Bom Dia Todas As Cores – Ruth Rocha

Essa é uma daquelas histórias que não precisa de versão, ela é perfeita assim como é, com as rimas da Ruth Rocha, que me embalam dede a infância e que hoje é minha grande referência. Mas como é sempre bom escrever pra decorar, trago ela pra cá…

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BOM DIA TODAS AS CORES- Ruth Rocha

Meu amigo Camaleão acordou de bom humor:

-Bom dia Sol, bom dia Flores, bom dia todas as cores!

Lavou o rosto em uma folha de orvalho, mudou sua cor para cor-de-rosa que era a que ele achava mais bonita e saiu para o Sol contente da vida.

Meu amigo Camaleão estava feliz porque havia chegado a primavera, e o Sol, finalmente, depois de um inverno longo e frio, brilhava alegre no céu.

-Eu hoje estou de bem com a vida. – ele disse – Quero ser bonzinho para todo mundo!

Logo que saiu encontrou o senhor Pernilongo. O senhor Pernilongo toca violino na orquestra do Teatro Florestal.

-Bom dia professor! Como vai o senhor?

-Bom dia Camaleão! Mas o que é isso irmão? Porque mudou de cor? Essa cor não lhe cai bem. Olhe para o azul do céu. Porque não fica azul também?

O Camaleão, amável como era, resolveu ficar azul como o céu da primavera.

Até que numa clareira o Camaleão encontrou o Sabiá-de-laranjeira.

-Meu amigo Camaleão, bom dia para você. Mas que cor é esta? Está azul porque?

E o Sabiá lhe explicou que a cor mais linda do mundo era a cor alaranjada, cor de laranja, dourada.

Nosso amigo bem depressa resolveu mudar de cor. Ficou logo alaranjado, louro, laranja, dourado.

E cantando alegremente lá se foi, ainda contente.

Na pracinha da floresta, saindo da capelinha, vinha o senhor Louva-a-Deus, mais a família inteirinha. Ele é um senhor muito sério, que não gosta de gracinha.

-Bom dia Camaleão. Mas que cor mais escandalosa, parece até fantasia pra baile de carnaval. Você deveria usar uma cor mais natural… Veja o verde da folhagem, veja o verde da campina, você deveria fazer o que a natureza ensina.

É claro que o nosso amigo resolveu mudar de cor, ficou logo bem verdinho e foi pelo seu caminho.

Vocês agora já sabem como era o Camaleão, bastava que alguém falasse, mudava de opinião. Ficava roxo, amarelo, ficava cor de pavão. Ficava de todas as cores. Não sabia dizer não.

Por isso naquele dia cada vez que encontrava algum de seus amigos e que o amigo estranhava a cor que ele estava, adivinha o que é que fazia o nosso amigo Camaleão? Pois ele logo mudava, mudava pra outro tom.

Mudou de rosa pra azul. De azul pra alaranjado. De laranja para verde. De verde pra encarnado. Mudou-se de preto pra branco. De branco virou roxinho. De roxo pra amarelo e até pra cor de vinho.

Quando o sol começou a se pôr no horizonte, Camaleão resolveu voltar para casa. Estava cansado do longo passeio e mais cansado ainda de tanto mudar de cor. Entrou na sua casinha. Deitou para descansar. E lá ficou a pensar:

– Por mais que a gente se esforce, não pode agradar a todos. Alguns gostam de farofa, outros preferem farelo… Uns querem comer maçã. Outros preferem marmelo… Tem quem goste de sapato. Tem quem goste de chinelo… E se não fosse os gostos, que seria do amarelo?

Por isso, no outro dia, Camaleão levantou-se bem cedinho.

– Bom dia, sol, bom dia, flores, bom dia, todas as cores!

Lavou o rosto numa folha cheia de orvalho, mudou sua cor para cor-de-rosa, que ele achava a mais bonita de todas, e saiu para o sol, contente da vida. Logo que saiu, Camaleão encontrou o Sapo Cururu, que é cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta.

-Bom dia, meu caro Sapo! Que dia mais lindo, não?

-Muito bom dia, amigo Camaleão! Mas que cor mais engraçada, antiga, tão desbotada… Por que é que você não usa uma cor mais avançada?

O Camaleão sorriu e disse para o seu amigo:

– Eu uso as cores que eu gosto, e com isso faço bem. Eu gosto dos bons conselhos, mas faço o que me convém. Quem não agrada a si mesmo, não pode agradar a ninguém…

FIM

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Festa na Floresta

Eis que já dá pra sentir o cheiro da primavera, nesta semana as primeiras flores surgiram no meu quintal anunciando o fim dessa estação invernal, veio a vontade de fazer essa história em homenagem à minha estação preferida.

FESTA NA FLORESTA

Hoje na floresta vai ter uma grande festa, é o grande festival da primavera.

Todos os animais vem para assistir ou pra se apresentar, cada um traz um quitute para compartilhar. A raposa bem ligeira foi a primeira a chegar, trouxe um bolo delicioso e lindos sinos pra enfeitar, deixou o bolo na mesa e já se pôs a arrumar.

Veio chegando em seguida um bando de sabiás, traziam muitos instrumentos, vinham prontos pra tocar, pousaram na grande araucária e foram se preparar. E na mesa de comidas deixaram muitas frutinhas, tinha amora, pitanga, café, uvas verdes e roxinhas  Vieram os macaquinhos e se ajeitaram na bananeira, deixaram na mesa banana passa, torta de banana, biscoito de banana e banana à milanesa, depois foram todos correndo preparar as brincadeiras, tinha corrida do saco, boca do palhaço, pula corda e brincadeiras de roda.

Cada bicho que chegava trazia uma comida gostosa, as abelhas trouxeram mel, o urso trouxe suco de carambola. Cada qual que ia chegando procurava onde ficar, todo mundo encontrando um bom lugar para sentar, e chegou a gralha azul para o show anunciar:

-Senhoras e senhores, respeitável público, animais do céu e da terra, hoje estamos em festa, comemorando a primavera. Preparem seu coração para a primeira apresentação A dança das gaivotas, dando cambalhotas e girando de lá pra cá ao som da banda dos sabiás. Muito silêncio agora que nós vamos começar!

-Vejam agora vocês a banda dos sabiás com o coral de mil pássaros cantando Dorémifá.

“Sou o Uirapuru, canto pra chuchu, então vem pra cá, pra gente cantar. Bem-ti-vi, bem-ti-vi, bem te vi cantando aqui. Colibri, colibri, colibri, gosto muito de te ouvir.”

-E agora venham todos ver a grande festa dos primatas, venham curtir as brincadeiras dos macacos e assistir os gorilas acrobatas.

-E tem desfile de elefante, tromba segurando no rabo, tem girafa na corda bamba, tem sapo tocando samba e cavalo no sapateado.

-Agora muito silêncio que o Rouxinol vai tocar, e é tão lindo seu lamento que nessa hora até o vento vai parar pra escutar.

-E agora pra encerrar, o momento tão esperado, as fadas da primavera vêm pra trazer as cores do mato, lançam a chuva e acordam as sementes fazendo as flores brotar e assim, oficialmente vemos a primavera começar…

FIM

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 Contei essa história em duas partes diferentes, na primeira, enquanto chegam os animais desenhei em aquarela os quitutes que eles traziam e, logo em seguida convidei meus alunos, um por um, para se apresentarem dizendo qual animal eles eram e o que trouxeram pra festa (que também foi desenhado) e para voltar ao lugar imitando o animal (eles adoraram). Na segunda parte fiz eu mesma as apresentações do festival, fazendo malabares bandeira na dança das gaivotas, cantando a música entre aspas na hora do coral e tocando diversos apitos com sons de passarinhos (eles ficaram vidrados e rindo de se acabar, desde a turma do maternal até o nível V); imitando os gorilas acrobatas, os elefantes, a girafa e o cavalo; toquei flauta na hora do rouxinol e pintamos flores com aquarela na chegada das fadas.

Enfim, foi uma contação bastante interativa, rica e divertida. Sei que em questão de roteiro não foi minha história mais bem arquitetada, mas foi de todas (empatando talvez com “O Caminho da Estrela”) a que mais prendeu a atenção deles por toda a aula, gerando as mais variadas reações a todo momento.

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Taina Andere