A Lenda dos Rabos

Esta história aconteceu há muito tempo atrás, em uma época em que os animais ainda não tinham rabos, eram todos desrabados e, assim, viviam meio desequilibrados, como se lhes faltasse um pedaço.

Um dia apareceu uma linda fadinha trazendo um enorme saco cheio de rabos. Havia no saco tudo quanto é tipo de rabo. Rabos curtos ou compridos, grossos ou finos, esticados ou enrolados, rabos com penas, com pelos ou escamas, rabos de todas as cores e tamanhos que se possa imaginar. A fada pousou em uma clareira e chamou bem alto todos os animais:

-Atenção, atenção. Quero que formem uma fila com um animal de cada espécie para escolher um rabo. escolham com muito cuidado, pois todos da sua espécie terão que usar esses rabos para todo o sempre. Não precisam ficar alvoroçados, neste saco tem um rabo para cada um de vocês. Formem uma fila e que cada um escolha o rabo que mais combina com si.

Dizendo isso a fada virou o saco bem no meio da clareira, enquanto os animais formavam uma grande fileira. Logo todos os animais já haviam enviado um representante da sua espécie para escolher o rabo e todos eles já estavam enfileirados.

As aves que vieram voando eram as primeiras da fila, escolheram rabos feitos com penas, algumas como o pássaro Tesoura, escolheram penas bem compridas, o Pavão escolheu o maior rabo e com as penas mais coloridas, já o Tico-tico preferiu uma pequena e discreta pra que pudesse continuar pulando de lá pra cá, botando pra quebrar sem o rabo a lhe atrapalhar.

Depois vieram os mamíferos, o Elefante, apesar de ser muito grande, escolheu um rabo bem pequenino e todo enroladinho. O Rato quis um rabo fino e comprido, o Gato preferiu um peludo e alongado. Mas quando chegou a vez do Macaco ele não conseguia se decidir por um rabo, ficou dividido entre um rabo enrolado e um rabo comprido. Sem conseguir se decidir teve uma ideia egoísta, juntou os dois rabos em um só e vestiu os dois bem rápido, ficando assim com um rabo comprido e enrolado para poder se pendurar pelos galhos. E foi logo se pendurando em um galho, bem rápido, antes que alguém percebesse que o danado tinha pego dois rabos, subiu bem alto e ficou sentado em cima do rabo.

E assim foi seguindo a fila, cada animal escolhendo o rabo que mais lhe convinha.

Mas vocês lembram que no começo desta história a gente falou que a fada havia trazido um rabo pra cada bicho? Pois se o Macaco pegou dois rabos o que foi que aconteceu?

Pois é, quando chegou no fim da fila faltava a Cobra e o Sapo, mas só sobrara um rabo!

O Sapo olhou pra Cobra e a Cobra olhou pro Sapo, os dois olharam para o último rabo que havia sobrado, novamente se olharam e saíram correndo atrás do rabo. O Sapo puxou o pé da Cobra (porque naquele tempo a cobra ainda tinha patas, pés e mãos). A Cobra deu um chute no Sapo. O Sapo pulou em cima da Cobra e a Cobra rolou por cima do Sapo e os dois foram correndo aos papos e sopapos até que na última hora a Cobra se jogou com tudo no rabo que havia sobrado. Mas a cobra caiu tão desajeitada que acabou caindo dentro do rabo e ficando entalada, assim suas patas ficaram pra dentro do rabo e a coitada acabou sem mão, nem pé, nem nada, num grande rabo enfiada. E o Sapo, coitado, acabou ficando sem rabo.

Por isso até hoje a Cobra tem raiva do Sapo, pois acha que é por culpa dele que ela acabou sem as patas e pra andar tem que se arrastar de cá pra lá. E o Sapo tem raiva da Cobra porque acha que é culpa dela que ele acabou sem rabo (nem imagina que o verdadeiro culpado é o Macaco). E é por isso que até hoje, no meio do mato, o Sapo come a Cobra e a Cobra come o Sapo.

FIM

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O Brinquedo mais Legal do Universo

Esta história eu fiz para minha primeira apresentação no Pequeno Polegar, no ano passado, na semana da criança.

Teve como base a história anterior, mas tendo como público alvo crianças do NV e 1º ano. Entretanto as brincadeiras de corda se repetem aqui. Creio que esta história ficou melhor para o Fundamental I e a primeira, por ser mais rica em conteúdo, para o Fundamental II, mas as duas dão certo para todas as idades. São histórias bem festivas e interativas, nas quais as crianças participam ativamente enquanto aprendem conteúdos importantíssimos.

Nesta montagem tenho uma interpretação mais “teatral”, uma vez que eu sou a primeira criança e, na medida em que as crianças aparecem, eu tiro um acessório típico da minha mala de viagens (uma coroa de louros, um cocar, uma tiara egípcia e um chapéu chinês) para o qual eu faço minha grande pergunta. Quando a criança de outro país vai me responder eu visto o acessório para interpretar esta outra criança.

O Brinquedo Mais Legal do Universo

Estava um dia brincando na rua quando surgiu entre meus amigos uma grande pergunta: Qual é o brinquedo mais legal do Universo?

Eu não consegui pensar em nenhuma resposta, mas os meus amigos também não conseguiram chegar a nenhum acordo. O Pedro tinha certeza que era a bola, a Marina achava que era a corda, o Miguel já discordava dos dois, dizia que o peão era muito mais legal, já a Juli dizia que tava todo mundo errado e que o brinquedo mais legal era a sua boneca Leleca. Enfim, ninguém conseguiu concordar com ninguém e a discussão acabou quando chegou a hora de voltar cada um pra sua casa, para lanchar.

Mas aquela pergunta não saiu mais da minha cabeça e foi crescendo dentro de mim e crescendo junto comigo até não caber mais. Foi quando eu tomei uma grande decisão: iria correr o mundo em busca de descobrir qual era o brinquedo mais legal do universo. Mas por onde começar? Resolvi começar pelo começo. Pesquisar qual era o brinquedo mais antigo.

Alguns dizem que foi o peão, mas que no começo ele era usado para adivinhar o futuro e não como brinquedo, então o mais antigo foi a bola, que foi inventada na China há 6.500 anos. E a bola é mesmo muito legal né, quem conhece algum jogo ou brincadeira que dá pra fazer com a bola? Vou ensinar um pra vocês:

(Brincadeira: Passa a bola)

Como quem entende de brinquedo são as crianças resolvi perguntar para uma criança  chinesa se ele achava que a bola era mesmo o brinquedo mais legal do universo.

Preparei então minha mala, peguei uma pá e comecei  cavar. Cavei, cavei e cavei, até chegar na China onde encontrei um menino chinês para o qual perguntei:

– Bom dia! Tudo bem com você? Sabe me dizer qual é o brinquedo mais legal do universo?

E o chinezinho respondeu:

-Olá! Para mim, o brinquedo mais legal do universo é a corda, porque dentro da corda moram muitas brincadeiras. Você conhece alguma?

– Sim, muitas. E vocês conhecem?

(Brincadeiras: Pular corda, reloginho, cobrinha, foguinho, conga)

Nós passamos o dia inteiro brincando de corda e foi muito divertido. Resolvi então tirar a prova real e descobrir se a corda era mesmo o brinquedo mais legal do universo. Mas uma vez fui pesquisar e descobri que as primeiras brincadeiras de corda foram criadas na Grécia. Portanto embarquei da China para a Grécia, a procura de uma criança grega que pudesse me dar a prova real de que eu havia encontrado a resposta para a minha pergunta.

Mal cheguei na Grécia e já dei de cara com uma menininha grega para quem fui perguntar.

-Bom dia, você sabe me dizer qual é o brinquedo mais legal do universo?

-Oh! Bom dia nobre dama. Para mim, o brinquedo mais legal do universo é a perna-de-pau. Dá para brincar sozinha, ou apostar corrida com os amigos, brinco com as minhas todos os dias. Quer ver como é divertido?

Juntos brincamos de perna-de-pau o dia inteirinho. Vocês já brincaram antes de perna-de-pau? Quem nunca andou antes levanta a mão? Vou mostrar para vocês como é que se faz:

(Brincadeira: corrida de revezamento na perna-de-pau)

Voltei de novo para a faze de pesquisa e descobri que lá no Egito existem vazos antiquíssimos que retratam crianças sobre pernas-de-pau. O que significa que eu parti rumo ao Egito, montada no lombo de um camelo maneiríssimo. Chegando ao Egito encontrei uma jovem egípcia muito esbelta a quem foi perguntar.

-Bom dia, você sabe me dizer qual é o brinquedo mais legal do universo?

– Oi. É claro que é a peteca. pois é o meu brinquedo favorito, logo é o mais legal. Se você quizer posso te ensinar.

E juntos nós jogamos peteca com rede, valendo pontos, e em roda com outras crianças de lá. E foi mesmo muito divertido.

Bem, como a peteca foi inventada pelos índios brasileiros, resolvi que era hora de voltar para o Brasil, mas antes de vir para casa fui até a amazônia procurar um curumim, que é como chamamos as crianças indígenas. Na amazônia, em uma clareira perto da tribo, encontrei um curumim, para quem foi perguntar:

– Bom dia, você sabe qual é o brinquedo mais legal do universo?

– Saudações pequena cara pálida. O brinquedo mais legal do universo é diferente para cada um. Cada criança tem o seu brinquedo preferido e, para ela, este é o brinquedo mais legal do universo. Para mim o brinquedo mais legal do universo é o bilboquê, que eu aprendi a fazer com um menininho da França que veio vizitar nossa tribo. Hoje tenho vários que eu mesmo fiz, e brinco com eles todos os dias, junto com os outros curumins. Mas meus amiguinhos da tribo gostam de brincar com folhas, galhos, penas e pedras e cada um tem seu brinquedo predileto. Seu brinquedo mais legal do Universo. Você precisa descobrir o seu. Você já brincou com um bilboquê antes?

– Não, vamos brincar?

E assim brinquei com ele o dia inteiro e até ganhei um de seus bilboquês com o qual venho brincando até hoje. Estou quase ficando craque.

Era tempo de voltar pra casa, e foi o que eu fiz. Voltei com a mala cheia de brinquedos super legais, mas com a pergunta sem resposta ainda martelando naminha cachola: Qual era o brinquedo mais legal do Universo? Pelo menos pra mim?

Cheguei em casa e minha mãe deu-me, de presente de boas vindas, um brinquedinho chinês chamado Escada de Jacó. E eu descobri que aquele era, para mim, o brinquedo mais legal do Universo. Era tão legal, mas tão legal, que dentro dele eu descobri uma história que mudou o rumo da minha vida.

Quem gostou da história que eu acabei de contar agora? Querem ouvir a história que eu descobri dentro do meu brinquedo?

(História: “O Caminho da Estrela”)