para cozinha comer um pouco do doce de leite que hoje cedo foi lá guardado. Quer ir conosco pra comer um pedaço?

–  Eu quero sim!- respondeu o palhaço já todo animado.

-Temos que falar baixinho e andar bem devagarzinho pra não acordar o soldadinho.

E lá foram o boneco palhacinho e as duas bonequinhas para cozinha:

– Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…Um pé pra lá e outro pra cá. Bem devagarzinho pro soldadinho não acordar…

E chegaram na cozinha. Mas o pote de doce de leite estava na prateleira mais alta, lá em cima. Neneca era tão pequenina.

-Já sei!- a boneca Neneca teve uma ideia- Vamos subir um em cima do outro e assim alcançamos o pote lá em cima.

Os amigos adoraram a ideia da boneca. Primeiro foi o Polichinelo, que era o mais forte de todos. Ficou bem abaixo da prateleira. Mas Polichinelo era pequeno, a prateleira tão alta, ele não alcançava. Então veio a boneca Pom Pom, que também era bem fortinha e subiu nos ombros do palhaço Polichinelo. Mas a prateleira era muito alta, Pom Pom tão pequenina, mesmo os dois juntos não alcançavam o doce lá em cima.

Foi a vez da Neneca. Subiu no ombro do boneco Polichinelo, depois no ombro da boneca Pompom e ficou bem alta, bem longe do chão, quase alcançava a prateleira.

A boneca Neneca ficou nas pontas dos pés, alcançou a prateleira mas não conseguia pegar o pote.

A boneca Pom Pom também ficou nas pontas dos pés. Neneca conseguia agora tocar o pote, mas não conseguia pegar.

O boneco Polichinelo também ficou nas pontas dos pés. E a boneca Neneca finalmente conseguiu alcançar e pegar o pote lá no alto da prateleira.

Mas bem nessa hora o palhacinho perdeu o equilíbrio. Estava na ponta dos pés, não conseguiu aguentar e desmoronou no chão levando junto com ele o pote de doce de leite, a boneca Neneca e a boneca Pom Pom.

Fez um barulho danado. Acordou o soldado:

– Que barulho é esse? Quem está aí? Shiii, que escuridão.

O soldadinho de chumbo foi correndo pra cozinha e viu toda a confusão: tinha vidro quebrado e doce de leite pra todo lado. Só faltava um culpado. O soldadinho de chumbo olhou para os lados e não viu nada. Então olhou com mais atenção e, mesmo naquela escuridão percebeu três caixas destampadas. O soldadinho com a sua grande espada, resolveu ir até lá dar uma olhada. Chegou perto da primeira caixinha bem devagar e:

-Ahá!- gritou o soldado.

Mas não encontrou nada, só o polichinelo, o boneco palhaço que dormia bem sossegado.

-Zzzzzz…

O soldado não se deu por logrado, foi andando até a segunda caixa, bem devagarzinho pra não ser escutado, chegou perto da segunda caixa aberta quase sem respirar e:

-Ahá!

Mas só o que viu lá foi a boneca Pom Pom dormindo tranquila na sua caixa marrom.

-Zzzzzzzzzzzzzz…

Contudo o soldado de chumbo queria achar o culpado e castigá-lo por ter sujado tudo. Foi com todo cuidado espiar a terceira caixa aberta, andando bem devagar pra não ser escutado. Foi pé ante pé e…

-Ahá!- Mas uma vez o soldado gritou, mas só o que encontrou foi a boneca Neneca tirando sua soneca.

-Zzzzzzzzzzzzzzz…

Mas o soldado de chumbo não podia sair vencido, se não as bonecas não iriam mais querer passar as noites em suas caixas, podiam acabar quebrando, sujando ou rasgando e as crianças não iriam mais querer comprá-las. Foi aí que o soldado teve uma grande ideia pegou um rolo de barbante e amarrou todas as bonecas. Princesas e heróis, palhaços e bailarinas. Foram todos bem amarradinhos, cada um em sua caixinha. E assim o soldadinho de chumbo pode voltar a dormir sossegado.

E é por isso que até hoje, quando você compra um boneco ou boneca nova, vindo da loja,  dentro da caixa ela está toda amarrada.

…………………………………………………………..FIM……………………………………..

Essa história é contada sem nenhum recurso visual, apenas a entonação de voz, mas com várias nuances de volume, para criar o suspense, dando maior ou menor intensidade aos pequenos sustos conforme a idade dos ouvintes.

Assim, sempre antes dos gritos do soldado ou dos tropeços da boneca nas caixas dos amigos, eu falo com a voz mais baixa, chegando mesmo a sussurrar, para depois falar mais alto na hora do grito (com os alunos do ensino fundamental chego mesmo a gritar causando altos sustos, mas eles adoram).

De todas as histórias sem recursos visuais que já contei essa foi a que meus alunos a partir do nível V mais pediram pra repetir. (Embora ela nem se compare com as histórias “O Caminho da Estrela” ou da “Borboleta de uma asa só”, sempre pedidas, mas essas eu conto com uso de recursos lúdicos quase mágicos…)

…………………………………………………………………………………………………………………

Para ver outras histórias do meu jardim, minhas criações ou versões rimadas, clique no menu, são esses risquinhos mesmo no canto direito, no alto da página.

Leve minhas histórias e brincadeiras para encantar seu evento. Leve minhas histórias para sua escola.

Entre em contato pelo email meujardimdehistorias@gmail.com

ou pelo tel (41) 98821 0113 (whats/ vivo)

Deixe seus comentários e sugestões.

Agradeço pela visita, até outro dia!

 

 

A bola do Bilu

Bilu era um menino levado que só. Quando ele foi batizado o padre chamou ele de Breno Lucas, mas, dali pra frente, todo mundo só chamava ele de Bilu. Adultos são assim mesmo, adoram por nomes compridos nos filhos pra depois chamar pelo apelido…

Logo cedo Bilu aprendeu que quando a mãe chamava ele de Breno, podia esperar bronca, e não era pouca. Mas se chamava de Breno Lucas, aí é porque a coisa tava feia, era melhor correr do que ficar pra ver… mas mãe é mãe, não adianta se esconder, parece até que elas têm super poder, acham a gente nos nossos melhores esconderijos e descobrem os nossos segredos mais bem escondidos.

O Bilu adorava jogar futebol. Acontece que ele morava em um prédio de condomínio onde tinha mais doze crianças: o Pedrinho, o João, a Maria, o Miguel, a Luiza, o Matheus, a Ana, a Julia, o Lorenzo, o Marcos, o Junior e a Ceci e adivinha o que é que eles faziam todos os dias? Desciam pra jogar bola na quadra de futebol. Mas eles eram em treze, logo ficavam seis em cada time e sobrava um de fora, então tinha sempre um revezamento, cada hora um ficava de fora correndo pra pegar a bola quando ela escapava da quadra. Ou seja, cada hora um fazia o papel de gandula da turma.

Acontece que no Natal o Bilu ganhou uma bola de futsal original.

Quando chegou na quadra no dia 26, adivinhem vocês… Todo mundo queria jogar com a bola nova do Bilu.

E o Bilu resolveu aproveitar que era o dono da bola pra não ter mais que ficar de fora de nenhuma partida sendo o gandula da turma. Ninguém gostou, mas no fim todo mundo aceitou porque ninguém queria jogar com a bola velha e jogar com uma bola original fazia a partida parecer mais séria.

E assim naquele dia o Bilu foi dormir feliz da vida, se sentindo o maioral, achando que era o tal…

Acontece que no dia seguinte chegou o Juca, que morava lá em Rio Negrinho e ia passar as férias na casa do seu primo, o Pedrinho. Antes da primeira partida ele fez a pergunta:

-Ei quem é que quer começar sendo o gandula?

O Bilu foi o primeiro a responder:

-Eu é que não vou ser. Ontem todo mundo concordou que como eu sou o dono da bola nova eu não ia passar nem uma jogada de fora sendo gandula.

-Ih, não seja bobo, aposto que depois desse jogo você vai estar louco pra ser o gandula. – falou o Juca, primo do Pedro e novo amigo da turma.

-Pois eu aposto que não e eu não vou ser o gandula nem se vocês pedirem muito, se não eu vou embora e levo a minha bola junto!

-Ih! Relaxa, todo mundo já entendeu, você é um menino mimado e não vai ser gandula. Só que óh, perdeu! Eu tenho uma ideia que faz todo mundo ficar sempre feliz, quem for ser o gandula será também o juiz!

E falando isso tirou do bolso dois cartões e um apito.

Todo mundo adorou a ideia e dessa vez todos eles queriam começar sendo o gandula-juiz, afinal quem não quer ter o controle do apito, dizer o que vale ou não vale, dar falta e cartão pros amigos?

O Bilu, é claro. Quer dizer, querer ele até queria, e queria era muito pra falar a verdade, mas não ia dar o braço a torcer e deixar o Juca vencer. Sim, porque pra ele aquilo já era uma disputa. Fingiu que não dava mínima pra ser juiz e ficou se remoendo de inveja, o jogo inteiro, vendo todo mundo se divertir.

E o Bilu era tão teimoso que nem no dia seguinte ele mudou de ideia, e assim passou a semana e depois o mês, com tanta vontade de ser o gandula-juiz que teve até diarreia, depois de um mês ele já não aguentava mais, resolveu voltar atrás, pediu desculpa pro Juca e pediu pra voltar pro revezamento de gandulas.

O Juca aceitou na mesma hora, mas, dessa vez, foi a mãe do Bilu que não deixou ele jogar bola, é que como ele tinha ficado doente não podia ir brincar lá fora, né?

Assim Bilu ainda passou mais um dia inteirinho no quarto, praticamente de castigo.

Só no outro dia é que ele pode jogar bola e revezar com a turma pra ser o juiz-gandula. E era mesmo tão divertido poder apitar e dar cartão pros amigos…

Mas no dia seguinte o Juca já veio se despedir, ia voltar pra casa.

-Mas você não pode ir, logo agora que eu estava gostando tanto de ser juiz…

-Pode ficar tranquilo, você virou um bom amigo. Se me prometer que nunca mais vai deixar de dividir as coisas e nem fazer chantagem, eu deixo meu apito e meus cartões pra vocês poderem continuar jogando com um juiz-gandula…

E foi assim que o Juca foi embora. Mas os amigos, até hoje, todos os dias saem pra jogar bola e se revezam pra serem o juiz-gandula. E não veem a hora de chegar de novo as férias pro Juca voltar trazendo novas ideias.

FIM

………………………………………………………………………………….

Para ver mais contos desse jardim clique no menu  (são esses risquinhos mesmo no alto da página, canto direito).

Entre em contato pelo telefone ou whats: 8821-0113 ou 88664004 (Taina Andere)

Encante suas festas com os contos e as brincadeiras do Jardim de Histórias, leve nossas contações de história para a sua escola!!!