A Lenda dos Rabos

Esta história aconteceu há muito tempo atrás, em uma época em que os animais ainda não tinham rabos, eram todos desrabados e, assim, viviam meio desequilibrados, como se lhes faltasse um pedaço.

Um dia apareceu uma linda fadinha trazendo um enorme saco cheio de rabos. Havia no saco tudo quanto é tipo de rabo. Rabos curtos ou compridos, grossos ou finos, esticados ou enrolados, rabos com penas, com pelos ou escamas, rabos de todas as cores e tamanhos que se possa imaginar. A fada pousou em uma clareira e chamou bem alto todos os animais:

-Atenção, atenção. Quero que formem uma fila com um animal de cada espécie para escolher um rabo. escolham com muito cuidado, pois todos da sua espécie terão que usar esses rabos para todo o sempre. Não precisam ficar alvoroçados, neste saco tem um rabo para cada um de vocês. Formem uma fila e que cada um escolha o rabo que mais combina com si.

Dizendo isso a fada virou o saco bem no meio da clareira, enquanto os animais formavam uma grande fileira. Logo todos os animais já haviam enviado um representante da sua espécie para escolher o rabo e todos eles já estavam enfileirados.

As aves que vieram voando eram as primeiras da fila, escolheram rabos feitos com penas, algumas como o pássaro Tesoura, escolheram penas bem compridas, o Pavão escolheu o maior rabo e com as penas mais coloridas, já o Tico-tico preferiu uma pequena e discreta pra que pudesse continuar pulando de lá pra cá, botando pra quebrar sem o rabo a lhe atrapalhar.

Depois vieram os mamíferos, o Elefante, apesar de ser muito grande, escolheu um rabo bem pequenino e todo enroladinho. O Rato quis um rabo fino e comprido, o Gato preferiu um peludo e alongado. Mas quando chegou a vez do Macaco ele não conseguia se decidir por um rabo, ficou dividido entre um rabo enrolado e um rabo comprido. Sem conseguir se decidir teve uma ideia egoísta, juntou os dois rabos em um só e vestiu os dois bem rápido, ficando assim com um rabo comprido e enrolado para poder se pendurar pelos galhos. E foi logo se pendurando em um galho, bem rápido, antes que alguém percebesse que o danado tinha pego dois rabos, subiu bem alto e ficou sentado em cima do rabo.

E assim foi seguindo a fila, cada animal escolhendo o rabo que mais lhe convinha.

Mas vocês lembram que no começo desta história a gente falou que a fada havia trazido um rabo pra cada bicho? Pois se o Macaco pegou dois rabos o que foi que aconteceu?

Pois é, quando chegou no fim da fila faltava a Cobra e o Sapo, mas só sobrara um rabo!

O Sapo olhou pra Cobra e a Cobra olhou pro Sapo, os dois olharam para o último rabo que havia sobrado, novamente se olharam e saíram correndo atrás do rabo. O Sapo puxou o pé da Cobra (porque naquele tempo a cobra ainda tinha patas, pés e mãos). A Cobra deu um chute no Sapo. O Sapo pulou em cima da Cobra e a Cobra rolou por cima do Sapo e os dois foram correndo aos papos e sopapos até que na última hora a Cobra se jogou com tudo no rabo que havia sobrado. Mas a cobra caiu tão desajeitada que acabou caindo dentro do rabo e ficando entalada, assim suas patas ficaram pra dentro do rabo e a coitada acabou sem mão, nem pé, nem nada, num grande rabo enfiada. E o Sapo, coitado, acabou ficando sem rabo.

Por isso até hoje a Cobra tem raiva do Sapo, pois acha que é por culpa dele que ela acabou sem as patas e pra andar tem que se arrastar de cá pra lá. E o Sapo tem raiva da Cobra porque acha que é culpa dela que ele acabou sem rabo (nem imagina que o verdadeiro culpado é o Macaco). E é por isso que até hoje, no meio do mato, o Sapo come a Cobra e a Cobra come o Sapo.

FIM

Para ver mais flores deste jardim, minhas criações ou versões rimadas, clique no menu, são esses risquinhos mesmo no cantinho direito no alto da página.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar seu evento ou para a sua escola. Entre em contato:

Telefone: 41 988210086  (vivo/whats)

Email: meujardimdehistorias@gmail.com

 

O Gato Pelado

Essa é a história de um gato. Um gato que vivia participando desses concursos de gato e era sempre premiado, porque era um gato muito diferente dos outros gatos, era um gato egípcio, um gato pelado. Pelado mesmo, não tinha nem um pelo, nem unzinho, nem mesmo no rabo. Por isso mesmo não tinha amigos, vivia sozinho desprezado pelos outros gatos.

-Sai daqui, você mais parece um rato.- dizia o gato malhado.

-Fique longe de nós, você não é um gato, deve ser um cachorro pequinês.- falava o gato siamês.

-Não sei que bicho você é, mas com certeza não é gato, nós gatos temos o corpo coberto de pelos macios e belos.- se gabava o gato amarelo.

E assim o Gato Pelado viva sozinho, pobrezinho.

Um dia tomou uma decisão, resolveu sair por esse mundão e descobrir que bicho ele era, assim poderia fazer amigos e não ficaria mais sozinho.

Logo viu uma árvore cheia de passarinhos, tinha passarinhos de todos os tipos, tinham grandes gralhas e pequenos pintassilgos, todos piando e conversando alegremente, apesar de serem muito diferentes eram todos amigos, haja visto que eram todos passarinhos.

Mais que depressa o Gato Pelado subiu pelo tronco até chegar em um galho lá no alto onde vários passarinhos conversavam.

-Piu, piu, piu.- cantavam os passarinhos.

-Piu, piu, piu!- imitava o Gato Pelado.

-Piu, piu! Bom dia! Temos um novo amigo para nos fazer companhia, mas que tipo de passarinho você é  que eu nunca vi?- perguntou o Colibri.

-Sou um pássaro-gato a procura de amigos.- respondeu o gatinho.

– Seja muito bem-vindo!- responderam os passarinhos cantando em uníssono.

E assim o Gato Pelado achando que era um passarinho se divertiu com seus novos amigos pulando de galho em galho. Até que o Beija-flor falou.

-Estou com sede, preciso de água. Quem quer ir comigo até o lago da Araucárias.

-Piu,piu. Vamos todos.- responderam os passarinhos e logo levantaram voo.

E atrás do Papagaio, pulou nosso amigo Gato Pelado.

-Miauuuu!!!

O Gato pelado caiu no chão todo estatelado.

-Miau! Acho que afinal eu não sou um passarinho, não sei voar, não posso viver em um ninho.

E assim partiu novamente o nosso amigo. Decidido a encontrar novos amigos. O Gato Pelado viu uma porção de sapos coachando na beira do lago.

-Coach!- faziam os sapos.

-Coach!- imitou o Gato Pelado.

-Olá,- disse o sapo Cururu-  que tipo de sapo és tu?

-Olá, sou um sapo-gato a procura de amigos, posso cantar contigo?

-Claro!- responderam todos os outros sapos.

E saíram saltando e coachando e o Gato pelado imitando. Saltando e coachando junto com os outros sapos. Até que os sapos pularam nas folhas de vitória régia que ficavam em cima do lago.

-Miauuuuu!- miou o gato quase morrendo afogado- Cof, cof, miau. Pelo jeito eu também não sou sapo, não sei boiar nas folhas do lago…se eu não sou um pássaro e não sou um sapo, que bicho será que eu sou?

Foi quando ele viu um sapo na beira do rio.

-Quac, quac!- o pato grasnou.

-Quac, quac!- o Gato Pelado imitou.

-Olá!- disse o pato- você é um pato bem diferente dos que eu conheço, que tipo de pato você é?

-Sou um pato-gato a procura de amigos.- respondeu o Gato Pelado.

-Que legal, quer brincar comigo?

-Claro!- respondeu o Gato Pelado.

E o Pato saiu rebolando e grasnado:

-Quac, quac!

E atrás dele ia o Gato Pelado imitando:

-Quac, quac!

Estavam se divertindo a mil quando o pato foi rebolando pra nadar no rio.

-Miaaaaaau!- miou o gato se afogando.

-Não sou pato, não sou sapo, não sou passarinho. Pelo jeito meu destino é ser um gato sozinho…. Miau, miau.- o gatinho miava quase chorando, estava tão tristinho.

Foi quando ao seu lado foram chegando os passarinhos e começaram a imitar o seu novo amigo:

-Miau, miau!- miavam os passarinhos.

E foram chegando também os sapos e começaram a imitar o Gato Pelado e os passarinhos a miar.

-Miau, miau.- miavam os sapinhos.

E foi chegando o pato e também começou a miar imitando os passarinhos, os sapos e o Gato Pelado.

-Miau, miau.- miava o pato.

E assim o Gato Pelado nunca mais ficou sozinho pois vive rodeado por seus novos amigos, o pato, os sapos e os passarinhos, pois todos eles adoram brincar de ser gatinho.

Quem aí também quer brincar de imitar um gatinho?

………………………………………………………………………FIM………………………………………………………………..

Para ver mais flores deste jardim, minhas criações ou versões rimadas, clique no menu, são esses risquinhos mesmo no cantinho direito no alto da página.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar seu evento ou para a sua escola. Entre em contato:

Telefone: 41 988210113  (vivo/whats)

Email: meujardimdehistorias@gmail.com

A nova escola de Naninha

Esta história estou criando agora para a minha turminha do grupo 3 que está na última semana em nossa escola, se preparando para uma etapa nova.

Ainda está bem crua e com certeza trás alguns erros, mas volto em breve (no máximo um ano rsrs) pra cuidar melhor dessa historinha.

………………………………..A NOVA ESCOLA DE NANINHA………………… Taina Andere

A porquinha Naninha estava bem tristinha. Andava assim a dias. Estava nervosa e assustada porque estava deixando de ser tão porquinha. Não que ela estivesse virando outro animal, não, ela apenas estava perdendo o “inha” e por isso mesmo ia ter que mudar de escola, não podia mais ficar no jardim com a turma do lamaçal. Ela agora ia estudar com os porquinhos crescidos lá no barracão, com o professor Porquildo.

Ela estava tão nervosa, tinha ouvido que lá os porquinhos já grandinhos não podiam mais brincar, só estudar lições difíceis e complicadas, que era tão difícil que tinha até que levar dever pra casa… Naninha sentia borboletas na barriga, estava desesperada. Foi quando apareceu uma linda fada, a fadinha olhou pra Naninha sem dizer nada, encostou no nariz de tomada da porquinha e Naninha virou uma abelhinha. Naninha saiu a voar feliz da vida.

Assim todos os seus problemas tinham chegado ao fim, não precisava mais estudar, podia viver a voar de flor em flor, apenas colhendo pólem, bebendo néctar e comendo mel até se empanturrar.. E lá se foi Naninha a voar.

Chegou no quintal bem na hora que deu o sinal. Era a aula dos porquinhos maiores que já ia começar e de todos os cantos os porquinhos  grandes e assustadores começaram a chegar. Naninha que era bem ligeira se escondeu embaixo de uma carteira. Estava pronta pra ver os porquinhos chegarem tristes e desesperados e se sentarem quietinhos olhando para o quadro por horas e horas até a aula terminar.

Mas o que ela viu foi uma porção de porquinhos sorridentes e contentes chegaram correndo e brincando e se reuniram no pátio em uma porção de filas, depois cada fila foi pra sua sala cantando uma musiquinha.

Lá dentro da sala que estava Naninha entraram os alunos mais novos abraçando a professora cheios de alegria.

E durante a aula Naninha viu que eles estavam fazendo quadrinhas e rimas para aprender a ler e escrever. Naninha ficou cheia de vontade de sair do seu esconderijo pra ir lá ver. Queria tanto ser uma porquinha naquela sala. Ficou feliz da vida ao pensar em quão pouco faltava pra ela ir estudar lá.

Ainda mais quando chegou a hora do recreio e depois de comer todos os porquinhos foram brincar no lamaçal, brincar com os porquinhos mais velhos parecia tão mais legal…

Foi daí que Naninha percebeu que não ia mais estudar lá porque tinha virado uma abelhinha e aquela escola era só para porquinhas. Naninha só não chorou porque abelhas não choram, mas já estava voltando a ficar desesperada quando apareceu a fada, dessa vez ela deu um sobro bem forte na abelha Naninha e ela se “destransformou” e voltou a ser uma linda porquinha.

Mas agora Naninha era uma porquinha cheia de alegria. Ia para o jardim sempre feliz pra brincar na lama com seus amigos e amigas, mas quando pensava que ia ter que mudar de escola… contava os dias com euforia!

……………………………………………………FIM…………………………………………………….

Para ver outras histórias do meu jardim, minhas criações e versões rimadas, clique no menu, são esses risquinhos mesmo no alto da página, canto direito.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar o seu evento. Entre em contato:

Tel: 41 98821 0113 (whats/ vivo)

email: meujardimdehistorias@gmail.com

Traquinagens do Pererê – Taina Andere

Estou criando essa história nova. Se ela der certo e, ano que vem, vier a ser recontada eu certamente volto aqui para podá-la. Se não voltar até o final do ano que vem vão saber que é porque desta vez eu não acertei, não dá pra acertar sempre, né! (rsrs).

………………………………………………………………………………………………………………..

TRAQUINAGENS DO PERERÊ

A vaca Mimosa era uma vaca muito curiosa, gostava de descobrir os porquês das coisas. Por isso mesmo estava sempre fuçando e perguntando.

Um dia viu que os cavalos estavam relinchando alto, pareciam assustados, alvoraçados. Mimosa foi lá correndo e encontrou os cavalos com os rabos todos amarrados. Cada um tentava correr para um lado, era um furdúncio danado.

Mimosa, toda cuidadosa, acalmou os cavalos e ajudou a desamarrar todos os rabos, mas queria saber quem é que tinha feito esse malfeito, acontece que os cavalos não tinham visto nada e só diziam que aconteceu desse jeito:

Todos eles estavam bem tranquilos, comendo beterrabas e quando viram já estavam com o nó nas caudas.

Mimosa começou a investigar a cena do crime e percebeu que havia na cerca um pedacinho de uma roupa vermelha. Seja lá quem fosse que tivesse aprontado a pirraça, a Mimosa já sabia que alguma peça de roupa vermelha o danado usava.

Mimosa ainda estava a investigar quando ouviu a dona Nona gritar:

-Ah, mai num é possíver, quem pôis açúcar no meu feijão? Foi ocê João?

-Eu não muié, tô aqui passando mar porque arguém ponhô sar no meu café.

E lá foi Mimosa sem hesitação pra investigar a nova confusão. Viu que na porta da casa, bem debaixo do caixilho alguém tinha derrubado um pouco de fumo de cachimbo.

Mimosa ainda estava examinando quando ouviu  a vizinha gritando:

-Corre aqui véio Clemente que algum atentado azedou todo nosso leite.

Dessa vez Mimosa não precisou nem chegar lá pra saber quem era que estava a aprontar, poi ainda no caminho viu as pegadas que estavam indo para a casa do vizinho e aquelas eram pegadas que seriam reconhecidas até por um bocoió, porque aquelas pegadas eram de um menino com uma perna só.

Ora, quem é que usa uma roupa vermelha, pra não dizer uma touca. Fuma cachimbo e tem uma perna só? Você sabe me dizer?

É ele mesmo, nosso amigo espevitado, o Saci Pererê.

E para achá-lo Mimosa sabia muito bem o que fazer. Mas antes foi pedir a ajuda do galo Cocó, e pegar as armas de que iriam precisar: uma peneira que por uma cruz era entrecortada e uma garrafa.

E lá foram os dois assim armados pra encruzilhada, Mimosa com a peneira e Cocó com a garrafa.

Chegaram e esperaram aparecer um redemoinho levantando pó então Mimosa com a peneira empurrou o Saci para dentro da garrafa que estava na mão do Cocó. E antes de fechar a garrafa arrancaram sua touca encarnada.

É verdade que assim o Saci ficava invisível, mas era obrigado a fazer tudo que a Mimosa e o Cocó mandavam. E assim passou a ajudar todos aqueles que precisassem e não conseguiu mais aprontam suas traquinagens.

……………………………………………………..FIM………………………………………………………

Se você quer ver outras histórias, que são as flores deste meu jardim, minhas criações e versões rimadas, dê uma olhada no menu, são esses risquinhos mesmo, no canto direito no alto da página.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar seu evento. Entre em contato!

Telefone: 41 98821-0086 (vivo/whats)

Email: meujardimdehistorias@gmail.com

Deixe seus comentários com sugestões e opiniões contribuindo assim com o meu jardim…

 

O Natal de Natalik

Esta é uma história rimada que eu estou criando para a entrada desta época de Natal. Ainda é uma planta nova neste meu jardim, futuramente volto para podar ou adubar, conforme precisar. Mas com a correria deste fim de ano, não estranhem se eu só voltar em novembro do ano que vem…

…E eis que eu voltei, fiz umas correções ortográficas, mas a verdade é que antes de voltar eu já havia recontado essa história e, no processo, ela acabou ficando completamente diferente. Portanto segue a primeira versão corrigida e depois vem a versão final, minha preferida…

O NATAL DE NATALIK – Taina Andere

Natalik era uma duende da floresta, mas não suportava o calor e não gostava de trabalhar no jardim como os outros duendes da sua vila.

Natalik era uma duende diferente e nunca se sentia contente, por isso os outros duendes viviam tentando alegrar Natalik, mas Natalik vivia triste.

Foi na noite de Natal que Natalik ganhou um sonho, um sonho no qual ela estava feliz da vida, já não vivia no meio da floresta quente, mas em uma cidade muito fria que o ano inteiro era coberto de neve. Ah! Uma neve tão branquinha, parecia uma terra de algodão, a coisa mais linda. E Natalik também não trabalhava na terra, trabalhava em uma linda fábrica toda enfeitada. Natalik, pela primeira vez na vida, acordou feliz e decidida. Se despediu dos seus amigos duendes agradecendo por todo o carinho e cuidado que eles sempre haviam lhe dado e ganhou deles sorrisos contentes e caridosos abraços, embora estivessem todos preocupados era a primeira vez que viam Natalik com um sorriso nos lábios, decidiram que era melhor encorajá-la a seguir os próprios passos.

E Natalik no dia seguinte ao Natal partiu pra uma aventura fenomenal.

Atravessar florestas foi moleza, Natalik fora crida em meio a natureza.

Mas quando foi para atravessar o mar… Natalik mal sabia nadar, morria de medo do barco afundar e ainda por cima foi só o barco zarpar pra ela começar a enjoar….

Mas a duende estava decidida, queria realizar o melhor sonho da sua vida. Não desistiu de viajar e conseguiu atravessar o mar.

E essa não foi a única aventura que ela teve que enfrentar… Natalik viajou por quase um ano inteiro, passou fome e frio, dormia ao relento. Cruzou cidades e vales, atravessou altas montanhas e um pântano com um cheiro tão fedido que revirava as entranhas.

Até chegar na Finlândia. Lá ela encontrou um lugar onde a neve caía mesmo  no verão, um lugar onde era sempre a mesma estação. Ela chegou em um ponto onde havia um longo caminho descoberto, era neve à perder de vista, parecia um deserto, ninguém se aventurava a tentar atravessar aquela região. Natalik não sabia onde ficava a fábrica com a qual sonhara, mas sentia que estava no caminho certo. Foi por aquele caminho de gelo, andou tanto quanto pode aguentar, depois sentou no gelo e começou a chorar. Mas ao tocarem o gelo do chão, as lágrimas dela,  fizeram aparecer uma enorme porta aberta. Cheia de esperança Natalik atravessou a porta e encontrou uma fábrica como a que ela procurava. Lá dentro tinha uma porção de duendes trabalhando, havia uma porção de presentes e havia duendes que os estavam embrulhando e outros num grande saco vermelho os embrulhos iam colocando.

-Vamos logo, estamos atrasados.

Era um duende com uma longa barba branca quem estava gritando.

-Estamos trabalhando o mais depressa que podemos, mas é que tem um duende faltando, se não chegar logo um duende novo para trabalhar não estará tudo pronto quando  o Natal chegar.

Os duendes pareciam desesperados.

-Vejam! – gritou um duende de vermelho – Chegou o novo ajudante. É uma linda duende menina, veio da floresta para se tornar uma duende natalina.

Natalik não podia acreditar, era pra ela que ele estava a apontar. E logo todos os duendes começaram a festejar. Era tanta alegria, agora o natal estava a salvo, teriam presentes prontos e embrulhados para todas as criancinhas. E mais feliz ainda estava Natalik que sempre quis ser uma duende natalina.

FIM

……………………………………………………………………………………………………..

VERSÃO 2.0

Era uma vez uma linda duende. Seu nome era Natalik e ela vivia em uma pequena vila no meio da floresta. Acontece que na vila onde ela vivia cada duende tinha uma habilidade diferente, alguns eram bem fortes e com as suas picaretas quebravam as pedras fazendo grandes cavernas e encontrando lindas pedras preciosas, outros tinham as mãos habilidosas e transformavam as belas pedras em lindíssimas jóias, e ainda haviam os duendes jardineiros, com muita paciência cuidavam das sementes recolhidas no fundo da terra, cuidando delas para que dormissem em segurança até a chegada da primavera, quando finalmente poderiam brotar e virar flores das mais belas…, mas a pobre Natalik não conseguia fazer nenhuma dessas tarefas, não tinha força para trabalhar fazendo caverna, nem mãos habilidosas para lapidar as pedras e nem paciência para ficar quietinha cuidando das sementes adormecidas até a chegada da primavera. E assim, os outros duendes da floresta viviam tirando sarro dela.

Um dia Natalik estava muito triste quando ouviu um duende reclamar:

-Para que serve essa duende afinal? Não sabe fazer nada direito, ela é muito diferente, é uma vergonha para nós duendes.

Natalik ficou muito envergonhada e resolveu fugir de casa. Juntou suas coisas em uma pequena trouxa e saiu da vila de noite, escondida. Não sabia para onde ir, por isso saiu andando a esmo por aí. Andou por muitos e muitos dias, já estava bem longe da sua vila quando chegou em um lugar aonde nevava sem parar. Era um lugar lindo, para onde quer que ela olhasse via tudo bem branquinho…

Natalik se encheu de coragem e resolveu explorar aquele lugar. Ela andava, andava e andava, mas aquele deserto branco nunca acabava. Natalik não viu nenhuma casa, nenhuma floresta, nada. Só neve que nunca mais acabava. Sem saber ao certo porque Natalik continuou a andar por aquele lugar, andou três dias e três noites sem parar. Não sabia para onde estava indo, mas sentia que devia continuar a andar. Até que ela ficou sem forças, com frio e cansada. Parou no meio do nada naquela terra gelada e desolada, ajoelhou na neve e começou a chorar. Não tinha mais forças para prosseguir e nem para voltar. Iria morrer sozinha naquele lugar.

Mas quando suas lágrimas tocaram o chão gelado aconteceu uma mágica: surgiu uma grande porta toda enfeitada. Natalik que era muito corajosa foi logo abrindo a tal porta e encontrou uma grande fábrica.

Agora, quem é que tem uma fábrica no meio do nada?

Isso mesmo, o Papai Noel.

E era bem la´que a Natalik estava. Era uma linda fábrica, cheia de duendes correndo para tudo quanto é lado, mas esses duendes não eram nem um pouco alegres e felizes como ela havia imaginado, pelo contrário, estavam todos muitos nervosos, pareciam desesperados. Um duende com uma barba muito comprida gritava, inconsolável:

-Vamos, vamos, mais rápido, mais rápido. Os brinquedos não ficarão prontos a tempo, o Natal vai ter que ser cancelado. É um desastre. Sem uma duende costureira para fazer as bonecas o nosso Natal já era.

-Temos que arranjar uma nova duende pra trabalhar na nossa fábrica.

-E como é que uma duende vai conseguir chegar a tempo e encontrar nossa fábrica escondida no meio do nada?

-Vejam!- disse um duende ficando todo animado, de repente- Chegou uma nova duende para nos ajudar.

E o duende apontava para Natalik, ela mal podia acreditar.

-Desculpe.- disse logo a Natalik- Eu adoraria ajudar, mas sou uma duende incompetente. Não faço nada direito, tenho um grande defeito.

-Ora, não diga besteira, você tem cara de uma duende costureira, aposto que suas bonecas ficariam uma beleza…- disse logo o duende mais velho e com a maior barba.

-Será?- Natalik não podia acreditar.

-Você só vai saber se tentar.

E foi o que ela fez, pegou tecidos e começou a costurar. E não é que sua boneca ficou mesmo uma gracinha… e ela costurava tão rápido e seus pontos eram tão bem feitos que as bonecas ficaram prontas bem a tempo.

-Pronto!- disse o duende feliz- Agora todas as crianças poderão ganhar um brinquedo. Obrigada Natalik, você salvou o Natal!

E foi assim que a duende menina descobriu que era uma duende natalina sua missão de vida, salvou o Natal e passou a viver na maior alegria.

…………………………………………………FIM………………………………………………………………………………….

Aproveite que já está em meu jardim e venha dar uma passeada, para ver outras histórias, minhas criações ou versões rimadas basta clicar no menu, são esses risquinhos mesmo, no canto direito no alto da página.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar o seu evento. Entre em contato pelo telefone: 41 98821 0113 (vivo/whats) ou pelo email meujardimdehistorias@gmail.com

Deixe seu comentário com sugestões ou críticas para deixar minhas histórias mais floridas. E muito grata pela sua visita.

Contos da Escócia

Todo mundo sabe que a Inglaterra é uma ilha, o que muitos não sabem é que nessa ilha tem um outro país, um país cheio de antigos castelos que lhe dão um ar de filme de terror e por isso, talvez, seu folclore seja tão cheio de bruxas, vampiros e monstros assustadores. É um país conhecido porque lá os homens usam kilt, o que para nós parece uma saia. Sim, estou falando da Escócia. Mas em meio a tantos seres assustadores, encontrei dois mais “bonzinhos” e resolvi dar a eles histórias mais infantis, que trago para cá e levo para meus alunos nesta semana.

………………………………………………………………………………………………………….

MIÚCHA E A FADA PÚCA

Miúcha estava muito ansiosa, era a primeira vez que viajava sozinha, iria para a Escócia visitar a sua tia Olívia. Quando chegou no aeroporto viu seu primo acenando. Eles tinham a mesma idade, oito, embora Olívia adorasse dizer que Otávio era 15 dias mais novo. Enquanto sua tia Olívia assinava os papéis com a aeromoça que a havia acompanhado Miúcha foi cumprimentar seu primo Otávio. Ele estava muito animado, não deixou nem o abraço terminar e já começou a falar:

-Miúcha, hoje mesmo lá no castelo, acho que vi uma Púca!!!

-Castelo? Piruca? Do que é que você está falando Otávio?- quis saber Miúcha.

-Você não sabia que estamos morando em um castelo? Foi por isso que mudamos pra cá, meu pai e minha mãe estão ajudando a restaurar e durante esse tempo que eles trabalham estamos morando lá. No castelo tem um jardim enorme e hoje, enquanto esperava você chegar vi uma Púca por lá. Presta atenção é Púca, não Piruca.

-E o que é uma Púca?

O Otávio foi explicando em voz baixa durante todo o caminho pra casa, ou melhor castelo, onde o primo morava:

-Púca é uma fada levada que vive no meio da mata. Pode se transformar em qualquer animal, o que é muito legal. Vira pássaro e sai a voar, vira peixe se mergulhar no mar, mas se chegar na areia vira cavalo e sai a cavalgar. Mas vire o que virar será sempre um escuro exemplar de olhos grandes e vermelhos. Seja escama, couro ou pena, a cor será sempre negra. Seu animal preferido é o cavalo negro, mas Púca também é muitas vezes vista na forma de um coelho preto. Ela fala a língua dos animais, mas mesmo se estiver transformada, falar a língua humana ela também é capaz. Por isso quando vi no meu quintal um coelho preto falar, sabia que não estava ficando louco mas que a Púca eu acabei de encontrar. A Púca dá bons conselhos, mas também adora pregar peças, depende de como você vai responder as charadas dela.

 -Mas qual foi a charada que ela te deu? -quis saber Miúcha já louca de curiosidade.

-Eu sei lá! Fui correndo pra dentro do castelo. Sei lá se eu ia acertar a charada, e se eu erro a fada me prega uma peça danada.

-Era só o que me faltava. você tem uma oportunidade dessas e deixa escapar…

A essa altura eles já haviam chegado no castelo e Miúcha quis ver onde seu primo havia visto a fada e os dois saíram juntos pra procurá-la.

E lá estava o coelho, parado.

-Pro meu enigma desvendar primeiro tem que me encontrar.

Otávio não tinha mentido, o coelho falava. Ele falou e saiu correndo. Dessa vez com a prima ao seu lado Otávio não podia ficar com medo, tinha que se corajoso como a prima. E Miúcha, embora tremesse por dentro queria parecer corajosa pro primo, por isso fingia que nenhum medo sentia e os dois saíram correndo atrás do coelho.

Passaram correndo pelo milharal, depois correndo atravessaram o riacho, atravessaram correndo o descampado onde o vento soprava e entraram correndo dentro de uma caverna onde o coelho entrara. Dentro da caverna estava tudo escuro, não se via nem se ouvia nada, mas de repente uma voz que vinha do meio do nada disse a charada:

-Posso ser fofinho e de pelúcia e vocês vão me adorar, ou posso ser grande e peludo pra vocês eu assustar. Gosto muito de comer mel e também de hibernar. Que animal sou eu? Vocês devem adivinhar…

-Já sei! Uma abelha.

Disse Miúcha sem hesitar.

-Errou! – respondeu a voz grossa- é melhor se mandar.

Os dois foram sair correndo, mas deram de cara com a Púca e ela estava enorme.

-Estou sentindo uma coisa peluda! -gritou Miúcha.

-Eu sinto um nariz gelado!- gritou Otávio

-É um urso!- gritaram os dois juntos.

Como os dois a charada haviam errado, a Púca ao invés de bons conselhos deu-lhes um susto danado. E transformou-se num Urso negro enorme e com cara de bravo. Os dois saíram correndo, mas quando saíram da caverna descobriram que já estava anoitecendo, como é que eles iam acertar o caminho pra casa sem enxergar nada?

-Ouça o vento Otávio- disse Miúcha- estamos no descampado.

 E assim os dois atravessaram o descampado.

-E agora Miúcha, vamos pra que lado? Já sei! Vamos cruzar o riacho!

-Agora é só atravessar o Milharal e chegaremos no nosso quintal.

Os dois chegaram em casa bem a tempo do jantar e decidiram que a Púca nunca mais iriam procurar.

………………………………………………………………………………………………………………

WULVER- O Lobisomem Bom

Essa é a história de um Lobisomem bonzinho que pescava peixe no lago e deixava de presente na janela dos mais pobrezinhos.

O seu nome era Wulver e ele era grande e peludo com uma cara de lobo de dar medo no mais carrancudo.

Quando o pobre ferreiro não tinha mais ferro pra malhar, estava muito preocupado pois sua família já não havia almoçado e não tinha nada pro jantar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o ferreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre marceneiro não tinha nenhuma madeira pra serrar, sua mulher estava com fome, sua filha a chorar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o marceneiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre pedreiro não tinha obras pra trabalhar, já lhe faltava comida pra família alimentar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o pedreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o inverno veio forte e o lavrador ficou sem lida. Toda a vila teve falta de comida.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. E em cada janela deixou um bom peixe para todos alimentar.

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

Para ver outras histórias do meu jardim, minhas criações e versões rimadas, dê uma olhada no menu, são esses risquinhos mesmo, no alto da página, canto direito.

Leve meus contos e brincadeiras para encantar seu evento. Entre em contato pelo email meujardimdehistorias@gmail.com ou pelo telefone (41) 8821 0113 (vivo/ whats)

Deixe seus comentários e sugestões.

Contos da Turma da Inteligência

Estas histórias não são histórias aprovadas pelo programa da Escola da Inteligência, do Dr. Augusto Cury, mas sim histórias feitas por mim para trabalhar com meus alunos da escola O Pequeno Polegar, que aplica esse programa desde o começo do ano. Elas adoraram ver as histórias com os personagens da Floresta Viva. A identificação das crianças foi emocionante.

 

Hoje eu vou contar histórias de uma turminha que já é pra lá de conhecida, quem aqui adivinha?

Isso mesmo hoje com muita alegria trago os personagens da Floresta Viva. Quem quer embarcar nessa viajem, apertem os cintos e fiquem à vontade.

“Tralalalalá, sentadinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar. Tralalalalá, bem quietinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar.”

ONCINHA SAÇÁ

Quem aqui já ouviu falar de uma onça chamada Saçá?

Pois então, certo dia a Saçá estava tranquila no meio da floresta viva observando os barulhos da mata, ouvia o vento, a água e o canto dos mais belos passarinhos. Foi quando bem do seu lado cantou o pato Quaquá, com seu canto desafinado:

-Quac, quac!

A oncinha Saçá ficou uma fera por ter sido interrompida no seu momento de calmaria.

-Seu pato você gosta de cantar? – perguntou Saçá.

-Ah, na verdade eu adoro! – respondeu o pato animado.

-Pois então deveria aprender ou parar de cantar.- disse a onça muito brava, sem nem parar pra pensar.

-Mas quem canta seus males espanta.- disse o pato tentando argumentar.

-Pois vai espantar seus males pra lá, porque se continuar a me incomodar vai virar o meu jantar.

Assustado o pato Quaquá foi embora e a oncinha Saçá voltou a escutar a música da mata que pelos pássaros era entoada e pelo som da água e do vento ritmada.

Mas no dia seguinte parecia que tinham menos pássaros a cantar, e nos outros menos ainda, até que mais nenhum canto de passarinho a Saçá ouvia. Saçá ficou muito triste de tanta saudade da música que ela sentia. Ainda ouvia o barulho da água e do vento, mas faltava a melodia.

Saçá já estava doente de saudade de ouvir um canto de passarinho quando um dia lá no alto de uma árvore viu o canário Cantor sentado em um galho.

-Olá seu Canário, bom dia! Você que é o tal Cantor que todos falam por aqui?- perguntou Saçá que ainda não o conhecia, mas já ouvira sua fama.

-Sou eu sim.- respondeu o canário já tremendo de medo- você deve ser a onça Saçá.

-Eu mesma, em garras e dentes. Cante uma música para me alegrar!- pediu Saçá.

-Eu não!- respondeu o Cantor, tremendo de se depenar- Soube que você mandou avisar que quem cantar perto de você se desafinar vira jantar… eu é que não vou me arriscar.

Só então a oncinha Saçá pode perceber o que estava acontecendo, porque os passarinhos andavam se escondendo.

Foi procurar o pato Quaquá, estava muito arrependida, pediu para que o pato, por favor, lhe cantasse uma melodia, mesmo que desafinada, Saçá queria muito ouvi-la. O pato todo orgulhoso entoou a única música que conhecia.

Logo os outros pássaros vendo que o pato cantava todo desafinado e que ainda assim era pela onça apreciado, e não virara jantar, começaram a tomar coragem e um a um puseram-se a cantar, com tanta harmonia que formavam a mais bela sinfonia.

…………………………………………………………………………………………………………….

TOTÓ O MACACO

Agora eu quero saber quem conhece Totó, o macaco mais bonito do pedaço?

Há muito tempo atrás eu conheci o Totó, na época era um macaco muito mal educado, gostava de ajudar os outros, mas vivia pondo apelidos e fazendo piadas de mau gosto.

Certo dia ele estava passeando pela floresta quando viu seu amigo Pepê, trabalhando sozinho e o Totó se ofereceu pra ajudar, pois ele é muito prestativo.

Pepê aceitou e os dois, trabalhando juntos, rapidinho construíram um palco bem bonito.

Lá pelas tantas Totó quis saber pra que era tudo aquilo.

-Se eu te contar você promete não contar pra ninguém? Promete que o meu segredo é seu também?

-Claro!- respondeu totó- Minha boca é um túmulo. Comigo seu segredo está seguro, eu juro.

-Vou fazer uma festa pra comemorar a chegada da primavera, mas ninguém pode ficar sabendo pois será uma surpresa para todos da floresta.

Totó ficou muito animado, ajudou o Pepê com todo o trabalho. Tava voltando pra casa todo contente quando encontrou com sua amiga Tatá e não conseguiu se segurar, deu com a língua nos dentes. Logo toda floresta já sabia da festa surpresa que o Pepê faria. O Nilo ficou muito entristecido resolveu se vingar, pra hora da festa fez um boneco de bechiga cheio de água e farinha, era tão bem feito que parecia um macaco de verdade, perfeito. Quando chegou o Totó… bem, se vocês já o conhecem sabem que ele adora ser o centro das atenções, por isso preparou para a festa uma série de apresentações começou com seu show de malabarismo e equilibrismo, todos o olhavam encantados, todos menos aquele macaco sentado no canto, que era novo no pedaço. O Totó ficou incomodado, resolveu contar piadas pra chamar sua atenção. Contou a piada do Português, do papagaio, da arara, da aranha e até aquela piada suja e pesada do elefante que caiu na lama. Toda festa ria, menos o macaco lá no canto, afinal ele era feito de bexiga, mas o Totó não sabia:

-Ei seu macaco com cara de sovaco!- falou Totó irritado- Ei você, não vai me responder? Além de sem graça é mal educado?

E como o macaco não respondia Totó foi ficando ainda mais irritado. Até que perdeu a cabeça e meteu no boneco um chute danado. Como o boneco era feito de bexiga, estourou e o Totó ficou coberto de farinha.

Totó ficou muito chateado, triste, envergonhado, branco azedo. Gostava de brincar com os outros, mas detestava quando era pego… Já estava prestes a deixar a festa e ir embora quando percebeu que toda a turma estava às gargalhadas, chorando de dar risada. O Totó nunca havia conseguido fazer uma brincadeira tão engraçada.

E por isso mesmo hoje em dia, quando tem uma festa na floresta viva o Totó pede pro Pepê fazer um boneco de bexiga cheio de farinha só pra ele poder repetir a apresentação.

…………………………………………………………………………………………………………….

O SAPO BABÁ

O sapo Babá era um sapo que gostava muito de cooperar com os outros, mas era muito preguiçoso. Se deixassem ficava acordado até de madrugada e, depois enquanto o Sol não ia a pino Babá não acordava.

Depois que acordava Babá sempre reclamava. Que a grama estava toda pisoteada, não dava nem pra brincar, que a água da lagoa estava toda revirada e lamacenta, mal dava pra nadar, que não tinha sobrado quase nenhum mosquito pra ele almoçar. E assim Babá passava o dia, reclamando e morrendo de preguiça.

E todos os dias quando os pássaros cantavam a história se repetia. Toda bicharada acordava naquela folia, e ia brincar na grama, tomar água no lago e depois se alimentar. Só o sapo Babá que continuava roncando até o Sol esquentar, e ainda se enrolava mais um pouquinho antes de levantar, pra depois passar o dia a reclamar.

Um dia o professor corujão resolveu dar-lhe uma lição

-Ei Babá, porque em vez de passar o dia a reclamar você não experimenta uma só vez na vida acordar com o canto dos passarinhos ao invés de esperar o sol ir a pino? Aposto que você vai gostar.

-Ahh, eu não. Desculpe professor Corujão, mas eu gosto de curtir o dia, por isso fico acordado até de madrugada e durmo até meio dia, pois assim aproveito o melhor da vida.

-Vamos fazer um trato, – insistiu o professor Corujão- amanhã você acorda cedinho, logo que o Cantor cantar, se não gostar do que vai encontrar, pode ficar uma semana inteira de férias, sem precisar estudar.

Babá adorou o trato e assim naquela noite logo que escureceu o sapo foi se deitar, acordou de madrugada com o canto dos primeiros pássaros.

Ver o Sol nascer já foi um glorioso espetáculo. Babá nunca tinha visto nada tão lindo. Depois foi brincar na grama e ela estava fresquinha, coberta de orvalho, foi o melhor lugar que Babá já havia brincado. E quando chegou no lago… a água estava cristalina, dava até pra ver seu reflexo na superfície, de tão limpa. O sapo bebeu água fresquinha e nadou feliz da vida. E ao sair do lago qual não foi sua surpresa ao encontrar  a margem repleta de mosquitos pra encher o papo. Foi um banquete digno de um rei sapo. Aquele dia foi tão gostoso, Babá nem sentiu sono e ficou tão satisfeito que prometeu nunca mais acordar tarde de novo. Será que ele conseguiu?

………………………………………………………………………………………………

4º ANO

Vou contar pra vocês uma história que aconteceu com dois irmão gêmeos que vocês conhecem bem. Quem consegue adivinhar de quem nós vamos falar?

Isso mesmo, da Carol e do Cacá. Mas esta história é de antes deles conhecerem a Escola da Inteligência, então vocês já podem imaginar quanta confusão eles vão armar…

 CAROL E CACÁ 

Carol e Cacá estavam em casa, sozinhos com a babá. Carol estava no quarto brincando de modelo, desfilando com seu guarda roupa inteiro, enquanto Cacá jogava vídeo game sem parar.

Era hora do jantar, mas nenhum dos dois atendia o chamado da babá, fingiam nem escutar…

Mesmo quando a babá foi até os quartos, os dois a ignoraram. Ela já não sabia o que fazer. Resolveu deixar os dois sem comer e entregou toda a comida que tinha pra moradores de rua que estavam dormindo na pracinha.

Acontece que mais tarde a fome bateu nos dois, eles foram correndo pra cozinha e não tinha nada. Os dois começaram a reclamar e espernear, mas a babá fingia nem escutar.

Os dois voltaram pro quarto com a barriga roncando e resolveram fazer um plano: iriam fazer a babá se arrepender de não responder.

E os dois juntos começaram a gritar “desesperados”:

-Socorro! Babá, socorro, tem um ladrão entrando no nosso quarto.

A babá subindo as escadas aos tropeções,  levava na mão uma vassoura, parecia louca, entrou no quarto de supetão, mas não viu nenhum ladrão, só a Carol e o Cacá dando risada de rolar no chão. A babá ficou muito brava, espumando de raiva. Deixou as crianças no quarto e voltou pra sala.

As crianças gostaram tanto da brincadeira que resolveram que daquela vez iam acordar a vizinhança inteira. Abriram a janela e começaram a gritar.

-Socorro babá! Socorro! Dessa vez eu juro, tem um ladrão pulando o muro!

A babá veio aos pulos e mais uma porção de vizinhos veio correndo pra socorre-los. Mas quando chegaram no quarto só encontraram os gêmeos rindo do seu desespero…

Os vizinhos voltaram pra casa bravos que nem jararaca. E a babá então, nem se fala, além de ficar uma arara não sabia onde enfiar a cara.

Os dois irmãos estavam se divertindo, a barriga doía de tanto que riam. Foi quando a Carol falou.

-Ai não Cacá, olha lá, é um ladrão com capuz escuro pulando nosso muro. Vem ver, é verdade, eu juro!

Cacá mesmo desconfiado resolveu espiar.

-Ai meu pai! É mesmo Carol! Vamos chamar a babá!

E os dois tremendo de medo começaram a gritar:

-Socorro vizinhos, socorro babá! Tem um ladrão vindo pra cá!

Mas ninguém deu bola para aquela gritaria, acharam que era outra pegadinha.

E o ladrão já estava perto da casa, as crianças gritando e ele nem ligava. O ladrão começou a subir na árvore do quintal, pelo pé de camélia ele podia chegar até a janela. Justamente aquela, do quarto onde as crianças estavam.

Os dois irmão estavam desesperados. Resolveram sair do quarto e ficar com a babá lá em baixo, correram pra porta mas ela estava trancada. A babá devia ter fechado a porta a chave pra garantir que eles não fizessem mais nenhuma traquinagem. E agora, não tinham como fugir.

Carol e Cacá se prometeram que se conseguissem sair dali nunca mais iriam mentir, que iriam escutar a babá e tentar se comportar.

Foi quando a porta se abriu e sua mãe e seu pai entraram no quarto, queriam saber porque é que os dois estavam tão assustados.

-Tem um ladrão no pé de camélia, vindo para a nossa janela.

O pai das crianças correu pra olhar, depois começou a rir de gargalhar. Pois era só um macaco que morava lá no bairro e tinha vindo brincar pra cá.

FIM

…………………………………………………………………………………………………………………..

Festa na Floresta

Eis que já dá pra sentir o cheiro da primavera, nesta semana as primeiras flores surgiram no meu quintal anunciando o fim dessa estação invernal, veio a vontade de fazer essa história em homenagem à minha estação preferida.

FESTA NA FLORESTA

Hoje na floresta vai ter uma grande festa, é o grande festival da primavera.

Todos os animais vem para assistir ou pra se apresentar, cada um traz um quitute para compartilhar. A raposa bem ligeira foi a primeira a chegar, trouxe um bolo delicioso e lindos sinos pra enfeitar, deixou o bolo na mesa e já se pôs a arrumar.

Veio chegando em seguida um bando de sabiás, traziam muitos instrumentos, vinham prontos pra tocar, pousaram na grande araucária e foram se preparar. E na mesa de comidas deixaram muitas frutinhas, tinha amora, pitanga, café, uvas verdes e roxinhas  Vieram os macaquinhos e se ajeitaram na bananeira, deixaram na mesa banana passa, torta de banana, biscoito de banana e banana à milanesa, depois foram todos correndo preparar as brincadeiras, tinha corrida do saco, boca do palhaço, pula corda e brincadeiras de roda.

Cada bicho que chegava trazia uma comida gostosa, as abelhas trouxeram mel, o urso trouxe suco de carambola. Cada qual que ia chegando procurava onde ficar, todo mundo encontrando um bom lugar para sentar, e chegou a gralha azul para o show anunciar:

-Senhoras e senhores, respeitável público, animais do céu e da terra, hoje estamos em festa, comemorando a primavera. Preparem seu coração para a primeira apresentação A dança das gaivotas, dando cambalhotas e girando de lá pra cá ao som da banda dos sabiás. Muito silêncio agora que nós vamos começar!

-Vejam agora vocês a banda dos sabiás com o coral de mil pássaros cantando Dorémifá.

“Sou o Uirapuru, canto pra chuchu, então vem pra cá, pra gente cantar. Bem-ti-vi, bem-ti-vi, bem te vi cantando aqui. Colibri, colibri, colibri, gosto muito de te ouvir.”

-E agora venham todos ver a grande festa dos primatas, venham curtir as brincadeiras dos macacos e assistir os gorilas acrobatas.

-E tem desfile de elefante, tromba segurando no rabo, tem girafa na corda bamba, tem sapo tocando samba e cavalo no sapateado.

-Agora muito silêncio que o Rouxinol vai tocar, e é tão lindo seu lamento que nessa hora até o vento vai parar pra escutar.

-E agora pra encerrar, o momento tão esperado, as fadas da primavera vêm pra trazer as cores do mato, lançam a chuva e acordam as sementes fazendo as flores brotar e assim, oficialmente vemos a primavera começar…

FIM

………………………………………………………………………………………………………

 Contei essa história em duas partes diferentes, na primeira, enquanto chegam os animais desenhei em aquarela os quitutes que eles traziam e, logo em seguida convidei meus alunos, um por um, para se apresentarem dizendo qual animal eles eram e o que trouxeram pra festa (que também foi desenhado) e para voltar ao lugar imitando o animal (eles adoraram). Na segunda parte fiz eu mesma as apresentações do festival, fazendo malabares bandeira na dança das gaivotas, cantando a música entre aspas na hora do coral e tocando diversos apitos com sons de passarinhos (eles ficaram vidrados e rindo de se acabar, desde a turma do maternal até o nível V); imitando os gorilas acrobatas, os elefantes, a girafa e o cavalo; toquei flauta na hora do rouxinol e pintamos flores com aquarela na chegada das fadas.

Enfim, foi uma contação bastante interativa, rica e divertida. Sei que em questão de roteiro não foi minha história mais bem arquitetada, mas foi de todas (empatando talvez com “O Caminho da Estrela”) a que mais prendeu a atenção deles por toda a aula, gerando as mais variadas reações a todo momento.

……………………………………………………………………………………………….

Para conhecer outras histórias do meu jardim, minhas criações ou versões rimadas, de uma clicada no menu no alto da página, canto direito.

Deixe seu comentário para deixar meu jardim mais colorido…

Se quiser levar meu jardim de histórias e brincadeiras para o seu evento, entre em contato:

8821-0113 (whats)

meujardimdehistorias@gmail.com

Taina Andere

Os dois anõezinhos

Quando fiz meu curso de Pedagogia Waldorf ouvimos uma história coletada pelos irmãos Grimm chamada ” Os presentes do povo pequenino”. Anos depois fui contar essa história para as minhas filhas, e contei como me lembrava. Minha filha gosotu muito dessa história, por isso a repeti diversas vezes de lá pra cá, chegando mesmo a apresentá-la nas minhas escolas. Mas descobri ontem que o que ficou na minha memória não era quase nada parecido com a história. Ou seja, sem querer inventei uma história nova, ao mesmo tempo percebo agora que nessa história nova eu incluí diversos conceitos do que eu havia estudado. Por isso resolvi publicá-la agora.

Essa é uma história para o inverno, pois durante esta época as forças espirituais estão concentradas no interior da terra, guardando a vida das sementes ou formando as mais belas pedras. Na mitologia essa força é representada pelos anõezinhos, seres pequenos mas muito fortes, guerreiros ferozes, mas também trabalhadores extremamente habilidosos na carpintaria, na mineração e na transformação das pedras preciosas nas mais belas e mágicas jóias.

…………………………………………………………………………………………………………..

OS DOIS ANÕEZINHOS

Em um certo país uma grande caverna existia, mas não era uma caverna escura e fria. Era uma caverna toda enfeitada com lindas pedras polidas e lustradas. Tão enfeitada que brilhava.

Pois aquela caverna não era uma caverna cheia de animais assustadores, ela era habitada por anõezinhos mineradores muito trabalhadores.

Todos os dias eles procuravam pedras, quando não eram preciosas, mas eram belas, eles usavam para enfeitar a caverna, mas quando achavam uma pedra preciosa e brilhante, fosse uma esmeralda, um rubi ou um diamante, trabalhavam a pedra lustrando e polindo com cuidado e afinco até deixá-la lisa e cintilante. E quando achavam ouro ou prata faziam as jóias mais raras encrustando suas pedras trabalhadas em coroas, espadas e seus cintos, anéis, colares ou brincos.

Mas os anõezinhos, apesar de serem um povo bastante orgulhoso, não são muito vaidosos, por isso faziam as jóias não para usar, e sim para vender ou trocar. Trocavam suas relíquias principalmente por comida, é que na caverna a luz do Sol não consegue entrar, logo não dá pra plantar e os anõezinhos são conhecidos por saber trabalhar mas também pelo tamanho de seu apetite, o que considerando que os anões são tão pequenos, é mesmo de espantar. Por isso deixo avisado, não convide um anãozinho pra jantar.

Acontece que nassa caverna os anõezinhos já não conseguiam mais achar ouro, prata ou pedras, e assim estavam todos começando a passar necessidades.

Fizeram uma grande reunião para resolver aquela situação. Logo todos concordaram que um anãozinho deveria fazer uma expedição pra procurar na montanha vizinha uma possível solução.

O anão mais velho deu a sua opinião:

-Deveríamos enviar para essa honrosa e perigosa tarefa o anão Spik, corajoso e valente, um anão experiente e que tem uma barba respeitável.

Todos concordaram, todos menos Spok. Spok era um anão que adorava chamar a atenção. Estava sempre se metendo em confusão, queria falar mais alto enquanto alguém falava, tirava sarro de meio mundo e parece que ele não sabia a hora de fazer piada. E o pior é que ele ainda “se achava”…

-Eu devo ser o anãozinho enviado, afinal sou muito mais barbado.- disse o Spok.

É que todos os anõezinhos são barbados e, geralmente, quanto mais barbado, mais o anãozinho é respeitado. Mas Spok era um anão mal educado, ninguém queria vê-lo ser o responsável por tão importante trabalho.

Foi Spik quem resolveu a situação:

-Vamos nós dois então! Eu posso te ajudar e, nós dois juntos, mais pedras conseguiremos carregar.

Assim, na manhã seguinte, depois de um café da manhã reforçado, saíram os dois para fazer o trabalho. Spik e Spok caminharam o dia inteiro e chegaram no sopé da montanha quando já estava anoitecendo, mas não quiseram nem parar para descansar. Resolveram aproveitar a luz da lua cheia para começar a procurar. Acharam muitas pedras bonitas, mas nenhuma preciosa, ainda assim, como os dois anõezinhos gostavam muito de pedras bonitas, todas que encontravam recolhiam. Passaram assim a noite inteira e ainda o dia inteiro, sempre montanha acima. Já estava anoitecendo quando chegaram lá em cima.

Os dois traziam as bolsas e os bolsos completamente carregados de lindas pedras, mas nenhuma valia nada, nenhuma servia para resolver o problema deles e dos outros anõezinhos lá da caverna. Muito tristes pararam para descansar, fizeram uma cama de pedras, usaram as bolsas cheias de pedras como travesseiro e as pedras em seus muitos bolsos lhe serviam de coberta. E dormiram.

O primeiro a acordar foi Spik:

-Aaah! Nossa Spok que sono pesado que eu tive. Essas pedras me parecem tão pesadas. Uau! Acorda Spok veja que maravilha, nossas pedras todas viraram ouro, é o mais puro ouro que eu já vi na vida. É tanto ouro que dá pra resolver o problema de toda a nossa vila.

Os dois anõezinhos encantados dançaram e cantaram.

-Vamos Spok- disse Spik – Vamos logo voltar para caverna e levar o ouro e a boa notícia para todos lá da vila!

-O quê Spik? Você ficou louco? Pra que ir embora agora se podemos passar o dia aqui juntando muito mais pedras para amanhã termos muito mais ouro?

-Mais ouro pra que Spok? Já temos ouro suficiente pra resolver o problema de todos os anõezinhos da montanha, quero logo voltar para casa e a boa nova levar. Vamos lá!

-Se você quiser que vá. Pode levar o ouro que puder carregar. Eu vou ficar, juntar mais pedras fazer mais ouro e, quando eu voltar, vou ser o anãozinho mais rico de toda a nossa caverna, ou melhor, vou ser o anão mais rico e poderoso do mundo todo.

Vendo que Spok estava tomado pela ambição e não ia mudar sua decisão Spik resolver pegar metade do ouro e voltar pra caverna pra dividir o tesouro por todos os nõezinhos.

Spok ficou na montanha recolhendo pedras, já não mais se importava se eram feias ou belas, redondas ou quadradas, era pedra ele pegava. Quando terminou o dia ela já tinha feito uma montanha enorme de pedras no alto da montanha, junto com o monte de ouro que ele havia conseguido na noite anterior. Também trazia pedras nas bolsas e nos bolsos da calça, da camisa e do casaco e até seu chapéu estava cheio de pedras. Spok estava feliz e cansado. Deitou no alto das pedras, usando sua bolsa cheia de pedras como travesseiro e as pedras dos bolsos servindo de coberta. Dormiu sonhando com todo o tesouro que teria ao acordar.

Acordou no outro dia com um pulo.

-Aah! Me sinto tão leve e disposto. Dormi tão bem… minha cama de ouro estava tão quentinha e macia…. Epa, espera um pouco, quente e macio? Mas o ouro é duro e frio!!! Oh! Mas que horror, que decepção. Todas as minhas pedras, até mesmo todo meu ouro, virou carvão!!!

O anãozinho começou a chorar e, pra piorar, quando levou a mão aos olhos, para suas lágrimas enxugar, percebeu que estava sem nenhum pelo na cara, não tinha mais nem um fio de bigode nem de barba.

Envergonhado o anãozinho foi procurar uma caverna pra morar, e lá ficou dias a fio, chorando sozinho, arrependido.

Por sorte lá na vila o anãozinho Spik começou a ficar preocupado, afinal já era tempo do Spok ter voltado… resolveu ir procurá-lo.

Ao chegar na montanha acabou achando a caverna onde o amigo tinha ido morar, mas ao ver Spok sem barba nem bigode, Spik começou a rir de gargalhar. Era uma gargalhada tão gostosa que o Spok não aguentou e começou a rir junto com o amigo, e aquela risada lavava toda a tristeza que ele estava sentindo.

-Vamos Spok- disse o Spik ainda rindo- Vamos voltar pra caverna, estão todos preocupados meu amigo. Além do que eu dividi o meu tesouro entre todos os anõezinhos e agora somos todos ricos.

-Não posso voltar- disse Spok envergonhado.- Se voltar para nossa caverna serei o único anãozinho pobre e isso é muito triste.

-Claro que não!- disse Spik- eu não falei que tinha dividido o ouro entre todos os anõezinhos do condado, então, seu ouro também está lá separado.

E assim Spok resolveu voltar, quando chegou na caverna todos os seus colegas que o viam sem bigode nem barba, caiam na gargalhada. Mas Spok nem ligava, estava feliz da vida e tinha aprendido sua lição. Além disso, se sentia muito rico, não por conta do ouro, mas por ter Spik como seu amigo.

FIM

………………………………………………………………………………….

Para ver mais contos desse jardim clique no menu no canto direito no alto da página (são esses risquinhos mesmo).

Se quiser entrar em contato visite a página Jardim de Histórias no Facebook ou mande um whats para 8821-0113

Encante suas festas com os contos e as brincadeiras do Jardim de Histórias.