A Princesa do Castelo em Chamas (conto da Transilvania, Romenia)

 

Era uma vez um homem, um pastor muito pobre. Mas existia tanto amor entre ele e sua companheira que eles tinham tantos filhos quantos furos tem uma peneira. Todos os homens da aldeia já eram seus compadres. Ao nascer-lhe mais um filho, não tinha mais a quem pedir para ser o padrinho. Mas o pasto r não perdeu a esperança, sentou-se na beira da estrada para pedir ao primeiro passante que fosse padrinho da criança.
Vinha então descendo a estrada um velho com um manto cinza, ao qual ele fez o pedido, o velho, que mais parecia um mendigo, aceitou agradecido.
Seguiram juntos o caminho, e o velho ajudou a batizar a criança. Deu, então, de presente ao pobre uma vaca e um bezerro nascido no mesmo dia em que seu afilhado. O bezerro tinha na testa uma estrela dourada e deveria pertencer ao menino.
Quando o menino cresceu, o bezerro se havia tornado um enorme touro, e juntos iam ambos todos os dias ao pasto. O touro sabia falar e, quando chegavam ao topo da montanha, dizia ao menino:
– Fica aqui e dorme. Enquanto isso, vou procurar meu pasto sozinho.
Assim que o pastor dormia, o touro corria como um raio até o grande pasto celeste e comia flores douradas de estrelas. Quando o sol se punha, ele voltava para acordar o menino, e iam, então para casa. Isto se repetiu todos os dias até o menino alcançar a idade de vinte anos. Um dia, disse-lhe o touro:
-Senta-te agora entre os meus chifres e eu te levarei até o Rei. Pede-lhe uma espada de ferro do tamanho de sete varas e dize-lhe que queres salvar sua filha.
Logo eles estavam no castelo real. O pastor desceu e foi ter com o Rei; este lhe perguntou o motivo de sua vinda. Após ouvir a resposta, deu-lhe com prazer a espada desejada, mas sem muita esperança de poder rever sua filha. Muitos jovens audaciosos tinham em vão ousado libertá-la. Ela fora raptada por um dragão de doze cabeças, que morava muito, muito longe. Ninguém podia chegar até lá, pois no caminho para seu castelo se encontrava uma serra imensamente alta, impossível de atravessar; e, mais além, um grande mar bravio. Mesmo se alguém conseguisse transpor a serra e o mar, encontraria o castelo envolto em chamas poderosas; e, mesmo tendo-as vencido, havia ainda um dragão de doze cabeças pronto para matar o indivíduo.
Quando o pastor obteve a espada, montou novamente entre os chifres do touro, e num instante eles se encontraram diante da serra imensa.
-Podemos voltar – disse ele ao touro, pois achava impossível atravessar tal serra.
O touro respondeu-lhe:
-Espera apenas um instante!
E desceu o rapaz ao chão. Mal tinha feito isso, cravou no chão os cascos, deu um impulso e moveu, com seus chifres poderosos, a serra inteira para o lado; e eles puderam seguir em frente.
O touro assentou o pastor novamente entre os chifres, e logo eles alcançaram o mar.
-Agora podemos voltar – disse o jovem – pois ali ninguém consegue passar.
-Espera apenas um instante – retrucou-lhe o touro -, e segura te bem em meus chifres.
Então inclinou a cabeça até a água e bebeu o mar inteiro, e assim prosseguiram eles em chão seco.
Logo chegaram ao Castelo de Chamas. Mas, já de longe, sentiram um calor tão imenso que era quase insuportável ao rapaz.
-Pára – gritou ele ao touro – não vás em frente senão morro queimado.
O touro porém correu até bem perto e cuspiu de uma vez, por sobre as chamas, o mar que havia bebido.Rapidamente o fogo se apagou e uma fumaça enorme se elevou, enevoando todo o céu. Então, do vapor medonho, saltou o dragão de doze cabeças, enraivado.
-Agora é tua vez – disse o touro a seu amo. – Vê se consegues cortar todas as cabeças do monstro de um só golpe.
Ele juntou toda a sua força, tomou a espada poderosa com as mãos e golpeou tão rapidamente o monstro que todas as cabeças rolaram ao chão. O animal se contorceu e se debateu contra a terra com tal força que ela tremeu. O touro apanhou o corpo do dragão com seus chifres arremessando-o ás nuvens, e nada mais se viu dele.
O touro disse ao pastor:
– Minha tarefa chegou ao fim. Vai até o castelo, e lá encontrarás a princesa. Leva-a de volta a seu pai.
Tendo dito isto, correu para o gramado celeste e virou uma constelação. O rapaz nunca mais o viu mas também nunca mais o esqueceu.
Ele se dirigiu ao castelo, onde encontrou a princesa, que se alegrou muito por estar livre do terrível dragão.
Regressaram ambos então ao país da princesa, onde se casaram; e uma enorme alegria invadiu todo o reino desde o momento em que os dois regressaram.
FIM
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BORBOLETA LETA

Um dia saiu do ovo uma pequena lagarta. Sentia-se tão só e abandonada, não podia andar e por isso rastejava, pela lama se arrastava, pois sua mãe havia botado seu ovo no meio do nada.

-Sinto tanta fome, me sinto tão sozinha… – dizia a lagartinha.

Depois de se arrastar por muitos dias sem encontrar nem mesmo uma folha verde pra se alimentar, a lagarta chegou em uma horta. Não era uma horta muito bonita, daquelas cheias de legumes, raízes e verduras, na verdade era uma horta quase abandonada, nela havia apenas um pé de alface roxa, muito bonita e vistosa, e um pé de couve, uma couve manteiga daquela bem comum, pouco valiosa.

Quando a lagarta chegou lá, já estava quase morrendo de fome, com muito calor por conta de todo o sol que ela tomara, atravessando aquela região desolada.

-Olá! Bom dia! Vocês podem me dar uma folhinha para matar minha fome? Pode ser uma pequenininha.

-Ora! Era só o que me faltava!- disse a alface indignada- Já não basta crescer nessa horta abandonada, ainda vou ser comida por uma horrorosa lagarta. Nem pensar. Vá para longe de mim.

-Que é isso dona Alface, não seja assim!- falou a Couve apiedada vendo a pobre lagarta quase morta de tão cansada- Eu deixo você comer a minha folha, tome, pegue essa bem novinha e venha descansar na minha sombra Lagarta pequenina. Não ligue para a dona Alface, minha  vizinha, ela é roxa de orgulho mas no fundo, apesar da amargura, não é uma má verdura.

A pequena Lagartinha, muito agradecida, comeu a folha que a Dona Couve lhe oferecia, era tão saborosa e macia que a lagarta comeu ela inteirinha, mas a couve tinha muitas folhas, uma só não lhe faria falta.

Depois de encher a pança a lagarta, bem cansada, se pendurou em uma galho da Couve, aproveitando a sombra e dormiu toda enroladinha.

Passaram-se dias.

-Até quando essa lagarta horrorosa vai ficar dormindo aí e enfeiando nossa horta?- quis saber a dona Alface, desdenhosa.

-Ora, deixe-a dormir.- disse a Couve, sempre educada- A coitada da lagarta fez uma viagem longa e muito dura a procura de comida antes de chegar na nossa casa. Ela pode não ser bonita, mas sinto que ela é bondosa e vejo que é persistente e muito grata. Dê uma chance pra Lagarta.

-Pra ela deixar nossa horta horrorosa? Não senhora. Vou acordá-la agora e pô-la daqui pra fora.

Mas assim que a dona Alface falou o casulo onde a lagarta dormia rachou e, aos poucos, com muito esforço, foi saindo lá de dentro a nossa amiga Lagartinha transformada na borboleta mais linda.

A Couve e a dona Alface olhavam-na estupefatas.

-Uau, que borboleta mais linda. Onde está a horrorosa lagarta?

-Sou eu mesma dona Alface, pelo amor da minha amiga Couve fui transformada. Agora é tempo de viajar. Me espere amiga Couve pois eu logo vou voltar.

E a borboleta Leta viajou pelos quatro cantos do mundo buscando matar a fome que ainda sentia, mas não era mais fome de comida, era fome de conhecimento.

Na cidade Leta conheceu o cachorro Kiko, que se mostrou um grande amigo e ensinou pra Leta sobre lealdade e o valor da amizade.

No campo conheceu o cavalo Paco, que lhe ensinou a importância da liberdade e de falar sempre a verdade.

Na praia conheceu o peixe Palhaço, que lhe ensinou a olhar sempre pelo outro lado e ver que tudo tem um lado bom.

Em terras muito distantes e isoladas conheceu a dona Girafa que lhe ensinou que para ver com clareza é preciso se afastar e também lhe ensinou a sempre perdoar.

Depois de muito viajar e aprender a borboleta Leta sentiu que finalmente estava pronta pra ensinar, voltou para a sua casa-horta e abriu uma linda escola, para todos os tipos de pequenos animais.

Dona Alface ficou muito feliz com a volta da borboleta e prometeu que nunca mais ia desrespeitar outras lagartas e nem julgar pelas aparências. Hoje em dia a dona Alface anda até mais arroxeada de tão animada que está com o movimento da horta, causado pela nova escola. Os alunos plantaram muitos legumes e verduras novas e a dona Alface, todos os dias, lhes dá aulas de canto e na hora do recreio deixa que os pequenos insetos usem suas folhas como balanço.

Dona Couve cuida de tudo na escola, também está muito feliz com todo o movimento da horta e, principalmente, por ter de volta a companhia da sua grande amiga: a borboleta Leta que um dia foi a Largatinha.

FIM

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Chapeuzinho Amarelo (Chico Buarque de Holanda)

Este poema/história tão genial escrito pelo grande Chico vem aqui sem mudanças ou alterações, apenas para ser redecorado, pois amanhã será contado junto com o conto da Chapeuzinho Vermelho, afinal, os dois formam o par ideal, não é mesmo?

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CHAPEUZINHO AMARELO

(Chico Buarque de Holanda)

Era a Chapeuzinho Amarelo
Amarelada de medo
Tinha medo de tudo, aquela Chapeuzinho.

Já não ria
Em festa, não aparecia
Não subia escada, nem descia
Não estava resfriada, mas tossia
Ouvia conto de fada, e estremecia
Não brincava mais de nada, nem de amarelinha

Tinha medo de trovão
Minhoca, pra ela, era cobra
E nunca apanhava sol, porque tinha medo da sombra

Não ia pra fora pra não se sujar
Não tomava sopa pra não ensopar
Não tomava banho pra não descolar
Não falava nada pra não engasgar
Não ficava em pé com medo de cair
Então vivia parada, deitada, mas sem dormir, com medo de pesadelo
Assim era a Chapeuzinho Amarelo, amarelada de medo

E de todos os medos que tinha
O medo mais que medonho era o medo do tal do LOBO.
Um LOBO que nunca se via,
que morava lá pra longe,
do outro lado da montanha,
num buraco da Alemanha,
cheio de teia de aranha,
numa terra tão estranha,
que vai ver que o tal do LOBO
nem existia.

Mesmo assim a Chapeuzinho
tinha cada vez mais medo do medo do medo
do medo de um dia encontrar um LOBO
Um LOBO que não existia.

E Chapeuzinho amarelo,
de tanto pensar no LOBO,
de tanto sonhar com o LOBO,
de tanto esperar o LOBO,
um dia topou com ele
que era assim:
carão de LOBO,
olhão de LOBO,
jeitão de LOBO,
e principalmente um bocão
tão grande que era capaz de comer duas avós,
um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz…
e um chapéu de sobremesa.

Mas o engraçado é que,
assim que encontrou o LOBO,
a Chapeuzinho Amarelo
foi perdendo aquele medo:
o medo do medo do medo do medo que tinha do LOBO.
Foi ficando só com um pouco de medo daquele lobo.
Depois acabou o medo e ela ficou só com o lobo.

O lobo ficou chateado de ver aquela menina
olhando pra cara dele,
só que sem o medo dele.
Ficou mesmo envergonhado, triste, murcho e branco-azedo,
porque um lobo, tirado o medo, é um arremedo de lobo.
É feito um lobo sem pelo.
Um lobo pelado.

O lobo ficou chateado.
Ele gritou: sou um LOBO!
Mas a Chapeuzinho, nada.
E ele gritou: EU SOU UM LOBO!!!
E a Chapeuzinho deu risada.
E ele berrou: EU SOU UM LOBO!!!!!!!!!!

Chapeuzinho, já meio enjoada,
com vontade de brincar de outra coisa.
Ele então gritou bem forte aquele seu nome de LOBO
umas vinte e cinco vezes,
que era pro medo ir voltando e a menininha saber
com quem ela estava falando:

LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO BO LO

Aí, Chapeuzinho encheu e disse:
“Pára assim! Agora! Já! Do jeito que você tá!”
E o lobo parado assim, do jeito que o lobo estava, já não era mais um LO-BO.
Era um BO-LO.
Um bolo de lobo fofo, tremendo que nem pudim, com medo de Chapeuzim.
Com medo de ser comido, com vela e tudo, inteirim.

Chapeuzinho não comeu aquele bolo de lobo,
porque sempre preferiu de chocolate.
Aliás, ela agora come de tudo, menos sola de sapato.
Não tem mais medo de chuva, nem foge de carrapato.
Cai, levanta, se machuca, vai à praia, entra no mato,
Trepa em árvore, rouba fruta, depois joga amarelinha,
com o primo da vizinha, com a filha do jornaleiro,
com a sobrinha da madrinha
e o neto do sapateiro.

Mesmo quando está sozinha, inventa uma brincadeira.
E transforma em companheiro cada medo que ela tinha:

O raio virou orrái;
barata é tabará;
a bruxa virou xabru;
e o diabo é bodiá.
FIM

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Chapeuzinho Vermelho

Esta história é clássica, presente na famosa coletânea dos irmãos Grimm, muito conhecida, mas tem uma série de elementos que devem ser trabalhados na primeira infância, acho que por isso mesmo ainda me encanta. Uma das  histórias menos alterada nas suas versões atualizadas. Embora como uma história de tradição horal, tenha mais de uma versão, principalmente quanto ao final.

As músicas (no texto entre aspas) são do compositor João de Barro (conhecido como Braguinha) que musicou cerca de 50 histórias infantis para a coleção disquinho. Para saber mais sobre esse grande compositor brasileiro acesse:

http://www.braguinha.ag.com.br/

Essa versão eu montei com uma grande mistura daquilo que eu lembrava com o que eu encontrei em minha pesquisa, com um toque das minhas rimas. A maior parte do que foi copiado veio do site:

 

http://www.qdivertido.com.br/verconto.php?codigo=1

Uma versão que eu gostei muito, principalmente pelas rimas já existentes, mas a minha versão final acabou bem diferente:

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CHAPEUZINHO VERMELHO

Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela que sua mãe havia feito, logo os moradores da vila passaram a chamá-la de “Chapeuzinho Vermelho”.
Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa, tadinha. Morava numa casinha, no interior da mata, no fim da trilha.
Chapeuzinho sempre ia à casa da vovozinha para levar deliciosas comidas que sua mãe fazia.
Um dia, a mãe da menina preparou alguns quitutes, eram os preferidos da avó Gertrudes.
Então, chamou a filha e disse:
— Chapeuzinho Vermelho, vá levar estes quitutes para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, vontade de cozinhar ela não tem.
— Vou agora mesmo, mamãe.
— Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, pelo caminho certo. Não pegue o atalho, pois ouvi dizer que tem um lobo morando lá perto!
— Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe. Vou pelo caminho mais cumprido.

A mãe arrumou os quitutes em uma cesta e colocou também um pote de geleia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geleia.
Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores. Chapeuzinho ia pelo caminho colhendo lindas flores. Acabou se distraindo e demorou muito naquele caminho, quando viu o sol já ia alto, resolveu pegar o atalho. Ia cantando distraída:

“Pela estrada à fora eu vou bem sozinha, levar esses doces para a vovozinha, ela mora longe o caminho é deserto, e o lobo mal passeia aqui por perto. Mas à tardinha, ao sol poente, junto à mamãezinha dormirei contente.”

Quando o lobo viu aquela linda menina, pensou que ela devia ser saborosa e macia. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas ao ouvir a música e ver que ela ia até a casa da avó resolveu usar da inteligência, assim poderia comer a avó primeiro, depois a menina de sobremesa. Escondeu-se na sombra de uma árvore de grande porte e  disse com voz doce:
— Bom dia, linda menina.
— Bom dia — respondeu Chapeuzinho Vermelho.
— Qual é seu nome?
— Chapeuzinho Vermelho
. — Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
— Vou visitar minha avó.
— Muito bem! E onde mora sua avó?
— Mais além, no interior da mata.
— Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
— Numa casinha verde, com cortinas bem branquinhas, lá no final da trilha.
O lobo então falou:
— Você não deveria ir por aqui, tem um lobo mau logo ali na frente e está bem na hora dele almoçar, se quiser chegar viva na sua vovozinha vá pelo caminho de lá.- o lobo a mandava  pela trilha mais comprida para que ele pudesse chegar primeiro na casa da velhinha usando o atalho no lugar da menina.

Chapeuzinho Vermelho agradeceu e seguiu o conselho sem nem imaginar o que é que o lobo estava fazendo…

“Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau. Eu pego as criancinhas pra fazer mingau. Hoje estou contente, vai haver festança, eu tenho um bom petisco para encher a minha pança”
Quando o lobo chegou na casa da vovozinha bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
— Quem é? — perguntou a avó.
O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
— Sou eu, sua netinha, vovó. Trago uma cesta cheia de delícias.
A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
— Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre vovozinha, antes que ela pudesse gritar.
Em seguida, fechou a porta, vestiu um pijama da velha, enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho. A menina demorou um bocado antes de chegar, o lobo até cansou de esperar. quando finalmente Chapeuzinho chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
— Quem está aí? — perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
— É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo uma cesta cheia de delícias! Mas que voz grossa vovozinha.
Só então o lobo se lembrou de afinar a voz horrorosa antes de responder:
— É que eu estou muito gripada minha netinha. Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
— Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta.
O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
Coloque a cesta na mesa, minha querida netinha, e venha aqui até aqui deitar comigo para me aquecer.
Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
— Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
— São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
— Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
— São para enxergar te enxergar melhor, minha menina!
— Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
— São para te ouvir melhor, queridinha!
— Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
— É para engolir você melhor!!!
Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

— Agora estou realmente satisfeito — resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: “Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada.”
Abriu a porta, chegou perto da cama e… quem ele viu?
O lobo, que dormia como uma pedra, com um enorme barrigão parecendo um grande balão!
O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cabritinhos.
— Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: “Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudá-la!”.
Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
— Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro… Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
— E agora? — perguntou o caçador. — Temos de castigar esse bicho como ele merece!
Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar os cortes que havia feito.
Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Ou seria o  chapeuzinho vermelho da menina? Quanta sede ele sentia. Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e afundou.
A vovó ficou em casa lanchando aquelas delícias enquanto o caçador levava pra casa a menina. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: “Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo caminho mais comprido”.

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Contos da Turma da Inteligência

Estas histórias não são histórias aprovadas pelo programa da Escola da Inteligência, do Dr. Augusto Cury, mas sim histórias feitas por mim para trabalhar com meus alunos da escola O Pequeno Polegar, que aplica esse programa desde o começo do ano. Elas adoraram ver as histórias com os personagens da Floresta Viva. A identificação das crianças foi emocionante.

 

Hoje eu vou contar histórias de uma turminha que já é pra lá de conhecida, quem aqui adivinha?

Isso mesmo hoje com muita alegria trago os personagens da Floresta Viva. Quem quer embarcar nessa viajem, apertem os cintos e fiquem à vontade.

“Tralalalalá, sentadinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar. Tralalalalá, bem quietinho eu vou ficar. Tralalalalá, pra história eu escutar.”

ONCINHA SAÇÁ

Quem aqui já ouviu falar de uma onça chamada Saçá?

Pois então, certo dia a Saçá estava tranquila no meio da floresta viva observando os barulhos da mata, ouvia o vento, a água e o canto dos mais belos passarinhos. Foi quando bem do seu lado cantou o pato Quaquá, com seu canto desafinado:

-Quac, quac!

A oncinha Saçá ficou uma fera por ter sido interrompida no seu momento de calmaria.

-Seu pato você gosta de cantar? – perguntou Saçá.

-Ah, na verdade eu adoro! – respondeu o pato animado.

-Pois então deveria aprender ou parar de cantar.- disse a onça muito brava, sem nem parar pra pensar.

-Mas quem canta seus males espanta.- disse o pato tentando argumentar.

-Pois vai espantar seus males pra lá, porque se continuar a me incomodar vai virar o meu jantar.

Assustado o pato Quaquá foi embora e a oncinha Saçá voltou a escutar a música da mata que pelos pássaros era entoada e pelo som da água e do vento ritmada.

Mas no dia seguinte parecia que tinham menos pássaros a cantar, e nos outros menos ainda, até que mais nenhum canto de passarinho a Saçá ouvia. Saçá ficou muito triste de tanta saudade da música que ela sentia. Ainda ouvia o barulho da água e do vento, mas faltava a melodia.

Saçá já estava doente de saudade de ouvir um canto de passarinho quando um dia lá no alto de uma árvore viu o canário Cantor sentado em um galho.

-Olá seu Canário, bom dia! Você que é o tal Cantor que todos falam por aqui?- perguntou Saçá que ainda não o conhecia, mas já ouvira sua fama.

-Sou eu sim.- respondeu o canário já tremendo de medo- você deve ser a onça Saçá.

-Eu mesma, em garras e dentes. Cante uma música para me alegrar!- pediu Saçá.

-Eu não!- respondeu o Cantor, tremendo de se depenar- Soube que você mandou avisar que quem cantar perto de você se desafinar vira jantar… eu é que não vou me arriscar.

Só então a oncinha Saçá pode perceber o que estava acontecendo, porque os passarinhos andavam se escondendo.

Foi procurar o pato Quaquá, estava muito arrependida, pediu para que o pato, por favor, lhe cantasse uma melodia, mesmo que desafinada, Saçá queria muito ouvi-la. O pato todo orgulhoso entoou a única música que conhecia.

Logo os outros pássaros vendo que o pato cantava todo desafinado e que ainda assim era pela onça apreciado, e não virara jantar, começaram a tomar coragem e um a um puseram-se a cantar, com tanta harmonia que formavam a mais bela sinfonia.

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TOTÓ O MACACO

Agora eu quero saber quem conhece Totó, o macaco mais bonito do pedaço?

Há muito tempo atrás eu conheci o Totó, na época era um macaco muito mal educado, gostava de ajudar os outros, mas vivia pondo apelidos e fazendo piadas de mau gosto.

Certo dia ele estava passeando pela floresta quando viu seu amigo Pepê, trabalhando sozinho e o Totó se ofereceu pra ajudar, pois ele é muito prestativo.

Pepê aceitou e os dois, trabalhando juntos, rapidinho construíram um palco bem bonito.

Lá pelas tantas Totó quis saber pra que era tudo aquilo.

-Se eu te contar você promete não contar pra ninguém? Promete que o meu segredo é seu também?

-Claro!- respondeu totó- Minha boca é um túmulo. Comigo seu segredo está seguro, eu juro.

-Vou fazer uma festa pra comemorar a chegada da primavera, mas ninguém pode ficar sabendo pois será uma surpresa para todos da floresta.

Totó ficou muito animado, ajudou o Pepê com todo o trabalho. Tava voltando pra casa todo contente quando encontrou com sua amiga Tatá e não conseguiu se segurar, deu com a língua nos dentes. Logo toda floresta já sabia da festa surpresa que o Pepê faria. O Nilo ficou muito entristecido resolveu se vingar, pra hora da festa fez um boneco de bechiga cheio de água e farinha, era tão bem feito que parecia um macaco de verdade, perfeito. Quando chegou o Totó… bem, se vocês já o conhecem sabem que ele adora ser o centro das atenções, por isso preparou para a festa uma série de apresentações começou com seu show de malabarismo e equilibrismo, todos o olhavam encantados, todos menos aquele macaco sentado no canto, que era novo no pedaço. O Totó ficou incomodado, resolveu contar piadas pra chamar sua atenção. Contou a piada do Português, do papagaio, da arara, da aranha e até aquela piada suja e pesada do elefante que caiu na lama. Toda festa ria, menos o macaco lá no canto, afinal ele era feito de bexiga, mas o Totó não sabia:

-Ei seu macaco com cara de sovaco!- falou Totó irritado- Ei você, não vai me responder? Além de sem graça é mal educado?

E como o macaco não respondia Totó foi ficando ainda mais irritado. Até que perdeu a cabeça e meteu no boneco um chute danado. Como o boneco era feito de bexiga, estourou e o Totó ficou coberto de farinha.

Totó ficou muito chateado, triste, envergonhado, branco azedo. Gostava de brincar com os outros, mas detestava quando era pego… Já estava prestes a deixar a festa e ir embora quando percebeu que toda a turma estava às gargalhadas, chorando de dar risada. O Totó nunca havia conseguido fazer uma brincadeira tão engraçada.

E por isso mesmo hoje em dia, quando tem uma festa na floresta viva o Totó pede pro Pepê fazer um boneco de bexiga cheio de farinha só pra ele poder repetir a apresentação.

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O SAPO BABÁ

O sapo Babá era um sapo que gostava muito de cooperar com os outros, mas era muito preguiçoso. Se deixassem ficava acordado até de madrugada e, depois enquanto o Sol não ia a pino Babá não acordava.

Depois que acordava Babá sempre reclamava. Que a grama estava toda pisoteada, não dava nem pra brincar, que a água da lagoa estava toda revirada e lamacenta, mal dava pra nadar, que não tinha sobrado quase nenhum mosquito pra ele almoçar. E assim Babá passava o dia, reclamando e morrendo de preguiça.

E todos os dias quando os pássaros cantavam a história se repetia. Toda bicharada acordava naquela folia, e ia brincar na grama, tomar água no lago e depois se alimentar. Só o sapo Babá que continuava roncando até o Sol esquentar, e ainda se enrolava mais um pouquinho antes de levantar, pra depois passar o dia a reclamar.

Um dia o professor corujão resolveu dar-lhe uma lição

-Ei Babá, porque em vez de passar o dia a reclamar você não experimenta uma só vez na vida acordar com o canto dos passarinhos ao invés de esperar o sol ir a pino? Aposto que você vai gostar.

-Ahh, eu não. Desculpe professor Corujão, mas eu gosto de curtir o dia, por isso fico acordado até de madrugada e durmo até meio dia, pois assim aproveito o melhor da vida.

-Vamos fazer um trato, – insistiu o professor Corujão- amanhã você acorda cedinho, logo que o Cantor cantar, se não gostar do que vai encontrar, pode ficar uma semana inteira de férias, sem precisar estudar.

Babá adorou o trato e assim naquela noite logo que escureceu o sapo foi se deitar, acordou de madrugada com o canto dos primeiros pássaros.

Ver o Sol nascer já foi um glorioso espetáculo. Babá nunca tinha visto nada tão lindo. Depois foi brincar na grama e ela estava fresquinha, coberta de orvalho, foi o melhor lugar que Babá já havia brincado. E quando chegou no lago… a água estava cristalina, dava até pra ver seu reflexo na superfície, de tão limpa. O sapo bebeu água fresquinha e nadou feliz da vida. E ao sair do lago qual não foi sua surpresa ao encontrar  a margem repleta de mosquitos pra encher o papo. Foi um banquete digno de um rei sapo. Aquele dia foi tão gostoso, Babá nem sentiu sono e ficou tão satisfeito que prometeu nunca mais acordar tarde de novo. Será que ele conseguiu?

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4º ANO

Vou contar pra vocês uma história que aconteceu com dois irmão gêmeos que vocês conhecem bem. Quem consegue adivinhar de quem nós vamos falar?

Isso mesmo, da Carol e do Cacá. Mas esta história é de antes deles conhecerem a Escola da Inteligência, então vocês já podem imaginar quanta confusão eles vão armar…

 CAROL E CACÁ 

Carol e Cacá estavam em casa, sozinhos com a babá. Carol estava no quarto brincando de modelo, desfilando com seu guarda roupa inteiro, enquanto Cacá jogava vídeo game sem parar.

Era hora do jantar, mas nenhum dos dois atendia o chamado da babá, fingiam nem escutar…

Mesmo quando a babá foi até os quartos, os dois a ignoraram. Ela já não sabia o que fazer. Resolveu deixar os dois sem comer e entregou toda a comida que tinha pra moradores de rua que estavam dormindo na pracinha.

Acontece que mais tarde a fome bateu nos dois, eles foram correndo pra cozinha e não tinha nada. Os dois começaram a reclamar e espernear, mas a babá fingia nem escutar.

Os dois voltaram pro quarto com a barriga roncando e resolveram fazer um plano: iriam fazer a babá se arrepender de não responder.

E os dois juntos começaram a gritar “desesperados”:

-Socorro! Babá, socorro, tem um ladrão entrando no nosso quarto.

A babá subindo as escadas aos tropeções,  levava na mão uma vassoura, parecia louca, entrou no quarto de supetão, mas não viu nenhum ladrão, só a Carol e o Cacá dando risada de rolar no chão. A babá ficou muito brava, espumando de raiva. Deixou as crianças no quarto e voltou pra sala.

As crianças gostaram tanto da brincadeira que resolveram que daquela vez iam acordar a vizinhança inteira. Abriram a janela e começaram a gritar.

-Socorro babá! Socorro! Dessa vez eu juro, tem um ladrão pulando o muro!

A babá veio aos pulos e mais uma porção de vizinhos veio correndo pra socorre-los. Mas quando chegaram no quarto só encontraram os gêmeos rindo do seu desespero…

Os vizinhos voltaram pra casa bravos que nem jararaca. E a babá então, nem se fala, além de ficar uma arara não sabia onde enfiar a cara.

Os dois irmãos estavam se divertindo, a barriga doía de tanto que riam. Foi quando a Carol falou.

-Ai não Cacá, olha lá, é um ladrão com capuz escuro pulando nosso muro. Vem ver, é verdade, eu juro!

Cacá mesmo desconfiado resolveu espiar.

-Ai meu pai! É mesmo Carol! Vamos chamar a babá!

E os dois tremendo de medo começaram a gritar:

-Socorro vizinhos, socorro babá! Tem um ladrão vindo pra cá!

Mas ninguém deu bola para aquela gritaria, acharam que era outra pegadinha.

E o ladrão já estava perto da casa, as crianças gritando e ele nem ligava. O ladrão começou a subir na árvore do quintal, pelo pé de camélia ele podia chegar até a janela. Justamente aquela, do quarto onde as crianças estavam.

Os dois irmão estavam desesperados. Resolveram sair do quarto e ficar com a babá lá em baixo, correram pra porta mas ela estava trancada. A babá devia ter fechado a porta a chave pra garantir que eles não fizessem mais nenhuma traquinagem. E agora, não tinham como fugir.

Carol e Cacá se prometeram que se conseguissem sair dali nunca mais iriam mentir, que iriam escutar a babá e tentar se comportar.

Foi quando a porta se abriu e sua mãe e seu pai entraram no quarto, queriam saber porque é que os dois estavam tão assustados.

-Tem um ladrão no pé de camélia, vindo para a nossa janela.

O pai das crianças correu pra olhar, depois começou a rir de gargalhar. Pois era só um macaco que morava lá no bairro e tinha vindo brincar pra cá.

FIM

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Banho Bom

Esta história brota inspirada por dois eventos: em primeiro lugar um pau-de-chuva que eu fabriquei semana passada e que me fez querer escolher uma história onde eu pudesse usá-lo;

Em segundo lugar um acontecimento familiar, pois esses dias meu filho mais novo não queria entrar no banho de jeito nenhum, embora estivesse imundo e, para convence-lo comecei a cantar a música que habitualmente canto, “Hora do Banho”do livro de poesias musicado chamado ‘Amigos do Peito’ do Claudio Thebas (esta música em especial musicada pelo Zeca Balero). Foi quando minha filha mais velha relembrou que eu cantava outra música para o banho dela: “A refrescante sensação” do quadro dos porquinhos tomando banho no programa Rá-tim-bum. Lembramos que tinha outra ainda para o banho da minha filha do meio: “Ratinho tomando banho” do Castelo Rá-tim-bum.

Relembrar e cantar juntas todas essas ótimas músicas feitas para esta tão clássica hora onde há sempre briga pra entrar e pra sair, me fez ter vontade de criar uma história sobre o banho onde eu pudesse encaixar estas músicas e ainda usar o pau-de-chuva…

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BANHO BOM

Beto era um menino esperto e muito belo. Mas desde pequeno Beto dava um trabalho tamanho na hora de tomar banho.

“-Entrar no banho, puxa vida,+ é acabar com a brincadeira.

-Já pro banho não se enrola, olha só quanta sujeira.”(2x)

Todo dia era a mesa história, era só entrar no banheiro pra começar o berreiro. A mãe do Beto já entrava em desespero… e quando chegou a idade do menino tomar banho sozinho… Beto logo descobriu os truques mais variados pra fingir que o banho já estava tomado. Entrava no banheiro, ligava o chuveiro e depois saía com o cabelo molhado, quando na verdade no chuveiro mesmo ele não tinha nem entrado.

Acontece que em pouco tempo Beto já estava começando a ficar com mau cheiro. Logo ninguém mais queria brincar com ele na hora do recreio, na sala as carteiras iam ficando cada vez mais afastadas e sua mãe logo soube que alguma coisa estava errada. Mas já estava tão cansada de brigar que resolveu não obrigar o Beto a tomar banho e ver aonde aquilo ia dar.

Assim os dias se passaram e Beto já nem precisava fingir que tomava banho, parecia um porquinho, mas vivia sozinho porque ninguém mais aguentava aquele cheirinho.

Sua mãe então teve uma ideia, costurou na sua cueca um rabo de porquinho pro menino pensar que estava se transformando e resolver tomar logo um bom banho. Mas quando ele viu aquilo, ficou feliz e tranquilo pois agora podia aproveitar que não era mais menino para brincar com outros porquinhos e, assim, não ficaria mais sozinho. Foi para o lamaçal e se chafurdou na lama como um animal. Aquilo era tão divertido, nem queria mais voltar a ser menino. Mas na hora do almoço… ugh, os porcos foram comer lavagem, que é um monte de legumes e verduras que não foram comprados por estarem meio estragados, tudo misturado. Além de feio é fedido, comida de porco parece lixo. Beto resolveu que mesmo sendo um porquinho ia comer comida de menino.

Mas no caminho de casa começou a sentir uma coceira danada, coçava tudo, era terrível. E quando chegou em casa não conseguiu lanchar, o cheiro tava tão ruim que ele começou a enjoar.

Resolveu ir brincar mais um pouco, pra esquecer da fome, da coceira  e do enjoo. Mas era tanta coceira que ele nem conseguiu brincar e sua barriga não parava de roncar.

E pra piorar, de repente, começou a chover , o Beto até tentou se correr, mas ele estava no meio do campinho, não tinha como se esconder. Logo já estava todo molhado, encharcado.

Mas não é que chuva foi tirando o grosso da sujeira e a sensação era tão boa, até diminuiu a coceira, Beto pensou em como seria bom tomar um banho de chuveiro, só de pensar no sabonete ele já lembrou do cheiro, hum.

“Sujeira dá coceira, cheiro ruim muito chulé. Um banho de banheira ou de chuveiro é o que é. Experimente a refrescante sensação de bem estar, tome um bainho já! A refrescante sensação de bem estar. Chuá, chuá! Tome um bainho já.”(2x)

Foi assim que beto resolveu ir para o banho, mesmo que não voltasse a ser um menino e fosse ser pra sempre um porquinho, seria um porquinho limpinho.

Chegou em casa e foi direto pro banheiro tomar um belo banho no chuveiro, se lavou por inteiro.

“Tchau preguiça, tchau sujeira. Adeus cheirinho de suor. Oh…
Lava, lava, lava. Lava, lava, lava. Uma orelha uma orelha, outra orelha outra orelha.
Lava, lava, lava, lava, lava, lava a testa, a bochecha, lava o queixo, lava a coxa e lava até…
Meu pé, meu querido pé, que me agüenta o dia inteiro. Ooh!
E o meu nariz, meu pescoço, meu tórax, o meu bumbum e também o fazedor de xixi. Oh…
Lala, laia laia la, laia la la la, laia la, la la la la la.
Hum… Ainda não acabou não. Vem cá vem toalhinha… vem! Uma enxugadinha aqui, uma coçadinha ali, faz a volta e põe a roupa de paxá. Ahh!
Banho é bom. Banho é bom. Banho é muito bom.
Agora acabou!”

Beto estava gostando tanto do banho, estava se divertindo, por isso mesmo ficou uma arara quando sua mãe veio dizer que era hora de sair porque estava gastando muita água, e sem falar na luz que tava custando os olhos da  cara. O menino ainda tentou ficar mais um pouquinho, gastou todos seus argumentos, mas não teve jeito, teve que sair do chuveiro antes que o negócio ficasse feio.
“-Sair do banho puxa vida, é acabar com a brincadeira.
-Sai do banho, não se enrola, vai ficar a vida inteira?
-Sair do banho, puxa vida, é acabar com a brincadeira.
-Sai do banho, não se enrola, olha só que molhadeira…”

E qual não foi sua surpresa ao sair do banho e perceber que seu rabo de porquinho já havia sumido. Na escola todos gostaram de ter de volta seu amigo e não mais aquele menino tão sujo e fedido. E o Beto nunca mais deixou de tomar banho nem um diazinho. Mesmo que esteja frio e que o chuveiro esteja queimado, ele toma um banho gelado. Por isso hoje é conhecido como o mais cheiroso de todos os meninos do bairro. Quem quer dar um cheirinho?

FIM

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O Porquinho Dorminhoco – John Malam

Segue aqui uma livre adaptação rimada desse texto que acabei de encontrar e quero preparar para contar na semana que vem, na escola Brincantes. Escolhi esse texto porque ele tem vários ambientes e me pareceu ideal para usar uma série de instrumentos que aprendi a fazer na internet, com materiais recicláveis, ótimos para trilha sonora de contos contados… vamos experimentá-los!

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O PORQUINHO DORMINHOCO (John Malam)

Era uma vez um porquinho dorminhoco muito tinhoso que vivia reclamando da vida. A erva que ele comia estava sempre murcha e pisoteada. A água do ribeirão sempre lamacenta de tão revirada Sua palha estava sempre suja e espalhada, e ele tinha que se esfregar desviando dos ovos das galinhas e das patas.

Todos os dias era a mesma coisa, antes do Sol nascer o galo cantava, cantava cinco vezes toda madrugada, quando terminava, toda bicharada já estava acordada, as galinhas e as patas, os cavalos e as vacas, o bode e a cabra. Viam o Sol nascer, iam para o pasto comer e para o ribeirão tomar água, depois se secavam brincando na palha, depois alguns iam brincar correndo pelo pasto enquanto outros ficavam botando ovos em ninhos improvisados na palha.

Todos menos o porquinho dorminhoco. Esse ficava no cocho dormindo aos roncos, só acordava quando o Sol já estava alto. Se espreguiçava e bocejava, com um sorriso na cara, mas era só sair pra pastar que sua lamentação começava:

-Ai, que erva ruim, está toda murcha e pisoteada! Ai, que água com gosto de lama, urgh! Está toda revirada… Ai, como posso brincar na palha assim, toda espalhada e ainda com todos esses ovos  das galinhas e das patas? Ai, que vida mais desgraçada!!!

Cansado de ver o porquinho dorminhoco sempre a reclamar sem fazer nada pra mudar, o galo foi com ele conversar:

-Boa tarde seu porco. Você já se perguntou porque é que a bicharada acorda com o meu canto todo dia de madrugada?

-Não me perguntei mas já imaginei, é porque eles não conseguem dormir ouvindo você cantar e, por isso, preferem levantar. Já eu sou muito esperto e antes de deitar encho meus ouvidos de lama, assim não preciso me incomodar quando você vem cantar…

-Ora, não é nada disso! – disse o galo muito ofendido – Pois eu te desafio, vá dormir hoje mais cedo, sem por lama nos ouvidos e acorde amanhã cedinho quando me ouvir cantar,  se você não gostar do que encontrar, não precisa mais se preocupar, pois eu nunca mais volto a cantar.

O porco dorminhoco até que gostou da ideia, era só acordar um dia cedo pra nunca mais ter que se preocupar em tampar os ouvidos de noite pra não escutar o galo cantar. Topou o desafio e, naquele dia, foi dormir bem cedinho. Quando o galo cantou, pulou da cama no primeiro canto e, pra seu próprio espanto, sentiu-se muito bem acordando antes do Sol. Ver o Sol nascer foi um espetáculo inigualável, e quando foi comer o pasto, hum… estava tão fresquinho, pelo orvalho molhado, nunca tinha comido nada tão gostoso. Depois foi pro ribeirão, tão límpido e azul, era maravilhoso, dava até pra ver seu reflexo na água cristalina. E a água era tão refrescante, que o porquinho bebeu que nem um elefante, depois foi brincar na palha sequinha, sem nenhum ovo para atrapalhar, dava pra deitar e rolar… ahhh!!!

Foi  uma manhã tão gostosa, tão doce e maravilhosa que o porquinho nunca mais quis saber de dormir tarde pra nunca mais perder a hora de acordar. Nunca mais pôs lamas nos ouvidos e nunca mais foi visto a reclamar. Hoje em dia o porquinho não é mais chamado de dorminhoco e é na verdade um porquinho muito bem quisto pelos outros.

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Este conto foi retirado e adaptado do site https://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com/2007/07/24/o-porquinho-dorminhoco/

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Festa na Floresta

Eis que já dá pra sentir o cheiro da primavera, nesta semana as primeiras flores surgiram no meu quintal anunciando o fim dessa estação invernal, veio a vontade de fazer essa história em homenagem à minha estação preferida.

FESTA NA FLORESTA

Hoje na floresta vai ter uma grande festa, é o grande festival da primavera.

Todos os animais vem para assistir ou pra se apresentar, cada um traz um quitute para compartilhar. A raposa bem ligeira foi a primeira a chegar, trouxe um bolo delicioso e lindos sinos pra enfeitar, deixou o bolo na mesa e já se pôs a arrumar.

Veio chegando em seguida um bando de sabiás, traziam muitos instrumentos, vinham prontos pra tocar, pousaram na grande araucária e foram se preparar. E na mesa de comidas deixaram muitas frutinhas, tinha amora, pitanga, café, uvas verdes e roxinhas  Vieram os macaquinhos e se ajeitaram na bananeira, deixaram na mesa banana passa, torta de banana, biscoito de banana e banana à milanesa, depois foram todos correndo preparar as brincadeiras, tinha corrida do saco, boca do palhaço, pula corda e brincadeiras de roda.

Cada bicho que chegava trazia uma comida gostosa, as abelhas trouxeram mel, o urso trouxe suco de carambola. Cada qual que ia chegando procurava onde ficar, todo mundo encontrando um bom lugar para sentar, e chegou a gralha azul para o show anunciar:

-Senhoras e senhores, respeitável público, animais do céu e da terra, hoje estamos em festa, comemorando a primavera. Preparem seu coração para a primeira apresentação A dança das gaivotas, dando cambalhotas e girando de lá pra cá ao som da banda dos sabiás. Muito silêncio agora que nós vamos começar!

-Vejam agora vocês a banda dos sabiás com o coral de mil pássaros cantando Dorémifá.

“Sou o Uirapuru, canto pra chuchu, então vem pra cá, pra gente cantar. Bem-ti-vi, bem-ti-vi, bem te vi cantando aqui. Colibri, colibri, colibri, gosto muito de te ouvir.”

-E agora venham todos ver a grande festa dos primatas, venham curtir as brincadeiras dos macacos e assistir os gorilas acrobatas.

-E tem desfile de elefante, tromba segurando no rabo, tem girafa na corda bamba, tem sapo tocando samba e cavalo no sapateado.

-Agora muito silêncio que o Rouxinol vai tocar, e é tão lindo seu lamento que nessa hora até o vento vai parar pra escutar.

-E agora pra encerrar, o momento tão esperado, as fadas da primavera vêm pra trazer as cores do mato, lançam a chuva e acordam as sementes fazendo as flores brotar e assim, oficialmente vemos a primavera começar…

FIM

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 Contei essa história em duas partes diferentes, na primeira, enquanto chegam os animais desenhei em aquarela os quitutes que eles traziam e, logo em seguida convidei meus alunos, um por um, para se apresentarem dizendo qual animal eles eram e o que trouxeram pra festa (que também foi desenhado) e para voltar ao lugar imitando o animal (eles adoraram). Na segunda parte fiz eu mesma as apresentações do festival, fazendo malabares bandeira na dança das gaivotas, cantando a música entre aspas na hora do coral e tocando diversos apitos com sons de passarinhos (eles ficaram vidrados e rindo de se acabar, desde a turma do maternal até o nível V); imitando os gorilas acrobatas, os elefantes, a girafa e o cavalo; toquei flauta na hora do rouxinol e pintamos flores com aquarela na chegada das fadas.

Enfim, foi uma contação bastante interativa, rica e divertida. Sei que em questão de roteiro não foi minha história mais bem arquitetada, mas foi de todas (empatando talvez com “O Caminho da Estrela”) a que mais prendeu a atenção deles por toda a aula, gerando as mais variadas reações a todo momento.

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Taina Andere

O Macaco e a Velha Firinfinfelha

Ah, as férias acabaram e acaba assim também meu tempo longe dessa telinha, o que me parece curioso é que nesse mês sem cultivar meu jardim virtual, fiz muitas podas no meu quintal real. Tenho um lindo pomar em casa, mais de 200 frutíferas plantadas pelo meu companheiro e por mim ao longo desta década de parceria cultivando nosso Jardim de Amor, mas nesse ano e meio que venho escrevendo e contando meus contos, ou seja, desde que comecei a plantar esse meu Jardim de Histórias, quase que abandonei minhas ferramentas de jardim. Por isso mesmo esse mês me dediquei a deixar meu quintal lindo e bem cuidado, canteiros preparados, para a primavera que se aproxima. Mês que vem queremos plantar muitas mudas, mas dessa vez vou fazê-lo sem deixar de plantar meus contos por aqui também, e sem deixar de cultivá-los nas escolas e por aí a fora. Junte a tudo isso o fato de que eu tenho duas filhas e um filho, mais três cachorros e um gato, ufa! Vai ser um semestre corrido. Mas deixando o desabafo de lado vamos ao primeiro conto do semestre:

Escolhi uma história da coleção disquinho: “O Macaco e a Velha” e fiz dela minha versão que virou quase uma nova história, afinal, quem conta aumenta um ponto e, depois de tantos anos, já foram muitos pontos acrescentados ou adaptados…

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O MACACO E A VELHA FIRINFINFELHA

Era uma vez uma velha muito velha, chamada Firinfinfelha que tinha um lindo bananal no fundo do seu quintal. Mas a coitada da velha poucas bananas comia pois o macaco Simão roubava todas que conseguia.

“Macaco Simão, macaco ladrão. Macaco Simão sem educação” (cantado)

Cansada de tanto ser roubada a velha Firinfinfelha teve uma ideia danada: comprou alguns quilos de alcatrão e fez um bonequinho bem pretinho igual carvão. Depois de pronto a velha levou o boneco para o quintal e colocou ele sentado no meio do bananal, colheu as bananas mais maduras e apetitosas, pôs em um saco de algodão e colocou no colo do boneco de alcatrão. E lá ficou o boneco, tinha até cartola, e uma porção de bananas na sacola.

“Boneco valente, parece ser gente. Macaco Simão vai ter sua lição”

Quando chegou o macaco Simão e viu as bananas no colo do boneco de alcatrão, torceu o rabo, fez uma careta bem feia e cantou desafinado:

“Que moleque sem vergonha, que menino mais ladrão, roubando minhas bananas sem me dar satisfação. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve roubar o macaco Simão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve roubar o macaco Simão.”

E o macaco  Simão, ficou muito bravo que nem um cravo e foi falando pro boneco de alcatrão:

-Solta já minhas bananas seu moleque sabichão.

E o boneco ficou lá sentado, quieto, com a sua cartola e as bananas na sacola.

Mais bravo ainda falou o macaco Simão:

-Ora seu mau educado, não vai nem me responder? Pois se você não falar nada vou aí dar-te uma bofetada! Daí eu quero ver!

O macaco gritava e o bonequinho nada. Simão já soltava fumaça pelas ventas, e quando Simão fica bravo ninguém aguenta. Pois o macaco foi lá e deu-lhe um bofetão no moleque sem educação. E a mão do macaco Simão ficou presa no boneco de alcatrão.

-Seu menino atrevido que cheira a chulé! Solte minha mão ou lá vai pontapé.

E como o boneco não soltava a mão do macaco Simão e ele já tinha avisado… deu-lhe um chute bem dado. E o pé do macaco também ficou grudado.

-Ora seu moleque malvado é assim que você quer, vai segurar também o meu pé. Pois saiba que eu tenho outro pé e outra mão, vai chover safanão, e se prepara que também tem cabeçada.

E lá foi o macaco Simão atacando com todas as suas armas, mas quanto mais ele atacava mais se grudava e pior ficava. No final da luta já nem havia boneco, só o macaco Simão todo grudado no chão em um bolo de alcatrão.

-Socorro! Acudam! -gritava o pobre macaco desesperado.

E veio rindo a velha Firinfinfelha.

-A seu macaco malvado. Assim você aprende sua lição. Viu como é ruim ficar roubando as minhas bananas. Agora vai ficar preso no meu boneco de alcatrão.

-Me solta velha Firinfinfelha, eu faço o que você quiser! – implorava o macaco.

-Só solto se você prometer nunca mais vir ao meu quintal roubar as bananas do meu bananal.

O macaco prometeu pra velha nunca mais roubar uma banana dela e a Firinfinfela também cumpriu sua promessa. Soltou o macaco que tava todo grudado.

 Simão, no meio da mata, chorava como uma criança enquanto planejava sua vingança. Pegou emprestada uma pele de leão que ao sol estava secando e foi visitar a velha conforme o plano que estava bolando:

“A velha Firinfinfelha vai ter a sua lição e saber que um macaco irritado é pior do que um leão.”

E o macaco Simão pulou o muro do quintal e foi se esconder no meio do bananal. Quando apareceu a velha ele deu o susto final.

“-Socorro vizinhos! Senão não escapo!

-Sossegue velhinha. Você está no papo!”

A velha Firinfinfelha tomou um susto tremendo, fugiu correndo, queria correr pra casa, mas naquele alvoroço acabou errando o caminho e caiu no fundo do poço.

“-Socorro vizinho! Socorro seu moço! Se não eu me afogo no fundo do poço!”

Vendo aquilo o macaco ficou até sem fala, queria assustar a velha, mas não queria matá-la. Saiu da pele correndo e foi ajudar a velha, procurava uma corda ou cipó pra puxar a Firinfinfelha. Não encontrava nada e a velha ainda gritando, o tempo estava acabando, ela estava se afogando.

Então o macaco Simão teve uma grande ideia, agarrou na beira do poço e jogou o seu rabo pra velha.

“-Socorro, meu Deus! Se não me afogo!

-Então minha velha segura no rabo.”

Os vizinhos foram chegando no meio do bananal e viram estupefatos essa cena original : o macaco na beira do poço fazendo uma força danada e no rabo do macaco Firinfinfelha vinha pendurada.

Mas depois desse dia as coisas muito mudaram pois Firinfinfelha e o macaco bons amigos viraram. E até hoje em dia sentam juntos no quintal pra colher e dividir entre si as bananas do bananal. De noite fazem fogueira e a velha pega a viola e o macaco canta enquanto Firinfinfelha toca:

“Minha velha me enganou com um boneco de alcatrão e eu enganei a velha com uma pele de leão. Minha velha me enganou com um boneco de alcatrão e eu enganei a velha com uma pele de leão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve enganar o macaco Simão. Bililim, bililim, balalão, balalão, ninguém deve enganar o macaco Simão.”

FIM

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As partes entre aspas serão cantadas. Depois da história quero fazer com as crianças uma atividade na qual todos vamos imitar macacos e depois todos esse macaquinhos formarão um trem que será conduzido por mim até formar uma roda. Nessa posição todos se sentarão com perna de índio (um virado para as costas do outro). Então os macaquinhos vão procurar piolho na cabeça do macaquinho da frente. Em seguida faremos uma brincadeira na qual eu começarei tocando com as pontas dos dedos a cabeça da criança que estiver sentada na minha frente (de costas pra mim). Essa criança deve repetir esse mesmo toque na cabeça do colega que está na frente dela e assim por diante. Todavia as crianças não poderão olhar para trás para ver como estão sendo tocadas, elas devem repetir esse toque apenas imaginando como ele é à partir do que ela está sentindo. É como um telefone sem fio, mas ao invés de palavras o que corre pela roda são toques rítmicos feitos com as pontas dos dedos na cabeça e ombros, ora com todos os dedos ao mesmo tempo, ora com os dedos em sequência, ora alternando entre o dedão e os outros dedos.

Nunca fiz essa brincadeira antes, inventei ela hoje, mas na minha cabeça funcionou muito bem, então vamos testar…

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Os dois anõezinhos

Quando fiz meu curso de Pedagogia Waldorf ouvimos uma história coletada pelos irmãos Grimm chamada ” Os presentes do povo pequenino”. Anos depois fui contar essa história para as minhas filhas, e contei como me lembrava. Minha filha gosotu muito dessa história, por isso a repeti diversas vezes de lá pra cá, chegando mesmo a apresentá-la nas minhas escolas. Mas descobri ontem que o que ficou na minha memória não era quase nada parecido com a história. Ou seja, sem querer inventei uma história nova, ao mesmo tempo percebo agora que nessa história nova eu incluí diversos conceitos do que eu havia estudado. Por isso resolvi publicá-la agora.

Essa é uma história para o inverno, pois durante esta época as forças espirituais estão concentradas no interior da terra, guardando a vida das sementes ou formando as mais belas pedras. Na mitologia essa força é representada pelos anõezinhos, seres pequenos mas muito fortes, guerreiros ferozes, mas também trabalhadores extremamente habilidosos na carpintaria, na mineração e na transformação das pedras preciosas nas mais belas e mágicas jóias.

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OS DOIS ANÕEZINHOS

Em um certo país uma grande caverna existia, mas não era uma caverna escura e fria. Era uma caverna toda enfeitada com lindas pedras polidas e lustradas. Tão enfeitada que brilhava.

Pois aquela caverna não era uma caverna cheia de animais assustadores, ela era habitada por anõezinhos mineradores muito trabalhadores.

Todos os dias eles procuravam pedras, quando não eram preciosas, mas eram belas, eles usavam para enfeitar a caverna, mas quando achavam uma pedra preciosa e brilhante, fosse uma esmeralda, um rubi ou um diamante, trabalhavam a pedra lustrando e polindo com cuidado e afinco até deixá-la lisa e cintilante. E quando achavam ouro ou prata faziam as jóias mais raras encrustando suas pedras trabalhadas em coroas, espadas e seus cintos, anéis, colares ou brincos.

Mas os anõezinhos, apesar de serem um povo bastante orgulhoso, não são muito vaidosos, por isso faziam as jóias não para usar, e sim para vender ou trocar. Trocavam suas relíquias principalmente por comida, é que na caverna a luz do Sol não consegue entrar, logo não dá pra plantar e os anõezinhos são conhecidos por saber trabalhar mas também pelo tamanho de seu apetite, o que considerando que os anões são tão pequenos, é mesmo de espantar. Por isso deixo avisado, não convide um anãozinho pra jantar.

Acontece que nassa caverna os anõezinhos já não conseguiam mais achar ouro, prata ou pedras, e assim estavam todos começando a passar necessidades.

Fizeram uma grande reunião para resolver aquela situação. Logo todos concordaram que um anãozinho deveria fazer uma expedição pra procurar na montanha vizinha uma possível solução.

O anão mais velho deu a sua opinião:

-Deveríamos enviar para essa honrosa e perigosa tarefa o anão Spik, corajoso e valente, um anão experiente e que tem uma barba respeitável.

Todos concordaram, todos menos Spok. Spok era um anão que adorava chamar a atenção. Estava sempre se metendo em confusão, queria falar mais alto enquanto alguém falava, tirava sarro de meio mundo e parece que ele não sabia a hora de fazer piada. E o pior é que ele ainda “se achava”…

-Eu devo ser o anãozinho enviado, afinal sou muito mais barbado.- disse o Spok.

É que todos os anõezinhos são barbados e, geralmente, quanto mais barbado, mais o anãozinho é respeitado. Mas Spok era um anão mal educado, ninguém queria vê-lo ser o responsável por tão importante trabalho.

Foi Spik quem resolveu a situação:

-Vamos nós dois então! Eu posso te ajudar e, nós dois juntos, mais pedras conseguiremos carregar.

Assim, na manhã seguinte, depois de um café da manhã reforçado, saíram os dois para fazer o trabalho. Spik e Spok caminharam o dia inteiro e chegaram no sopé da montanha quando já estava anoitecendo, mas não quiseram nem parar para descansar. Resolveram aproveitar a luz da lua cheia para começar a procurar. Acharam muitas pedras bonitas, mas nenhuma preciosa, ainda assim, como os dois anõezinhos gostavam muito de pedras bonitas, todas que encontravam recolhiam. Passaram assim a noite inteira e ainda o dia inteiro, sempre montanha acima. Já estava anoitecendo quando chegaram lá em cima.

Os dois traziam as bolsas e os bolsos completamente carregados de lindas pedras, mas nenhuma valia nada, nenhuma servia para resolver o problema deles e dos outros anõezinhos lá da caverna. Muito tristes pararam para descansar, fizeram uma cama de pedras, usaram as bolsas cheias de pedras como travesseiro e as pedras em seus muitos bolsos lhe serviam de coberta. E dormiram.

O primeiro a acordar foi Spik:

-Aaah! Nossa Spok que sono pesado que eu tive. Essas pedras me parecem tão pesadas. Uau! Acorda Spok veja que maravilha, nossas pedras todas viraram ouro, é o mais puro ouro que eu já vi na vida. É tanto ouro que dá pra resolver o problema de toda a nossa vila.

Os dois anõezinhos encantados dançaram e cantaram.

-Vamos Spok- disse Spik – Vamos logo voltar para caverna e levar o ouro e a boa notícia para todos lá da vila!

-O quê Spik? Você ficou louco? Pra que ir embora agora se podemos passar o dia aqui juntando muito mais pedras para amanhã termos muito mais ouro?

-Mais ouro pra que Spok? Já temos ouro suficiente pra resolver o problema de todos os anõezinhos da montanha, quero logo voltar para casa e a boa nova levar. Vamos lá!

-Se você quiser que vá. Pode levar o ouro que puder carregar. Eu vou ficar, juntar mais pedras fazer mais ouro e, quando eu voltar, vou ser o anãozinho mais rico de toda a nossa caverna, ou melhor, vou ser o anão mais rico e poderoso do mundo todo.

Vendo que Spok estava tomado pela ambição e não ia mudar sua decisão Spik resolver pegar metade do ouro e voltar pra caverna pra dividir o tesouro por todos os nõezinhos.

Spok ficou na montanha recolhendo pedras, já não mais se importava se eram feias ou belas, redondas ou quadradas, era pedra ele pegava. Quando terminou o dia ela já tinha feito uma montanha enorme de pedras no alto da montanha, junto com o monte de ouro que ele havia conseguido na noite anterior. Também trazia pedras nas bolsas e nos bolsos da calça, da camisa e do casaco e até seu chapéu estava cheio de pedras. Spok estava feliz e cansado. Deitou no alto das pedras, usando sua bolsa cheia de pedras como travesseiro e as pedras dos bolsos servindo de coberta. Dormiu sonhando com todo o tesouro que teria ao acordar.

Acordou no outro dia com um pulo.

-Aah! Me sinto tão leve e disposto. Dormi tão bem… minha cama de ouro estava tão quentinha e macia…. Epa, espera um pouco, quente e macio? Mas o ouro é duro e frio!!! Oh! Mas que horror, que decepção. Todas as minhas pedras, até mesmo todo meu ouro, virou carvão!!!

O anãozinho começou a chorar e, pra piorar, quando levou a mão aos olhos, para suas lágrimas enxugar, percebeu que estava sem nenhum pelo na cara, não tinha mais nem um fio de bigode nem de barba.

Envergonhado o anãozinho foi procurar uma caverna pra morar, e lá ficou dias a fio, chorando sozinho, arrependido.

Por sorte lá na vila o anãozinho Spik começou a ficar preocupado, afinal já era tempo do Spok ter voltado… resolveu ir procurá-lo.

Ao chegar na montanha acabou achando a caverna onde o amigo tinha ido morar, mas ao ver Spok sem barba nem bigode, Spik começou a rir de gargalhar. Era uma gargalhada tão gostosa que o Spok não aguentou e começou a rir junto com o amigo, e aquela risada lavava toda a tristeza que ele estava sentindo.

-Vamos Spok- disse o Spik ainda rindo- Vamos voltar pra caverna, estão todos preocupados meu amigo. Além do que eu dividi o meu tesouro entre todos os anõezinhos e agora somos todos ricos.

-Não posso voltar- disse Spok envergonhado.- Se voltar para nossa caverna serei o único anãozinho pobre e isso é muito triste.

-Claro que não!- disse Spik- eu não falei que tinha dividido o ouro entre todos os anõezinhos do condado, então, seu ouro também está lá separado.

E assim Spok resolveu voltar, quando chegou na caverna todos os seus colegas que o viam sem bigode nem barba, caiam na gargalhada. Mas Spok nem ligava, estava feliz da vida e tinha aprendido sua lição. Além disso, se sentia muito rico, não por conta do ouro, mas por ter Spik como seu amigo.

FIM

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