O HOMEM QUE SONHAVA EM SER RIBEIRINHO

Era uma vez um menino que vivia em uma grande cidade. Era um menino alegre, disposto e divertido, do tipo que tem muitos amigos, mas seus dias preferidos eram os domingos. Embora fosse um dia que ele não passasse com os amigos, era o dia em que seu pai o levava pra percar no ribeirinho.

Lá era tão tranquilo. Ao invés do barulho dos carros o menino ouvia a cantoria dos passarinhos e o barulho das águas do rio, correndo pelo seu caminho. Não tinha seus amigos para brincar mas tinha uma porção de animais que eram super divertidos, como tatus e esquilos. Ao invés do cheiro de fumaça e do ar poluído, lá ele respirava o ar puro e o campo de flores, perfumado e colorido.

Isso sem falar das árvores pra escalar,  dos frutos colhidos direto do pé, e do rio pra nadar. O que o menino menos fazia era pescar, ainda assim ele não via a hora de chegar o domingo pra poder ir pra lá…

Esse menino cresceu, trabalhou duro e pesado, ganhou dinheiro e tomou uma grande decisão: ia morar na beira daquele riacho onde por tantos domingo ele e seu pai haviam pescado.

O menino conseguiu comprar aquele mesmo terreno, bem na beira do rio, e logo se pôs a trabalhar. Cortou quase todas as árvores da margem e construiu uma bela casa e uma grande roça de milho, para vender e se sustentar. Deu um trabalhão danado, mas a casa e a roça ficaram lindas ao lado do riacho. Agora era só aproveitar.

Mas quando sentou na varanda pra descansar e admirar seu lindo retiro o menino se deu conta de que já não ouvia o canto dos passarinhos… e pra piorar, sem mais nem menos o ribeirão começou a secar… o menino já não encontrava mais nenhum animal, nenhum tatu, nenhum esquilo. Isso sem contar que a plantação começou a ser atacada por pragas e o menino precisava por cada vez mais venenos e aditivos que eram caríssimos. E o rio quase seco começou a ficar cada vez mais poluído. O menino se sentia totalmente infeliz, entristecido, teu sonho tão bonito tinha se destruído.

Até que um dia o menino estava caminhando pela beirada do que restara do rio, ia rio abaixo, triste e cabisbaixo. Quando viu uma menininha sentada em uma pedra, chorando desconsolada.

-Por que chora menininha? Posso ajudá-la?- perguntou o menino tentando consolá-la.

-Ah, eu choro pelo meu rio que foi todo destruído.

-Bem, acho que nesse caso vou me sentar ao seu lado e chorar junto com você…

-Eu queria tanto saber quem foi o desalmado que construiu aquela casa no alto do riacho e destruiu tudo rio abaixo…

-Como assim?- quis saber o menino intrigado com o que disse a tal menina- O que a casa lá de cima tem a ver com toda essa destruição do rio e da mata ribeirinha?

-Ora, tem tudo a ver, você não consegue perceber? Quando cortaram todas aquelas árvores da beira do rio, as árvores que formavam a mata ciliar, para construir a casa e fazer a plantação de milho, cortaram as árvores que este rio protegiam e, por isso, o rio começou a assorear. Aquelas árvores eram também a morada dos pássaros e de diversos outros animais, que tiveram que ir embora por já não ter onde morar, além da falta de água, já que o rio estava assoreando deixando a água suja e escassa. Além disso tudo a plantação leva veneno e aditivos químicos que envenenaram o rio que já estava diminuindo. Com isso as flores secaram acabando com o alimento dos poucos animaizinhos que restavam… Como você pode ver, a falta de cuidado com a natureza de quem construiu aquela casa la de cima foi o que destruiu o rio e acabou com a mata ribeirinha…

Quando a menina terminou de falar o menino chorava desesperado, soluçando e se engasgando, mal conseguiu se desculpar…

-Eu sinto muito.- ele disse entre soluços- Não imaginava que a construção da minha casa fosse causar tanto mal pra esse recanto de que eu tanto gostava…

A menina entendendo que era ele que morava lá em cima começou a sorrir, felicíssima:

-Então é você que mora lá em cima!

O menino não entendeu aquela alegria repentina:

-Por que você está sorrindo? não percebe que o que eu fiz foi terrível?

-Percebo, mas a verdade é que antes de te conhecer eu achava que você nem se importava, agora, sabendo que você se importa e que gostava da mata como era antes, sei que podemos resolver esse problema num instante…

-Como?- quis saber o menino enxugando as lágrimas- Vamos destruir a minha casa?

-Não precisa- respondeu a menina- é só a gente replantar a mata ciliar (que fica na margem dos rios e protege nossas águas). Depois vamos transformar sua plantação em uma horta agroecológica. Assim, com as coisas plantadas com grande variedade e imitando os mecanismos da natureza, as próprias plantas garantiriam seus nutrientes e suas defesas, sem precisar de agrotóxicos e nem de aditivos químicos. O menino também aprendeu a tratar o próprio esgoto e a cuidar do próprio lixo. Em pouco tempo as árvores cresceram, o rio voltou a encher e a água a jorrar, os animais e os passarinhos logo apareceram por lá e voltaram a morar nas árvores e fazer suas tocas entre as flores que cresciam mais fortes e bonitas que nunca.

E logo o menino morava no paraíso, o ribeirão onde tantas vezes ele tinha ido quando era apenas um pequeno menino, havia se transformado em um lugar ainda mais bonito do que aquele com o qual ele havia sonhado. E além de tudo isso o menino ainda ganhou uma grande amiga, a menina que o havia ensinado a viver na natureza mas em plena harmonia com toda a vida.

FIM

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A Maior Flor do Mundo- José Saramago

Quando Saramago escreveu esta história ele começou pedindo que alguém a reescreve-se em palavras simples, como devem ser as histórias para crianças… e assim tentei fazer por aqui.

A MAIOR FLOR DO MUNDO – José Saramago

Era uma vez um menino. Esse menino era um menino muito curioso e não se contentava em ficar brincando no quintal como os outros, todos os dias ele pulava o muro e explorava o bosque dos fundos. Pulava de galho em galho como se fosse um macaco, se enfiava em cada cantinho como um passarinho. Conhecia cada árvore daquele bosque, cada flor e cada bicho. O menino conhecia cada canto daquela mata como se fossem as linhas da sua palma.

Mas o menino nunca passava do riacho. Do outro lado do pequeno rio era um mundo completamente desconhecido, para o qual o menino nunca havia ido. O que será que havia do lado de lá? Quais seriam as maravilhas e os perigos escondidos?

Um dia o menino estava como sempre brincando nos bosques nos fundos de casa quando chegou no riacho e começou a se perguntar sobre o que ele poderia encontrar do outro lado.

Será que haveriam monstros horrorosos? Piratas desalmados? Ou teriam animais fofinhos e campos perfumados?

O menino se encheu de coragem e resolveu atravessar o riacho pela primeira vez para explorar do outro lado.

E sabem o que foi que ele encontrou?

Um lindo campo florido, coberto por diversas flores, todo colorido. Era lindo. O menino explorou cada flor, desvendou cada cantinho escondido daquele campo florido e continuou a explorar. Até que chegou em um enorme descampado, onde não havia nenhuma alma viva, ali não crescia nem mato.

Com o coração batendo rápido o menino começou a explorar aquele descampado. Chegou até um morro que havia no meio daquele campo morto e subiu. No morro também não crescia nada. O menino subiu e subiu até chegar lá no alto. Onde ele achou uma pequena flor. A flor, coitada, estava murcha, tão inclinada… também pudera, no alto daquele morro não tinha nada de água.

O menino se apiedou da flor e resolveu ajudá-la. Desceu o morro, atravessou o descampado, atravessou o campo florido até chegar no riacho. Sem tem nada pra usar como jarro, usou as próprias mãos para pegar a água e começou o caminho de volta, atravessando o campo florido, atravessando o descampado e subindo o morro todo até chegar lá no alto. Quando chegou até a flor só lhe restavam nas mãos algumas poucas gotas, que o menino despejou na raiz da pequena flor. E não é que a flor pareceu ganhar até um pouco de vida, parecia agradecida. Tanto que o menino resolveu buscar mais água para a coitada. Desceu o morro, atravessou o descampado e atravessou o campo florido até chegar no riacho onde encheu as mãos de água como se fosse um jarro. E o menino voltou pelo campo florido, pelo descampado e subiu o morro até chegar lá no alto onde deu mais algumas gotinhas de água para a florzinha que ficou ainda mais cheia de vida. E o menino foi de novo e voltou, e foi, e voltou e foi, e voltou e foi e voltou muitas vezes naquele dia, até a flor parecer satisfeita. Quando terminou já estava cansado de tanto ir e voltar, deitou-se pra descansar….

Enquanto isso a mãe do menino começou a ficar preocupada, ele nunca tinha passado tanto tempo fora de casa.

-Menino! Menino!- ela chamava… e nada. A mãe do menino ficou desesperada.

Logo todos já estavam ajudando a procurar, amigos parentes e vizinhos, todo mundo a gritar:

-Menino! Menino!

Até que a mãe do menino olhou para o morro lá longe e viu um milagre: uma flor com o tamanho de uma árvore. Todos correram para o morro que ficava no meio do descampado e lá o menino encontraram. Ele estava deitado, dormindo, ao pé da maior árvore que já se tinha visto. Dormia protegido por uma de suas pétalas que a flor colocou sobre ele como se fosse uma coberta.

Hoje em dia o menino e sua flor ficaram famosos, conhecidos no mundo todo. Vivem dando entrevista para rádio, TV e revista. Vem gente do mundo inteiro para conhecer o menino e sua gigantesca flor.

E o menino, todos os dias, sai de casa bem cedinho armado com um regador, pula o muro do quintal. atravessa o bosque, enche o regador no riacho, atravessa o campo florido e o descampado e sobe o morro até chegar lá no alto, onde dá água e companhia para sua bela amiga.

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