A Princesa do Castelo em Chamas (conto da Transilvania, Romenia)

 

Era uma vez um homem, um pastor muito pobre. Mas existia tanto amor entre ele e sua companheira que eles tinham tantos filhos quantos furos tem uma peneira. Todos os homens da aldeia já eram seus compadres. Ao nascer-lhe mais um filho, não tinha mais a quem pedir para ser o padrinho. Mas o pasto r não perdeu a esperança, sentou-se na beira da estrada para pedir ao primeiro passante que fosse padrinho da criança.
Vinha então descendo a estrada um velho com um manto cinza, ao qual ele fez o pedido, o velho, que mais parecia um mendigo, aceitou agradecido.
Seguiram juntos o caminho, e o velho ajudou a batizar a criança. Deu, então, de presente ao pobre uma vaca e um bezerro nascido no mesmo dia em que seu afilhado. O bezerro tinha na testa uma estrela dourada e deveria pertencer ao menino.
Quando o menino cresceu, o bezerro se havia tornado um enorme touro, e juntos iam ambos todos os dias ao pasto. O touro sabia falar e, quando chegavam ao topo da montanha, dizia ao menino:
– Fica aqui e dorme. Enquanto isso, vou procurar meu pasto sozinho.
Assim que o pastor dormia, o touro corria como um raio até o grande pasto celeste e comia flores douradas de estrelas. Quando o sol se punha, ele voltava para acordar o menino, e iam, então para casa. Isto se repetiu todos os dias até o menino alcançar a idade de vinte anos. Um dia, disse-lhe o touro:
-Senta-te agora entre os meus chifres e eu te levarei até o Rei. Pede-lhe uma espada de ferro do tamanho de sete varas e dize-lhe que queres salvar sua filha.
Logo eles estavam no castelo real. O pastor desceu e foi ter com o Rei; este lhe perguntou o motivo de sua vinda. Após ouvir a resposta, deu-lhe com prazer a espada desejada, mas sem muita esperança de poder rever sua filha. Muitos jovens audaciosos tinham em vão ousado libertá-la. Ela fora raptada por um dragão de doze cabeças, que morava muito, muito longe. Ninguém podia chegar até lá, pois no caminho para seu castelo se encontrava uma serra imensamente alta, impossível de atravessar; e, mais além, um grande mar bravio. Mesmo se alguém conseguisse transpor a serra e o mar, encontraria o castelo envolto em chamas poderosas; e, mesmo tendo-as vencido, havia ainda um dragão de doze cabeças pronto para matar o indivíduo.
Quando o pastor obteve a espada, montou novamente entre os chifres do touro, e num instante eles se encontraram diante da serra imensa.
-Podemos voltar – disse ele ao touro, pois achava impossível atravessar tal serra.
O touro respondeu-lhe:
-Espera apenas um instante!
E desceu o rapaz ao chão. Mal tinha feito isso, cravou no chão os cascos, deu um impulso e moveu, com seus chifres poderosos, a serra inteira para o lado; e eles puderam seguir em frente.
O touro assentou o pastor novamente entre os chifres, e logo eles alcançaram o mar.
-Agora podemos voltar – disse o jovem – pois ali ninguém consegue passar.
-Espera apenas um instante – retrucou-lhe o touro -, e segura te bem em meus chifres.
Então inclinou a cabeça até a água e bebeu o mar inteiro, e assim prosseguiram eles em chão seco.
Logo chegaram ao Castelo de Chamas. Mas, já de longe, sentiram um calor tão imenso que era quase insuportável ao rapaz.
-Pára – gritou ele ao touro – não vás em frente senão morro queimado.
O touro porém correu até bem perto e cuspiu de uma vez, por sobre as chamas, o mar que havia bebido.Rapidamente o fogo se apagou e uma fumaça enorme se elevou, enevoando todo o céu. Então, do vapor medonho, saltou o dragão de doze cabeças, enraivado.
-Agora é tua vez – disse o touro a seu amo. – Vê se consegues cortar todas as cabeças do monstro de um só golpe.
Ele juntou toda a sua força, tomou a espada poderosa com as mãos e golpeou tão rapidamente o monstro que todas as cabeças rolaram ao chão. O animal se contorceu e se debateu contra a terra com tal força que ela tremeu. O touro apanhou o corpo do dragão com seus chifres arremessando-o ás nuvens, e nada mais se viu dele.
O touro disse ao pastor:
– Minha tarefa chegou ao fim. Vai até o castelo, e lá encontrarás a princesa. Leva-a de volta a seu pai.
Tendo dito isto, correu para o gramado celeste e virou uma constelação. O rapaz nunca mais o viu mas também nunca mais o esqueceu.
Ele se dirigiu ao castelo, onde encontrou a princesa, que se alegrou muito por estar livre do terrível dragão.
Regressaram ambos então ao país da princesa, onde se casaram; e uma enorme alegria invadiu todo o reino desde o momento em que os dois regressaram.
FIM
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BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

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Os dois anõezinhos

Quando fiz meu curso de Pedagogia Waldorf ouvimos uma história coletada pelos irmãos Grimm chamada ” Os presentes do povo pequenino”. Anos depois fui contar essa história para as minhas filhas, e contei como me lembrava. Minha filha gosotu muito dessa história, por isso a repeti diversas vezes de lá pra cá, chegando mesmo a apresentá-la nas minhas escolas. Mas descobri ontem que o que ficou na minha memória não era quase nada parecido com a história. Ou seja, sem querer inventei uma história nova, ao mesmo tempo percebo agora que nessa história nova eu incluí diversos conceitos do que eu havia estudado. Por isso resolvi publicá-la agora.

Essa é uma história para o inverno, pois durante esta época as forças espirituais estão concentradas no interior da terra, guardando a vida das sementes ou formando as mais belas pedras. Na mitologia essa força é representada pelos anõezinhos, seres pequenos mas muito fortes, guerreiros ferozes, mas também trabalhadores extremamente habilidosos na carpintaria, na mineração e na transformação das pedras preciosas nas mais belas e mágicas jóias.

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OS DOIS ANÕEZINHOS

Em um certo país uma grande caverna existia, mas não era uma caverna escura e fria. Era uma caverna toda enfeitada com lindas pedras polidas e lustradas. Tão enfeitada que brilhava.

Pois aquela caverna não era uma caverna cheia de animais assustadores, ela era habitada por anõezinhos mineradores muito trabalhadores.

Todos os dias eles procuravam pedras, quando não eram preciosas, mas eram belas, eles usavam para enfeitar a caverna, mas quando achavam uma pedra preciosa e brilhante, fosse uma esmeralda, um rubi ou um diamante, trabalhavam a pedra lustrando e polindo com cuidado e afinco até deixá-la lisa e cintilante. E quando achavam ouro ou prata faziam as jóias mais raras encrustando suas pedras trabalhadas em coroas, espadas e seus cintos, anéis, colares ou brincos.

Mas os anõezinhos, apesar de serem um povo bastante orgulhoso, não são muito vaidosos, por isso faziam as jóias não para usar, e sim para vender ou trocar. Trocavam suas relíquias principalmente por comida, é que na caverna a luz do Sol não consegue entrar, logo não dá pra plantar e os anõezinhos são conhecidos por saber trabalhar mas também pelo tamanho de seu apetite, o que considerando que os anões são tão pequenos, é mesmo de espantar. Por isso deixo avisado, não convide um anãozinho pra jantar.

Acontece que nassa caverna os anõezinhos já não conseguiam mais achar ouro, prata ou pedras, e assim estavam todos começando a passar necessidades.

Fizeram uma grande reunião para resolver aquela situação. Logo todos concordaram que um anãozinho deveria fazer uma expedição pra procurar na montanha vizinha uma possível solução.

O anão mais velho deu a sua opinião:

-Deveríamos enviar para essa honrosa e perigosa tarefa o anão Spik, corajoso e valente, um anão experiente e que tem uma barba respeitável.

Todos concordaram, todos menos Spok. Spok era um anão que adorava chamar a atenção. Estava sempre se metendo em confusão, queria falar mais alto enquanto alguém falava, tirava sarro de meio mundo e parece que ele não sabia a hora de fazer piada. E o pior é que ele ainda “se achava”…

-Eu devo ser o anãozinho enviado, afinal sou muito mais barbado.- disse o Spok.

É que todos os anõezinhos são barbados e, geralmente, quanto mais barbado, mais o anãozinho é respeitado. Mas Spok era um anão mal educado, ninguém queria vê-lo ser o responsável por tão importante trabalho.

Foi Spik quem resolveu a situação:

-Vamos nós dois então! Eu posso te ajudar e, nós dois juntos, mais pedras conseguiremos carregar.

Assim, na manhã seguinte, depois de um café da manhã reforçado, saíram os dois para fazer o trabalho. Spik e Spok caminharam o dia inteiro e chegaram no sopé da montanha quando já estava anoitecendo, mas não quiseram nem parar para descansar. Resolveram aproveitar a luz da lua cheia para começar a procurar. Acharam muitas pedras bonitas, mas nenhuma preciosa, ainda assim, como os dois anõezinhos gostavam muito de pedras bonitas, todas que encontravam recolhiam. Passaram assim a noite inteira e ainda o dia inteiro, sempre montanha acima. Já estava anoitecendo quando chegaram lá em cima.

Os dois traziam as bolsas e os bolsos completamente carregados de lindas pedras, mas nenhuma valia nada, nenhuma servia para resolver o problema deles e dos outros anõezinhos lá da caverna. Muito tristes pararam para descansar, fizeram uma cama de pedras, usaram as bolsas cheias de pedras como travesseiro e as pedras em seus muitos bolsos lhe serviam de coberta. E dormiram.

O primeiro a acordar foi Spik:

-Aaah! Nossa Spok que sono pesado que eu tive. Essas pedras me parecem tão pesadas. Uau! Acorda Spok veja que maravilha, nossas pedras todas viraram ouro, é o mais puro ouro que eu já vi na vida. É tanto ouro que dá pra resolver o problema de toda a nossa vila.

Os dois anõezinhos encantados dançaram e cantaram.

-Vamos Spok- disse Spik – Vamos logo voltar para caverna e levar o ouro e a boa notícia para todos lá da vila!

-O quê Spik? Você ficou louco? Pra que ir embora agora se podemos passar o dia aqui juntando muito mais pedras para amanhã termos muito mais ouro?

-Mais ouro pra que Spok? Já temos ouro suficiente pra resolver o problema de todos os anõezinhos da montanha, quero logo voltar para casa e a boa nova levar. Vamos lá!

-Se você quiser que vá. Pode levar o ouro que puder carregar. Eu vou ficar, juntar mais pedras fazer mais ouro e, quando eu voltar, vou ser o anãozinho mais rico de toda a nossa caverna, ou melhor, vou ser o anão mais rico e poderoso do mundo todo.

Vendo que Spok estava tomado pela ambição e não ia mudar sua decisão Spik resolver pegar metade do ouro e voltar pra caverna pra dividir o tesouro por todos os nõezinhos.

Spok ficou na montanha recolhendo pedras, já não mais se importava se eram feias ou belas, redondas ou quadradas, era pedra ele pegava. Quando terminou o dia ela já tinha feito uma montanha enorme de pedras no alto da montanha, junto com o monte de ouro que ele havia conseguido na noite anterior. Também trazia pedras nas bolsas e nos bolsos da calça, da camisa e do casaco e até seu chapéu estava cheio de pedras. Spok estava feliz e cansado. Deitou no alto das pedras, usando sua bolsa cheia de pedras como travesseiro e as pedras dos bolsos servindo de coberta. Dormiu sonhando com todo o tesouro que teria ao acordar.

Acordou no outro dia com um pulo.

-Aah! Me sinto tão leve e disposto. Dormi tão bem… minha cama de ouro estava tão quentinha e macia…. Epa, espera um pouco, quente e macio? Mas o ouro é duro e frio!!! Oh! Mas que horror, que decepção. Todas as minhas pedras, até mesmo todo meu ouro, virou carvão!!!

O anãozinho começou a chorar e, pra piorar, quando levou a mão aos olhos, para suas lágrimas enxugar, percebeu que estava sem nenhum pelo na cara, não tinha mais nem um fio de bigode nem de barba.

Envergonhado o anãozinho foi procurar uma caverna pra morar, e lá ficou dias a fio, chorando sozinho, arrependido.

Por sorte lá na vila o anãozinho Spik começou a ficar preocupado, afinal já era tempo do Spok ter voltado… resolveu ir procurá-lo.

Ao chegar na montanha acabou achando a caverna onde o amigo tinha ido morar, mas ao ver Spok sem barba nem bigode, Spik começou a rir de gargalhar. Era uma gargalhada tão gostosa que o Spok não aguentou e começou a rir junto com o amigo, e aquela risada lavava toda a tristeza que ele estava sentindo.

-Vamos Spok- disse o Spik ainda rindo- Vamos voltar pra caverna, estão todos preocupados meu amigo. Além do que eu dividi o meu tesouro entre todos os anõezinhos e agora somos todos ricos.

-Não posso voltar- disse Spok envergonhado.- Se voltar para nossa caverna serei o único anãozinho pobre e isso é muito triste.

-Claro que não!- disse Spik- eu não falei que tinha dividido o ouro entre todos os anõezinhos do condado, então, seu ouro também está lá separado.

E assim Spok resolveu voltar, quando chegou na caverna todos os seus colegas que o viam sem bigode nem barba, caiam na gargalhada. Mas Spok nem ligava, estava feliz da vida e tinha aprendido sua lição. Além disso, se sentia muito rico, não por conta do ouro, mas por ter Spik como seu amigo.

FIM

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Os Anõezinhos e o Gigante

Era uma vez uma grande família de anõezinhos que vivia no interior de uma enorme caverna. Mas não era uma caverna sombria, não era escura e nem fria, era uma caverna brilhante cheia de pedras preciosas e diamantes e esses anõezinhos viviam trabalhando embaixo da terra, deixando sua caverna ainda mais bela.

Todos os dias um dos anõezinhos tinha que ir lá em cima colher frutas, legumes, verduras e cereais, para fazer comida. É que essas coisas, pra crescer, precisam de luz do sol e os anõezinhos não podiam cultivá-las na caverna iluminada apenas por velas e pelo brilho das pedras…

Era um trabalho tranquilo e assim, sem problemas, todos os anõezinhos se dividiam ficando um cada dia com esse ofício.

Um dia estava indo o anão Benrur com seus passinhos pequenininhos:

“Bim, bim, bim.”

Quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam.”

O anãozinho tomou um baita susto, largou no chão seu cesto já cheio de frutos e voltou pra caverna correndo aos pulos:

-Socorro! Socorro! Tem lá fora um monstro horroroso!

-Do que está falando? Cadê nossa comida? – disse desconfiado o anãozinho Caete.

E o Benrur respondeu:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Não acredita? Pois vai lá ver.

-Eu acho que você está é com preguiça. Mas eu estou com fome então vou lá buscar nossa cesta de comida…

E lá se foi Caete, pra fora da caverna, lá pra cima. Saiu com seus passinhos pequeninhos:

“Bim, bim, bim.”

Chegou até o cesto e estava pronto para voltar quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam!”

O anãozinho ficou tão assustado, voltou para a caverna correndo e gritando, aos saltos:

-Socorro, socorro! Um monstro!

-Como assim? – quiseram saber os outros.

E Caete explicou:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Ah! Que má sorte, vamos morrer de fome.

Começou uma grande confusão, alguns queriam fugir para longe dali, outros se esconder no fundo mais profundo da caverna. Mas a fome falava mais alto, e os anõezinhos são corajosos e fortes… resolveram subir e enfrentar o monstro horroroso.

Lá se foram os anõezinhos subindo com seus passinhos bem assim:

“Bim, bim, bim.” Bim, bim, bim”

Quando ouviram o som do monstro assustador:

“Bam, bam, bam.”

Os anõezinhos quase saíram correndo, mas o corajoso Dundum falou:

-Fiquem anõezinhos, temos que pegar nosso cesto de comida, vamos enfrentar o monstro horroroso.

E como os anõezinhos são fortes e corajosos foram  em direção ao som assustador com seus passinhos assim:

“Bim, bim, bim.”

E logo ouviram mais perto o som do monstro horroroso:

“Bam, bam, bam”

Os anõezinhos quase correram de novo. Mas Dundum lembrou do cesto de comida. Das frutas legumes e cereais que deveriam estar bem gostosos. E eles como eram fortes e corajosos, resolveram enfrentar o monstro horroroso. E lá se foram com seus passinhos que faziam assim:

“Bim, bim, bim.”

Ouviram o barulho horroroso vindo ao seu encontro:

“Bam, bam, bam.”

Deram de cara com o monstro. Era um gigante, enorme, mas não era horroroso, era até bem jeitoso, tinha cara de ser bondoso, o que de fato era. E o gigante trazia pros anõezinhos uma enorme cesta cheia das mais deliciosas comidas. É que o gigante se sentia muito sozinho. Morava na montanha ao lado dos anõezinhos e sempre ouvia o barulho dos seus passinhos e pensava consigo: “Será que se eu for até lá não consigo fazer amigos?” Mas os passos eram tão baixinhos que o gigante tinha medo de ir até lá e assustar os anõezinhos. Mas aquele dia tinha tomado coragem. E os anõezinhos estavam com tanta fome que quando viram o grande cesto cheio de deliciosos alimentos, esqueceram dos seus medos e juntos com o gigante fizeram um grande piquenique. Estavam todos tão felizes que depois de comer foram juntos dançar, em roda a girar:

“Bim, bim bim. Bam, bam bam. Quem caminha com pequenos passinhos? Somos os anãozinho e andamos assim: Bim, bim bim. Bam, bam, bam. Bim, bim, bim. Quem conosco vem girar? Sou o gigante Firamfar, faço muito barulho pra caminhar, assusto quem escutar: Bam, bam, bam”.

FIM

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Os Sete Coelhinhos

Esta é a minha versão rimada de uma história Waldorf que eu aprendi durante o curso em uma época de páscoa, ano passado eu a apresentei como teatro de mesa, esse ano vou apresentar com a participação deles fazendo o papel dos coelhos e uma atividade com corrida de ovos no final.

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OS SETE COELHINHOS

O Papai Coelho da Páscoa e a Mamãe Coelha da Páscoa já estavam ficando bem velhinhos e deveriam escolher entre seus sete filhos quem seria o próximo coelhinho da páscoa.

Pra isso o Papai Coelho chamou seus sete rebentos enquanto a Mamãe Coelha trazia sete ovos de chocolate em um grande cesto. Cada ovo tinha uma cor: dourado, vermelho, marrom, prateado, verde, azul e amarelo, todos eles lindos, nenhum era mais belo.

Cada um escolheria um ovo, começando pelo coelhinho mais velho, passaria pela ponte sobre o lago, pelo bosque, e atravessaria a floresta pela trilha, até a escola da vila.

Quem conseguisse fazer tudo isso e ainda pular o muro da escola e esconder o ovo bem direitinho seria escolhido para ser o próximo Coelhinho.

O filho mais velho foi o primeiro a tentar, escolheu o ovo azul e saiu da toca para o longo caminho começar, mas logo que chegou na ponte viu o seu reflexo no lago e parou para se admirar: era mesmo um coelhinho lindo, com os olhos vermelhos e o pelo bem branquinho, de certo que seria o escolhido. Mas assim a se olhar, pelo seu próprio reflexo distraído acabou deixando cair o ovo azul, que bateu em uma pedra do lago e se quebrou em mil pedaços.

O coelho mais velho voltou para casa. Esse não era o verdadeiro Coelhinho da Páscoa.

O segundo coelho escolheu o ovo vermelho. Saiu da toca e passou pela ponte do lago sem nem ao menos olhar para baixo, mas quando chegou do outro lado encontrou um coelhinho que era seu amigo e parou para cumprimentar.

-Olá.

-Oi amigo, para onde você está indo? Venha brincar um comigo!

-Não posso, estou indo pra escola esconder esse ovo para a criançada, eu ainda tenho uma longa caminhada.

-Mas ainda falta muito pro sinal tocar, vai dar tempo de brincar, depois você vai lá para o ovinho entregar.

O segundo coelho resolveu ficar só um pouquinho porque ele adorava brincar. E os dois amigos se divertiram, pulando e saltando e caindo na grama a rolar. Ele nem viu quando rolou por cima do  ovo vermelho quebrando-o inteiro.

O segundo coelhinho voltou para casa. Esse não era o verdadeiro Coelhinho da Páscoa.

O terceiro coelhinho escolheu o ovo marrom, que é a cor do chocolate. Saiu da toca e passou pela ponte sobre o lago e nem olhou para baixo e quando chegou do outro lado, encontrou seu amigo e ele lhe chamou pra brincar, o terceiro coelhinho nem pensou em aceitar. Mas então seu amigo teve uma ideia de arrasar:

-Este ovo parece tão gostoso. Vamos experimentar? Só uma lambidinha cada um e ninguém vai nem notar.

O terceiro coelhinho também queria experimentar o ovo e ver se estava mesmo gostoso, acabou por aceitar. Deu uma lambidinha seu amigo deu outra. Mas o ovo tava mesmo tão gostoso que eles resolveram lamber de novo e de novo e de novo, e  quando perceberam haviam comido o ovo todo.

O terceiro coelhinho voltou para casa. Esse não era o verdadeiro Coelhinho da Páscoa.

O quarto coelhinho escolheu o ovo dourado. Saiu da toca e passou pela ponte sobre o lago sem nem ao menos olhar para baixo. Quando chegou do outro lado e encontrou seu amigo não quis nem papo. Já estava no bosque, no meio da caminhada,  quando ouviu lá em cima o canto da Gralha:

– Cuidado coelhinho! A raposa vem aí para roubar seu ovinho. Depressa, deixe que eu o escondo no meu ninho.

-Obrigado Dona Gralha. Fico muito agradecido- disse o quarto coelho todo aliviado, já entregando pra Gralha o seu ovo dourado.

A gralha pegou o ovo brilhante e levou para o seu ninho lá no alto. Mas o coelhinho olhou para os lados e não viu nenhuma raposa chegar. Lembrou-se então que as gralhas são famosas por objetos brilhantes roubar.

-Dona Gralha, sua ladra! Devolva meu ovo já!

-Se quer mesmo seu ovinho, seu coelhinho, sobe aqui e vem buscar.- gritou a Gralha lá do ninho, rindo de se acabar.

O quarto coelhinho voltou para casa. Esse não era o verdadeiro Coelhinho da Páscoa.

O quinto coelhinho escolheu o ovo prateado. Saiu da toca e passou pela ponte sem ao menos olhar para baixo. Quando chegou do outro lado e encontrou seu amigo não quis nem papo. Quando estava no bosque, no meio da caminhada e ouviu lá de cima o canto da Gralha:

– Cuidado coelhinho. A raposa vem aí para roubar seu ovinho. Depressa, deixe que eu o esconda no meu ninho.

-Pra ficar você com meu ovo? Pensa que eu sou bobo? Além disso a raposa vive é na floresta, eu é que não caio na sua peça.

E o quinto coelhinho terminou de atravessar o bosque e entrou na trilha que cortava a floresta escura e fria. Já estava no meio da trilha quando a raposa apareceu:

-Oh, seu coelhinho, que bom te encontrar. Estava mesmo procurando alguém pra me ajudar. Acontece que ainda hoje encontrei em minha caverna duas enormes moedas, mas elas estão em um cantinho que minhas grandes patas não conseguem alcançar, se você me ajudar com suas patinhas finas, prometo uma moeda te dar.

O quinto coelhinho que gostava muito de moedas, seguiu com a raposa até a sua caverna, mas quando chegou lá no fundo da caverna, viu que não tinha nenhuma moeda, só a raposa, parada, tampando a saída com a boca bem aberta, pronta pra botar o coelhinho inteirinho pra dentro da goela. Sem ter outra saída o coelho jogou seu ovo dentro da boca da raposa e, enquanto ela se engasgava, o coelhinho conseguiu escapar e voltar para casa.

Este não era o verdadeiro Coelhinho da Páscoa.

O sexto coelhinho escolheu o ovo verde, saiu da toca correndo como o vento, atravessou a ponte tão rápido que não deu nem tempo de olhar para baixo, quando chegou do outro lado não parou nem pra escutar o seu amigo chamando ele pra brincar, quando chegou no bosque e a Gralha se pôs a gritar que a raposa tava vindo pro seu ovo roubar o coelhinho respondeu correndo:

-Quero ver ela me alcançar.

Entrou na trilha da floresta correndo à beça e, quando no meio do caminho a raposa veio com a história das moedas lhe enganar, o sexto coelhinho nem ao menos parou para escutar, continuou correndo e gritando:

-Quero ver você me pegar.

Chegou na escola bem depressa e pulou o muro feito um raio, mas caiu de mal jeito do outro lado e o ovo verde acabou todo quebrado.

O sexto coelhinho voltou para casa… esse não era o verdadeiro Coelhinho da Páscoa.

Era a vez do coelhinho mais novo, amarelo era o seu ovo. Saiu da toca andando nem muito rápido e nem muito devagar, passou pela ponte sem nem olhar para baixo e, quando chegou do outro lado e seu amigo veio chamá-lo para brincar ele apenas respondeu:

-Não, obrigado, tenho que ir até a escola para esse ovo entregar.

-Uhm! Esse ovo parece tão gostoso! Vamos experimentar? Só uma lambidinha cada um e ninguém vai nem notar.

-Nem pensar! Esse ovo é para as crianças. Depois eu te faço um outro.

E o sétimo coelho seguiu caminho pelo bosque e quando a Gralha gritou do seu ninho ele nem se preocupou:

-Pode ficar sossegada, Dona Gralha. Esse ovo é um ovo de Páscoa que vai as crianças alegrar eu nunca vou deixar a raposa o pegar.

E o coelhinho entrou na trilha da floresta e, no meio do caminho, quando a Dona Raposa veio pedir ajuda para pegar as duas moedas o coelhinho respondeu:

-Desculpa, mas estou com muita pressa, não vou poder ajudar pois tenho que esse ovo entregar, mas depois que eu voltar, prometo que faço outro ovo pra você, pra te compensar.

E assim o coelhinho chegou até a escola, pulou o muro com todo cuidado e caiu em pé, do outro lado, escondeu bem seu ovo e depois deixou pegadas, então se escondeu atrás de uma moita e ficou esperando o sinal para ver a criançada sair da escola e se divertir naquela grande caçada. Só depois que as crianças encontraram e dividiram o ovo, é que o sétimo coelhinho voltou para casa.

Esse sim era o verdadeiro Coelhinho da Páscoa.

FIM

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A Menina e o Urso

 

Conheci essa história no curso de Pedagogia Waldorf, foi o teatro de mesa escolhido pela turma de formandas jardineiras (de jardim da infância, e não de flores, embora seja bem semelhante rsrs), para apresentar na nossa conclusão de curso. Pode ser que a minha memória tenha alterado alguns trechos, minha busca por rimas certamente alterou e não me lembro do autor, mas lembro da voz da Camila Ferres narrando e dizendo: “-Eu estou te vendo, eu estou te vigiando”, com tanta clareza na minha memória, que ao contá-la busco sempre o teatro de mesa e a entonação daquela inigualável apresentação…

Nos teatros de mesa Waldorf os bonecos são feitos de feltragem com lâ de carneiro e corantes naturais, como ainda não os tenho uso muitos tecidos com diferentes amarrações, tocos de madeira, pedras e galhos, e assim vou construindo os personagens e cenários…

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A MENINA E O URSO

Era uma vez uma menina, bonita de laço de fita, que morava com a sua avó e o seu avô em uma casinha de madeira cor de alcatrão que seu avô construíra com as próprias mãos. Ao lado desta casinha tinha um grande lago, fundo e largo, sobre o qual seu avô fizera uma bela ponte de madeira. Depois da ponte havia uma trilha que passava pelo bosque e chegava na floresta das cerejeiras.

Todos os dias de manhãzinha a menina saía com a sua avó, atravessava a ponte sobre o lago, cruzava o bosque pela trilha e entrava na floresta, onde flores e frutos a menina colhia. Muitos ela guardava, alguns ela comia.

Certa manhã sua avó chamou-a e disse:

– Minha querida, hoje estou com muito serviço para fazer na cozinha e não poderei levá-la para nossa caminhada de todo dia. Quero que fique brincando no quintal e nem pense em ir sozinha. Lembre que há raposas no bosque que espreitam de suas cavernas e há ainda muitos perigos na floresta.

Dito isto a avó se ocupou de seus afazeres enquanto a menina brincava no quintalsozinha, bem boazinha.

Mas logo a vontade de colher flores e frutos cresceu tanto dentro da menina que ela resolveu dar só um pulinho na floresta e colher só uma frutinha e uma florzinha e voltar rapidinho sem que ninguém percebesse. A menina atravessou a ponte sobre o lago, passou o bosque pela trilha e chegou na floresta, onde colheu frutas silvestres e uma linda florzinha. Mas quando resolveu que era tempo de voltar percebeu que estava perdida. Quanto mais ela andava e o caminho de volta procurava, mais perdida ficava. Mesmo assim a menina não desistiu e andou o dia inteiro, procurando sem parar. Já era o fim do dia quando a menina encontrou uma caverna e resolveu entrar nela para a noite passar, afinal se el não havia encontrado o caminho de dia, de noite é que não ia encontrar. Iria dormir na caverna, de manhã voltava a procurar.

Mas quando a menina entrou na caverna, parecia um chiqueiro, tudo sujo e bagunçada. A menina limpou e arrumou tudo primeiro e ainda preparou um jantar com um pouco de comida que havia encontrado. Comeu um pouquinho e depois, cansada, pegou no sono e dormiu em um cantinho que ajeitou com uma relva macia, não era bem uma cama, mas servia.

Acordou quando raiava o dia e deu de cara com um grande urso que a olhava com curiosidade. O urso logo lhe disse:

– Por ter cuidado da minha caverna, limpado e arrumado e uma comida tão gostosater preparado, não vou te comer, você vai viver e será a minha companhia. Ficará aqui, morando comigo, cuidando da minha caverna e preparando as minhas refeições todos os dias.

– Eu adoraria – respondeu a menina – mas meu avô e a minha vovozinha devem estar muito preocupados, procurando por mim, e por isso eu devo voltar.

-Nananinanão! – disse o ursão – você vai ficar aqui, e nem adianta fugir, pois eu vou te encontrar.

Assim a menina ficou. Quando o urso foi caçar a menina tentou fugir, mas logo percebeu que não sabia o caminho e, mesmo que soubesse, deixaria pegadas para o urso seguir. Assim voltou pra caverna e resolveu esperar. Quando o urso saiu pra caçar de novo a menina preparou um delicioso bolo, com cobertura e tudo. Quando o urso voltou da caça foi logo querendo experimentar o bolo que parecia delicioso, mas a menina entrou na frente dizendo:

– Nananinanão! Este bolo é para consolar o meu vovozinho e a minha avozinha que devem estar muito preocupados por eu não ter voltado. Leve este bolo direto para a minha casinha. Saia da floresta, atravesse o bosque pela trilha e cruze a ponte sobre o rio. Meu vovô e a minha vovózinha moram naquela casinha de madeira cor de alcatrão onde mora o meu coração. Faça isso direitinho que quando você voltar eu lhe farei um bolo igualzinho para você comer todinho. Mas não tente me enganar eu vou ficar no alto da árvore te viagiando. Nem pense em comer um pedacinho do bolo senão nunca mais cozinho pra você de novo.

O urso concordou, e foi se preparar para levar o bolo, enquanto isso a menina escondeu-se dentro de uma grande cesta e colocou o bolo por cima. Quando o urso veio pegar o bolo e não encontrou a menina, deduziu que ela já estava na árvore e resolveu aproveitar para provar só um pedacinho do bolo, que parecia estar tão delicioso.

Mas a menina que espiava por um buraquinho da cesta, vendo o que o urso estava fazendo foi logo dizendo:

– Eu estou te vendo. Eu estou te vigiando, leve este bolo direto para a minha vovozinha.

O urso, acreditando que a menina falava do alto da árvore, tratou logo de obedecer e pôs a cesta nas costas. Mas quando estava no meio da floresta, sentindo a cesta muito pesada resolveu parar para dar uma descansada. Tirou a cesta das costas e resolveu provar só um pedacinho do bolo que parecia tão delicioso. Mas a menina que via tudo pelo buraquinho foi logo dizendo:

– Eu estou te vendo. Eu estou te vigiando. Leve este bolo direto para a minha vovozinha.

O urso achou que a menina tinha uma boa visão, para vê-lo de tão longe. Pôs a cesta nas costas e continuou seu caminho. Terminou de atravessar a trilha da floresta e chegou no caminho do bosque, onde resolveu novamente parar para descansar. Achando que agora a menina estava tão longe que não podia mais vê-lo o urso tentou novamente provar o bolo, mas a menina escondida na cesta pelo buraquinho continuava olhando e novamente foi dizendo:

– Eu estou te vendo. Eu estou te vigiando. Leve este bolo direto para a minha vovozinha.

O urso pensou que a menina estava em uma árvore realmente alta. Pôs novamente a cesta nas costas e seguiu o seu caminho. Terminou de atravessar o bosque e chegou na ponte sobre o rio, onde novamente resolveu parar e descansar pois a cesta estava muito pesada. Pensando que agora a menina não mais o estava enxergando, resolveu provar o bolo, que parecia delicioso. Mas a menina que tudo via pelo buraquinho da cesta foi logo dizendo:

– Eu estou te vendo, eu estou te vigiando. Entregue este bolo direto para a minha vovozinha.

O urso achou que a menina estava em uma árvore realmente muito alta e tinha uma visão melhor que a de um falcão. Pôs novamente a cesta nas costas e terminou de atravessar a ponte sobre o rio, chegando ao quintal da casa dos avós e da menina. Ao cruzar a cerca do quintal o urso percebeu que era sua única chance de provar o bolo e pôs a cesta no chão, mas a menina, que espiava pelo buraquinho da cesta, foi logo dizendo:

– Eu estou te vendo, eu estou te vigiando. Leve este bolo direto para a minha vovozinha.

Neste momento o avô da menina ouviu a voz da netinha no quintal e saiu pra ver o que é que estava acontecendo. Viu aquele urso enorme e tratou logo de pegar a espingarda e dar três tiros para cima.

O urso tomou o maior susto da sua vida, largou a cesta ali mesmo e saiu correndo.  Atravessou a cerca do quintal, atravessou a ponte sobre o lago, cruzou a trilha do bosque e entrou correndo na floresta, só parou quando chegou na caverna e não entendeu nada quando não encontrou nem o bolo prometido, nem a menina e nem nenhuma pegada.

E a menina saiu da cesta e foi correndo abraçar seus avós, que estavam muitíssimos preocupados com o seu desaparecimento. A menina prometeu nunca mais desobedece-los e nem nunca mais ir passear na floresta sozinha. E juntos, o avô, a avó e a menina, ainda comeram aquele lindo bolo que estava mesmo delicioso…

FIM

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