Flicts – Ziraldo

Mais uma daquelas que vem praticamente sem alterações, apenas para memorizar….Mas deixo aqui a dica: para as minhas contações, por algum motivo que eu não sei explicar, Flicts é uma história que só funciona com o recurso do livro acompanhando. Talvez seja uma história deveras visual…

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FLICTS – Ziraldo

Era uma vez uma cor muito rara e muito triste que se chamava Flicts.

Não tinha a Força do vermelho, não tinha a imensa luz do amarelo, nem a paz que o azul tem.

Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts.

Tudo no mundo tem uma cor, tudo no mundo é azul, cor de rosa ou furta cor,  é vermelho ou amarelo, roxo, violeta ou lilás. Mas não existe nada no mundo que seja Flicts.

Nem a sua solidão.

Flicts nunca teve par. Nunca teve seu lugar num espaço bicolor (e tricolor muito menos – pois três sempre foi demais).

Não. Não existe no mundo nada que seja Flicts.

Na escola, a caixa de lápis de cor, cheia de lápis de colorir paisagem, casinha e cerca e telhado, árvore, flor e caminho, laço, ciranda e fita.

Não tem lugar para Flicts.

Quando volta a primavera e o parque todo e o jardim todo se cobrem de flores de todas as cores. Nem uma cor ou ninguém quer brincar com o pobre Flicts.

Um dia ele viu no céu, depois de uma chuva cinzenta, a turma toda feliz saindo para o recreio e se chegou pra brincar:

-Deixa eu ficar na Berlinda? Deixa eu ser a cabra-cega? Deixa eu ficar no pique? Deixa eu ser o cavalinho?

Mas ninguém olhou para ele. Só disseram frases curtas, cada um por sua vez:

-Sete é um número tão bonito- disse o vermelho Vermelho.

-Não tem lugar pra você!- disse o Laranja.

-Vai se olhar no espelho! – disse o Amarelo.

-Somos uma grande família. – disse o Verde

-Temos um nome a zelar. – disse o Azul.

-Não quebre uma tradição.- disse claro o Azul anil.

-Por favor, não queira mudar a ordem natural das coisas. – disse o violento Violeta.

E as sete cores se deram a mão e à roda voltaram e voltaram a girar.

E mais uma vez deixaram o frágil, feio e aflito Flicts na sua branca solidão.

Mas Flicts não se emendava (e porque se emendar? Não era bom viver tão só). E saiu a procura de um emprego para fazer a salvação no trabalho.

-Será que eu não posse ter um cantinho ou uma faixa, em escudo ou brasão? Em bandeira ou estandarte?

-Não há vagas- falou o Azul.

-Não há vagas.- sussurrou o Branco.

-Não há vagas!- berrou o Vermelho.

Mas existem mil bandeiras, trabalho pra tanta cor. E Flicts correu o mundo a procura do seu lugar. E Flicts correu o mundo…

Pelas terras mais antigas. Mas nem mesmo nas terras mais novas, nem as bandeiras novas e as bandeiras todas que ainda serão criadas se lembraram de Flicts, ou pensaram em Flicts para ser a sua cor, não tinham para ele nem um lugar em uma estrela, uma faixa ou uma inscrição.

Nada no mundo é Flicts ou ao menos quer ser.

O céu por exemplo é Azul e todo do Azul é o mar.

-Mas quem sabe o mar? Quem sabe- pensa Flicts agitado.

O mar é tão inconstante. É cinzento se o dia é cinzento, como um imenso lago de chumbo.

 E muda com o Sol ou com a chuva, negro, salgado ou vermelho. O mar é tão inconstante, tantas cores tem o mar, mas para o pobre do Flicts suas cores não dão lugar.

E o pobre Flicts procura alguém para ser seu par, um companheiro, um irmão, um amigo complementar.

Em cada praça ou jardim, em cada rua ou esquina pergunta:

-Posso ser seu amigo?

-Não- lhe diz o vermelho.

-Espera.- o amarelo diz.

-Vá embora!- manda o verde.

Um dia Flicts parou! E parou de procurar.

Olhou para longe, bem longe. E foi subindo e subindo. E foi subindo e sumindo. E foi sumindo e sumindo. E foi sumindo e sumiu.

Sumiu que o olhar mais agudo não podia adivinhar para onde que tinha ido. Para onde tinha se escondido. Em que lugar se escondera o frágil, feio e aflito Flicts.

E hoje com dia claro, mesmo com o Sol muito alto, quando a Lua vem brigar com o brilho do Sol, a Lua é Azul.

Quando a Lua aparece no fim da tardes de outono, do outro lado do mar, como uma bola de fogo, ela é redonda e Vermelha.

E nas noites muito claras, quando o céu e só dela, a Lua é ouro e prata, grande bola Amarela.

Mas ninguém sabe a verdade (a não ser os astronautas) que de perto, de pertinho a Lua é Flicts!

 FIM

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A Maior Flor do Mundo- José Saramago

Quando Saramago escreveu esta história ele começou pedindo que alguém a reescreve-se em palavras simples, como devem ser as histórias para crianças… e assim tentei fazer por aqui.

A MAIOR FLOR DO MUNDO – José Saramago

Era uma vez um menino. Esse menino era um menino muito curioso e não se contentava em ficar brincando no quintal como os outros, todos os dias ele pulava o muro e explorava o bosque dos fundos. Pulava de galho em galho como se fosse um macaco, se enfiava em cada cantinho como um passarinho. Conhecia cada árvore daquele bosque, cada flor e cada bicho. O menino conhecia cada canto daquela mata como se fossem as linhas da sua palma.

Mas o menino nunca passava do riacho. Do outro lado do pequeno rio era um mundo completamente desconhecido, para o qual o menino nunca havia ido. O que será que havia do lado de lá? Quais seriam as maravilhas e os perigos escondidos?

Um dia o menino estava como sempre brincando nos bosques nos fundos de casa quando chegou no riacho e começou a se perguntar sobre o que ele poderia encontrar do outro lado.

Será que haveriam monstros horrorosos? Piratas desalmados? Ou teriam animais fofinhos e campos perfumados?

O menino se encheu de coragem e resolveu atravessar o riacho pela primeira vez para explorar do outro lado.

E sabem o que foi que ele encontrou?

Um lindo campo florido, coberto por diversas flores, todo colorido. Era lindo. O menino explorou cada flor, desvendou cada cantinho escondido daquele campo florido e continuou a explorar. Até que chegou em um enorme descampado, onde não havia nenhuma alma viva, ali não crescia nem mato.

Com o coração batendo rápido o menino começou a explorar aquele descampado. Chegou até um morro que havia no meio daquele campo morto e subiu. No morro também não crescia nada. O menino subiu e subiu até chegar lá no alto. Onde ele achou uma pequena flor. A flor, coitada, estava murcha, tão inclinada… também pudera, no alto daquele morro não tinha nada de água.

O menino se apiedou da flor e resolveu ajudá-la. Desceu o morro, atravessou o descampado, atravessou o campo florido até chegar no riacho. Sem tem nada pra usar como jarro, usou as próprias mãos para pegar a água e começou o caminho de volta, atravessando o campo florido, atravessando o descampado e subindo o morro todo até chegar lá no alto. Quando chegou até a flor só lhe restavam nas mãos algumas poucas gotas, que o menino despejou na raiz da pequena flor. E não é que a flor pareceu ganhar até um pouco de vida, parecia agradecida. Tanto que o menino resolveu buscar mais água para a coitada. Desceu o morro, atravessou o descampado e atravessou o campo florido até chegar no riacho onde encheu as mãos de água como se fosse um jarro. E o menino voltou pelo campo florido, pelo descampado e subiu o morro até chegar lá no alto onde deu mais algumas gotinhas de água para a florzinha que ficou ainda mais cheia de vida. E o menino foi de novo e voltou, e foi, e voltou e foi, e voltou e foi e voltou muitas vezes naquele dia, até a flor parecer satisfeita. Quando terminou já estava cansado de tanto ir e voltar, deitou-se pra descansar….

Enquanto isso a mãe do menino começou a ficar preocupada, ele nunca tinha passado tanto tempo fora de casa.

-Menino! Menino!- ela chamava… e nada. A mãe do menino ficou desesperada.

Logo todos já estavam ajudando a procurar, amigos parentes e vizinhos, todo mundo a gritar:

-Menino! Menino!

Até que a mãe do menino olhou para o morro lá longe e viu um milagre: uma flor com o tamanho de uma árvore. Todos correram para o morro que ficava no meio do descampado e lá o menino encontraram. Ele estava deitado, dormindo, ao pé da maior árvore que já se tinha visto. Dormia protegido por uma de suas pétalas que a flor colocou sobre ele como se fosse uma coberta.

Hoje em dia o menino e sua flor ficaram famosos, conhecidos no mundo todo. Vivem dando entrevista para rádio, TV e revista. Vem gente do mundo inteiro para conhecer o menino e sua gigantesca flor.

E o menino, todos os dias, sai de casa bem cedinho armado com um regador, pula o muro do quintal. atravessa o bosque, enche o regador no riacho, atravessa o campo florido e o descampado e sobe o morro até chegar lá no alto, onde dá água e companhia para sua bela amiga.

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O menino e a viola

Essa história foi adaptada de um LP muito antigo chamado Canções de Ninar que eu ouvia quando era criança, na história original tudo começa com uma folha de coca e era assim que eu contava a história. Até que um dia ouvi uma contadora que muito admiro, a Adriana do Malasartes, contando essa história usando a paçoca no lugar da folha de coca, o que facilitou muito o entendimento das crianças e evitou perguntas embaraçosas. Desde então quando conto este conto para crianças pequenas uso eu também a paçoca, deixando a folha de coca apenas para contar a história para crianças maiores como uma introdução para um bate papo sobre a cultura da América espanhola da qual faz parte o costume de mascar folhas de coca…

No conto original o menino começa tropeçando em uma folha de coca no meio do mato, leva a folha pra avó e vai brincar, depois sente fome, pensa na folha de coca e entra em casa cantando a música que é: “Minha vó me dê minha coca, torta ricota que o mato me deu”

O MENINO E A VIOLA

Era uma vez uma velha cozinheira que juntou em um pilão um pouco de amendoim torrado, açúcar mascavo e farinha caipira, moeu tudo bem moído e fez uma deliciosa paçoca. Quando estava pronta ela comeu um bocado e guardou outro pra seu neto.

Quando o menino chegou da escola a avó lhe ofereceu a paçoca, mas ele nem deu bola, foi correndo pro quintal jogar bola. Mais tarde o menino sentiu fome, lembrou da paçoca e entrou em casa cantando:

“Minha vó me dê minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que a velha já havia comido toda a paçoca, deu então ao menino um pouco de angu que sobrara do almoço. Contrariado o menino tacou o angu na parede e seguiu o seu caminho. Mas logo adiante lembrou que tinha fome e voltou cantando:

“Parede me dê meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que a parede já havia comido todo o angu, deu então ao menino um pedaço de sabão. Contrariado o menino guardou o sabão no bolso e seguiu o seu caminho.

Logo o menino chegou em um rio e encontrou uma lavadeira que lava suas roupas apenas com pedras e areia. Apiedado o menino deu-lhe o sabão e seguiu o seu caminho. Mas logo adiante o menino percebeu que estava sujo, fedido. Resolveu tomar um banho, lembrou do pedaço de sabão e voltou cantando:

“Lavadeira me dê meu sabão, sabão que a parede me deu. Parede comeu meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que a lavadeira havia gastado todo o sabão lavando um grande lençol. Deu então ao menino uma navalha. O menino guardou a navalha no bolso e seguiu o seu caminho contrariado.

Logo o menino chegou na praia e encontrou um cesteiro que cortava a palha nos dentes pra fazer suas cestas. Apiedado o menino deu-lhe a navalha e seguiu o seu caminho.

Mais adiante o menino passou por uma vitrine, viu o seu reflexo e notou que sua barba já estava começando a crescer. Resolveu barbear-se, lembrou da navalha e voltou cantando:

“Cesteiro me dê minha navalha, navalha que a lavadeira me deu. Lavadeira gastou meu sabão, sabão que a parede me deu. Parede comeu meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que o cesteiro havia quebrado a navalha cortando uma palha mais dura, Deu então ao menino o último cesto que havia feito. Contrariado o menino seguiu seu caminho levando o cesto na cabeça. Mais adiante encontrou um padeiro que servia seus pães direto no balcão. Apiedado o menino deu-lhe o cesto. Mas como sempre se arrependia de tudo, arrepende-se de ter dado o cesto ao padeiro e voltou cantando:

“Padeiro me dê meu cesto, cesto que o cesteiro me deu. Cesteiro quebrou minha navalha, navalha que a lavadeira me deu. Lavadeira gastou meu sabão, sabão que a parede me deu. Parede comeu meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que o padeiro havia vendido a cesta junto com uma grande encomenda de pães, deu então ao menino o último pão da fornada.

Contrariado o menino seguiu o seu caminho, mas logo na primeira esquina encontrou uma mulher que tomava café puro, sem nada para comer. Apiedado o menino deu-lhe o pão e seguiu o seu caminho. Mas logo lembrou que tinha fome desde o começo da história, pensou no pão e voltou cantando:

“Moça me dê meu pão, pão que o padeiro me deu. Padeiro vendeu meu cesto, cesto que o cesteiro me deu. Cesteiro quebrou minha navalha, navalha que a lavadeira me deu. Lavadeira gastou meu sabão, sabão que a parede me deu. Parede comeu meu angu, angu que minha avó me deu. Minha avó comeu minha paçoca, paçoca, soca, soca que o pilão moeu”

Acontece que a moça já havia comido todo o pão, não sobrara nem uma migalha. Ela deu-lhe então uma viola, que era tudo o que tinha pra dar.

O menino sentiu-se satisfeito pela primeira vez na vida, pegou a viola, subiu no alto de uma árvore e pôs-se tocar e a cantar:

“De paçoca fiz angu, de angu fiz sabão, do sabão fiz uma navalha, de uma navalha fiz um cesto, de um cesto fiz um pão, de um pão fiz uma viola. Dinguiriding e eu vou pra Angola, dinguiriding acabou-se a história. Dinguiriding e acabou-se a história, dinguiriding que eu vou pra Angola.”

FIM

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Bom Dia Todas As Cores – Ruth Rocha

Essa é uma daquelas histórias que não precisa de versão, ela é perfeita assim como é, com as rimas da Ruth Rocha, que me embalam dede a infância e que hoje é minha grande referência. Mas como é sempre bom escrever pra decorar, trago ela pra cá…

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BOM DIA TODAS AS CORES- Ruth Rocha

Meu amigo Camaleão acordou de bom humor:

-Bom dia Sol, bom dia Flores, bom dia todas as cores!

Lavou o rosto em uma folha de orvalho, mudou sua cor para cor-de-rosa que era a que ele achava mais bonita e saiu para o Sol contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz porque havia chegado a primavera, e o Sol, finalmente, depois de um inverno longo e frio, brilhava alegre no céu.

-Eu hoje estou de bem com a vida. – ele disse – Quero ser bonzinho para todo mundo!

Logo que saiu encontrou o senhor Pernilongo. O senhor Pernilongo toca violino na orquestra do Teatro Florestal.

-Bom dia professor! Como vai o senhor?

-Bom dia Camaleão! Mas o que é isso irmão? Porque mudou de cor? Essa cor não lhe cai bem. Olhe para o azul do céu. Porque não fica azul também?

O Camaleão, amável como era, resolveu ficar azul como o céu da primavera.

Até que numa clareira o Camaleão encontrou o Sabiá-de-laranjeira.

-Meu amigo Camaleão, bom dia para você. Mas que cor é esta? Está azul porque?

E o Sabiá lhe explicou que a cor mais linda do mundo era a cor alaranjada, cor de laranja, dourada.

Nosso amigo bem depressa resolveu mudar de cor. Ficou logo alaranjado, louro, laranja, dourado.

E cantando alegremente lá se foi, ainda contente.

Na pracinha da floresta, saindo da capelinha, vinha o senhor Louva-a-Deus, mais a família inteirinha. Ele é um senhor muito sério, que não gosta de gracinha.

-Bom dia Camaleão. Mas que cor mais escandalosa, parece até fantasia pra baile de carnaval. Você deveria usar uma cor mais natural… Veja o verde da folhagem, veja o verde da campina, você deveria fazer o que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo resolveu mudar de cor, ficou logo bem verdinho e foi pelo seu caminho.

Vocês agora já sabem como era o Camaleão, bastava que alguém falasse, mudava de opinião. Ficava roxo, amarelo, ficava cor de pavão. Ficava de todas as cores. Não sabia dizer não.

Por isso naquele dia cada vez que encontrava algum de seus amigos e que o amigo estranhava a cor que ele estava, adivinha o que é que fazia o nosso amigo Camaleão? Pois ele logo mudava, mudava pra outro tom.

Mudou de rosa pra azul. De azul pra alaranjado. De laranja para verde. De verde pra encarnado. Mudou-se de preto pra branco. De branco virou roxinho. De roxo pra amarelo e até pra cor de vinho.

Quando o sol começou a se pôr no horizonte, Camaleão resolveu voltar para casa. Estava cansado do longo passeio e mais cansado ainda de tanto mudar de cor. Entrou na sua casinha. Deitou para descansar. E lá ficou a pensar:

– Por mais que a gente se esforce, não pode agradar a todos. Alguns gostam de farofa, outros preferem farelo… Uns querem comer maçã. Outros preferem marmelo… Tem quem goste de sapato. Tem quem goste de chinelo… E se não fosse os gostos, que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se bem cedinho.

– Bom dia, sol, bom dia, flores, bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha cheia de orvalho, mudou sua cor para cor-de-rosa, que ele achava a mais bonita de todas, e saiu para o sol, contente da vida. Logo que saiu, Camaleão encontrou o Sapo Cururu, que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.

-Bom dia, meu caro Sapo! Que dia mais lindo, não?

-Muito bom dia, amigo Camaleão! Mas que cor mais engraçada, antiga, tão desbotada… Por que é que você não usa uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:

– Eu uso as cores que eu gosto, e com isso faço bem. Eu gosto dos bons conselhos, mas faço o que me convém. Quem não agrada a si mesmo, não pode agradar a ninguém…

FIM

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A Flor e o Cactus

Aquela pequena flor brotou bem no meio da praça de uma pequena cidade, ninguém sabe bem ao certo como uma flor tão bonita nasceu em um jardim tão esquecido, mas o fato é que ela nasceu, e nasceu tão formosa e tão cheirosa, que perfumava toda a pracinha.

Mas as pessoas, na correria do dia a dia, nem notavam a bela florzinha e ninguém percebia o quanto ela estava desprotegida. Suas cores e seus odores atraíam muitos insetos e pequenos bichos e a pobre flor estava aos poucos sendo destruída, por isso vivia triste e nunca sorria.

Um grande cactus que vivia ao seu lado notou a tristeza da flor e resolveu falar:

-Como pode, você tão linda e perfumada viver tão triste e desanimada, enquanto eu que sou feio e cheio de espinhos vivo de braços abertos e sorrindo?…

-Ah seu Cactus! – respondeu a pequena flor – Posso até ser bonita, mas estou muito desprotegida. Você tem seus espinhos para lhe proteger e, por isso, tranquilo pode viver. Já eu, toda vez que vejo um salto afiado, um tênis chutando mato ou uma sandália distraída, fico tremendo de medo, toda encolhida, temendo pela minha vida. Como posso ser feliz assim?

O cactus comovido, resolveu que iria ajudar e estendeu ainda mais os seus braços para poder sua nova amiga ajudar. Mas a flor estava muito longe, seus espinhos não conseguiam alcançar, e assim ele não conseguia protegê-la.

Foi então que o cactus teve uma grande ideia, foi pedir ajuda para a fada da primavera:

-Dona Fada, eu que nunca lhe peço nada, venho desta vez lhe pedir, ajude-me a conseguir proteger minha linda amiga?

A fada da primavera veio voando como uma borboleta azul e pousou em cima da flor. Depois voltou a voar levando a flor junto consigo, e foi pousar no braço mais aberto do Cactus. E lá a flor passou a viver, pelo Cactus amada e protegida.

E foi assim que o Cactus, tentando ajudar sua amiga, ganhou uma dádiva divina, pois agora toda primavera ele se abre nas flores mais belas, que além de lhe enfeitar lhe fazem companhia. E a flor que vive no braço mais aberto do Cactus é tão feliz que até brilha.

E hoje em dia, quem passa pela praça da pequena cidade, até se esquece da correria do dia à dia e pára para admirar a beleza desse amor que irradia.

FIM

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