O Gato Pelado

Essa é a história de um gato. Um gato que vivia participando desses concursos de gato e era sempre premiado, porque era um gato muito diferente dos outros gatos, era um gato egípcio, um gato pelado. Pelado mesmo, não tinha nem um pelo, nem unzinho, nem mesmo no rabo. Por isso mesmo não tinha amigos, vivia sozinho desprezado pelos outros gatos.

-Sai daqui, você mais parece um rato.- dizia o gato malhado.

-Fique longe de nós, você não é um gato, deve ser um cachorro pequinês.- falava o gato siamês.

-Não sei que bicho você é, mas com certeza não é gato, nós gatos temos o corpo coberto de pelos macios e belos.- se gabava o gato amarelo.

E assim o Gato Pelado viva sozinho, pobrezinho.

Um dia tomou uma decisão, resolveu sair por esse mundão e descobrir que bicho ele era, assim poderia fazer amigos e não ficaria mais sozinho.

Logo viu uma árvore cheia de passarinhos, tinha passarinhos de todos os tipos, tinham grandes gralhas e pequenos pintassilgos, todos piando e conversando alegremente, apesar de serem muito diferentes eram todos amigos, haja visto que eram todos passarinhos.

Mais que depressa o Gato Pelado subiu pelo tronco até chegar em um galho lá no alto onde vários passarinhos conversavam.

-Piu, piu, piu.- cantavam os passarinhos.

-Piu, piu, piu!- imitava o Gato Pelado.

-Piu, piu! Bom dia! Temos um novo amigo para nos fazer companhia, mas que tipo de passarinho você é  que eu nunca vi?- perguntou o Colibri.

-Sou um pássaro-gato a procura de amigos.- respondeu o gatinho.

– Seja muito bem-vindo!- responderam os passarinhos cantando em uníssono.

E assim o Gato Pelado achando que era um passarinho se divertiu com seus novos amigos pulando de galho em galho. Até que o Beija-flor falou.

-Estou com sede, preciso de água. Quem quer ir comigo até o lago da Araucárias.

-Piu,piu. Vamos todos.- responderam os passarinhos e logo levantaram voo.

E atrás do Papagaio, pulou nosso amigo Gato Pelado.

-Miauuuu!!!

O Gato pelado caiu no chão todo estatelado.

-Miau! Acho que afinal eu não sou um passarinho, não sei voar, não posso viver em um ninho.

E assim partiu novamente o nosso amigo. Decidido a encontrar novos amigos. O Gato Pelado viu uma porção de sapos coachando na beira do lago.

-Coach!- faziam os sapos.

-Coach!- imitou o Gato Pelado.

-Olá,- disse o sapo Cururu-  que tipo de sapo és tu?

-Olá, sou um sapo-gato a procura de amigos, posso cantar contigo?

-Claro!- responderam todos os outros sapos.

E saíram saltando e coachando e o Gato pelado imitando. Saltando e coachando junto com os outros sapos. Até que os sapos pularam nas folhas de vitória régia que ficavam em cima do lago.

-Miauuuuu!- miou o gato quase morrendo afogado- Cof, cof, miau. Pelo jeito eu também não sou sapo, não sei boiar nas folhas do lago…se eu não sou um pássaro e não sou um sapo, que bicho será que eu sou?

Foi quando ele viu um sapo na beira do rio.

-Quac, quac!- o pato grasnou.

-Quac, quac!- o Gato Pelado imitou.

-Olá!- disse o pato- você é um pato bem diferente dos que eu conheço, que tipo de pato você é?

-Sou um pato-gato a procura de amigos.- respondeu o Gato Pelado.

-Que legal, quer brincar comigo?

-Claro!- respondeu o Gato Pelado.

E o Pato saiu rebolando e grasnado:

-Quac, quac!

E atrás dele ia o Gato Pelado imitando:

-Quac, quac!

Estavam se divertindo a mil quando o pato foi rebolando pra nadar no rio.

-Miaaaaaau!- miou o gato se afogando.

-Não sou pato, não sou sapo, não sou passarinho. Pelo jeito meu destino é ser um gato sozinho…. Miau, miau.- o gatinho miava quase chorando, estava tão tristinho.

Foi quando ao seu lado foram chegando os passarinhos e começaram a imitar o seu novo amigo:

-Miau, miau!- miavam os passarinhos.

E foram chegando também os sapos e começaram a imitar o Gato Pelado e os passarinhos a miar.

-Miau, miau.- miavam os sapinhos.

E foi chegando o pato e também começou a miar imitando os passarinhos, os sapos e o Gato Pelado.

-Miau, miau.- miava o pato.

E assim o Gato Pelado nunca mais ficou sozinho pois vive rodeado por seus novos amigos, o pato, os sapos e os passarinhos, pois todos eles adoram brincar de ser gatinho.

Quem aí também quer brincar de imitar um gatinho?

………………………………………………………………………FIM………………………………………………………………..

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BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

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Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque de Holanda)

Este poema/história tão genial escrito pelo grande Chico vem aqui sem mudanças ou alterações, apenas para ser redecorado, pois amanhã será contado junto com o conto da Chapeuzinho Vermelho, afinal, os dois formam o par ideal, não é mesmo?

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CHAPEUZINHO AMARELO

(Chico Buarque de Holanda)

Era a Chapeuzinho Amarelo
Amarelada de medo
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.

Já não ria
Em festa, não aparecia
Não subia escada, nem descia
Não estava resfriada, mas tossia
Ouvia conto de fada, e estremecia
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha

Tinha medo de trovão
Minhoca, pra ela, era cobra
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra

Não ia pra fora pra não se sujar
Não tomava sopa pra não ensopar
Não tomava banho pra não descolar
Não falava nada pra não engasgar
Não ficava em pé com medo de cair
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo
Assim era a Chapeuzinho Amarelo, amarelada de medo

E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
e um chapéu de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.

O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem ela estava falando:

LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
“Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;
barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.
FIM

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Chapeuzinho Vermelho

Esta história é clássica, presente na famosa coletânea dos irmãos Grimm, muito conhecida, mas tem uma série de elementos que devem ser trabalhados na primeira infância, acho que por isso mesmo ainda me encanta. Uma das  histórias menos alterada nas suas versões atualizadas. Embora como uma história de tradição horal, tenha mais de uma versão, principalmente quanto ao final.

As músicas (no texto entre aspas) são do compositor João de Barro (conhecido como Braguinha) que musicou cerca de 50 histórias infantis para a coleção disquinho. Para saber mais sobre esse grande compositor brasileiro acesse:

http://www.braguinha.ag.com.br/

Essa versão eu montei com uma grande mistura daquilo que eu lembrava com o que eu encontrei em minha pesquisa, com um toque das minhas rimas. A maior parte do que foi copiado veio do site:

 

http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=1

Uma versão que eu gostei muito, principalmente pelas rimas já existentes, mas a minha versão final acabou bem diferente:

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CHAPEUZINHO VERMELHO

Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela que sua mãe havia feito, logo os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa, tadinha. Morava numa casinha, no interior da mata, no fim da trilha.
Chapeuzinho sempre ia à casa da vovozinha para levar deliciosas comidas que sua mãe fazia.
Um dia, a mãe da menina preparou alguns quitutes, eram os preferidos da avó Gertrudes.
Então, chamou a filha e disse:
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estes quitutes para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, vontade de cozinhar ela não tem.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, pelo caminho certo. Não pegue o atalho, pois ouvi dizer que tem um lobo morando lá perto!
— Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. Vou pelo caminho mais cumprido.

A mãe arrumou os quitutes em uma cesta e colocou também um pote de geleia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geleia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores. Chapeuzinho ia pelo caminho colhendo lindas flores. Acabou se distraindo e demorou muito naquele caminho, quando viu o sol já ia alto, resolveu pegar o atalho. Ia cantando distraída:

“Pela estrada à fora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha, ela mora longe o caminho é deserto, e o lobo mal passeia aqui por perto. Mas à tardinha, ao sol poente, junto à mamãezinha dormirei contente.”

Quando o lobo viu aquela linda menina, pensou que ela devia ser saborosa e macia. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas ao ouvir a música e ver que ela ia até a casa da avó resolveu usar da inteligência, assim poderia comer a avó primeiro, depois a menina de sobremesa. Escondeu-se na sombra de uma árvore de grande porte e  disse com voz doce:
— Bom dia, linda menina.
— Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
— Qual é seu nome?
— Chapeuzinho Vermelho
. — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
— Vou visitar minha avó.
— Muito bem! E onde mora sua avó?
— Mais além, no interior da mata.
— Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
— Numa casinha verde, com cortinas bem branquinhas, lá no final da trilha.
O lobo então falou:
— Você não deveria ir por aqui, tem um lobo mau logo ali na frente e está bem na hora dele almoçar, se quiser chegar viva na sua vovozinha vá pelo caminho de lá.- o lobo a mandava  pela trilha mais comprida para que ele pudesse chegar primeiro na casa da velhinha usando o atalho no lugar da menina.

Chapeuzinho Vermelho agradeceu e seguiu o conselho sem nem imaginar o que é que o lobo estava fazendo…

“Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau. Eu pego as criancinhas pra fazer mingau. Hoje estou contente, vai haver festança, eu tenho um bom petisco para encher a minha pança”
Quando o lobo chegou na casa da vovozinha bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
— Quem é? — perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
— Sou eu, sua netinha, vovó. Trago uma cesta cheia de delícias.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
— Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta, vestiu um pijama da velha, enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A menina demorou um bocado antes de chegar, o lobo até cansou de esperar. quando finalmente Chapeuzinho chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
— Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
— É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo uma cesta cheia de delícias! Mas que voz grossa vovozinha.
Só então o lobo se lembrou de afinar a voz horrorosa antes de responder:
— É que eu estou muito gripada minha netinha. Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
— Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
Coloque a cesta na mesa, minha querida netinha, e venha aqui até aqui deitar comigo para me aquecer.
Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
— Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
— São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
— Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
— São para enxergar te enxergar melhor, minha menina!
— Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
— São para te ouvir melhor, queridinha!
— Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
— É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

— Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
O lobo, que dormia como uma pedra, com um enorme barrigão parecendo um grande balão!
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
— Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudá-la!”.
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
— Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
— E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Ou seria o  chapeuzinho vermelho da menina? Quanta sede ele sentia. Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e afundou.
A vovó ficou em casa lanchando aquelas delícias enquanto o caçador levava pra casa a menina. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo caminho mais comprido”.

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Festa na Floresta

Eis que já dá pra sentir o cheiro da primavera, nesta semana as primeiras flores surgiram no meu quintal anunciando o fim dessa estação invernal, veio a vontade de fazer essa história em homenagem à minha estação preferida.

FESTA NA FLORESTA

Hoje na floresta vai ter uma grande festa, é o grande festival da primavera.

Todos os animais vem para assistir ou pra se apresentar, cada um traz um quitute para compartilhar. A raposa bem ligeira foi a primeira a chegar, trouxe um bolo delicioso e lindos sinos pra enfeitar, deixou o bolo na mesa e já se pôs a arrumar.

Veio chegando em seguida um bando de sabiás, traziam muitos instrumentos, vinham prontos pra tocar, pousaram na grande araucária e foram se preparar. E na mesa de comidas deixaram muitas frutinhas, tinha amora, pitanga, café, uvas verdes e roxinhas  Vieram os macaquinhos e se ajeitaram na bananeira, deixaram na mesa banana passa, torta de banana, biscoito de banana e banana à milanesa, depois foram todos correndo preparar as brincadeiras, tinha corrida do saco, boca do palhaço, pula corda e brincadeiras de roda.

Cada bicho que chegava trazia uma comida gostosa, as abelhas trouxeram mel, o urso trouxe suco de carambola. Cada qual que ia chegando procurava onde ficar, todo mundo encontrando um bom lugar para sentar, e chegou a gralha azul para o show anunciar:

-Senhoras e senhores, respeitável público, animais do céu e da terra, hoje estamos em festa, comemorando a primavera. Preparem seu coração para a primeira apresentação A dança das gaivotas, dando cambalhotas e girando de lá pra cá ao som da banda dos sabiás. Muito silêncio agora que nós vamos começar!

-Vejam agora vocês a banda dos sabiás com o coral de mil pássaros cantando Dorémifá.

“Sou o Uirapuru, canto pra chuchu, então vem pra cá, pra gente cantar. Bem-ti-vi, bem-ti-vi, bem te vi cantando aqui. Colibri, colibri, colibri, gosto muito de te ouvir.”

-E agora venham todos ver a grande festa dos primatas, venham curtir as brincadeiras dos macacos e assistir os gorilas acrobatas.

-E tem desfile de elefante, tromba segurando no rabo, tem girafa na corda bamba, tem sapo tocando samba e cavalo no sapateado.

-Agora muito silêncio que o Rouxinol vai tocar, e é tão lindo seu lamento que nessa hora até o vento vai parar pra escutar.

-E agora pra encerrar, o momento tão esperado, as fadas da primavera vêm pra trazer as cores do mato, lançam a chuva e acordam as sementes fazendo as flores brotar e assim, oficialmente vemos a primavera começar…

FIM

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 Contei essa história em duas partes diferentes, na primeira, enquanto chegam os animais desenhei em aquarela os quitutes que eles traziam e, logo em seguida convidei meus alunos, um por um, para se apresentarem dizendo qual animal eles eram e o que trouxeram pra festa (que também foi desenhado) e para voltar ao lugar imitando o animal (eles adoraram). Na segunda parte fiz eu mesma as apresentações do festival, fazendo malabares bandeira na dança das gaivotas, cantando a música entre aspas na hora do coral e tocando diversos apitos com sons de passarinhos (eles ficaram vidrados e rindo de se acabar, desde a turma do maternal até o nível V); imitando os gorilas acrobatas, os elefantes, a girafa e o cavalo; toquei flauta na hora do rouxinol e pintamos flores com aquarela na chegada das fadas.

Enfim, foi uma contação bastante interativa, rica e divertida. Sei que em questão de roteiro não foi minha história mais bem arquitetada, mas foi de todas (empatando talvez com “O Caminho da Estrela”) a que mais prendeu a atenção deles por toda a aula, gerando as mais variadas reações a todo momento.

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Taina Andere

O Macaco e a Velha Firinfinfelha

Ah, as férias acabaram e acaba assim também meu tempo longe dessa telinha, o que me parece curioso é que nesse mês sem cultivar meu jardim virtual, fiz muitas podas no meu quintal real. Tenho um lindo pomar em casa, mais de 200 frutíferas plantadas pelo meu companheiro e por mim ao longo desta década de parceria cultivando nosso Jardim de Amor, mas nesse ano e meio que venho escrevendo e contando meus contos, ou seja, desde que comecei a plantar esse meu Jardim de Histórias, quase que abandonei minhas ferramentas de jardim. Por isso mesmo esse mês me dediquei a deixar meu quintal lindo e bem cuidado, canteiros preparados, para a primavera que se aproxima. Mês que vem queremos plantar muitas mudas, mas dessa vez vou fazê-lo sem deixar de plantar meus contos por aqui também, e sem deixar de cultivá-los nas escolas e por aí a fora. Junte a tudo isso o fato de que eu tenho duas filhas e um filho, mais três cachorros e um gato, ufa! Vai ser um semestre corrido. Mas deixando o desabafo de lado vamos ao primeiro conto do semestre:

Escolhi uma história da coleção disquinho: “O Macaco e a Velha” e fiz dela minha versão que virou quase uma nova história, afinal, quem conta aumenta um ponto e, depois de tantos anos, já foram muitos pontos acrescentados ou adaptados…

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O MACACO E A VELHA FIRINFINFELHA

Era uma vez uma velha muito velha, chamada Firinfinfelha que tinha um lindo bananal no fundo do seu quintal. Mas a coitada da velha poucas bananas comia pois o macaco Simão roubava todas que conseguia.

“Macaco Simão, macaco ladrão. Macaco Simão sem educação” (cantado)

Cansada de tanto ser roubada a velha Firinfinfelha teve uma ideia danada: comprou alguns quilos de alcatrão e fez um bonequinho bem pretinho igual carvão. Depois de pronto a velha levou o boneco para o quintal e colocou ele sentado no meio do bananal, colheu as bananas mais maduras e apetitosas, pôs em um saco de algodão e colocou no colo do boneco de alcatrão. E lá ficou o boneco, tinha até cartola, e uma porção de bananas na sacola.

“Boneco valente, parece ser gente. Macaco Simão vai ter sua lição”

Quando chegou o macaco Simão e viu as bananas no colo do boneco de alcatrão, torceu o rabo, fez uma careta bem feia e cantou desafinado:

“Que moleque sem vergonha, que menino mais ladrão, roubando minhas bananas sem me dar satisfação. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve roubar o macaco Simão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve roubar o macaco Simão.”

E o macaco  Simão, ficou muito bravo que nem um cravo e foi falando pro boneco de alcatrão:

-Solta já minhas bananas seu moleque sabichão.

E o boneco ficou lá sentado, quieto, com a sua cartola e as bananas na sacola.

Mais bravo ainda falou o macaco Simão:

-Ora seu mau educado, não vai nem me responder? Pois se você não falar nada vou aí dar-te uma bofetada! Daí eu quero ver!

O macaco gritava e o bonequinho nada. Simão já soltava fumaça pelas ventas, e quando Simão fica bravo ninguém aguenta. Pois o macaco foi lá e deu-lhe um bofetão no moleque sem educação. E a mão do macaco Simão ficou presa no boneco de alcatrão.

-Seu menino atrevido que cheira a chulé! Solte minha mão ou lá vai pontapé.

E como o boneco não soltava a mão do macaco Simão e ele já tinha avisado… deu-lhe um chute bem dado. E o pé do macaco também ficou grudado.

-Ora seu moleque malvado é assim que você quer, vai segurar também o meu pé. Pois saiba que eu tenho outro pé e outra mão, vai chover safanão, e se prepara que também tem cabeçada.

E lá foi o macaco Simão atacando com todas as suas armas, mas quanto mais ele atacava mais se grudava e pior ficava. No final da luta já nem havia boneco, só o macaco Simão todo grudado no chão em um bolo de alcatrão.

-Socorro! Acudam! -gritava o pobre macaco desesperado.

E veio rindo a velha Firinfinfelha.

-A seu macaco malvado. Assim você aprende sua lição. Viu como é ruim ficar roubando as minhas bananas. Agora vai ficar preso no meu boneco de alcatrão.

-Me solta velha Firinfinfelha, eu faço o que você quiser! – implorava o macaco.

-Só solto se você prometer nunca mais vir ao meu quintal roubar as bananas do meu bananal.

O macaco prometeu pra velha nunca mais roubar uma banana dela e a Firinfinfela também cumpriu sua promessa. Soltou o macaco que tava todo grudado.

 Simão, no meio da mata, chorava como uma criança enquanto planejava sua vingança. Pegou emprestada uma pele de leão que ao sol estava secando e foi visitar a velha conforme o plano que estava bolando:

“A velha Firinfinfelha vai ter a sua lição e saber que um macaco irritado é pior do que um leão.”

E o macaco Simão pulou o muro do quintal e foi se esconder no meio do bananal. Quando apareceu a velha ele deu o susto final.

“-Socorro vizinhos! Senão não escapo!

-Sossegue velhinha. Você está no papo!”

A velha Firinfinfelha tomou um susto tremendo, fugiu correndo, queria correr pra casa, mas naquele alvoroço acabou errando o caminho e caiu no fundo do poço.

“-Socorro vizinho! Socorro seu moço! Se não eu me afogo no fundo do poço!”

Vendo aquilo o macaco ficou até sem fala, queria assustar a velha, mas não queria matá-la. Saiu da pele correndo e foi ajudar a velha, procurava uma corda ou cipó pra puxar a Firinfinfelha. Não encontrava nada e a velha ainda gritando, o tempo estava acabando, ela estava se afogando.

Então o macaco Simão teve uma grande ideia, agarrou na beira do poço e jogou o seu rabo pra velha.

“-Socorro, meu Deus! Se não me afogo!

-Então minha velha segura no rabo.”

Os vizinhos foram chegando no meio do bananal e viram estupefatos essa cena original : o macaco na beira do poço fazendo uma força danada e no rabo do macaco Firinfinfelha vinha pendurada.

Mas depois desse dia as coisas muito mudaram pois Firinfinfelha e o macaco bons amigos viraram. E até hoje em dia sentam juntos no quintal pra colher e dividir entre si as bananas do bananal. De noite fazem fogueira e a velha pega a viola e o macaco canta enquanto Firinfinfelha toca:

“Minha velha me enganou com um boneco de alcatrão e eu enganei a velha com uma pele de leão. Minha velha me enganou com um boneco de alcatrão e eu enganei a velha com uma pele de leão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve enganar o macaco Simão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve enganar o macaco Simão.”

FIM

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As partes entre aspas serão cantadas. Depois da história quero fazer com as crianças uma atividade na qual todos vamos imitar macacos e depois todos esse macaquinhos formarão um trem que será conduzido por mim até formar uma roda. Nessa posição todos se sentarão com perna de índio (um virado para as costas do outro). Então os macaquinhos vão procurar piolho na cabeça do macaquinho da frente. Em seguida faremos uma brincadeira na qual eu começarei tocando com as pontas dos dedos a cabeça da criança que estiver sentada na minha frente (de costas pra mim). Essa criança deve repetir esse mesmo toque na cabeça do colega que está na frente dela e assim por diante. Todavia as crianças não poderão olhar para trás para ver como estão sendo tocadas, elas devem repetir esse toque apenas imaginando como ele é à partir do que ela está sentindo. É como um telefone sem fio, mas ao invés de palavras o que corre pela roda são toques rítmicos feitos com as pontas dos dedos na cabeça e ombros, ora com todos os dedos ao mesmo tempo, ora com os dedos em sequência, ora alternando entre o dedão e os outros dedos.

Nunca fiz essa brincadeira antes, inventei ela hoje, mas na minha cabeça funcionou muito bem, então vamos testar…

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Os Anõezinhos e o Gigante

Era uma vez uma grande família de anõezinhos que vivia no interior de uma enorme caverna. Mas não era uma caverna sombria, não era escura e nem fria, era uma caverna brilhante cheia de pedras preciosas e diamantes e esses anõezinhos viviam trabalhando embaixo da terra, deixando sua caverna ainda mais bela.

Todos os dias um dos anõezinhos tinha que ir lá em cima colher frutas, legumes, verduras e cereais, para fazer comida. É que essas coisas, pra crescer, precisam de luz do sol e os anõezinhos não podiam cultivá-las na caverna iluminada apenas por velas e pelo brilho das pedras…

Era um trabalho tranquilo e assim, sem problemas, todos os anõezinhos se dividiam ficando um cada dia com esse ofício.

Um dia estava indo o anão Benrur com seus passinhos pequenininhos:

“Bim, bim, bim.”

Quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam.”

O anãozinho tomou um baita susto, largou no chão seu cesto já cheio de frutos e voltou pra caverna correndo aos pulos:

-Socorro! Socorro! Tem lá fora um monstro horroroso!

-Do que está falando? Cadê nossa comida? – disse desconfiado o anãozinho Caete.

E o Benrur respondeu:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Não acredita? Pois vai lá ver.

-Eu acho que você está é com preguiça. Mas eu estou com fome então vou lá buscar nossa cesta de comida…

E lá se foi Caete, pra fora da caverna, lá pra cima. Saiu com seus passinhos pequeninhos:

“Bim, bim, bim.”

Chegou até o cesto e estava pronto para voltar quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam!”

O anãozinho ficou tão assustado, voltou para a caverna correndo e gritando, aos saltos:

-Socorro, socorro! Um monstro!

-Como assim? – quiseram saber os outros.

E Caete explicou:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Ah! Que má sorte, vamos morrer de fome.

Começou uma grande confusão, alguns queriam fugir para longe dali, outros se esconder no fundo mais profundo da caverna. Mas a fome falava mais alto, e os anõezinhos são corajosos e fortes… resolveram subir e enfrentar o monstro horroroso.

Lá se foram os anõezinhos subindo com seus passinhos bem assim:

“Bim, bim, bim.” Bim, bim, bim”

Quando ouviram o som do monstro assustador:

“Bam, bam, bam.”

Os anõezinhos quase saíram correndo, mas o corajoso Dundum falou:

-Fiquem anõezinhos, temos que pegar nosso cesto de comida, vamos enfrentar o monstro horroroso.

E como os anõezinhos são fortes e corajosos foram  em direção ao som assustador com seus passinhos assim:

“Bim, bim, bim.”

E logo ouviram mais perto o som do monstro horroroso:

“Bam, bam, bam”

Os anõezinhos quase correram de novo. Mas Dundum lembrou do cesto de comida. Das frutas legumes e cereais que deveriam estar bem gostosos. E eles como eram fortes e corajosos, resolveram enfrentar o monstro horroroso. E lá se foram com seus passinhos que faziam assim:

“Bim, bim, bim.”

Ouviram o barulho horroroso vindo ao seu encontro:

“Bam, bam, bam.”

Deram de cara com o monstro. Era um gigante, enorme, mas não era horroroso, era até bem jeitoso, tinha cara de ser bondoso, o que de fato era. E o gigante trazia pros anõezinhos uma enorme cesta cheia das mais deliciosas comidas. É que o gigante se sentia muito sozinho. Morava na montanha ao lado dos anõezinhos e sempre ouvia o barulho dos seus passinhos e pensava consigo: “Será que se eu for até lá não consigo fazer amigos?” Mas os passos eram tão baixinhos que o gigante tinha medo de ir até lá e assustar os anõezinhos. Mas aquele dia tinha tomado coragem. E os anõezinhos estavam com tanta fome que quando viram o grande cesto cheio de deliciosos alimentos, esqueceram dos seus medos e juntos com o gigante fizeram um grande piquenique. Estavam todos tão felizes que depois de comer foram juntos dançar, em roda a girar:

“Bim, bim bim. Bam, bam bam. Quem caminha com pequenos passinhos? Somos os anãozinho e andamos assim: Bim, bim bim. Bam, bam, bam. Bim, bim, bim. Quem conosco vem girar? Sou o gigante Firamfar, faço muito barulho pra caminhar, assusto quem escutar: Bam, bam, bam”.

FIM

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As Fadas (Charles Perrault)

Depois de boas férias onde trabalhei muito (rsrs), mas não com histórias, e também descansei um pouco, encontrando ainda um tempinho pra uma necessária atualização profissional (afinal se a formação tem que ser continuada não pode parar nunca, né) voltei para a escola cheia de novas ideias para aulas mais elaboradas. Enfim, este ano ao invés de 3 histórias por aula, vamos nos aprofundar nos temas com uma história e duas ou três atividades artísticas relacionadas à história. portanto pretendo aqui de agora em diante descrever um pouco das meus planos de aula, com a história e as atividades.

Esta primeira história é para crianças do Nível IV e V, também serve muito bem ao primeiro ano.

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As Fadas
Era uma vez uma viúva que tinha duas filhas. A mais velha parecia muito com ela, de rosto e de comportamento. Era grossa e desajeitada. Preguiçosa, mentirosa e mal educada.
Já a mais nova saíra ao pai. Era delicada, gentil e prestativa, e além de bem educada era a mais bela moça da vila.
Mas a viúva, como lhe convinha, só gostava da filha mais velha por ser mais parecida com ela. A mais nova tratava como criada, lhe obrigava a limpar, lavar, passar, cozinhar e nem de filha lhe chamava. E a menina tudo fazia e de nada reclamava.
Todos os dias, duas vezes por dia, a menina pegava a tina e ia até o poço da fonte clara, a duas léguas de caminhada, e voltava, carregando a tina pesada, cheia de água para o uso da casa. Naquele tempo não tinha água encanada… mas nem assim ela se lamentava.
Um dia estava a menina pronta para encher a tina no poço da fonte de água clara, quando apareceu uma velha, em farrapos, pedindo um pouco d’água. A menina sem hesitar fez das próprias mãos uma tigela e, delicadamente, serviu água pra velha.
O que a menina não sabia é que a velha era na verdade uma fada. Estava disfarçada de velha mendiga para que a bondade da menina pudesse ser testada.
-Você me serviu com amor e prontidão, e em troca um dom eu vou lhe dar, pedras preciosas da sua boca irão brotar a cada palavra que você falar.
Encantada a menina voltou correndo pra casa levando ainda na cabeça a tina pesada, cheia d’água.
Ao chegar sua mãe já esperava na porta, brava, de cara amarrada, querendo saber o motivo da demora.
-Ah, mamãe! Aconteceu uma coisa maravilhosa!
E ao dizer essas palavras da sua boca caíram uma pérola, dois rubis e três diamantes enormes.
-Minha nossa! Minha filha!- e era a primeira vez que ela chamava a menina de filha – De onde vem todas essas preciosidades? Desse jeito seremos a família mais rica da cidade!!!
E a menina, honestamente, contou tudo que lhe acontecera, e a cada palavra que ela dizia uma nova pedra maravilhosa surgia. E a mãe, gananciosa, já se pôs a imaginar quantas riquezas ela iria ganhar se a outra filha também produzisse brilhantes ao falar. Chamou a filha mais velha:
-Minha filha, pegue a tina de prata e vá agora ao poço da fonte de água clara e faça tudo o que a sua irmãzinha fez.
-Mas mãe, o poço é longe, eu tô cansada…
-Menina, deixe de ser preguiçosa, pegue essa tina de prata e vá agora e nem pense em voltar para casa antes de falar com a velha fada.
Sem ter opção a menina pegou a tina e começou a trilha, mas foi se arrastando e reclamando o caminho inteirinho. Que a tina era muito pesada, o caminho muito comprido, que dava muito trabalho conseguir o tal feitiço.
Quando chegou no poço nem pensou em encher a tina de água, resolveu esperar sentada. Foi quando apareceu uma bela princesa, que era na verdade a fada disfarçada. E para que a bondade da menina pudesse ser testada a princesa pediu-lhe um pouco d’água.
-Olha Dona princesa, quer água? A tina tá aqui, deu sorte que é de prata, o poço é logo ali. Se quiser vai lá pegar, eu é que não vou me molhar pra servir ninguém. Só vim aqui pra receber o mesmo dom que a minha irmã e ainda tenho que ficar esperando uma velha fada, que pelo jeito está bem atrasada… Ai, minhas favas!
-Se esperar é o problema, eu tenho a solução, pois eu mesmo sou a fada, e assim como dei a tua irmã darei a ti também um dom, conforme a sua educação: Para cada palavra que você falar vai vomitar uma criatura hedionda, tal como as palavras que saem da sua boca.
A menina desesperada voltou correndo pra casa, nem quis saber de levar de volta a pesada tina de prata. Quando chegou no portão sua mãe veio correndo perguntar:
-E então, conseguiu a velha fada encontrar?
-Ah, mamãe! Minha irmã nos enganou.
E ao dizer estas palavras mentirosas, da sua boca saíram um sapo, duas lesmas e três cobras venenosas.
A viúva indignada, expulsou a filha mais nova de casa, mesmo ela não sendo culpada. E a menina ficou sozinha, perdida, na floresta escura e fria. Mas por sorte foi encontrada por um príncipe que por lá caçava. Ele ficou encantado pela sua beleza e pelo seu jeito delicado e acabou completamente apaixonado, mesmo pensando que ela era muda, pois não queria falar nada. E quando ela finalmente resolveu falar e a sua história contar, o príncipe viu encantado diversas pedras brilhantes a brotar. Aquilo era perfeito, pois aquele era um dote digno de uma princesa e, assim, os dois poderiam se casar. E se casaram mesmo e dizem que vivem muito felizes reinando justamente até os dias correntes… enquanto a viúva e a filha mais velha, ouvi dizer que até hoje vivem sozinhas e isoladas, escondidas em uma cabana bem no meio da floresta, dizem as más línguas que elas vivem de comer cobra que da boca da filha jorra.

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Depois de escutar a história todas as crianças sentaram com a coluna ereta e os olhos fechados, imaginando o caminho que leva até o poço da fonte de água clara. Como era esse caminho? Reto ou curvo? Como era fazer esse caminho carregando a tina vazia, na ida. E carregando ela pesada e cheia de água na volta para casa? Que marcas ficavam no chão a cada caminhada? Eram sempre as mesmas pegadas?
Depois de imaginar fizemos no chão um caminho com cordas, todo formado de retas, as crianças então pegavam uma tina imaginária, iam até o poço e voltavam, carregando a tina cheia de água, com cuidado pra não derrubar…
Depois fizemos o mesmo, mas desta vez com o caminho formado por curvas. Todas as turmas reagiram super bem a esta caminhada, e nos divertimos muito.
Depois eu distribuí os estojos de giz de cera e uma folha sulfite pra cada um. Pedi para que cada um deles tirasse um pé do próprio sapato e colocasse na mesa com a sola virada para cima, depois colocamos as folhas sobre as solas e passamos o giz de cera várias vezes para tirar uma impressão do desenho da sola. Depois que cada um havia descoberto a marca deixada pelo seu próprio sapato trocamos os sapatos entre nós para que cada folha pudesse ficar com várias marcas diferentes. A maior parte das turmas desenvolveu muito bem essa atividade e muitas crianças entenderam quantas possibilidades se abriam com a pintura de texturas, mas em duas classes houveram crianças que não conseguiram fazer esta atividade e acabaram muito frustadas. Ainda assim creio ter sido muito proveitoso.

FIM

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A Menina e o Urso

 

Conheci essa história no curso de Pedagogia Waldorf, foi o teatro de mesa escolhido pela turma de formandas jardineiras (de jardim da infância, e não de flores, embora seja bem semelhante rsrs), para apresentar na nossa conclusão de curso. Pode ser que a minha memória tenha alterado alguns trechos, minha busca por rimas certamente alterou e não me lembro do autor, mas lembro da voz da Camila Ferres narrando e dizendo: “-Eu estou te vendo, eu estou te vigiando”, com tanta clareza na minha memória, que ao contá-la busco sempre o teatro de mesa e a entonação daquela inigualável apresentação…

Nos teatros de mesa Waldorf os bonecos são feitos de feltragem com lâ de carneiro e corantes naturais, como ainda não os tenho uso muitos tecidos com diferentes amarrações, tocos de madeira, pedras e galhos, e assim vou construindo os personagens e cenários…

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A MENINA E O URSO

Era uma vez uma menina, bonita de laço de fita, que morava com a sua avó e o seu avô em uma casinha de madeira cor de alcatrão que seu avô construíra com as próprias mãos. Ao lado desta casinha tinha um grande lago, fundo e largo, sobre o qual seu avô fizera uma bela ponte de madeira. Depois da ponte havia uma trilha que passava pelo bosque e chegava na floresta das cerejeiras.

Todos os dias de manhãzinha a menina saía com a sua avó, atravessava a ponte sobre o lago, cruzava o bosque pela trilha e entrava na floresta, onde flores e frutos a menina colhia. Muitos ela guardava, alguns ela comia.

Certa manhã sua avó chamou-a e disse:

– Minha querida, hoje estou com muito serviço para fazer na cozinha e não poderei levá-la para nossa caminhada de todo dia. Quero que fique brincando no quintal e nem pense em ir sozinha. Lembre que há raposas no bosque que espreitam de suas cavernas e há ainda muitos perigos na floresta.

Dito isto a avó se ocupou de seus afazeres enquanto a menina brincava no quintalsozinha, bem boazinha.

Mas logo a vontade de colher flores e frutos cresceu tanto dentro da menina que ela resolveu dar só um pulinho na floresta e colher só uma frutinha e uma florzinha e voltar rapidinho sem que ninguém percebesse. A menina atravessou a ponte sobre o lago, passou o bosque pela trilha e chegou na floresta, onde colheu frutas silvestres e uma linda florzinha. Mas quando resolveu que era tempo de voltar percebeu que estava perdida. Quanto mais ela andava e o caminho de volta procurava, mais perdida ficava. Mesmo assim a menina não desistiu e andou o dia inteiro, procurando sem parar. Já era o fim do dia quando a menina encontrou uma caverna e resolveu entrar nela para a noite passar, afinal se el não havia encontrado o caminho de dia, de noite é que não ia encontrar. Iria dormir na caverna, de manhã voltava a procurar.

Mas quando a menina entrou na caverna, parecia um chiqueiro, tudo sujo e bagunçada. A menina limpou e arrumou tudo primeiro e ainda preparou um jantar com um pouco de comida que havia encontrado. Comeu um pouquinho e depois, cansada, pegou no sono e dormiu em um cantinho que ajeitou com uma relva macia, não era bem uma cama, mas servia.

Acordou quando raiava o dia e deu de cara com um grande urso que a olhava com curiosidade. O urso logo lhe disse:

– Por ter cuidado da minha caverna, limpado e arrumado e uma comida tão gostosater preparado, não vou te comer, você vai viver e será a minha companhia. Ficará aqui, morando comigo, cuidando da minha caverna e preparando as minhas refeições todos os dias.

– Eu adoraria – respondeu a menina – mas meu avô e a minha vovozinha devem estar muito preocupados, procurando por mim, e por isso eu devo voltar.

-Nananinanão! – disse o ursão – você vai ficar aqui, e nem adianta fugir, pois eu vou te encontrar.

Assim a menina ficou. Quando o urso foi caçar a menina tentou fugir, mas logo percebeu que não sabia o caminho e, mesmo que soubesse, deixaria pegadas para o urso seguir. Assim voltou pra caverna e resolveu esperar. Quando o urso saiu pra caçar de novo a menina preparou um delicioso bolo, com cobertura e tudo. Quando o urso voltou da caça foi logo querendo experimentar o bolo que parecia delicioso, mas a menina entrou na frente dizendo:

– Nananinanão! Este bolo é para consolar o meu vovozinho e a minha avozinha que devem estar muito preocupados por eu não ter voltado. Leve este bolo direto para a minha casinha. Saia da floresta, atravesse o bosque pela trilha e cruze a ponte sobre o rio. Meu vovô e a minha vovózinha moram naquela casinha de madeira cor de alcatrão onde mora o meu coração. Faça isso direitinho que quando você voltar eu lhe farei um bolo igualzinho para você comer todinho. Mas não tente me enganar eu vou ficar no alto da árvore te viagiando. Nem pense em comer um pedacinho do bolo senão nunca mais cozinho pra você de novo.

O urso concordou, e foi se preparar para levar o bolo, enquanto isso a menina escondeu-se dentro de uma grande cesta e colocou o bolo por cima. Quando o urso veio pegar o bolo e não encontrou a menina, deduziu que ela já estava na árvore e resolveu aproveitar para provar só um pedacinho do bolo, que parecia estar tão delicioso.

Mas a menina que espiava por um buraquinho da cesta, vendo o que o urso estava fazendo foi logo dizendo:

– Eu estou te vendo. Eu estou te vigiando, leve este bolo direto para a minha vovozinha.

O urso, acreditando que a menina falava do alto da árvore, tratou logo de obedecer e pôs a cesta nas costas. Mas quando estava no meio da floresta, sentindo a cesta muito pesada resolveu parar para dar uma descansada. Tirou a cesta das costas e resolveu provar só um pedacinho do bolo que parecia tão delicioso. Mas a menina que via tudo pelo buraquinho foi logo dizendo:

– Eu estou te vendo. Eu estou te vigiando. Leve este bolo direto para a minha vovozinha.

O urso achou que a menina tinha uma boa visão, para vê-lo de tão longe. Pôs a cesta nas costas e continuou seu caminho. Terminou de atravessar a trilha da floresta e chegou no caminho do bosque, onde resolveu novamente parar para descansar. Achando que agora a menina estava tão longe que não podia mais vê-lo o urso tentou novamente provar o bolo, mas a menina escondida na cesta pelo buraquinho continuava olhando e novamente foi dizendo:

– Eu estou te vendo. Eu estou te vigiando. Leve este bolo direto para a minha vovozinha.

O urso pensou que a menina estava em uma árvore realmente alta. Pôs novamente a cesta nas costas e seguiu o seu caminho. Terminou de atravessar o bosque e chegou na ponte sobre o rio, onde novamente resolveu parar e descansar pois a cesta estava muito pesada. Pensando que agora a menina não mais o estava enxergando, resolveu provar o bolo, que parecia delicioso. Mas a menina que tudo via pelo buraquinho da cesta foi logo dizendo:

– Eu estou te vendo, eu estou te vigiando. Entregue este bolo direto para a minha vovozinha.

O urso achou que a menina estava em uma árvore realmente muito alta e tinha uma visão melhor que a de um falcão. Pôs novamente a cesta nas costas e terminou de atravessar a ponte sobre o rio, chegando ao quintal da casa dos avós e da menina. Ao cruzar a cerca do quintal o urso percebeu que era sua única chance de provar o bolo e pôs a cesta no chão, mas a menina, que espiava pelo buraquinho da cesta, foi logo dizendo:

– Eu estou te vendo, eu estou te vigiando. Leve este bolo direto para a minha vovozinha.

Neste momento o avô da menina ouviu a voz da netinha no quintal e saiu pra ver o que é que estava acontecendo. Viu aquele urso enorme e tratou logo de pegar a espingarda e dar três tiros para cima.

O urso tomou o maior susto da sua vida, largou a cesta ali mesmo e saiu correndo.  Atravessou a cerca do quintal, atravessou a ponte sobre o lago, cruzou a trilha do bosque e entrou correndo na floresta, só parou quando chegou na caverna e não entendeu nada quando não encontrou nem o bolo prometido, nem a menina e nem nenhuma pegada.

E a menina saiu da cesta e foi correndo abraçar seus avós, que estavam muitíssimos preocupados com o seu desaparecimento. A menina prometeu nunca mais desobedece-los e nem nunca mais ir passear na floresta sozinha. E juntos, o avô, a avó e a menina, ainda comeram aquele lindo bolo que estava mesmo delicioso…

FIM

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