BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

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Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque de Holanda)

Este poema/história tão genial escrito pelo grande Chico vem aqui sem mudanças ou alterações, apenas para ser redecorado, pois amanhã será contado junto com o conto da Chapeuzinho Vermelho, afinal, os dois formam o par ideal, não é mesmo?

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CHAPEUZINHO AMARELO

(Chico Buarque de Holanda)

Era a Chapeuzinho Amarelo
Amarelada de medo
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.

Já não ria
Em festa, não aparecia
Não subia escada, nem descia
Não estava resfriada, mas tossia
Ouvia conto de fada, e estremecia
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha

Tinha medo de trovão
Minhoca, pra ela, era cobra
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra

Não ia pra fora pra não se sujar
Não tomava sopa pra não ensopar
Não tomava banho pra não descolar
Não falava nada pra não engasgar
Não ficava em pé com medo de cair
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo
Assim era a Chapeuzinho Amarelo, amarelada de medo

E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
e um chapéu de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.

O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem ela estava falando:

LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
“Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;
barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.
FIM

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Chapeuzinho Vermelho

Esta história é clássica, presente na famosa coletânea dos irmãos Grimm, muito conhecida, mas tem uma série de elementos que devem ser trabalhados na primeira infância, acho que por isso mesmo ainda me encanta. Uma das  histórias menos alterada nas suas versões atualizadas. Embora como uma história de tradição horal, tenha mais de uma versão, principalmente quanto ao final.

As músicas (no texto entre aspas) são do compositor João de Barro (conhecido como Braguinha) que musicou cerca de 50 histórias infantis para a coleção disquinho. Para saber mais sobre esse grande compositor brasileiro acesse:

http://www.braguinha.ag.com.br/

Essa versão eu montei com uma grande mistura daquilo que eu lembrava com o que eu encontrei em minha pesquisa, com um toque das minhas rimas. A maior parte do que foi copiado veio do site:

 

http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=1

Uma versão que eu gostei muito, principalmente pelas rimas já existentes, mas a minha versão final acabou bem diferente:

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CHAPEUZINHO VERMELHO

Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela que sua mãe havia feito, logo os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa, tadinha. Morava numa casinha, no interior da mata, no fim da trilha.
Chapeuzinho sempre ia à casa da vovozinha para levar deliciosas comidas que sua mãe fazia.
Um dia, a mãe da menina preparou alguns quitutes, eram os preferidos da avó Gertrudes.
Então, chamou a filha e disse:
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estes quitutes para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, vontade de cozinhar ela não tem.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, pelo caminho certo. Não pegue o atalho, pois ouvi dizer que tem um lobo morando lá perto!
— Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. Vou pelo caminho mais cumprido.

A mãe arrumou os quitutes em uma cesta e colocou também um pote de geleia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geleia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores. Chapeuzinho ia pelo caminho colhendo lindas flores. Acabou se distraindo e demorou muito naquele caminho, quando viu o sol já ia alto, resolveu pegar o atalho. Ia cantando distraída:

“Pela estrada à fora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha, ela mora longe o caminho é deserto, e o lobo mal passeia aqui por perto. Mas à tardinha, ao sol poente, junto à mamãezinha dormirei contente.”

Quando o lobo viu aquela linda menina, pensou que ela devia ser saborosa e macia. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas ao ouvir a música e ver que ela ia até a casa da avó resolveu usar da inteligência, assim poderia comer a avó primeiro, depois a menina de sobremesa. Escondeu-se na sombra de uma árvore de grande porte e  disse com voz doce:
— Bom dia, linda menina.
— Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
— Qual é seu nome?
— Chapeuzinho Vermelho
. — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
— Vou visitar minha avó.
— Muito bem! E onde mora sua avó?
— Mais além, no interior da mata.
— Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
— Numa casinha verde, com cortinas bem branquinhas, lá no final da trilha.
O lobo então falou:
— Você não deveria ir por aqui, tem um lobo mau logo ali na frente e está bem na hora dele almoçar, se quiser chegar viva na sua vovozinha vá pelo caminho de lá.- o lobo a mandava  pela trilha mais comprida para que ele pudesse chegar primeiro na casa da velhinha usando o atalho no lugar da menina.

Chapeuzinho Vermelho agradeceu e seguiu o conselho sem nem imaginar o que é que o lobo estava fazendo…

“Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau. Eu pego as criancinhas pra fazer mingau. Hoje estou contente, vai haver festança, eu tenho um bom petisco para encher a minha pança”
Quando o lobo chegou na casa da vovozinha bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
— Quem é? — perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
— Sou eu, sua netinha, vovó. Trago uma cesta cheia de delícias.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
— Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta, vestiu um pijama da velha, enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A menina demorou um bocado antes de chegar, o lobo até cansou de esperar. quando finalmente Chapeuzinho chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
— Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
— É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo uma cesta cheia de delícias! Mas que voz grossa vovozinha.
Só então o lobo se lembrou de afinar a voz horrorosa antes de responder:
— É que eu estou muito gripada minha netinha. Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
— Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
Coloque a cesta na mesa, minha querida netinha, e venha aqui até aqui deitar comigo para me aquecer.
Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
— Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
— São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
— Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
— São para enxergar te enxergar melhor, minha menina!
— Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
— São para te ouvir melhor, queridinha!
— Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
— É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

— Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
O lobo, que dormia como uma pedra, com um enorme barrigão parecendo um grande balão!
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
— Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudá-la!”.
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
— Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
— E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Ou seria o  chapeuzinho vermelho da menina? Quanta sede ele sentia. Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e afundou.
A vovó ficou em casa lanchando aquelas delícias enquanto o caçador levava pra casa a menina. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo caminho mais comprido”.

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Contos da Turma da Inteligência

Estas histórias não são histórias aprovadas pelo programa da Escola da Inteligência, do Dr. Augusto Cury, mas sim histórias feitas por mim para trabalhar com meus alunos da escola O Pequeno Polegar, que aplica esse programa desde o começo do ano. Elas adoraram ver as histórias com os personagens da Floresta Viva. A identificação das crianças foi emocionante.

 

Hoje eu vou contar histórias de uma turminha que já é pra lá de conhecida, quem aqui adivinha?

Isso mesmo hoje com muita alegria trago os personagens da Floresta Viva. Quem quer embarcar nessa viajem, apertem os cintos e fiquem à vontade.

“Tralalalalá, sentadinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar. Tralalalalá, bem quietinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar.”

ONCINHA SAÇÁ

Quem aqui já ouviu falar de uma onça chamada Saçá?

Pois então, certo dia a Saçá estava tranquila no meio da floresta viva observando os barulhos da mata, ouvia o vento, a água e o canto dos mais belos passarinhos. Foi quando bem do seu lado cantou o pato Quaquá, com seu canto desafinado:

-Quac, quac!

A oncinha Saçá ficou uma fera por ter sido interrompida no seu momento de calmaria.

-Seu pato você gosta de cantar? – perguntou Saçá.

-Ah, na verdade eu adoro! – respondeu o pato animado.

-Pois então deveria aprender ou parar de cantar.- disse a onça muito brava, sem nem parar pra pensar.

-Mas quem canta seus males espanta.- disse o pato tentando argumentar.

-Pois vai espantar seus males pra lá, porque se continuar a me incomodar vai virar o meu jantar.

Assustado o pato Quaquá foi embora e a oncinha Saçá voltou a escutar a música da mata que pelos pássaros era entoada e pelo som da água e do vento ritmada.

Mas no dia seguinte parecia que tinham menos pássaros a cantar, e nos outros menos ainda, até que mais nenhum canto de passarinho a Saçá ouvia. Saçá ficou muito triste de tanta saudade da música que ela sentia. Ainda ouvia o barulho da água e do vento, mas faltava a melodia.

Saçá já estava doente de saudade de ouvir um canto de passarinho quando um dia lá no alto de uma árvore viu o canário Cantor sentado em um galho.

-Olá seu Canário, bom dia! Você que é o tal Cantor que todos falam por aqui?- perguntou Saçá que ainda não o conhecia, mas já ouvira sua fama.

-Sou eu sim.- respondeu o canário já tremendo de medo- você deve ser a onça Saçá.

-Eu mesma, em garras e dentes. Cante uma música para me alegrar!- pediu Saçá.

-Eu não!- respondeu o Cantor, tremendo de se depenar- Soube que você mandou avisar que quem cantar perto de você se desafinar vira jantar… eu é que não vou me arriscar.

Só então a oncinha Saçá pode perceber o que estava acontecendo, porque os passarinhos andavam se escondendo.

Foi procurar o pato Quaquá, estava muito arrependida, pediu para que o pato, por favor, lhe cantasse uma melodia, mesmo que desafinada, Saçá queria muito ouvi-la. O pato todo orgulhoso entoou a única música que conhecia.

Logo os outros pássaros vendo que o pato cantava todo desafinado e que ainda assim era pela onça apreciado, e não virara jantar, começaram a tomar coragem e um a um puseram-se a cantar, com tanta harmonia que formavam a mais bela sinfonia.

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TOTÓ O MACACO

Agora eu quero saber quem conhece Totó, o macaco mais bonito do pedaço?

Há muito tempo atrás eu conheci o Totó, na época era um macaco muito mal educado, gostava de ajudar os outros, mas vivia pondo apelidos e fazendo piadas de mau gosto.

Certo dia ele estava passeando pela floresta quando viu seu amigo Pepê, trabalhando sozinho e o Totó se ofereceu pra ajudar, pois ele é muito prestativo.

Pepê aceitou e os dois, trabalhando juntos, rapidinho construíram um palco bem bonito.

Lá pelas tantas Totó quis saber pra que era tudo aquilo.

-Se eu te contar você promete não contar pra ninguém? Promete que o meu segredo é seu também?

-Claro!- respondeu totó- Minha boca é um túmulo. Comigo seu segredo está seguro, eu juro.

-Vou fazer uma festa pra comemorar a chegada da primavera, mas ninguém pode ficar sabendo pois será uma surpresa para todos da floresta.

Totó ficou muito animado, ajudou o Pepê com todo o trabalho. Tava voltando pra casa todo contente quando encontrou com sua amiga Tatá e não conseguiu se segurar, deu com a língua nos dentes. Logo toda floresta já sabia da festa surpresa que o Pepê faria. O Nilo ficou muito entristecido resolveu se vingar, pra hora da festa fez um boneco de bechiga cheio de água e farinha, era tão bem feito que parecia um macaco de verdade, perfeito. Quando chegou o Totó… bem, se vocês já o conhecem sabem que ele adora ser o centro das atenções, por isso preparou para a festa uma série de apresentações começou com seu show de malabarismo e equilibrismo, todos o olhavam encantados, todos menos aquele macaco sentado no canto, que era novo no pedaço. O Totó ficou incomodado, resolveu contar piadas pra chamar sua atenção. Contou a piada do Português, do papagaio, da arara, da aranha e até aquela piada suja e pesada do elefante que caiu na lama. Toda festa ria, menos o macaco lá no canto, afinal ele era feito de bexiga, mas o Totó não sabia:

-Ei seu macaco com cara de sovaco!- falou Totó irritado- Ei você, não vai me responder? Além de sem graça é mal educado?

E como o macaco não respondia Totó foi ficando ainda mais irritado. Até que perdeu a cabeça e meteu no boneco um chute danado. Como o boneco era feito de bexiga, estourou e o Totó ficou coberto de farinha.

Totó ficou muito chateado, triste, envergonhado, branco azedo. Gostava de brincar com os outros, mas detestava quando era pego… Já estava prestes a deixar a festa e ir embora quando percebeu que toda a turma estava às gargalhadas, chorando de dar risada. O Totó nunca havia conseguido fazer uma brincadeira tão engraçada.

E por isso mesmo hoje em dia, quando tem uma festa na floresta viva o Totó pede pro Pepê fazer um boneco de bexiga cheio de farinha só pra ele poder repetir a apresentação.

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O SAPO BABÁ

O sapo Babá era um sapo que gostava muito de cooperar com os outros, mas era muito preguiçoso. Se deixassem ficava acordado até de madrugada e, depois enquanto o Sol não ia a pino Babá não acordava.

Depois que acordava Babá sempre reclamava. Que a grama estava toda pisoteada, não dava nem pra brincar, que a água da lagoa estava toda revirada e lamacenta, mal dava pra nadar, que não tinha sobrado quase nenhum mosquito pra ele almoçar. E assim Babá passava o dia, reclamando e morrendo de preguiça.

E todos os dias quando os pássaros cantavam a história se repetia. Toda bicharada acordava naquela folia, e ia brincar na grama, tomar água no lago e depois se alimentar. Só o sapo Babá que continuava roncando até o Sol esquentar, e ainda se enrolava mais um pouquinho antes de levantar, pra depois passar o dia a reclamar.

Um dia o professor corujão resolveu dar-lhe uma lição

-Ei Babá, porque em vez de passar o dia a reclamar você não experimenta uma só vez na vida acordar com o canto dos passarinhos ao invés de esperar o sol ir a pino? Aposto que você vai gostar.

-Ahh, eu não. Desculpe professor Corujão, mas eu gosto de curtir o dia, por isso fico acordado até de madrugada e durmo até meio dia, pois assim aproveito o melhor da vida.

-Vamos fazer um trato, – insistiu o professor Corujão- amanhã você acorda cedinho, logo que o Cantor cantar, se não gostar do que vai encontrar, pode ficar uma semana inteira de férias, sem precisar estudar.

Babá adorou o trato e assim naquela noite logo que escureceu o sapo foi se deitar, acordou de madrugada com o canto dos primeiros pássaros.

Ver o Sol nascer já foi um glorioso espetáculo. Babá nunca tinha visto nada tão lindo. Depois foi brincar na grama e ela estava fresquinha, coberta de orvalho, foi o melhor lugar que Babá já havia brincado. E quando chegou no lago… a água estava cristalina, dava até pra ver seu reflexo na superfície, de tão limpa. O sapo bebeu água fresquinha e nadou feliz da vida. E ao sair do lago qual não foi sua surpresa ao encontrar  a margem repleta de mosquitos pra encher o papo. Foi um banquete digno de um rei sapo. Aquele dia foi tão gostoso, Babá nem sentiu sono e ficou tão satisfeito que prometeu nunca mais acordar tarde de novo. Será que ele conseguiu?

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4º ANO

Vou contar pra vocês uma história que aconteceu com dois irmão gêmeos que vocês conhecem bem. Quem consegue adivinhar de quem nós vamos falar?

Isso mesmo, da Carol e do Cacá. Mas esta história é de antes deles conhecerem a Escola da Inteligência, então vocês já podem imaginar quanta confusão eles vão armar…

 CAROL E CACÁ 

Carol e Cacá estavam em casa, sozinhos com a babá. Carol estava no quarto brincando de modelo, desfilando com seu guarda roupa inteiro, enquanto Cacá jogava vídeo game sem parar.

Era hora do jantar, mas nenhum dos dois atendia o chamado da babá, fingiam nem escutar…

Mesmo quando a babá foi até os quartos, os dois a ignoraram. Ela já não sabia o que fazer. Resolveu deixar os dois sem comer e entregou toda a comida que tinha pra moradores de rua que estavam dormindo na pracinha.

Acontece que mais tarde a fome bateu nos dois, eles foram correndo pra cozinha e não tinha nada. Os dois começaram a reclamar e espernear, mas a babá fingia nem escutar.

Os dois voltaram pro quarto com a barriga roncando e resolveram fazer um plano: iriam fazer a babá se arrepender de não responder.

E os dois juntos começaram a gritar “desesperados”:

-Socorro! Babá, socorro, tem um ladrão entrando no nosso quarto.

A babá subindo as escadas aos tropeções,  levava na mão uma vassoura, parecia louca, entrou no quarto de supetão, mas não viu nenhum ladrão, só a Carol e o Cacá dando risada de rolar no chão. A babá ficou muito brava, espumando de raiva. Deixou as crianças no quarto e voltou pra sala.

As crianças gostaram tanto da brincadeira que resolveram que daquela vez iam acordar a vizinhança inteira. Abriram a janela e começaram a gritar.

-Socorro babá! Socorro! Dessa vez eu juro, tem um ladrão pulando o muro!

A babá veio aos pulos e mais uma porção de vizinhos veio correndo pra socorre-los. Mas quando chegaram no quarto só encontraram os gêmeos rindo do seu desespero…

Os vizinhos voltaram pra casa bravos que nem jararaca. E a babá então, nem se fala, além de ficar uma arara não sabia onde enfiar a cara.

Os dois irmãos estavam se divertindo, a barriga doía de tanto que riam. Foi quando a Carol falou.

-Ai não Cacá, olha lá, é um ladrão com capuz escuro pulando nosso muro. Vem ver, é verdade, eu juro!

Cacá mesmo desconfiado resolveu espiar.

-Ai meu pai! É mesmo Carol! Vamos chamar a babá!

E os dois tremendo de medo começaram a gritar:

-Socorro vizinhos, socorro babá! Tem um ladrão vindo pra cá!

Mas ninguém deu bola para aquela gritaria, acharam que era outra pegadinha.

E o ladrão já estava perto da casa, as crianças gritando e ele nem ligava. O ladrão começou a subir na árvore do quintal, pelo pé de camélia ele podia chegar até a janela. Justamente aquela, do quarto onde as crianças estavam.

Os dois irmão estavam desesperados. Resolveram sair do quarto e ficar com a babá lá em baixo, correram pra porta mas ela estava trancada. A babá devia ter fechado a porta a chave pra garantir que eles não fizessem mais nenhuma traquinagem. E agora, não tinham como fugir.

Carol e Cacá se prometeram que se conseguissem sair dali nunca mais iriam mentir, que iriam escutar a babá e tentar se comportar.

Foi quando a porta se abriu e sua mãe e seu pai entraram no quarto, queriam saber porque é que os dois estavam tão assustados.

-Tem um ladrão no pé de camélia, vindo para a nossa janela.

O pai das crianças correu pra olhar, depois começou a rir de gargalhar. Pois era só um macaco que morava lá no bairro e tinha vindo brincar pra cá.

FIM

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O Porquinho Dorminhoco – John Malam

Segue aqui uma livre adaptação rimada desse texto que acabei de encontrar e quero preparar para contar na semana que vem, na escola Brincantes. Escolhi esse texto porque ele tem vários ambientes e me pareceu ideal para usar uma série de instrumentos que aprendi a fazer na internet, com materiais recicláveis, ótimos para trilha sonora de contos contados… vamos experimentá-los!

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O PORQUINHO DORMINHOCO (John Malam)

Era uma vez um porquinho dorminhoco muito tinhoso que vivia reclamando da vida. A erva que ele comia estava sempre murcha e pisoteada. A água do ribeirão sempre lamacenta de tão revirada Sua palha estava sempre suja e espalhada, e ele tinha que se esfregar desviando dos ovos das galinhas e das patas.

Todos os dias era a mesma coisa, antes do Sol nascer o galo cantava, cantava cinco vezes toda madrugada, quando terminava, toda bicharada já estava acordada, as galinhas e as patas, os cavalos e as vacas, o bode e a cabra. Viam o Sol nascer, iam para o pasto comer e para o ribeirão tomar água, depois se secavam brincando na palha, depois alguns iam brincar correndo pelo pasto enquanto outros ficavam botando ovos em ninhos improvisados na palha.

Todos menos o porquinho dorminhoco. Esse ficava no cocho dormindo aos roncos, só acordava quando o Sol já estava alto. Se espreguiçava e bocejava, com um sorriso na cara, mas era só sair pra pastar que sua lamentação começava:

-Ai, que erva ruim, está toda murcha e pisoteada! Ai, que água com gosto de lama, urgh! Está toda revirada… Ai, como posso brincar na palha assim, toda espalhada e ainda com todos esses ovos  das galinhas e das patas? Ai, que vida mais desgraçada!!!

Cansado de ver o porquinho dorminhoco sempre a reclamar sem fazer nada pra mudar, o galo foi com ele conversar:

-Boa tarde seu porco. Você já se perguntou porque é que a bicharada acorda com o meu canto todo dia de madrugada?

-Não me perguntei mas já imaginei, é porque eles não conseguem dormir ouvindo você cantar e, por isso, preferem levantar. Já eu sou muito esperto e antes de deitar encho meus ouvidos de lama, assim não preciso me incomodar quando você vem cantar…

-Ora, não é nada disso! – disse o galo muito ofendido – Pois eu te desafio, vá dormir hoje mais cedo, sem por lama nos ouvidos e acorde amanhã cedinho quando me ouvir cantar,  se você não gostar do que encontrar, não precisa mais se preocupar, pois eu nunca mais volto a cantar.

O porco dorminhoco até que gostou da ideia, era só acordar um dia cedo pra nunca mais ter que se preocupar em tampar os ouvidos de noite pra não escutar o galo cantar. Topou o desafio e, naquele dia, foi dormir bem cedinho. Quando o galo cantou, pulou da cama no primeiro canto e, pra seu próprio espanto, sentiu-se muito bem acordando antes do Sol. Ver o Sol nascer foi um espetáculo inigualável, e quando foi comer o pasto, hum… estava tão fresquinho, pelo orvalho molhado, nunca tinha comido nada tão gostoso. Depois foi pro ribeirão, tão límpido e azul, era maravilhoso, dava até pra ver seu reflexo na água cristalina. E a água era tão refrescante, que o porquinho bebeu que nem um elefante, depois foi brincar na palha sequinha, sem nenhum ovo para atrapalhar, dava pra deitar e rolar… ahhh!!!

Foi  uma manhã tão gostosa, tão doce e maravilhosa que o porquinho nunca mais quis saber de dormir tarde pra nunca mais perder a hora de acordar. Nunca mais pôs lamas nos ouvidos e nunca mais foi visto a reclamar. Hoje em dia o porquinho não é mais chamado de dorminhoco e é na verdade um porquinho muito bem quisto pelos outros.

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Este conto foi retirado e adaptado do site https://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com/2007/07/24/o-porquinho-dorminhoco/

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Os Anõezinhos e o Gigante

Era uma vez uma grande família de anõezinhos que vivia no interior de uma enorme caverna. Mas não era uma caverna sombria, não era escura e nem fria, era uma caverna brilhante cheia de pedras preciosas e diamantes e esses anõezinhos viviam trabalhando embaixo da terra, deixando sua caverna ainda mais bela.

Todos os dias um dos anõezinhos tinha que ir lá em cima colher frutas, legumes, verduras e cereais, para fazer comida. É que essas coisas, pra crescer, precisam de luz do sol e os anõezinhos não podiam cultivá-las na caverna iluminada apenas por velas e pelo brilho das pedras…

Era um trabalho tranquilo e assim, sem problemas, todos os anõezinhos se dividiam ficando um cada dia com esse ofício.

Um dia estava indo o anão Benrur com seus passinhos pequenininhos:

“Bim, bim, bim.”

Quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam.”

O anãozinho tomou um baita susto, largou no chão seu cesto já cheio de frutos e voltou pra caverna correndo aos pulos:

-Socorro! Socorro! Tem lá fora um monstro horroroso!

-Do que está falando? Cadê nossa comida? – disse desconfiado o anãozinho Caete.

E o Benrur respondeu:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Não acredita? Pois vai lá ver.

-Eu acho que você está é com preguiça. Mas eu estou com fome então vou lá buscar nossa cesta de comida…

E lá se foi Caete, pra fora da caverna, lá pra cima. Saiu com seus passinhos pequeninhos:

“Bim, bim, bim.”

Chegou até o cesto e estava pronto para voltar quando ouviu um barulho bem alto:

“Bam, bam, bam!”

O anãozinho ficou tão assustado, voltou para a caverna correndo e gritando, aos saltos:

-Socorro, socorro! Um monstro!

-Como assim? – quiseram saber os outros.

E Caete explicou:

-Eu estava lá em cima caminhando bem assim:”Bim, bim bim”. Quando ouvi o monstro pisando forte: “Bam, bam, bam!” Ah! Que má sorte, vamos morrer de fome.

Começou uma grande confusão, alguns queriam fugir para longe dali, outros se esconder no fundo mais profundo da caverna. Mas a fome falava mais alto, e os anõezinhos são corajosos e fortes… resolveram subir e enfrentar o monstro horroroso.

Lá se foram os anõezinhos subindo com seus passinhos bem assim:

“Bim, bim, bim.” Bim, bim, bim”

Quando ouviram o som do monstro assustador:

“Bam, bam, bam.”

Os anõezinhos quase saíram correndo, mas o corajoso Dundum falou:

-Fiquem anõezinhos, temos que pegar nosso cesto de comida, vamos enfrentar o monstro horroroso.

E como os anõezinhos são fortes e corajosos foram  em direção ao som assustador com seus passinhos assim:

“Bim, bim, bim.”

E logo ouviram mais perto o som do monstro horroroso:

“Bam, bam, bam”

Os anõezinhos quase correram de novo. Mas Dundum lembrou do cesto de comida. Das frutas legumes e cereais que deveriam estar bem gostosos. E eles como eram fortes e corajosos, resolveram enfrentar o monstro horroroso. E lá se foram com seus passinhos que faziam assim:

“Bim, bim, bim.”

Ouviram o barulho horroroso vindo ao seu encontro:

“Bam, bam, bam.”

Deram de cara com o monstro. Era um gigante, enorme, mas não era horroroso, era até bem jeitoso, tinha cara de ser bondoso, o que de fato era. E o gigante trazia pros anõezinhos uma enorme cesta cheia das mais deliciosas comidas. É que o gigante se sentia muito sozinho. Morava na montanha ao lado dos anõezinhos e sempre ouvia o barulho dos seus passinhos e pensava consigo: “Será que se eu for até lá não consigo fazer amigos?” Mas os passos eram tão baixinhos que o gigante tinha medo de ir até lá e assustar os anõezinhos. Mas aquele dia tinha tomado coragem. E os anõezinhos estavam com tanta fome que quando viram o grande cesto cheio de deliciosos alimentos, esqueceram dos seus medos e juntos com o gigante fizeram um grande piquenique. Estavam todos tão felizes que depois de comer foram juntos dançar, em roda a girar:

“Bim, bim bim. Bam, bam bam. Quem caminha com pequenos passinhos? Somos os anãozinho e andamos assim: Bim, bim bim. Bam, bam, bam. Bim, bim, bim. Quem conosco vem girar? Sou o gigante Firamfar, faço muito barulho pra caminhar, assusto quem escutar: Bam, bam, bam”.

FIM

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Encantada e sua Bola Dourada

 

 

Era uma vez um reino muito belo, no meio deste reino havia uma grande montanha e lá no alto um lindo castelo amarelo.

Lá vivia uma princesa encantada que tinha uma bela bola dourada. Todos os dias a princesa saía no jardim para brincar com a sua bola. A princesa Encantada gostava muito da sua bola dourada, mas lá no fundo uma grande tristeza ela sentia, pois brincava com a sua bola sozinha. É que naquele castelo amarelo não haviam outras crianças como a princesinha, e mesmo os seus pais, o Rei e a Rainha, viviam ocupados na maior correria.

Assim, todos os dias, a princesa Encantada levava sua bola dourada para o jardim, E como o jardim era no topo de uma montanha a princesinha se sentava com as pernas bem abertas, e jogava sua bola pra cima e ela rolava para baixo e a Encantada jogava a bola para cima e ela rolava para baixo.  Mas um dia ela se distraiu e quando a bola descia ela não conseguiu segurar. A bola saiu a rolar, ia montanha abaixo, era uma ladeira sem fim, e a princesa, mesmo sem nunca antes ter saído do jardim, saiu atrás dela, correndo sem parar, mas a bola rolava mais rápido e a Encantada não conseguia alcançar. A bola passou por um passarinho e a princesinha gritou:

– Passarinho, pegue a bola dourada pra mim?

E o passarinho respondeu:

-Piu-piu! Claro que sim!

E o passarinho (fiufiu)saiu voando atrás da bola dourada, e atrás dele corria a princesa Encantada. Mas a bola dourada rolava rápido demais e os dois foram ficando pra trás…

A bola dourada passou rolando por um sapo (croac). E o passarinho cantou:

-PiuPiu! Sapinho, sapinho! Pegue a bola dourada para a princesa Encantada!

E a princesinha falou:

-Isso, isso! Sapinho, pegue a bola para mim!

E o sapo respondeu:

-Claro que sim!

E saiu saltando atrás da bola (croac). E atrás dele o passarinho a voar (piupiu) e a princesa correndo sem parar, mas a bola rolava mais rápido e nenhum dos três conseguia alcançar. A bola passou rolando por um gato-do-mato e o sapo coaxou:

-Croac! Gatinho pegue essa bola dourada para a princesa encantada!

E o passarinho cantou:

-Piupiu! Isso mesmo gatinho, pegue essa bola dourada para a princesa encantada.

E a princesinha falou:

-Isso mesmo gatinho, pegue a bola para mim!

E o gatinho respondeu:

-Miau! É claro que sim.

E o gatinho saiu miando e correndo atrás da bola (miau) e atrás dele vinha saltando o sapo (croac) e atrás do sapo vinha voando o pássaro (fiufiu) e atrás do pássaro a princesa Encantada, correndo sem parar. Mas a bola dourada rolava muito rápido e nenhum dos quatro conseguia alcançar. A bola passou rolando por um coelho, e o gatinho miou:

-Miau! Coelho, pegue essa bola dourada para a princesa encantada!

E o sapo coaxou:

-Croac! Isso mesmo coelho pegue essa bola dourada.

E o pássaro cantou:

-Fiufiu! Isso mesmo coelhinho, pegue a bola dourada para a princesa Encantada.

E a princesa falou:

-Isso coelhinho, pegue a bola pra mim.

E o coelho respondeu:

-Irc-irc! Claro que sim!

E lá se foi o coelho pulando atrás da bola (irc) e atrás do coelho vinha correndo o gato (miau) e atrás do gato vinha pulando o sapo ( croac) e atrás do sapo vinha voando o pássaro (fiufiu) e atrás do pássaro vinha a princesa Encantada, correndo sem parar, mas a bola dourada rolava mais rápido e nenhum dos cinco conseguia alcançar…

A bola dourada passou rolando por um Tatu e o coelho chiou:

-Irc-irc! Tatu, pegue a bola dourada para a princesa Encantada.

E o tatu respondeu:

-Shhh! Claro que sim!

E saiu rolando atrás da bola dourada (shhh) e atrás do tatu vinha pulando o coelho (irc) e atrás do coelho vinha correndo o gato (miau) e atrás do gato vinha pulando o sapo ( croac) e atrás do sapo vinha voando o pássaro (fiufiu) e atrás do pássaro vinha a princesa Encantada, correndo sem parar, mas a bola dourada rolava mais rápido e nenhum dos cinco conseguia alcançar…

E pra piorar lá no pé da montanha tinha um lago. A bola dourada caiu no lago e afundou, afundou, foi parar lá embaixo, no fundo do lago.

Foram todos chegando na beira do lago, o tatu, o coelho, o gato, o sapo, o pássaro e por último a princesinha. Ao ver sua bola afundar a princesa sentou no chão e começou a chorar.

Um peixinho dourado viu a princesa chorando e resolveu ajudar. Foi nadando pro fundo do lago, para a bola dourada a procurar, procurou e procurou, procurou até encontrar, mas quando chegou com a bola na superfície e olhou para a beira do lago, a princesa encantada já não estava a chorar, pelo contrário, estava toda contente com seus novos amigos pra brincar. E quando viu o peixe com sua bola dourada a princesa Encantada ficou ainda mais feliz, pois agora tinha de volta a sua bola dourada, mas o que mais lhe alegrava era saber que quando fosse no jardim com a sua bola brincar, os seus amigos estariam lá. E a princesinha passou a viver feliz da vida pois nunca mais precisou brincar sozinha…

FIM

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A Fuga da Felícia

Essa semana eu ia apresentar uma história  ótima de um escritor fantástico chamado Emílio Carlos: “A Menina e o Vampiro”. Mas enquanto eu a decorava esse outro conto surgiu na minha cabeça e acabei optando por trocar minha apresentação. Meu conto ficou bem diferente, mas foi obviamente influenciado pelo conto do Emílio Carlos.  Essa é uma primeira versão, desculpem-me os eventuais erros de português ou digitação, fazem parte do meu processo sanguíneo de criação, volto logo para uma revisão…

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A FUGA DA FELÍCIA

Felícia era uma menina muito bonita, mas tinha um grande defeito, Felícia sempre desobedecia.

Se sua mãe mandasse ela ficar parada, aí é que ela se mexia. Se mandasse a menina ficar calada, Felícia falava ou até gritava. Se mandavam ela descer, subia. Ficava de pé se a ordem era ficar sentada. Se era para estudar, brincava. Se era para brincar, brigava. Até uma hora que ninguém mais aguentava.

Brigavam com ela o tempo inteiro, até quando ela não estava errada, afinal era só acontecer alguma trapalhada pra todo mundo pensar que a Felícia era a culpada. E o pior é que a Felícia se sentia super injustiçada… até o dia que ela resolveu fugir de casa.

-Claro, se eu fugir de casa, minha mãe vai ficar super preocupada, vai se sentir culpada, vai implorar pra eu voltar e nunca mais vai brigar…

Era assim que ela pensava que tudo aconteceria. Estava tão empolgada, seu plano infalível de certo funcionaria. Escreveu uma carta bem triste, dizendo que nunca mais iria voltar, preparou as sua coisas em uma pequena trouxa e saiu pela janela usando o lençol e a fronha.

Quando se deu conta estava sozinha na rua, iluminada pela luz da lua. Já havia andado um bom tanto a esmo quando começou a pensar:

“Que horas serão agora? Não deve ser nem meia noite. Meus pais ainda vão demorar muito pra acordar e ver a minha mensagem… que viajem! Como eu sou estúpida! Eu devia ter esperado o dia raiar antes de sair pra rua. Já sei, vou voltar pro meu quarto e apenas esperar o dia clarear. Quando o primeiro raio de Sol surgir eu volto a sair. Soa até poético, com certeza vai dar certo”

Felícia parou na mesma hora, virou pro outro lado e começou o caminho de volta. Só então ela pode perceber como as coisas são diferentes após o anoitecer. Felícia olhava, olhava, mas não reconhecia nada. Onde será que ela estava? Estava indo na direção certa? Tinha feito alguma curva na ida ou só andara em linha reta? Felícia começou a ficar preocupada. Estava perdida, não conseguia lembar o caminho de casa.

Na sua garganta um grande nó se formava. Felícia queria chorar, não sabia bem o porquê, mas pra onde olhava, tudo parecia perigoso. As ruas estavam tão escuras, tudo tão silencioso. Ela então ouviu passos atrás de si. Parou . Os passos também pararam. Olhou assustada, não viu nada. Recomeçou a andar, e os passos recomeçaram. Resolveu acelerar, não tinha coragem de olhar. Os passos também aceleraram. Começou a correr e os passos correndo atrás. Parou. E os passos também pararam. Olhou para trás completamente assustada. Não viu nada. Aquilo já era demais. Felícia não aguentava mais. Estava completamente apavorada. Conseguiria voltar para casa? Não tinha dúvidas de que estava sendo perseguida por alguém, mas por quem? Ou pelo quê? Seria esse o fim da sua vida?  O que poderia ser aquilo? Concluiu aterrorizada que só pode ser um vampiro. Mas porque será que ele não me ataca de uma vez por todas e acaba logo com isso? Com medo demais para olhar e encará-lo Felícia resolveu testá-lo. Deu um passo, e o vampiro em seu encalço também deu um passo, quase junto com o dela. Deu dois passos a menina. Deu dois passos o vampiro.

“Ah! Que vampiro malvado, está brincando comigo” Pensou a menina Felícia e resolveu disparar na corrida. Corria pela sua vida, e o vampiro correndo atrás dela. Seu coração parecia que ia saltar pela boca, viu uma janela aberta e resolveu gritar. Mas sua voz não obedeceu, ela estava sem ar. Jogou-se ao chão desesperada. Já não aguentava mais correr, agora iria morrer. Felícia parou para tomar fôlego, pronta para ser atacada. Na sua frente sua vida inteira feito um filme passava e a menina pensava:

“Se tivesse ao menos sido uma filha melhor… se tivesse escutado mais e falado menos, se não brigasse tanto o tempo inteiro, agora não estaria aqui, pronta pra virar jantar, mas agora não tem mais como escapar, meu triste fim eu vou encarar.”

Felícia encheu o pulmão de ar e falou alto e firme pro vampiro escutar:

-Eu sei que é meu fim, pode vim!

E então escutou de volta:

-Pode vim, vim, vim, im, im….

Felícia não entendeu nada, estava tão assustada, falou mais uma vez?

-O que?

E ouviu o eco responder:

-O que, que, e, e, e, e.

-Você só pode estar brincando? Então era tudo o eco?

-Eco, eco, eco, co, co, co, co…

Foi só aí que ela percebeu que tudo não passava dos ecos dos seus próprios passos. Felícia caiu na gargalhada e sua risada ecoava. E pra melhorar ela ainda percebeu que estava em um caminho que ela bem conhecia, pois estava bem na frente da mercearia, onde ela ia quase todos os dias. Aliviada começou a voltar para casa, quando ouviu passos atrás de si, ficou tranquila, sabia que era só o eco que a seguia. Mas os passos aceleraram e foram chegando mais perto.

“Epa, como é que o eco esta andando mais rápido que eu?”

Felícia parou, mas o som de passos continuou. Ela olhou de rabo de olho e viu um homem pálido correndo com a capa preta esvoaçando ao vento. Agora sim era um vampiro de verdade, ali, no meio da cidade.

Felícia saiu correndo em disparada, aterrorizada. Mas o vampiro era maior do que ela e corria mais rápido, quanto mais ela corria mais próximo o vampiro ficava.

Felícia então percebeu que estava na frente de casa, segurou no lençol ainda pendurado, pulou para dentro do quarto e bateu a janela na cara do vampiro matusquela.

Felícia correu para a cozinha pegou uma cabeça de alho, voltou para o quarto botou o alho na janela e ficou embaixo da cobertas rezando para o vampiro não conseguir entrar, prometeu que daquele dia em diante seria uma boa menina e que nunca mais tentaria fugir de casa, tentaria escutar mais e ser mais educada. Até que adormeceu.

No dia seguinte sua mãe estava uma arara e Felícia tomou uma bronca danada. É que o tal vampiro, não era vampiro nada, era só o seu Miguel, dono da mercearia que dormia com a janela aberta e acordou com o barulho da menina. Saiu e viu a Felícia sozinha, de madrugada fora de casa, ficou muito preocupado e por isso a seguiu. Quando pela manhã a mãe da Felícia foi comprar pão para o café, seu Miguel contou sobre a fuga da menina e como sem querer a assustou. A mãe agradeceu, bem que ela merecia ter levado esse susto danado. Ficou uma fera com a filha. Mas Felícia estava tão feliz de ter escapado viva e não ter nem virado vampira, que não ficou tão triste. E aprendeu sua lição. É claro que de vez em quando Felícia ainda faz alguma coisa errada, mas ficou muito mais educada e agora sabe escutar quando um adulto fala.

FIM

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Ninho de Passarinho

Hoje cheguei cansada, mais precisamente acabada, arroz de terceira mesmo… mas eis que me surge essa história na mente e mesmo querendo parar de pensar e ver um filme sossegada, me vi obrigada a vir aqui e registrar essa história nova. Ainda está crua, e também sem um propósito de uso, mas um dia volto pra fazer a poda e colocar adubo…

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NINHO DE PASSARINHO

Era uma vez uma menino chamado Nino. Nino não era serelepe como a maioria dos moleques, pelo contrário, era um menino sossegado, tranquilo, mas era alegre feito um passarinho.

Um dia Nino estava voltando da escola, já tinha chegado no meio do caminho quando viu um passarinho no chão, bem tristonho, parecendo perdido. Nino parou, olhou e perguntou:

-Olá passarinho, tudo bem? Por acaso perdeu seu ninho?

-Perder eu não perdi, mas também não encontrei. É que eu procuro um lugar para fazer meu ninho e eu queria o lugar perfeito, já que esse será o primeiro.

-Nesse caso eu posso te ajudar. – disse o menino Nino que era muito bom em procurar.

E Nino pegou o passarinho na mão e saiu a procura do lugar ideal para fazer um ninho bem legal:

-Veja naquelas pedras, perto da cachoeira vai ser um ninho de arrasar!

-Ali não dá, meu ovos vão se molhar.

E o menino continuou a procurar.

-Veja a araucária, nosso pinheiro brasileiro, aposto que ali dá pra fazer um ninho maneiro.

-Mas ela é muito grande, com toda essa altura ao sair dos ovos meus passarinhos terão tontura.

E Nino e o passarinho continuaram a procurar.

-E aqui nessa caverna? Não tem água nem é alto.

-Aqui qualquer bicho pode entrar e quando eu sair pra caçar, meus filhotes viram jantar.

E os dois tanto procuraram e tão juntinhos andaram quando estavam a procurar, que acabaram ficando amigos, Nino e o passarinho. E agora  é que o passarinho não arranjava mais lugar pro seu ninho, pois não queria se separar do novo amigo.

Foi então que os dois acharam uma solução: o passarinho fez seu ninho no coração do menino.

FIM

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A Sopa de Pedra

A história original é com uma velha mas meu tema era alimentação saudável e a data era dia das bruxas, então eu troquei a velha por uma bruxa para fazer esta versão…

A SOPA DE PEDRA

Pedro Pedroca Nariz de Pipoca era um menino muito esperto e sapeca. Adorava brincar com os amigos, jogar bola, brincar de pique-esconde e pega-pega. Mas o que ele gostava mesmo de fazer era comer. Comia de tudo. Frutas, verduras e cereais ele não recusava jamais.

Por isso mesmo ficou feliz da vida quando sua mãe anunciou que nessas férias ele iria passar um mês inteiro na casa da tia Clotilda. É que a tia Clotilda mora num sítio. Dá pra colher fruta no pé, comer verduras e legumes da horta colhidos na hora, sem um veneninho sequer. Catar ovos no galinheiro ou tirar leite para beber fresco, hum. Sem contar as delícias que a tia Clotilda fazia: doces de frutas e compotas, tortas de maçã ou de amora e tirava leite da vaca Mimosa pra beber ainda quentinho ou bater com jeitinho pra fazer requeijão, iogurte e queijo fresco… ahhh! Pedrinho ficava com água na boca só de pensar, mal podia esperar.

Mas pra alegria de Pedro as férias não tardaram a chegar e logo ele foi viajar.

Na primeira semana ele comeu de se empanturrar e brincou até se acabar. Mas um dia estava brincando sozinho quando lembrou do filme da Chapeuzinho em que ela colhia amoras silvestres na floresta. Pensou que delícia seria uma torta de amora feita pela sua tia Clotilda. Resolveu ir colher amoras naquela mesma hora. E não é que o Pedrinho, apesar de ser esperto como ele era, foi procurar amoras sozinho na floresta.

Sabem o que ele descobriu? Que não é tão fácil achar frutas no meio do mato. Procurou, procurou e não achou nada. E o pior, também não conseguiu encontrar o caminho de volta para casa. Andou e andou o dia inteirinho e ainda uma boa parte da tarde procurando o cominho.

Já estava cansado e verde de fome, com o estômago encostando nas costas, quando viu uma cabana no alto de uma colina. Ficou tão feliz que nem se lembrou da história do João e da Maria.

-Viva, estou salvo. Além de conseguir descobrir o caminho de volta pra casa da minha tia, ainda posso conseguir um rango e acabar com o ronco da minha barriga.

E lá se foi o Pedro para o alto da colina bater na casa para pedir ajuda e comida. O que ele não sabia é que naquela casa morava uma Bruxa mão de vaca, pão dura, mão fechada, lazarenta…

Quando ele bateu a bruxa gritou lá de dentro que era pra não gastar a sola do sapato indo até a porta:

-Se for vendedor é melhor dar o fora daqui, antes que eu te transforme em um sagui! E se for pedinte é melhor sair correndo, antes que eu te transforme em um sapo fedorento.

Mas como o Pedrinho era esperto e afiado como uma navalha, bolou um plano e respondeu na lata:

-Não vim pedir nada não, apenas permissão. É que sou viajante e sabe como é, não posso ficar gastando com comida, por isso como sopa de pedra todos os dias. E recebi a informação de que as melhores pedras para sopa encontram-se nessa região. Se a senhora me permitir algumas pedras recolher em troca eu lhe ensino essa deliciosa sopa a fazer.

E a velha pensou consigo:

-Ora! Se eu ainda gasto o meu rico dinheirinho é para comprar comida, se aprender a fazer a tal sopa de pedras certamente ficarei muito rica…

Resolveu gastar a sola do sapato e foi abrir a porta:

-Entre, entre, por favor, só não vá se sentar para não gastar a cadeira, ela ainda está novinha, tem só setenta anos, não vai durar mais cem se você ficar gastando… É que eu economizo muito sabe, esta minha roupa já tem duzentos e trinta e cinco anos, o segredo é não lavar, para não gastar o pano. Mas vamos lá, o que é que você precisa para fazer a sopa de pedras?

-Uma panela com água, fogo e pedras.

-Ora, ora, mas isso é mesmo uma coisa maravilhosa pode esperar que eu já vou providenciar.

Quando a velha colocou a panela de água para ferver no fogo o menino fingiu selecionar as pedras:

-Essa serve,  essa pode jogar fora, essa aqui tá muito boa, pode por na panela, ihh, essa daqui não presta.

Depois das pedras separadas Pedro tentou a primeira cartada:

-Por acaso a senhora não teria aí uma salsinha e uma cebolinha?

-Mas não era só água e pedra? Agora precisa de salsinha e cebolinha?

-Precisar não precisa, mas é que se tiver dá um cheirinho mais gostoso sabe.

-Bom nesse caso eu vou buscar, afinal tenho na horta, não preciso comprar…

Quando a velha trouxe o cheiro verde o menino continuou:

-E por acaso não teria aí uma cenoura?

-Quê? Agora precisa de cenoura?

-Precisar não precisa, mas sabe como é né, a cenoura dá uma corzinha pra sopa.

-Bom, se é assim eu tenho sim. Espera aí que eu vou buscar.

Enquanto cortava a cebola Pedrinho recomeçou:

-E uma batata, será que a senhora tem?

-Ora! Era só o que faltava, agora também precisa de batata?

-Precisar não precisa, mas veja bem, a senhora vai comer sopa de pedra pela primeira vez, é uma ocasião especial, vale a pena dar uma caprichada, e a batata serve pra dar uma engrossada…

-Bem, nesse caso eu vou pegar a batata.

Enquanto descascava a batata o menino ainda tentou mais uma cartada:

-E um pedaço de carne? Tem?

-O queeeeeê? Carne tá os olhos da cara! A sopa não era de pedra? Agora precisa de  carne?

-Precisar não precisa não, mas pensando na ocasião, a carne não ia nada mal e é bom pra dar um sabor especial.

-Tem um pedaço de carne na geladeira sim. Acontece que eu compro carne uma vez por ano, que é pra economizar, mas pensando bem, fazendo sopa de pedra eu nunca mais vou precisar comprar comida… Está bem, pode colocar a minha carninha.

Quando a sopa ficou pronta um cheiro delicioso se espalhou pelo ar. Pedrinho comeu logo cinco pratadas, mas a velha bruxa comeu uma só, pra economizar pro jantar.

Depois de comer a bruxa explicou pro Pedro o caminho de volta até a casa da tia Clotilda. O menino já estava de saída quando a velha falou:

-Espera, deixa eu anotar a receita: seleciono as pedras, ponho pra cozinhar. Daí vai cebolinha e salsinha pra dar um cheiro, cenoura pra dar cor, batata pra engrossar, carne pra dar sabor… mas espera aí! Pedro, ô Pedrinho! Pra que é que serve a pedra?

E o Pedro lá debaixo da colina gritou dando risada:

-A pedra é pra enganar a bruxa mão de vaca! Há, há, há, há!

A bruxa ficou vermelha de raiva e até pensou em ir atrás do menino pra transformá-lo em um sapo fedido, mas pensando bem, pra voar até lá, ia gastar a vassoura… além do que na poção pra transformar menino em sapo vai olho de dragão, e o olho de dragão tá muito caro.

FIM

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