A Lenda dos Rabos

Esta história aconteceu há muito tempo atrás, em uma época em que os animais ainda não tinham rabos, eram todos desrabados e, assim, viviam meio desequilibrados, como se lhes faltasse um pedaço.

Um dia apareceu uma linda fadinha trazendo um enorme saco cheio de rabos. Havia no saco tudo quanto é tipo de rabo. Rabos curtos ou compridos, grossos ou finos, esticados ou enrolados, rabos com penas, com pelos ou escamas, rabos de todas as cores e tamanhos que se possa imaginar. A fada pousou em uma clareira e chamou bem alto todos os animais:

-Atenção, atenção. Quero que formem uma fila com um animal de cada espécie para escolher um rabo. escolham com muito cuidado, pois todos da sua espécie terão que usar esses rabos para todo o sempre. Não precisam ficar alvoroçados, neste saco tem um rabo para cada um de vocês. Formem uma fila e que cada um escolha o rabo que mais combina com si.

Dizendo isso a fada virou o saco bem no meio da clareira, enquanto os animais formavam uma grande fileira. Logo todos os animais já haviam enviado um representante da sua espécie para escolher o rabo e todos eles já estavam enfileirados.

As aves que vieram voando eram as primeiras da fila, escolheram rabos feitos com penas, algumas como o pássaro Tesoura, escolheram penas bem compridas, o Pavão escolheu o maior rabo e com as penas mais coloridas, já o Tico-tico preferiu uma pequena e discreta pra que pudesse continuar pulando de lá pra cá, botando pra quebrar sem o rabo a lhe atrapalhar.

Depois vieram os mamíferos, o Elefante, apesar de ser muito grande, escolheu um rabo bem pequenino e todo enroladinho. O Rato quis um rabo fino e comprido, o Gato preferiu um peludo e alongado. Mas quando chegou a vez do Macaco ele não conseguia se decidir por um rabo, ficou dividido entre um rabo enrolado e um rabo comprido. Sem conseguir se decidir teve uma ideia egoísta, juntou os dois rabos em um só e vestiu os dois bem rápido, ficando assim com um rabo comprido e enrolado para poder se pendurar pelos galhos. E foi logo se pendurando em um galho, bem rápido, antes que alguém percebesse que o danado tinha pego dois rabos, subiu bem alto e ficou sentado em cima do rabo.

E assim foi seguindo a fila, cada animal escolhendo o rabo que mais lhe convinha.

Mas vocês lembram que no começo desta história a gente falou que a fada havia trazido um rabo pra cada bicho? Pois se o Macaco pegou dois rabos o que foi que aconteceu?

Pois é, quando chegou no fim da fila faltava a Cobra e o Sapo, mas só sobrara um rabo!

O Sapo olhou pra Cobra e a Cobra olhou pro Sapo, os dois olharam para o último rabo que havia sobrado, novamente se olharam e saíram correndo atrás do rabo. O Sapo puxou o pé da Cobra (porque naquele tempo a cobra ainda tinha patas, pés e mãos). A Cobra deu um chute no Sapo. O Sapo pulou em cima da Cobra e a Cobra rolou por cima do Sapo e os dois foram correndo aos papos e sopapos até que na última hora a Cobra se jogou com tudo no rabo que havia sobrado. Mas a cobra caiu tão desajeitada que acabou caindo dentro do rabo e ficando entalada, assim suas patas ficaram pra dentro do rabo e a coitada acabou sem mão, nem pé, nem nada, num grande rabo enfiada. E o Sapo, coitado, acabou ficando sem rabo.

Por isso até hoje a Cobra tem raiva do Sapo, pois acha que é por culpa dele que ela acabou sem as patas e pra andar tem que se arrastar de cá pra lá. E o Sapo tem raiva da Cobra porque acha que é culpa dela que ele acabou sem rabo (nem imagina que o verdadeiro culpado é o Macaco). E é por isso que até hoje, no meio do mato, o Sapo come a Cobra e a Cobra come o Sapo.

FIM

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Contos da Escócia

Todo mundo sabe que a Inglaterra é uma ilha, o que muitos não sabem é que nessa ilha tem um outro país, um país cheio de antigos castelos que lhe dão um ar de filme de terror e por isso, talvez, seu folclore seja tão cheio de bruxas, vampiros e monstros assustadores. É um país conhecido porque lá os homens usam kilt, o que para nós parece uma saia. Sim, estou falando da Escócia. Mas em meio a tantos seres assustadores, encontrei dois mais “bonzinhos” e resolvi dar a eles histórias mais infantis, que trago para cá e levo para meus alunos nesta semana.

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MIÚCHA E A FADA PÚCA

Miúcha estava muito ansiosa, era a primeira vez que viajava sozinha, iria para a Escócia visitar a sua tia Olívia. Quando chegou no aeroporto viu seu primo acenando. Eles tinham a mesma idade, oito, embora Olívia adorasse dizer que Otávio era 15 dias mais novo. Enquanto sua tia Olívia assinava os papéis com a aeromoça que a havia acompanhado Miúcha foi cumprimentar seu primo Otávio. Ele estava muito animado, não deixou nem o abraço terminar e já começou a falar:

-Miúcha, hoje mesmo lá no castelo, acho que vi uma Púca!!!

-Castelo? Piruca? Do que é que você está falando Otávio?- quis saber Miúcha.

-Você não sabia que estamos morando em um castelo? Foi por isso que mudamos pra cá, meu pai e minha mãe estão ajudando a restaurar e durante esse tempo que eles trabalham estamos morando lá. No castelo tem um jardim enorme e hoje, enquanto esperava você chegar vi uma Púca por lá. Presta atenção é Púca, não Piruca.

-E o que é uma Púca?

O Otávio foi explicando em voz baixa durante todo o caminho pra casa, ou melhor castelo, onde o primo morava:

-Púca é uma fada levada que vive no meio da mata. Pode se transformar em qualquer animal, o que é muito legal. Vira pássaro e sai a voar, vira peixe se mergulhar no mar, mas se chegar na areia vira cavalo e sai a cavalgar. Mas vire o que virar será sempre um escuro exemplar de olhos grandes e vermelhos. Seja escama, couro ou pena, a cor será sempre negra. Seu animal preferido é o cavalo negro, mas Púca também é muitas vezes vista na forma de um coelho preto. Ela fala a língua dos animais, mas mesmo se estiver transformada, falar a língua humana ela também é capaz. Por isso quando vi no meu quintal um coelho preto falar, sabia que não estava ficando louco mas que a Púca eu acabei de encontrar. A Púca dá bons conselhos, mas também adora pregar peças, depende de como você vai responder as charadas dela.

 -Mas qual foi a charada que ela te deu? -quis saber Miúcha já louca de curiosidade.

-Eu sei lá! Fui correndo pra dentro do castelo. Sei lá se eu ia acertar a charada, e se eu erro a fada me prega uma peça danada.

-Era só o que me faltava. você tem uma oportunidade dessas e deixa escapar…

A essa altura eles já haviam chegado no castelo e Miúcha quis ver onde seu primo havia visto a fada e os dois saíram juntos pra procurá-la.

E lá estava o coelho, parado.

-Pro meu enigma desvendar primeiro tem que me encontrar.

Otávio não tinha mentido, o coelho falava. Ele falou e saiu correndo. Dessa vez com a prima ao seu lado Otávio não podia ficar com medo, tinha que se corajoso como a prima. E Miúcha, embora tremesse por dentro queria parecer corajosa pro primo, por isso fingia que nenhum medo sentia e os dois saíram correndo atrás do coelho.

Passaram correndo pelo milharal, depois correndo atravessaram o riacho, atravessaram correndo o descampado onde o vento soprava e entraram correndo dentro de uma caverna onde o coelho entrara. Dentro da caverna estava tudo escuro, não se via nem se ouvia nada, mas de repente uma voz que vinha do meio do nada disse a charada:

-Posso ser fofinho e de pelúcia e vocês vão me adorar, ou posso ser grande e peludo pra vocês eu assustar. Gosto muito de comer mel e também de hibernar. Que animal sou eu? Vocês devem adivinhar…

-Já sei! Uma abelha.

Disse Miúcha sem hesitar.

-Errou! – respondeu a voz grossa- é melhor se mandar.

Os dois foram sair correndo, mas deram de cara com a Púca e ela estava enorme.

-Estou sentindo uma coisa peluda! -gritou Miúcha.

-Eu sinto um nariz gelado!- gritou Otávio

-É um urso!- gritaram os dois juntos.

Como os dois a charada haviam errado, a Púca ao invés de bons conselhos deu-lhes um susto danado. E transformou-se num Urso negro enorme e com cara de bravo. Os dois saíram correndo, mas quando saíram da caverna descobriram que já estava anoitecendo, como é que eles iam acertar o caminho pra casa sem enxergar nada?

-Ouça o vento Otávio- disse Miúcha- estamos no descampado.

 E assim os dois atravessaram o descampado.

-E agora Miúcha, vamos pra que lado? Já sei! Vamos cruzar o riacho!

-Agora é só atravessar o Milharal e chegaremos no nosso quintal.

Os dois chegaram em casa bem a tempo do jantar e decidiram que a Púca nunca mais iriam procurar.

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WULVER- O Lobisomem Bom

Essa é a história de um Lobisomem bonzinho que pescava peixe no lago e deixava de presente na janela dos mais pobrezinhos.

O seu nome era Wulver e ele era grande e peludo com uma cara de lobo de dar medo no mais carrancudo.

Quando o pobre ferreiro não tinha mais ferro pra malhar, estava muito preocupado pois sua família já não havia almoçado e não tinha nada pro jantar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o ferreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre marceneiro não tinha nenhuma madeira pra serrar, sua mulher estava com fome, sua filha a chorar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o marceneiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o pobre pedreiro não tinha obras pra trabalhar, já lhe faltava comida pra família alimentar.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. Quando o pedreiro achou os peixes foi pra casa festejar:

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Quando o inverno veio forte e o lavrador ficou sem lida. Toda a vila teve falta de comida.

Wulver vei sorrateiro, sem ninguém notar. E em cada janela deixou um bom peixe para todos alimentar.

-Viva Wulver o lobisomem bonzinho que veio pra nos salvar.

Contos Japoneses

Ao procurar histórias japonesas encontrei um blog:

http://fernandosantiago.com.br/hisjapo.htm

E qual não foi minha surpresa ao encontrar nele contos bastante conhecidos mas que eu não fazia ideia de que tinham origem japonesa. Escolhi dois que trarei para o meu jardim com as minhas versões rimadas.

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AS BODAS DA RATINHA

Era uma vez um Ratinho muito, mas muito bonito. Ele era o ratinho mais forte e bonito já visto. Por isso mesmo, quando chegou na idade de se casar, ele resolveu que a melhor esposa do mundo ela iria encontrar. Queria a mais poderosa de todas e depois de muito pensar resolveu que a Lua era a noiva ideal para levar ao altar. Sem mais rodeios para a Lua o belo Ratinho foi se declarar:

-Oh! Lua brilhante que ilumina a noite e faz a água brilhar, você que é a mais poderosa, transforma a luz do Sol em luar, com você eu quero me casar fazer da noite escura o nosso altar.

-Fico honrada Sr. Rato, mas não sou a mais poderosa já vista. Minha luz é tão bonita, mas está sempre por um triz, mesmo quando eu estou cheia, vem a Nuvem me cobrir. Ela sim Nuvem macia é que te fará feliz.

O Senhor Ratinho cheio de coragem e ousadia foi falar com a dona Nuvem poderosa e macia.

-Oh! Nuvem tão branquinha, tu que és a mais poderosa, que cobre a Lua e esconde o luar, com você eu quero me casar fazer do céu imenso o nosso altar.

-Fico honrada senhor rato, mas não sou a mais poderosa. A Brisa que me desfaz, mesmo soprando morna, é bem mais poderosa. Ela sim Brisa faceira saberá como te amar.

O senhor Ratinho sem hesitar para a Brisa foi se declarar:

-Brisa faceira que desfaz a Nuvem que cobre o luar, tu que és a mais poderosa e vive no céu a voar, com você eu quero me casar, fazer da natureza o nosso altar.

-Fico honrada senhor rato, mas não sou a mais poderosa já vista. A Parede que me barra e me impede de soprar é bem mais forte, dura, altiva. Com ela você deve se casar, ela sim dura parede saberá como te amar.

O Senhor Rato firme se manteve e foi falar com a Parede:
-Parede Parada, que barra a brisa, que desfaz a Nuvem, que cobre o luar, tu que és a mais poderosa já vista, com você eu quero me casar, fazer da Terra o nosso altar.

-Fico honrada Senhor Rato e adoraria lhe ter como esposo, mas não sou a mais poderosa do mundo todo. A Bela Ratinha que rói os meus tijolos e me deixa toda esburacada, é bem mais poderosa, forte e ousada.

E foi assim que depois de muito procurar o Senhor Rato decidiu que com uma Ratinha ele devia se casar.

-Ratinha dentuça, que rói a Parede, que barra a Brisa, que desfaz a Nuvem que cobre o luar, declaro ser o seu mais lindo amante. Com você eu quero me casar fazer da Terra inteira o nosso altar.

-Rato, meu querido Rato, eu sou mesmo assim de fino trato pra selar este contrato. Mesmo não sendo perfeita, eu sou a ratinha eleita. fico aqui toda sem jeito esperando um grande queijo… ops… um grande beijo.

Casaram-se naquele outono e dizem que são os ratinhos mais felizes do mundo todo.

…………………………………………….. FIM………………………………………………………..

(Na versão original é um Rato que procura marido pra sua linda filha. Por uma questão óbvia ideológica preferi a versão do grupo musical Palavra Cantada…)

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O OMOSUBI ROLANTE

Era uma vez um velho servo feudal que foi às montanhas catar lenha. Quando o Sol já estava a pino parou para descansar e comer um dos seus bolinhos (omosubi) que trazia no bornal. Mas o bolinho escorregou de suas mãos, rolou morro abaixo e acabou caindo em um buraco. E lá de dentro uma voz saiu:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

O velho achou aquilo curioso e engraçado, resolveu jogar mais um omosubi no buraco pra ver se ouvia a voz de novo vindo lá de baixo. Jogou o bolinho e de novo escutou:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

O velho caiu na risada e resolveu mais um omosubi jogar só pra novamente escutar. Jogou e escutou:

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais omusubi que tá muito bom!”

-Engraçado, engraçado.- repetia o velhinho rindo de rolar no chão- se eu rolar lá pra dentro o que será que eles cantarão?

 O velhinho era muito ousado por isso se jogou no buraco.

-“Omusubi kororin sutonton… envie-nos mais um velhinho que tá muito bom!”

O velho mal acreditava no que via, o interior do buraco era um palácio que reluzia, era enorme e suas paredes brilhavam encrustadas de pedras e jóias magníficas.

O velho estava atônito, estupefato, maravilhado olhava para todos os lados. E para melhorar haviam muitos, mas muitos coelhos no buraco.

-Vovô, seja bem vindo.- cumprimentavam o velho todos os coelhos do castelo do buraco.

E lá fizeram uma festa, havia um banquete, todos cantavam e dançavam. E o velho banqueteou-se como um rei, cantou e dançou e se divertiu o dia inteiro.

A noite já despontava no céu quando o velho disse. Tenho que ir. Agradeço muito o banquete, mas é hora de partir.

Os coelhos se despediram e trouxeram uma trouxa cheia de omosubis para dar de presente como lembrança do seu país, o país dos coelhos.

E aqueles eram os melhores omosubis que o velho já comera.

………………………………………………………….FIM……………………………………………….

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E a história de hoje entrou por uma porta e saiu pela outra, quem quiser que conte outra…

O Pirata Pirado

Pirado era um pirata mas não tinha perna-de-pau, nem olho de vidro e nem cara de mau. Pra falar bem a verdade, branca como mingau, Pirado era um pirata engraçado, não era perneta mas era um pirata com cara de pau…

Usava tapa-olho, embora enxergasse muito bem com os dois, porque pirata que é pirata usa tapa-olho. Tinha uma cicatriz na cara, mas era desenhada, é que não tinha graça ser pirata e não ter cicatriz na cara.

Pirado tinha um navio, mas não navegava pelo mar, só no rio. É que o pirado sentia enjoo em alto mar, por isso preferia navegar no rio Paraná. Subia e descia o rio, sempre de lá para cá, só não chegava até as cascatas que era pra não despencar. Vivia procurando um tesouro porque afinal não se é pirata se não se tem um tesouro pra procurar.

Um dia ele estava lá, saindo do rio Paraná entrou no Iguaçu, navegava bem pertinho de Curitiba quando viu uma garrafa de náufrago correndo rio abaixo enquanto ele seguia rio acima.  Sem pensar duas vezes o destemido pirata Pirado subiu na prancha e pulou no riu Iguaçu para pegar a garrafa de náufrago.

Seria um pedido de socorro? Um mapa para a ilha do tesouro? O pirata pirado não podia adivinhar, abriu rapidamente a garrafa para ver o que havia lá. Mas quando conseguiu tirar a tampa, que decepção, não tinha nem mapa nem carta, só desenhos de montão.

O pirata Pirado ficou tão desanimado, resolveu ao menos usar o desenho pra fazer um quadro. Foi quando ele prestou atenção no que estava desenhado: tinha o numero um, depois tinha uma pá, uma tesoura de bigode, um X e o desenho bem feito do lugar onde o riu Iguaçu vai desaguar no rio Paraná.

-Ora vejam só, como eu não consegui enxergar, diz aqui que tem um mapa do tesouro onde o rio Iguaçu encontra o rio Paraná. Marujo Cara-de-Caramujo, vamos fazer a volta e navegar para lá.

Na mesma hora deram meia volta e foram navegando pra lá.

– Remem, remem marujos, estamos quase lá.

E os marujos remaram e rapidinho lá chegaram. E sabe o que foi que encontraram?

Um pássaro dourado carregando um papel dobrado.

-Se vocês querem esta pista, foi logo dizendo o pássaro, vão ter antes que imitar o canto de três pássaros.

-Imitar passarinhos? Mas isso é muito difícil, será que vocês podem me ajudar?

E os marujos ajudaram, cada um imitou um pássaro e o pássaro dourado deu pro pirata Pirado o tal papel dobrado.

E lá dentro tinha a pista, mas uma vez desenhada, era o desenho das cataratas e de uma bela capivara.

-Vamos marujos depressa, voltem pro remo, vamos pra lá, pra foz do Iguaçu nós devemos chegar.

E os marujos remaram e logo chegaram lá. Bem perto das cataratas tinha uma enorme capivara, carregando um papel nas patas.

-Lá está a capivara, igual a que estava desenhada.

-Se vocês querem essa pista- foi dizendo a capivara- antes terão que imitar essa minha dança engraçada.

“Se você é um pirata bata palma. Se você é um pirata bata palma. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata bata palmas. Se você é um pirata bata os pés. Se você é um pirata bata os pés. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata bata os pés. Bata palmas, bata os pés. Se você é um pirata dá uma voltinha. Se você é um pirata dá uma voltinha. Se você é um pirata e gosta de navegar, se você é um pirata dá uma voltinha. Bata palma, bata os pés, dá uma voltinha… manda um beijinho e diga legal: legal!”

Depois de dançarem todos, os marujos e o pirata, receberam a próxima pista da bela capivara. E a pista dessa vez era uma grande charada.

“Posso ser bravo ou posso ser calmo, posso ser azul ou verde claro, quando o sol vem me beijar posso mesmo alaranjar. Quando a noite está clara vem a lua se espelhar é aqui que todo rio acaba e o meu nome é?”

-Mar!- responderam todos, sem nem parar pra pensar.

Assim o barco pirata do pirata Pirado, pela primeira vez, foi em direção ao mar e quando chegou na praia nem puderam acreditar: a praia era tão bonita, tão imenso era o mar. E o tesouro o que seria? Onde será que ele está?

-Vejam lá no fim da praia- gritou o pirata pirado- um X eu consigo enxergar.

Foram todos correndo pela beira do mar e quando lá chegaram o maior tesouro encontraram: um monte de piratas pirados que queriam fazer amigos e formavam um X sentados.

Hora o pirata Pirado adorou fazer amigos que como ele eram piratas piradinhos. Afinal nessa vida não existe tesouro maior do que uma porção de amigos.

……………………………………………..FIM……………………………………………………………

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A Trama da Dona Aranha

Dona Aranha adora tecer tramas, mas não gosta de fazer teias e nem de prender insetos com as suas artimanhas. Por isso ao invés de tecer teias resolveu usar suas tramas para fazer lindas meias, fez oito, uma para cada pé. E essas coisas, vocês sabem como é, logo as outras aranhas estavam tirando sarro da dona Aranha que ao invés de fazer teias, tecia meias.

Mas dona Aranha nem ligou. Seus pés estavam tão quentinhos, e estava mesmo fazendo frio. Foi quando um grilo que cantava lá perto viu as meias da dona Aranha e achou seu truque esperto. Também quis um par de meias pra se proteger do frio.

O que a dona aranha não sabia é que tantos insetos veriam o grilo e quisessem também fazer seus pedidos. Antes do inverno chegar todos os insetos da redondeza já usavam lindas meias feitas sob encomenda.

Dona Aranha ficou famosa, mas não acabou por aí. Quando o frio aumentou seu grilo encomendou um casaco e logo todos queriam o seu. Dona Aranha não conseguiria tantas roupas costurar antes do inverno chegar.

Foi quando suas vizinhas aranhas se ofereceram para ajudar. Ninguém mais queria fazer teias e prender insetos, todas queriam costurar e ouvir as mais lindas histórias que eles tinham pra contar. Assim as aranhas mesmo sem ter asas podem o mundo viajar.

E a Dona Aranha hoje em dia vive rodeada de amigas, conversa com as outras aranhas enquanto estão a tricotar, ou ouve a história de insetos que acabaram de chegar. Costura vestidos de casamento pras moscas e pras Joaninha se e dizem que ela costura até pra Abelha Rainha.

FIM

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A Princesa do Castelo em Chamas (conto da Transilvania, Romenia)

 

Era uma vez um homem, um pastor muito pobre. Mas existia tanto amor entre ele e sua companheira que eles tinham tantos filhos quantos furos tem uma peneira. Todos os homens da aldeia já eram seus compadres. Ao nascer-lhe mais um filho, não tinha mais a quem pedir para ser o padrinho. Mas o pasto r não perdeu a esperança, sentou-se na beira da estrada para pedir ao primeiro passante que fosse padrinho da criança.
Vinha então descendo a estrada um velho com um manto cinza, ao qual ele fez o pedido, o velho, que mais parecia um mendigo, aceitou agradecido.
Seguiram juntos o caminho, e o velho ajudou a batizar a criança. Deu, então, de presente ao pobre uma vaca e um bezerro nascido no mesmo dia em que seu afilhado. O bezerro tinha na testa uma estrela dourada e deveria pertencer ao menino.
Quando o menino cresceu, o bezerro se havia tornado um enorme touro, e juntos iam ambos todos os dias ao pasto. O touro sabia falar e, quando chegavam ao topo da montanha, dizia ao menino:
– Fica aqui e dorme. Enquanto isso, vou procurar meu pasto sozinho.
Assim que o pastor dormia, o touro corria como um raio até o grande pasto celeste e comia flores douradas de estrelas. Quando o sol se punha, ele voltava para acordar o menino, e iam, então para casa. Isto se repetiu todos os dias até o menino alcançar a idade de vinte anos. Um dia, disse-lhe o touro:
-Senta-te agora entre os meus chifres e eu te levarei até o Rei. Pede-lhe uma espada de ferro do tamanho de sete varas e dize-lhe que queres salvar sua filha.
Logo eles estavam no castelo real. O pastor desceu e foi ter com o Rei; este lhe perguntou o motivo de sua vinda. Após ouvir a resposta, deu-lhe com prazer a espada desejada, mas sem muita esperança de poder rever sua filha. Muitos jovens audaciosos tinham em vão ousado libertá-la. Ela fora raptada por um dragão de doze cabeças, que morava muito, muito longe. Ninguém podia chegar até lá, pois no caminho para seu castelo se encontrava uma serra imensamente alta, impossível de atravessar; e, mais além, um grande mar bravio. Mesmo se alguém conseguisse transpor a serra e o mar, encontraria o castelo envolto em chamas poderosas; e, mesmo tendo-as vencido, havia ainda um dragão de doze cabeças pronto para matar o indivíduo.
Quando o pastor obteve a espada, montou novamente entre os chifres do touro, e num instante eles se encontraram diante da serra imensa.
-Podemos voltar – disse ele ao touro, pois achava impossível atravessar tal serra.
O touro respondeu-lhe:
-Espera apenas um instante!
E desceu o rapaz ao chão. Mal tinha feito isso, cravou no chão os cascos, deu um impulso e moveu, com seus chifres poderosos, a serra inteira para o lado; e eles puderam seguir em frente.
O touro assentou o pastor novamente entre os chifres, e logo eles alcançaram o mar.
-Agora podemos voltar – disse o jovem – pois ali ninguém consegue passar.
-Espera apenas um instante – retrucou-lhe o touro -, e segura te bem em meus chifres.
Então inclinou a cabeça até a água e bebeu o mar inteiro, e assim prosseguiram eles em chão seco.
Logo chegaram ao Castelo de Chamas. Mas, já de longe, sentiram um calor tão imenso que era quase insuportável ao rapaz.
-Pára – gritou ele ao touro – não vás em frente senão morro queimado.
O touro porém correu até bem perto e cuspiu de uma vez, por sobre as chamas, o mar que havia bebido.Rapidamente o fogo se apagou e uma fumaça enorme se elevou, enevoando todo o céu. Então, do vapor medonho, saltou o dragão de doze cabeças, enraivado.
-Agora é tua vez – disse o touro a seu amo. – Vê se consegues cortar todas as cabeças do monstro de um só golpe.
Ele juntou toda a sua força, tomou a espada poderosa com as mãos e golpeou tão rapidamente o monstro que todas as cabeças rolaram ao chão. O animal se contorceu e se debateu contra a terra com tal força que ela tremeu. O touro apanhou o corpo do dragão com seus chifres arremessando-o ás nuvens, e nada mais se viu dele.
O touro disse ao pastor:
– Minha tarefa chegou ao fim. Vai até o castelo, e lá encontrarás a princesa. Leva-a de volta a seu pai.
Tendo dito isto, correu para o gramado celeste e virou uma constelação. O rapaz nunca mais o viu mas também nunca mais o esqueceu.
Ele se dirigiu ao castelo, onde encontrou a princesa, que se alegrou muito por estar livre do terrível dragão.
Regressaram ambos então ao país da princesa, onde se casaram; e uma enorme alegria invadiu todo o reino desde o momento em que os dois regressaram.
FIM
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BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

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Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque de Holanda)

Este poema/história tão genial escrito pelo grande Chico vem aqui sem mudanças ou alterações, apenas para ser redecorado, pois amanhã será contado junto com o conto da Chapeuzinho Vermelho, afinal, os dois formam o par ideal, não é mesmo?

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CHAPEUZINHO AMARELO

(Chico Buarque de Holanda)

Era a Chapeuzinho Amarelo
Amarelada de medo
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.

Já não ria
Em festa, não aparecia
Não subia escada, nem descia
Não estava resfriada, mas tossia
Ouvia conto de fada, e estremecia
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha

Tinha medo de trovão
Minhoca, pra ela, era cobra
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra

Não ia pra fora pra não se sujar
Não tomava sopa pra não ensopar
Não tomava banho pra não descolar
Não falava nada pra não engasgar
Não ficava em pé com medo de cair
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo
Assim era a Chapeuzinho Amarelo, amarelada de medo

E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
e um chapéu de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.

O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem ela estava falando:

LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
“Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;
barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.
FIM

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Chapeuzinho Vermelho

Esta história é clássica, presente na famosa coletânea dos irmãos Grimm, muito conhecida, mas tem uma série de elementos que devem ser trabalhados na primeira infância, acho que por isso mesmo ainda me encanta. Uma das  histórias menos alterada nas suas versões atualizadas. Embora como uma história de tradição horal, tenha mais de uma versão, principalmente quanto ao final.

As músicas (no texto entre aspas) são do compositor João de Barro (conhecido como Braguinha) que musicou cerca de 50 histórias infantis para a coleção disquinho. Para saber mais sobre esse grande compositor brasileiro acesse:

http://www.braguinha.ag.com.br/

Essa versão eu montei com uma grande mistura daquilo que eu lembrava com o que eu encontrei em minha pesquisa, com um toque das minhas rimas. A maior parte do que foi copiado veio do site:

 

http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=1

Uma versão que eu gostei muito, principalmente pelas rimas já existentes, mas a minha versão final acabou bem diferente:

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CHAPEUZINHO VERMELHO

Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela que sua mãe havia feito, logo os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa, tadinha. Morava numa casinha, no interior da mata, no fim da trilha.
Chapeuzinho sempre ia à casa da vovozinha para levar deliciosas comidas que sua mãe fazia.
Um dia, a mãe da menina preparou alguns quitutes, eram os preferidos da avó Gertrudes.
Então, chamou a filha e disse:
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estes quitutes para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, vontade de cozinhar ela não tem.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, pelo caminho certo. Não pegue o atalho, pois ouvi dizer que tem um lobo morando lá perto!
— Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. Vou pelo caminho mais cumprido.

A mãe arrumou os quitutes em uma cesta e colocou também um pote de geleia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geleia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores. Chapeuzinho ia pelo caminho colhendo lindas flores. Acabou se distraindo e demorou muito naquele caminho, quando viu o sol já ia alto, resolveu pegar o atalho. Ia cantando distraída:

“Pela estrada à fora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha, ela mora longe o caminho é deserto, e o lobo mal passeia aqui por perto. Mas à tardinha, ao sol poente, junto à mamãezinha dormirei contente.”

Quando o lobo viu aquela linda menina, pensou que ela devia ser saborosa e macia. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas ao ouvir a música e ver que ela ia até a casa da avó resolveu usar da inteligência, assim poderia comer a avó primeiro, depois a menina de sobremesa. Escondeu-se na sombra de uma árvore de grande porte e  disse com voz doce:
— Bom dia, linda menina.
— Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
— Qual é seu nome?
— Chapeuzinho Vermelho
. — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
— Vou visitar minha avó.
— Muito bem! E onde mora sua avó?
— Mais além, no interior da mata.
— Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
— Numa casinha verde, com cortinas bem branquinhas, lá no final da trilha.
O lobo então falou:
— Você não deveria ir por aqui, tem um lobo mau logo ali na frente e está bem na hora dele almoçar, se quiser chegar viva na sua vovozinha vá pelo caminho de lá.- o lobo a mandava  pela trilha mais comprida para que ele pudesse chegar primeiro na casa da velhinha usando o atalho no lugar da menina.

Chapeuzinho Vermelho agradeceu e seguiu o conselho sem nem imaginar o que é que o lobo estava fazendo…

“Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau. Eu pego as criancinhas pra fazer mingau. Hoje estou contente, vai haver festança, eu tenho um bom petisco para encher a minha pança”
Quando o lobo chegou na casa da vovozinha bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
— Quem é? — perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
— Sou eu, sua netinha, vovó. Trago uma cesta cheia de delícias.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
— Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta, vestiu um pijama da velha, enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A menina demorou um bocado antes de chegar, o lobo até cansou de esperar. quando finalmente Chapeuzinho chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
— Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
— É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo uma cesta cheia de delícias! Mas que voz grossa vovozinha.
Só então o lobo se lembrou de afinar a voz horrorosa antes de responder:
— É que eu estou muito gripada minha netinha. Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
— Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
Coloque a cesta na mesa, minha querida netinha, e venha aqui até aqui deitar comigo para me aquecer.
Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
— Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
— São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
— Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
— São para enxergar te enxergar melhor, minha menina!
— Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
— São para te ouvir melhor, queridinha!
— Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
— É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

— Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
O lobo, que dormia como uma pedra, com um enorme barrigão parecendo um grande balão!
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
— Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudá-la!”.
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
— Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
— E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Ou seria o  chapeuzinho vermelho da menina? Quanta sede ele sentia. Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e afundou.
A vovó ficou em casa lanchando aquelas delícias enquanto o caçador levava pra casa a menina. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo caminho mais comprido”.

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Contos da Turma da Inteligência

Estas histórias não são histórias aprovadas pelo programa da Escola da Inteligência, do Dr. Augusto Cury, mas sim histórias feitas por mim para trabalhar com meus alunos da escola O Pequeno Polegar, que aplica esse programa desde o começo do ano. Elas adoraram ver as histórias com os personagens da Floresta Viva. A identificação das crianças foi emocionante.

 

Hoje eu vou contar histórias de uma turminha que já é pra lá de conhecida, quem aqui adivinha?

Isso mesmo hoje com muita alegria trago os personagens da Floresta Viva. Quem quer embarcar nessa viajem, apertem os cintos e fiquem à vontade.

“Tralalalalá, sentadinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar. Tralalalalá, bem quietinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar.”

ONCINHA SAÇÁ

Quem aqui já ouviu falar de uma onça chamada Saçá?

Pois então, certo dia a Saçá estava tranquila no meio da floresta viva observando os barulhos da mata, ouvia o vento, a água e o canto dos mais belos passarinhos. Foi quando bem do seu lado cantou o pato Quaquá, com seu canto desafinado:

-Quac, quac!

A oncinha Saçá ficou uma fera por ter sido interrompida no seu momento de calmaria.

-Seu pato você gosta de cantar? – perguntou Saçá.

-Ah, na verdade eu adoro! – respondeu o pato animado.

-Pois então deveria aprender ou parar de cantar.- disse a onça muito brava, sem nem parar pra pensar.

-Mas quem canta seus males espanta.- disse o pato tentando argumentar.

-Pois vai espantar seus males pra lá, porque se continuar a me incomodar vai virar o meu jantar.

Assustado o pato Quaquá foi embora e a oncinha Saçá voltou a escutar a música da mata que pelos pássaros era entoada e pelo som da água e do vento ritmada.

Mas no dia seguinte parecia que tinham menos pássaros a cantar, e nos outros menos ainda, até que mais nenhum canto de passarinho a Saçá ouvia. Saçá ficou muito triste de tanta saudade da música que ela sentia. Ainda ouvia o barulho da água e do vento, mas faltava a melodia.

Saçá já estava doente de saudade de ouvir um canto de passarinho quando um dia lá no alto de uma árvore viu o canário Cantor sentado em um galho.

-Olá seu Canário, bom dia! Você que é o tal Cantor que todos falam por aqui?- perguntou Saçá que ainda não o conhecia, mas já ouvira sua fama.

-Sou eu sim.- respondeu o canário já tremendo de medo- você deve ser a onça Saçá.

-Eu mesma, em garras e dentes. Cante uma música para me alegrar!- pediu Saçá.

-Eu não!- respondeu o Cantor, tremendo de se depenar- Soube que você mandou avisar que quem cantar perto de você se desafinar vira jantar… eu é que não vou me arriscar.

Só então a oncinha Saçá pode perceber o que estava acontecendo, porque os passarinhos andavam se escondendo.

Foi procurar o pato Quaquá, estava muito arrependida, pediu para que o pato, por favor, lhe cantasse uma melodia, mesmo que desafinada, Saçá queria muito ouvi-la. O pato todo orgulhoso entoou a única música que conhecia.

Logo os outros pássaros vendo que o pato cantava todo desafinado e que ainda assim era pela onça apreciado, e não virara jantar, começaram a tomar coragem e um a um puseram-se a cantar, com tanta harmonia que formavam a mais bela sinfonia.

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TOTÓ O MACACO

Agora eu quero saber quem conhece Totó, o macaco mais bonito do pedaço?

Há muito tempo atrás eu conheci o Totó, na época era um macaco muito mal educado, gostava de ajudar os outros, mas vivia pondo apelidos e fazendo piadas de mau gosto.

Certo dia ele estava passeando pela floresta quando viu seu amigo Pepê, trabalhando sozinho e o Totó se ofereceu pra ajudar, pois ele é muito prestativo.

Pepê aceitou e os dois, trabalhando juntos, rapidinho construíram um palco bem bonito.

Lá pelas tantas Totó quis saber pra que era tudo aquilo.

-Se eu te contar você promete não contar pra ninguém? Promete que o meu segredo é seu também?

-Claro!- respondeu totó- Minha boca é um túmulo. Comigo seu segredo está seguro, eu juro.

-Vou fazer uma festa pra comemorar a chegada da primavera, mas ninguém pode ficar sabendo pois será uma surpresa para todos da floresta.

Totó ficou muito animado, ajudou o Pepê com todo o trabalho. Tava voltando pra casa todo contente quando encontrou com sua amiga Tatá e não conseguiu se segurar, deu com a língua nos dentes. Logo toda floresta já sabia da festa surpresa que o Pepê faria. O Nilo ficou muito entristecido resolveu se vingar, pra hora da festa fez um boneco de bechiga cheio de água e farinha, era tão bem feito que parecia um macaco de verdade, perfeito. Quando chegou o Totó… bem, se vocês já o conhecem sabem que ele adora ser o centro das atenções, por isso preparou para a festa uma série de apresentações começou com seu show de malabarismo e equilibrismo, todos o olhavam encantados, todos menos aquele macaco sentado no canto, que era novo no pedaço. O Totó ficou incomodado, resolveu contar piadas pra chamar sua atenção. Contou a piada do Português, do papagaio, da arara, da aranha e até aquela piada suja e pesada do elefante que caiu na lama. Toda festa ria, menos o macaco lá no canto, afinal ele era feito de bexiga, mas o Totó não sabia:

-Ei seu macaco com cara de sovaco!- falou Totó irritado- Ei você, não vai me responder? Além de sem graça é mal educado?

E como o macaco não respondia Totó foi ficando ainda mais irritado. Até que perdeu a cabeça e meteu no boneco um chute danado. Como o boneco era feito de bexiga, estourou e o Totó ficou coberto de farinha.

Totó ficou muito chateado, triste, envergonhado, branco azedo. Gostava de brincar com os outros, mas detestava quando era pego… Já estava prestes a deixar a festa e ir embora quando percebeu que toda a turma estava às gargalhadas, chorando de dar risada. O Totó nunca havia conseguido fazer uma brincadeira tão engraçada.

E por isso mesmo hoje em dia, quando tem uma festa na floresta viva o Totó pede pro Pepê fazer um boneco de bexiga cheio de farinha só pra ele poder repetir a apresentação.

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O SAPO BABÁ

O sapo Babá era um sapo que gostava muito de cooperar com os outros, mas era muito preguiçoso. Se deixassem ficava acordado até de madrugada e, depois enquanto o Sol não ia a pino Babá não acordava.

Depois que acordava Babá sempre reclamava. Que a grama estava toda pisoteada, não dava nem pra brincar, que a água da lagoa estava toda revirada e lamacenta, mal dava pra nadar, que não tinha sobrado quase nenhum mosquito pra ele almoçar. E assim Babá passava o dia, reclamando e morrendo de preguiça.

E todos os dias quando os pássaros cantavam a história se repetia. Toda bicharada acordava naquela folia, e ia brincar na grama, tomar água no lago e depois se alimentar. Só o sapo Babá que continuava roncando até o Sol esquentar, e ainda se enrolava mais um pouquinho antes de levantar, pra depois passar o dia a reclamar.

Um dia o professor corujão resolveu dar-lhe uma lição

-Ei Babá, porque em vez de passar o dia a reclamar você não experimenta uma só vez na vida acordar com o canto dos passarinhos ao invés de esperar o sol ir a pino? Aposto que você vai gostar.

-Ahh, eu não. Desculpe professor Corujão, mas eu gosto de curtir o dia, por isso fico acordado até de madrugada e durmo até meio dia, pois assim aproveito o melhor da vida.

-Vamos fazer um trato, – insistiu o professor Corujão- amanhã você acorda cedinho, logo que o Cantor cantar, se não gostar do que vai encontrar, pode ficar uma semana inteira de férias, sem precisar estudar.

Babá adorou o trato e assim naquela noite logo que escureceu o sapo foi se deitar, acordou de madrugada com o canto dos primeiros pássaros.

Ver o Sol nascer já foi um glorioso espetáculo. Babá nunca tinha visto nada tão lindo. Depois foi brincar na grama e ela estava fresquinha, coberta de orvalho, foi o melhor lugar que Babá já havia brincado. E quando chegou no lago… a água estava cristalina, dava até pra ver seu reflexo na superfície, de tão limpa. O sapo bebeu água fresquinha e nadou feliz da vida. E ao sair do lago qual não foi sua surpresa ao encontrar  a margem repleta de mosquitos pra encher o papo. Foi um banquete digno de um rei sapo. Aquele dia foi tão gostoso, Babá nem sentiu sono e ficou tão satisfeito que prometeu nunca mais acordar tarde de novo. Será que ele conseguiu?

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4º ANO

Vou contar pra vocês uma história que aconteceu com dois irmão gêmeos que vocês conhecem bem. Quem consegue adivinhar de quem nós vamos falar?

Isso mesmo, da Carol e do Cacá. Mas esta história é de antes deles conhecerem a Escola da Inteligência, então vocês já podem imaginar quanta confusão eles vão armar…

 CAROL E CACÁ 

Carol e Cacá estavam em casa, sozinhos com a babá. Carol estava no quarto brincando de modelo, desfilando com seu guarda roupa inteiro, enquanto Cacá jogava vídeo game sem parar.

Era hora do jantar, mas nenhum dos dois atendia o chamado da babá, fingiam nem escutar…

Mesmo quando a babá foi até os quartos, os dois a ignoraram. Ela já não sabia o que fazer. Resolveu deixar os dois sem comer e entregou toda a comida que tinha pra moradores de rua que estavam dormindo na pracinha.

Acontece que mais tarde a fome bateu nos dois, eles foram correndo pra cozinha e não tinha nada. Os dois começaram a reclamar e espernear, mas a babá fingia nem escutar.

Os dois voltaram pro quarto com a barriga roncando e resolveram fazer um plano: iriam fazer a babá se arrepender de não responder.

E os dois juntos começaram a gritar “desesperados”:

-Socorro! Babá, socorro, tem um ladrão entrando no nosso quarto.

A babá subindo as escadas aos tropeções,  levava na mão uma vassoura, parecia louca, entrou no quarto de supetão, mas não viu nenhum ladrão, só a Carol e o Cacá dando risada de rolar no chão. A babá ficou muito brava, espumando de raiva. Deixou as crianças no quarto e voltou pra sala.

As crianças gostaram tanto da brincadeira que resolveram que daquela vez iam acordar a vizinhança inteira. Abriram a janela e começaram a gritar.

-Socorro babá! Socorro! Dessa vez eu juro, tem um ladrão pulando o muro!

A babá veio aos pulos e mais uma porção de vizinhos veio correndo pra socorre-los. Mas quando chegaram no quarto só encontraram os gêmeos rindo do seu desespero…

Os vizinhos voltaram pra casa bravos que nem jararaca. E a babá então, nem se fala, além de ficar uma arara não sabia onde enfiar a cara.

Os dois irmãos estavam se divertindo, a barriga doía de tanto que riam. Foi quando a Carol falou.

-Ai não Cacá, olha lá, é um ladrão com capuz escuro pulando nosso muro. Vem ver, é verdade, eu juro!

Cacá mesmo desconfiado resolveu espiar.

-Ai meu pai! É mesmo Carol! Vamos chamar a babá!

E os dois tremendo de medo começaram a gritar:

-Socorro vizinhos, socorro babá! Tem um ladrão vindo pra cá!

Mas ninguém deu bola para aquela gritaria, acharam que era outra pegadinha.

E o ladrão já estava perto da casa, as crianças gritando e ele nem ligava. O ladrão começou a subir na árvore do quintal, pelo pé de camélia ele podia chegar até a janela. Justamente aquela, do quarto onde as crianças estavam.

Os dois irmão estavam desesperados. Resolveram sair do quarto e ficar com a babá lá em baixo, correram pra porta mas ela estava trancada. A babá devia ter fechado a porta a chave pra garantir que eles não fizessem mais nenhuma traquinagem. E agora, não tinham como fugir.

Carol e Cacá se prometeram que se conseguissem sair dali nunca mais iriam mentir, que iriam escutar a babá e tentar se comportar.

Foi quando a porta se abriu e sua mãe e seu pai entraram no quarto, queriam saber porque é que os dois estavam tão assustados.

-Tem um ladrão no pé de camélia, vindo para a nossa janela.

O pai das crianças correu pra olhar, depois começou a rir de gargalhar. Pois era só um macaco que morava lá no bairro e tinha vindo brincar pra cá.

FIM

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